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Fazendo as pazes com Papai Noel

Você já parou pra pensar por que levamos pinheiros pra dentro de casa, os decoramos com bolas coloridas e colocamos presentes ao seu redor no Natal? Qual é, de fato, a origem da simbologia natalina?

Enquanto a maioria de nós entende o Natal como um feriado cristão que simboliza qualidades elevadas de caráter como solidariedade, compaixão, esperança, altruísmo etc; apesar de celebrado no mundo inteiro, o evento causa sentimentos controversos. Para uma parcela mais radical a data representa uma espécie de celebração do consumismo materialista e da ganância, banhado com uma calda de hipocrisia. Por outro lado, alguns entusiastas do Natal acreditam que manter uma criança crente na existência do Papai Noel é de certa forma uma crueldade, uma vez que mais tarde elas descobrirão que foram enganadas pelos seus próprios pais. E se perguntam, justamente, que, “se não queremos que elas mintam, porque mentimos para elas?”.

Temos também uma frente mais recente, oriunda da paranóia policiadora do politicamente correto, que também está em guerra contra o bom velinho, que vem sendo crucificado por “sua massa corpórea estar muito além do que recomendam os médicos” (!!),  ataque respaldado por uma manipulação de estatísticas que conclui que “Há uma correlação entre os países que mais veneram o Papai Noel e altos índices de obesidade infantil” (!!!).

Como tudo no mundo contemporâneo, é claro, o buraco é sempre mais embaixo.

“Então, por quê as pessoas levam pinheiros pra dentro de suas casas no solstício de inverno e colocam pacotes coloridos (vermelho e branco) ao redor de seu tronco, como presentes para demonstrar seu amor pelo próximo e como representações do amor de Deus e da dádiva da vida para seus filhos? É porque, embaixo do tronco do pinheiro é a localização exata onde se pode encontrar a mais sagrada substância, a Amanita Muscaria, na natureza.” – James Arthur, “Mushrooms and Mankind”

A Amanita Muscaria é o cogumelo vermelho de pintinhas brancas que habita nosso inconsciente coletivo e a literatura das fadas e do mundo da magia, e que cresce quase que exclusivamente em redes de micélios que coexistem simbioticamente com os pinheiros nos países nórdicos. Também conhecido como o “fungo voador”, seu igrediente ativo principal é o ‘muscimol,’ bem como traços de DMT, ou a “molécula do espírito”, um enteógeno que, de acordo como Dr. Rick Strassman, PHD e pesquisador especializado na molécula, possui fortes evidências de ser produzido pela glândula Pineal no cérebro humano.

“O próprio nome ‘Christmas’ é uma palavra composta de ‘Christ’ (Cristo, no sentido daquele que é embebido com a substância mágica’ e ‘Mass’ (Missa, o trabalho religioso ou cerimônia de ingestão da eucaristia sacramental, o Corpo de Cristo’). Na tradição católica, esta substância (corpo/soma) foi substituída pela doutrina da ‘transubstanciação’, em cujas cerimônias os padres clamam a habilidade de transformar uma bolachinha redonda (a hóstia) no Corpo de Cristo literal; ou seja, um susbtituto, ou placebo.” - James Arthur, “Mushrooms and Mankind”

Ao passo que a maioria de nós entende o Natal como um feriado cristão, ele tem suas origens em tempos mais remotos, das tradições xamânicas dos povos tribais do norte da Europa pré-cristianismo. Esses cogumelos eram usados pelos povos ancestrais para clarividência e experiências transcendentais. A maioria dos elementos da tradição natalina, como o Papai Noel, as árvores de Natal, as renas voadoras e a troca de presentes são baseadas nas tradições que envolviam a colheita e consumo desses cogumelos sagrados.

Os povos ancestrais da região, incluindo os Lapps da hoje Finlândia, e as tribos Koyak das estepes centrais da Rússia, acreditavam na idéia da “Árvore do Mundo”. A Árvore do Mundo era vista como uma espécie de eixo cósmico, no qual os planos do universo são afixados. As raízes da Árvore do Mundo se esticam pra dentro dos mundos inferiores, seu caule está na “Terra do meio”, da existência cotidiana, e seus galhos alcançam pra cima, em direção aos reinos dos céus. Para os povos ancestrais, esses cogumelos eram literalmente as “frutas da Árvore”.

A Estrela do Norte também era considerada sagrada, uma vez que, ao olho do observador, todas as outras estrelas rotacionavam em torno deste ponto fixo. Eles associavam esta “Estrela Polar” com a Árvore do Mundo e o eixo central do universo. O topo da Árvore do Mundo tocava a Estrela do Norte, e o espírito do xamã escalava a árvore metafórica, passando para o reino dos deuses. Este seria o significado original da estrela no topo da árvore de Natal moderna, e também o motivo pelo qual o “super-xamã” Papai Noel vive no Pólo Norte.

As analogias prosseguem. Um dos efeitos colaterais da ingestão da Amanita é sentido na pele, através de uma “vermelhidão” que pode ser percebida com mais facilidade nas extremidades do rosto. É por isso que o Papai Noel é sempre ilustrado com nariz e bochechas avermelhados. Até seu riso “Ho, ho, ho!” corresponde de certa forma ao riso eufórico daqueles que mergulham na indulgência com o fungo mágico.

Papai Noel também se veste como um coletor. Quando era tempo de sair para fazer a coleta dos cogumelos mágicos, os xamãs ancestrais da Sibéria vestiam-se de forma correlata, com casacos de pele e longas botas.

Os povos da região viviam em tendas feitas de madeira e pele de rena, chamadas “yurts”. A chaminé central dessas tendas era também usada de entrada, uma vez que o enorme volume de neve que se acumula no solo bloqueia uma entrada frontal. Após a colheita, os xamãs voltavam pra casa com seus sacos cheios nas costas. Ao adentrar as tendas dos habitantes destas tribos, eles presenteavam os mesmos com os frutos mágicos de sua colheita. Também não é coincidência que as renas que habitam estas regiões sejam grandes comedoras de cogumelos  Amanita, o “fungo voador”.

Ao compreendermos melhor as origens destas celebrações, nós podemos compreender melhor o mundo contemporâneo, e nosso lugar nele. Papai Noel não é uma mentira, e o verdadeiro espírito do Natal não reside na troca de brinquedos de plástico, mas na celebração de um presente da terra: o enteógeno, a planta ou substância capaz de gerar o “Deus interior” e as experiências reveladoras e visionárias que dele podemos extrair, que no fundo remetem ao grande denominador comum entre todos nós: o amor e a comunhão.

Nós do Plantando Consciência desejamos um Feliz Natal a todos, e um 2011 repleto de visões, frutífero para o despertar!

Saiba mais:

http://www.plantandoconsciencia.org/pharma.htm

Livros (em ingles):

Mushrooms and Mankind, de James Arthur
Soma: Divine Mushroom of Immortality, de Gordon Wasson
Mushrooms, Poisons and Panaceas, de Denis R. Benjamin
- Astrotheology and Shamanism:  Christianity’s Pagan Roots
A Revolutionary Reinterpretation of the Evidence
, de Jan Irvin e Andrew Rutajit
- The Sacred Mushroom and the Cross, de John Marco Allegro

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Convite para o lançamento do livro “2012, O Ano da Profecia Maia”, de Daniel Pinchbeck

Neste fim de semana (11 e 12 de Dezembro) o pessoal da Editora independente Anadarco lança o best-seller de Daniel Pinchbeck em aguardada tradução para o português. O livro de Pinchbeck inspirou o documentário de João Amorim “2012 Tempo de Mudança” que passamos em primeira mão em Outubro (e agora em Dezembro estreamos o documentário Cortina de Fumaça na Matilha Cultural) e virou referência entre um corpo crescente de avatares da nova consciência no mundo de língua inglesa. É mais do que bem vinda a tradução de seu livro para o português: ela é necessária.

Intitulado aqui como “2012, o Ano da Profecia Maia” (seguindo o nome do livro em terras britânicas), o título original americano poderia ser lido como  ”2012 – O Retorno de Quetzalcoatl”, e se refere à divindade mesoamericana, também conhecida como a “Serpente Emplumada” (simbologia que unifica opostos: serpente e pássaro, céu e inferno, luz e escuridão, espírito e matéria), que, diz a profecia, voltará para resgatar a humanidade da destruição. Longe de ser um livro apocalíptico, como podem dar a entender ambos os títulos, o livro de Pinchbeck joga luz sobre essa e outras metáforas que caem tão bem nos tempos contemporâneos, nesta turbulenta passagem de milênio, de era, de paradigmas. De acordo com o estudioso Maia José Argüelles, Quetzalcoatl parecia ser “não apenas um deus, mas múltiplos deuses; não apenas um homem, mas muitos homens, não apenas uma religião, mas . . . uma estrutura mental”.

A milhas de distância da (quase sempre oportunista) literatura apocalíptica, esotérica, de auto-ajuda e afins, que inevitavelmente pende para a prosa excessivamente otimista e tomada por uma fé inabalável, na maioria das vezes irritante (é possível levar a sério alguém que nunca desconfiou, nunca duvidou, nunca questionou? Será humana tamanha perfeição?), o livro de Pinchbeck mergulha a fundo numa busca muito bem fundamentada (o livro contém mais de 170 citações e referências bibliográficas) por erguer as cortinas ideológicas de nossa era e revelar verdades e conhecimentos mais profundos que nos foram obliterados por séculos de doutrina materialista-científica. E ao contrário do tom deslumbrado que permeia a maior parte dos textos esotéricos, a obra de Pinchbeck nos desvenda outros mundos a partir do prisma de um intelectual ateu, cético por princípio, que vê as verdades que lhe foram ensinadas ao longo da vida sendo desmoronadas empiricamente, ao mergulhar no universo dos enteógenos, da busca por si mesmo e de conhecimentos ancestrais esquecidos ou diluídos para consumo.

O staff da Anadarco trata a jornada para trazer este livro para o Brasil como um projeto diferenciado para quem deseja agir diferente do atual estilo de vida. “Mas o que é agir diferente? É sair do estado de conforto, repensar a lógica do consumismo, atuar na preservação do meio ambiente e dar margens a outras interpretações além da racional. Enfim, um convite para enxergar o mundo com outros olhos”, segundo a editora Karin Thrall.

Serviço:

Open House | Open Books | Open Mind ANADARCO
11 de dezembro – das 13h às 21h
12 de dezembro – das 13h às 19h
Rua Oscar Freire, 329 – cj. 71
Drinks e petiscos naturais | lounge music | celebração e networking

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Tempo de Mudança

Daniel era um niilista. Nascido nos anos 60, filho da geração da contracultura (seu pai era um pintor abstrato e sua mãe uma editora e escritora que fizera parte da Geração Beat), cresceu num universo artístico profundamente ateu e aprendeu com seus pais a rejeitar as religiões de seus antepassados, internalizando uma visão científica de mundo que desconhece a existência do sagrado. Fez então da cultura sua religião, procurando na literatura e na boemia a conciliação do desejo de ser, de uma autenticidade desengonçada, “a uma instância daquilo que o mercado pode suportar”.

Como jornalista, em seus vinte e poucos anos, bebia ao excesso em festas e coquetéis, enquanto escrevia perfis de celebridades e artistas para revistas. Crescendo em Manhattan, segundo ele “um redemoinho de distrações eróticas e culturais”, não conseguia se livrar de uma sensação de que algo faltava na sua vida, algo “tão essencial como desconhecido, e virtualmente inconcebível”.

Aos poucos, sua desilusão com a sociedade contemporânea – suas falsas necessidades de consumo, obssessão pelo medo perpétuo de guerra e terrorismo e o uso da mídia pra gerar consenso forçado – foi criando uma atmosfera que enegreceu sua mente até obscurecer tudo mais. Perdeu interesse pelo seu trabalho, ou por qualquer trabalho. Com seus amigos, mergulhou na “estrada do excesso” de heroína, cocaína e álcool, na obsessão por bandas alternativas como Nirvana e Pavement e numa vida de memórias borradas de comportamentos indesculpáveis. Mas não atingiu qualquer “palácio de sabedoria”, tal qual invocado nos Provérbios do Inferno de William Blake. Pelo contrário, viu alguns de seus companheiros serem levados drasticamente desta vida.

Procurando pela peça perdida no quebra-cabeça que o levou a tal beco sem saída, ele lembrou de um punhado de experiências com psicodélicos que havia se submetido em tempos de faculdade – que percebeu como os únicos momentos de sua vida em que parecia ter penetrado em níveis de consciência que lhe pareciam mais perspicazes e avançados, e até mais educativos que as aulas que ele assistia.

Dentro do universo artístico e literário na Nova York dos anos 90, a atitude em relação aos psicodélicos era de desdém. Uma vez considerados expansores da mente, as “drogas dos hippies” não possuíam a aura perigosa de “chique fora-da-lei” geralmente atribuída à cocaína e heroína, eleitas como as drogas de escolha dos boêmios. Em sua crise, Daniel percebeu então que, ao se entregar a essas substâncias, eles estavam apenas espelhando a cultura decadente da qual tentavam escapar. Ele e seus amigos haviam optado por adentrar estados alterados de maneira destrutiva – uma que emparelhava com seu niilismo inconsciente.

A partir de então Daniel se enveredou por um caminho de descobertas, começando por uma radical viagem à África para participar de cerimônias rituais com uma tribo Bwiti, que faz uso da raiz da iboga para “rachar a cabeça” (break open the head, em inglês), ou “temporariamente libertar a alma do corpo, permitindo a entrada inicial no cosmos espiritual, onde lhe é mostrado o traçado de seu destino”. Ele passou então pela Amazônia, onde tomou ayahuasca com os índios; pelo México, atrás dos cogumelos sagrados e do legado Maia; pela Índia e Nepal, pelo deserto de Nevada, as terras medievais ao redor de Glastonbury, na Inglaterra, e muitos outros pontos de uma jornada iniciática para desenterrar verdades ancestrais ocultas que a nossa sociedade varreu pra baixo do tapete e que agora, num momento em que nosso planeta se encontra enfermo, clamam pela redescoberta.

Essas histórias irresistíveis e transformadoras podem ser conferidas em seus dois livros, Breaking Open the Head (2002, inédito no Brasil) e 2012, The Return of Quetzalcoatl (2006, com lançamento no Brasil previsto para o fim deste ano, com o título 2012 O Ano da Profecia Maia). Ambos são sólidos frutos de pesquisa intercalados com autobiografia (o primeiro tem 336 páginas e o segundo, 416) que misturam relato de jornada pessoal com referências bibliográficas (só em 2012, O Ano da Profecia Maia são mais de 170 obras literárias e científicas referenciadas e parafraseadas). Prolífico escritor, Daniel Pinchbeck consegue atingir em cheio aqueles que sempre procuraram conforto nas frágeis explicações materialistas sobre a vida, e faz com que seus livros funcionem eles mesmos como uma jornada iniciática de expansão da consicência adormecida.

Dentre seus leitores que tiveram a cabeça aberta (“head broken open” em inglês, referência ao título de seu primeiro livro) através da leitura de sua obra – também céticos de formação e desconfiados, por princípio, com a “baboseira New Age” -, estão este que vos escreve e o cineasta brasileiro João Amorim.

João, que, além de cineasta, trabalha com permacultura (fundou a ONG Ciclo Sustentável em Goiás), vivia em Nova York à época, e teve uma grande identificação com a obra de Pinchbeck. Assim como o autor, o brasileiro havia relegado suas experiências iniciáticas do passado a algum canto obscuro do inconsciente após ter adentrado o mundo dos business, produzindo animações em grande escala e sofisticados comerciais de TV. O cineasta percebeu então como fomos escravizados por uma noção errônea de tempo, que justifica um sistema de lógica auto-destrutiva e insustentável, e a necessidade latente de nos realinharmos com a natureza para evoluirmos nossa consciência e construir um mundo melhor.

Com essas idéias em mente, ele procurou Daniel, com quem desenvolveu empatia imediata e, juntos, produziram o documentário com sofisticadas animações 2012, Tempo de Mudança, que acompanha o autor e explora os tempos de crise que vivemos, o potencial para uma evolução da consciência e propostas práticas para solucionar os nossos problemas através do design ecológico.

É com grande prazer que o Plantando Consciência traz para São Paulo a estréia do filme, a partir do dia 1 de Outubro (sexta-feira) na Matilha Cultural, onde fica em cartaz com sessões gratuitas até o dia 09, dentro do evento Setembro Verde. No dia seguinte à estréia, no sábado 02 de Outubro, haverá um debate com o diretor após a exibição, imperdível para todos aqueles interessados em jardinar a consciência. E no dia 15 teremos uma sessão na Cinemateca Cultural.

Em fase de exibição em festivais e circuitos culturais, o filme já chamou a atenção da rede BBC de Londres, entre outros, que produziu a matéria que você pode conferir abaixo (legendada em português pelo Plantando Consciência); e deve entrar no circuito comercial nos Estados Unidos no fim do ano. No Brasil, não há previsão de que o filme entre em cartaz, então aproveite a oportunidade!

Reportagem da BBC sobre o filme. Legendas disponíveis tb em português, no menu logo abaixo do vídeo

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Horizons 2010

Já está disponível a lista de palestrantes do simpósio psicodélico Horizons 2010, que acontece todo ano em NY. Também estão disponíveis os vídeos da edição de 2009 aqui.

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O Futuro das pesquisas com psicodélicos e maconha

Em primeira mão, PC disponibiliza a todos a genial e magistral palestra do médico Andrew Weil, criador da Medicina Integrativa, sobre a ciência psicodélica e também sobre a maconha, conferida em Abril deste ano na Califórnia, durante a conferência “Psychedelic Science in the XXI century”, organizada pela MAPS. Disponíveis legendas em en e pt_br. Adubem, espalhem, plantem e semeiem!

saudações


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Planolândia

Eu acredito, sinceramente e do fundo do coração, que todo curioso, interessado ou iniciante na temática da expansão de consciência, enteógenos, espiritualidade etc deveria começar por este vídeo (que originalmente não tem nada a ver com o tema, mas que tem TUDO a ver). Está pra surgir uma explicação mais apropriada para o que se encontra nestas viagens. Abraços a todos os psiconautas,
Marcelo

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Pablo Amaringo 1943 – 2009

In Memoriam. Sentiremos sua falta.

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