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Você está pronto para a permacultura?

Paul Cezanne - Pyramide de crânes

Em 1906, Paul Cézanne, aos 67 anos de uma vida pontuada por fracassos pessoais e profissionais, morreu de pneumonia, sem saber que se tornaria um dos mais influentes artistas do século XIX , ou o “pai da Arte Moderna”. Ao longo de sua vida, suas pinturas pós-impressionistas eram ignoradas pelo público e ridicularizadas pela burguesia francesa. Apenas 3 anos antes de sua morte, o pintor teve que lidar com um artigo desmoralizante sobre seu trabalho, intitulado “O Amor pela Feiúra”, publicado num jornal de grande circulação.

Cézanne pintou a montanha de Sainte-Victoire, no sul da França e visível de sua casa, cerca de sessenta vezes, e dizia que a montanha é que mandava mensagens o chamando para ser pintada. O pintor mergulhou na Sainte-Victoire com tanta voracidade pois notava que o resultado de seu trabalho nunca era uma representação da montanha que ele observava, já que uma ligeira mudança de ângulo, luz, tempo, da vegetação e do próprio olhar do observador sempre a transformavam em outra montanha, diferente daquele que ele havia apreendido.

O artista percebia de maneira intuitiva que aquilo que tomamos como realidade é uma projeção da nossa consciência, ao invés de uma existência fixa em si, e que portanto pode se apresentar de formas distintas. O escritor Daniel Pinchbeck tem uma frase ilustrativa a este respeito: “nós não vemos o mundo como ele é, mas, em grande parte, vemos o mundo como nós somos”.

Assim como grande parte dos artistas visionários que pressentem instintivamente uma mudança em seu tempo e a retratam em termos subjetivos, Cézanne e seu uso de cores intensas, formas geometrizadas e eliminação de contornos distintos influenciou praticamente todos os movimentos de vanguarda que se seguiram à sua morte, mas sua arte só foi compreendida pela sociedade com o passar do tempo. Seu significado, ora visionário, se consolidou, foi absorvido pelo sistema e, hoje, seu estilo tem cara de “velho”.

Outra perspectiva interessante sobre o mesmo fenômeno é a do economista francês Jacques Attali. Em seu livro “Bruits” (em francês) ou “Noise: A Political Economy of Music” (“Ruído, uma Economia Política da Música”, inédito no Brasil), ele argumenta que, quando uma grande mudança social está para acontecer, ela vai se mostrar primeiro na música. De acordo com Attali, você pode identificar facilmente que tipo de música faz esse papel profético, porque as pessoas irão dizer que “isso não é música, é barulho” (qualquer semelhança com a “feiúra” da arte de Cézanne…).

Se a sua avó, que talvez tenha pensado dessa forma à época em que os Beatles chegaram ao topo das paradas, hoje acha as canções do quarteto de Liverpool um tanto charmosas, isto não se deve a um maneirismo qualquer. Essa música não é mais ruído porque o mundo que ela anunciava já chegou.

O que isso demonstra hoje, além do papel visionário da cultura de vanguarda, é o onipresente papel do tempo como professor e “limpador de pára-brisas” ideológico, permitindo clareza de visão. Algo impossível de ser atingido através da racionalização imediatista utilizada por meios de comunicação corporativos, pela arrogância da ciência materialista e por partidos e partidários políticos de qualquer inclinação. Revela também o onipresente preconceito inerente a esta parcela da sociedade, que é sempre pega de surpresa pelas ondas da história.

“Poluição é um recurso não utilizado” – Bill Mollison

A monocultura a que estamos acostumados, paisagem típica Brasil afora, com vastas plantações de cana, milho, café e outros, é um conceito permanente em nossas cabeças. Ela está lá desde que nós nos damos por gente: basta sair da cidade, e entrar em uma rodovia qualquer para deparar com vastos campos forrados de carpetes verdes, ou pastos salpicados de vaquinhas. Essa é a nossa própria definição de “interior”, ou de ambiente “rural”. No entanto, essa monocultura não foi projetada para ser permanente.

Incapaz de olhar as consequências de sua aplicação a longo prazo, o agronegócio se originou da chamada “revolução verde” das décadas de 40 a 60 – a mecanização e o uso de insumos industriais (fertilizantes e agrotóxicos), que permitem uma produção em larga escala – e transformou a paisagem global.

Mas como qualquer monocultura, esta agricultura convencional não é um sistema estável, isto é, não tem resiliência, que é a capacidade de se regenerar ao estado original (como um elástico que, após estendido, volta ao seu formato anterior). E assim, não leva o solo em consideração. Contrária aos princípios pelos quais a natureza opera, a substituição da cobertura vegetal original de uma região – baseada na relação simbiótica entre uma variedade de espécies – por uma cultura única é uma prática danosa ao solo, causando a poluição e esgotamento, e consequente dependência de adubos e insumos químicos para torná-lo novamente produtivo. O efeito colateral é uma produção literalmente envenenada e a desertificação de áreas antes ricas em biodiversidade.

Se isso soa como discurso de militante ecochato, lembre-se da questão da feiúra de Cézanne ou do ruído na música: trata-se na verdade do centro de todas as questões fundamentais para a nossa sociedade contemporânea. A crise ambiental é apenas um dos sintomas de uma grande crise estrutural, que por sua vez é fundamentada no atual sistema financeiro, ele próprio também uma monocultura (para saber mais, veja esclarecedora entrevista com o economista e co-autor do Euro, Bernard Lietaer, que, por sinal, é um dos entrevistados do filme 2012 Tempo de Mudança, que exibimos recentemente em São Paulo).

Com isto em mente, precisamos deixar claro que a tradição intelectual da esquerda brasileira não entende o ambientalismo. Inteiramente focada na substituição de um projeto de poder – dos ricos para a classe trabalhadora – essa esquerda acredita que, para fins de progresso, é necessário expandir os meios produtivos criados pelo sistema capitalista – principalmente aqueles em larga escala, dentre os quais a monocultura e o agronegócio – por entender que a população, ou a distribuição de renda, é mais importante que o meio-ambiente.

Esta mesma perspectiva acusa os ambientalistas de quererem “estacionar a produção”, uma vez que acredita que “igualdade significa produção” e que não há como “produzir sem destruir”. Herança do discurso marxista dos tempos de Guerra Fria e ditadura militar no Brasil, esta retórica é a mesma que tenta se justificar perguntando “e de que outra forma poderíamos alimentar 6 bilhões de pessoas?”

A direita, por outro lado, é tão gananciosa que é como se dissesse “dane-se, vamos cometer atrocidades para alimentar ainda mais nossa ganância”. Está interessada apenas na manutenção do esquema de poder vigente, ou na recuperação de um poder perdido, e não poupa esforços para atingir seu objetivo.

O que não é considerado nesta equação é que grande parte da produção agrícola da monocultura mundial não é destinada ao consumo da população, mas sim a abastecer as demandas incessantes do capitalismo, como a produção de combustível (caso da cana e do milho), ração para a indústria pecuária (soja), produção de madeira e papel (eucalipto), e o especulativo agronegócio exportador, entre outros.

Exemplos mostram que é possível produzir quase todo o contingente de frutas, verduras e legumes necessários para alimentar uma cidade grande dentro da própria cidade, minimizando o impacto ambiental nas áreas rurais, eliminando o custo e o impacto do transporte e usando os microclimas gerados pelas hortas para tratar o ar urbano de maneira natural. Foi o que aconteceu, à força, em Cuba.

O Poder da Comunidade

Com o colapso da União Soviética e o embargo americano nos anos 90, Cuba ficou isolada do mundo capitalista e de sua força motriz, o petróleo. A crise que se seguiu foi dura, e obrigou os cubanos a se virarem criativamente como podiam para viver em uma sociedade com escassez de energia e alimentos. Motivada pela necessidade, a população teve que fazer, na marra, uma transição de uma sociedade industrial para uma sociedade mais sustentável, e começou a utilizar terrenos baldios, estacionamentos e outros espaços urbanos desocupados para produzir verduras e legumes, dando a volta por cima e resolvendo um problema aparentemente insolúvel.

Ao contrário do que se poderia esperar, após o fim do embargo americano as hortas urbanas não foram abandonadas para um regresso à monocultura monopolista. A produção orgânica local é hoje responsável por suprir a demanda de 60% da população cubana, e começa a ser imitada em cidades modernas como Nova York, que está descobrindo os telhados verdes, ou hortas verticais, em cima dos edifícios, espaço antes ocioso. Para saber mais sobre a sobrevivência de Cuba à escassez do petróleo, assista ao  documentário “O Poder da Comunidade”.

Curiosamente, a esquerda brasileira, aparentemente alheia ao exemplo cubano, tão imersa que está em seus próprios dogmas inabaláveis (a herança marxista, um projeto que teve papel fundamental no século XX, mas que hoje se mostra anacrônico), vê com maus olhos defesa do meio-ambiente como projeto político, uma vez que o meio-ambiente é tido como algo separado de nós, algo a ser explorado em prol do benefício da população.

Uma perspectiva mais engenhosa que começa a ganhar terreno hoje (e que ressoa com a visão de Cézanne), em meio à uma crise ambiental cada vez mais avassaladora, é a de que somos parte da natureza, uma forma de inteligência própria que levou milhões de anos para desenvolver seus princípios sustentáveis. E que podemos de fato estar à beira da extinção, como aconteceu com a civilização Maia, que não conseguiu se recuperar do aumento populacional além da capacidade de se produzir alimentos, do desmatamento para o uso da monocultura, e do aumento incessante das guerras.

Em 1978, o ecologista australiano Bill Mollison cunhou o termo permacultura para propor um sistema sustentável baseado no design ecológico e na observação da forma como a natureza opera. Em outras palavras, imitar a natureza é criar uma cultura permanente. Este “planejamento de ocupações humanas sustentáveis”, em definição do próprio Mollison, foca em eficientes sistemas intensivos que operam em pequena escala, mas podem pipocar aos montes em qualquer ambiente, seja num terreno urbano ou no campo.

Ao contrário dos sistemas inconsequentes em larga escala que hoje moldam a paisagem rural, o sistema da permacultura se baseia em recursos biológicos, e não nos combustíveis fósseis (tanto os fertilizantes como os agrotóxicos são derivados do petróleo). E o tema central é que cada componente do sistema está intrinsecamente relacionado entre si (o solo, por exemplo, que é ignorado na monocultura, é tratado como elemento chave na permacultura). Na permacultura, tudo tem pelo menos 2 funções.

O uso sustentável proposto por Mollison foi amplamente inspirado pelo fazendeiro naturalista e filósofo japonês Masanobu Fukuoka (1913–2008), que propunha uma agricultura sem maquinário, fertilizantes ou pesticidas já nos anos 40, seguindo o princípio de “observar a natureza e trabalhar com ela, ao invés de impor nossos desejos sobre ela”. Passadas 6 décadas, é hora de começarmos a escutar aqueles que atropelamos em nome do progresso. Afinal, como dizem os índios Lakota, a profecia somos nós.

Onde procurar cursos de permacultura:

UMAPAZ (São Paulo)
agrofloresta.net
IPEMA (Ubatuba)
Morada da Floresta (São Paulo)
Casa dos Hólons (São Paulo)
Ecocentro IPEC (Goiás)
Ciclo Sustainable (Goiás)
Ipoema (Distrito Federal)

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Tempo de Mudança

Daniel era um niilista. Nascido nos anos 60, filho da geração da contracultura (seu pai era um pintor abstrato e sua mãe uma editora e escritora que fizera parte da Geração Beat), cresceu num universo artístico profundamente ateu e aprendeu com seus pais a rejeitar as religiões de seus antepassados, internalizando uma visão científica de mundo que desconhece a existência do sagrado. Fez então da cultura sua religião, procurando na literatura e na boemia a conciliação do desejo de ser, de uma autenticidade desengonçada, “a uma instância daquilo que o mercado pode suportar”.

Como jornalista, em seus vinte e poucos anos, bebia ao excesso em festas e coquetéis, enquanto escrevia perfis de celebridades e artistas para revistas. Crescendo em Manhattan, segundo ele “um redemoinho de distrações eróticas e culturais”, não conseguia se livrar de uma sensação de que algo faltava na sua vida, algo “tão essencial como desconhecido, e virtualmente inconcebível”.

Aos poucos, sua desilusão com a sociedade contemporânea – suas falsas necessidades de consumo, obssessão pelo medo perpétuo de guerra e terrorismo e o uso da mídia pra gerar consenso forçado – foi criando uma atmosfera que enegreceu sua mente até obscurecer tudo mais. Perdeu interesse pelo seu trabalho, ou por qualquer trabalho. Com seus amigos, mergulhou na “estrada do excesso” de heroína, cocaína e álcool, na obsessão por bandas alternativas como Nirvana e Pavement e numa vida de memórias borradas de comportamentos indesculpáveis. Mas não atingiu qualquer “palácio de sabedoria”, tal qual invocado nos Provérbios do Inferno de William Blake. Pelo contrário, viu alguns de seus companheiros serem levados drasticamente desta vida.

Procurando pela peça perdida no quebra-cabeça que o levou a tal beco sem saída, ele lembrou de um punhado de experiências com psicodélicos que havia se submetido em tempos de faculdade – que percebeu como os únicos momentos de sua vida em que parecia ter penetrado em níveis de consciência que lhe pareciam mais perspicazes e avançados, e até mais educativos que as aulas que ele assistia.

Dentro do universo artístico e literário na Nova York dos anos 90, a atitude em relação aos psicodélicos era de desdém. Uma vez considerados expansores da mente, as “drogas dos hippies” não possuíam a aura perigosa de “chique fora-da-lei” geralmente atribuída à cocaína e heroína, eleitas como as drogas de escolha dos boêmios. Em sua crise, Daniel percebeu então que, ao se entregar a essas substâncias, eles estavam apenas espelhando a cultura decadente da qual tentavam escapar. Ele e seus amigos haviam optado por adentrar estados alterados de maneira destrutiva – uma que emparelhava com seu niilismo inconsciente.

A partir de então Daniel se enveredou por um caminho de descobertas, começando por uma radical viagem à África para participar de cerimônias rituais com uma tribo Bwiti, que faz uso da raiz da iboga para “rachar a cabeça” (break open the head, em inglês), ou “temporariamente libertar a alma do corpo, permitindo a entrada inicial no cosmos espiritual, onde lhe é mostrado o traçado de seu destino”. Ele passou então pela Amazônia, onde tomou ayahuasca com os índios; pelo México, atrás dos cogumelos sagrados e do legado Maia; pela Índia e Nepal, pelo deserto de Nevada, as terras medievais ao redor de Glastonbury, na Inglaterra, e muitos outros pontos de uma jornada iniciática para desenterrar verdades ancestrais ocultas que a nossa sociedade varreu pra baixo do tapete e que agora, num momento em que nosso planeta se encontra enfermo, clamam pela redescoberta.

Essas histórias irresistíveis e transformadoras podem ser conferidas em seus dois livros, Breaking Open the Head (2002, inédito no Brasil) e 2012, The Return of Quetzalcoatl (2006, com lançamento no Brasil previsto para o fim deste ano, com o título 2012 O Ano da Profecia Maia). Ambos são sólidos frutos de pesquisa intercalados com autobiografia (o primeiro tem 336 páginas e o segundo, 416) que misturam relato de jornada pessoal com referências bibliográficas (só em 2012, O Ano da Profecia Maia são mais de 170 obras literárias e científicas referenciadas e parafraseadas). Prolífico escritor, Daniel Pinchbeck consegue atingir em cheio aqueles que sempre procuraram conforto nas frágeis explicações materialistas sobre a vida, e faz com que seus livros funcionem eles mesmos como uma jornada iniciática de expansão da consicência adormecida.

Dentre seus leitores que tiveram a cabeça aberta (“head broken open” em inglês, referência ao título de seu primeiro livro) através da leitura de sua obra – também céticos de formação e desconfiados, por princípio, com a “baboseira New Age” -, estão este que vos escreve e o cineasta brasileiro João Amorim.

João, que, além de cineasta, trabalha com permacultura (fundou a ONG Ciclo Sustentável em Goiás), vivia em Nova York à época, e teve uma grande identificação com a obra de Pinchbeck. Assim como o autor, o brasileiro havia relegado suas experiências iniciáticas do passado a algum canto obscuro do inconsciente após ter adentrado o mundo dos business, produzindo animações em grande escala e sofisticados comerciais de TV. O cineasta percebeu então como fomos escravizados por uma noção errônea de tempo, que justifica um sistema de lógica auto-destrutiva e insustentável, e a necessidade latente de nos realinharmos com a natureza para evoluirmos nossa consciência e construir um mundo melhor.

Com essas idéias em mente, ele procurou Daniel, com quem desenvolveu empatia imediata e, juntos, produziram o documentário com sofisticadas animações 2012, Tempo de Mudança, que acompanha o autor e explora os tempos de crise que vivemos, o potencial para uma evolução da consciência e propostas práticas para solucionar os nossos problemas através do design ecológico.

É com grande prazer que o Plantando Consciência traz para São Paulo a estréia do filme, a partir do dia 1 de Outubro (sexta-feira) na Matilha Cultural, onde fica em cartaz com sessões gratuitas até o dia 09, dentro do evento Setembro Verde. No dia seguinte à estréia, no sábado 02 de Outubro, haverá um debate com o diretor após a exibição, imperdível para todos aqueles interessados em jardinar a consciência. E no dia 15 teremos uma sessão na Cinemateca Cultural.

Em fase de exibição em festivais e circuitos culturais, o filme já chamou a atenção da rede BBC de Londres, entre outros, que produziu a matéria que você pode conferir abaixo (legendada em português pelo Plantando Consciência); e deve entrar no circuito comercial nos Estados Unidos no fim do ano. No Brasil, não há previsão de que o filme entre em cartaz, então aproveite a oportunidade!

Reportagem da BBC sobre o filme. Legendas disponíveis tb em português, no menu logo abaixo do vídeo

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Obama ou Bush: um só planeta, um só poder.

A notícia mais bombástica do ano saiu esta semana. O presidente americano “moderno”, “progressista” e “revolucionário” Barack Obama acaba de colocar a democracia em xeque ao anunciar reforma financeira “radical”, que, em meio a um conjunto de cosméticos para fácil aprovação popular (como a criação de uma agência para “proteger o consumidor de produtos financeiros“), dá um passo em direção a um futuro sombrio, sem que nos demos conta: no centro do plano está o Federal Reserve (FED, banco central americano), que terá “superpoderes” para supervisionar as maiores instituições financeiras e intervir caso sejam identificados riscos sistêmicos.

Tudo isto está tendo ampla cobertura na mídia, com otimismo. Então qual é a novidade? O que você não deve saber é que o FED é uma instituição PRIVADA. Se ainda não caiu a ficha, o presidente americano – agora revelando-se, como todos os outros, a serviço de uma pequena e inescrupulosa elite com poderes gigantescos e ambições sinistras de controle global -, acaba de fortalecer uma instituição privada, que já por princípio trabalha pelo lucro e não pelo povo (afinal assim são bancos privados), num grau jamais visto. A desculpa é a Crise Financeira. Assim como a Crise de 29 foi outra desculpa para uma manobra de concentração de poder do mesmo órgão, que, repito, não é governamental, mas PRIVADO.

fed

Não bastasse ter o poder de criar dinheiro do nada, manipulando o sistema econômico e provocando crises a bel prazer, este grupo está agora acima do bem e do mal. É uma questão de tempo até que nos tornemos apenas gado sob sua tutela, se não acordarmos para o mundo neste instante (para se aprofundar em relação ao FED, assista agora os documentários Dinheiro é Dívida e Zeitgeist, parte III no nosso site).

A internet é a maior revolução popular de todos os tempos, mas a gente ainda não se deu conta disso. Estamos muito ocupados com redes de relacionamento e entretenimento virtual. Em breve ela será sondada pelos lobos e a censura começará a sinalizar nossa derrocada. A mídia e seu tom debochado em relação a o que chamam de “teoria da conspiração” diminui em nós a capacidade de entender o que realmente está se passando, nos tratando com uma política do pão e circo, imergindo todos na competitividade insignificante do futebol, dos reality shows, no medo de nós mesmos, com ampla cobertura de tragédias populares que indiciam o cidadão comum como uma ameaça e nos faz alheios ao fato que uma elite com aspirações eugênicas está colocando em prática um plano ultra-ganancioso de transformações que inclui a nossa aceitação passiva, imersos que estamos nos prazeres frugais da realidade virtual.

Dar superpoderes ao FED NÃO é um imperativo para se combater a crise, mas é um passo em direção a uma separação definitiva entre privilegiados e a grande massa trabalhadora e facilmente manipulável. Acorde, manifeste-se, questione. Não deixe o rabo começar crescer do seu traseiro, não deixe sua voz tornar-se um mugido.

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