Rumo a Copenhaguem

No mês que vem ocorrerá em Copenhaguem, Dinamarca, a conferência mundial sobre o clima. Nesta semana ocorre a última prévia, na Espanha.
Conferencia climatica Copenhaguem 2009
Segundo artigo publicado este mês na Nature, uma das duas revistas científicas de maior prestígio mundial, o Brasil pode sair na frente, cortando emissões a mais do que o esperado para os países em desenvolvimento nesta etapa do jogo. O artigo destaca o trabalho do brasileiro Carlos Nobre, pesquisador que já foi membro do IPCC (Painel Internacional para mudanças climáticas), espécie de ONG mundial que dividiu o prêmio Nobel da paz com Al Gore em 2007, e da ex-ministra Marina Silva.
De acordo com o artigo publicado na Nature, se o Brasil de fato implementar as medidas que estão na pauta (que o presidente Lula está avaliando nesta semana) seria o maior avanço entre todos os países em desenvolvimento.
A situação atual na ONU é de que apenas os países desenvolvidos  devem cortar emissões imediatamente, já que são os maiores emissores e também porque forçar os países em desenvolvimento a cortar por igual seria aumentar a desigualdade, dificultando que os países em desenvovlimento se beneficiem dos mesmos caminhos tomados pelos já desenvolvidos. Indo além do que a ONU considera emergencial e obrigatório, o Brasil estaria dando exemplo ao mundo de que é possível fazer muito mais do que o mínimo estabelecido. Segundo Carlos Nobre, as estimativas de quanto o país pode cortar até 2020 é de 35%, significando que em 2020 estaríamos emitindo 8% a menos do que emitimos em 2007. Em trabalho conjunto com a Rede Clima, Nobre estima que o país possa poupar o planeta de 1 bilhão de toneladas de CO2.
corte de emissoes de CO2 no brasil

O gráfico mostra dois cenários. No de cima, como seria a divisão das emissões brasileiras caso façamos o mínimo estabelecido. Em baixo, como seria caso o Brasil decida ser exemplo para o mundo. Vale notar que a pizza de baixo deveria ter sido desenhada menor que a de cima, pois neste caso o total é de 1,75 contra 2,7 bilhões de toneladas, caso sigamos o rumo de fazer apenas o mínimo…

Quase dois terços da economia ao planeta pode vir da manutenção do compromisso de reduzir o desmatamento na Amazônia, mas 320 milhões de toneladas poderiam ser poupadas no setor agrícola e energético.
 Segundo Marina Silva, o princípio da “responsabilidade comum mas diferenciada” mostra que cabe as nações mais ricas liderar o processo, mas isso não impede que outros países dêem exemplos, e esta é uma grande chance para o Brasil.
 No ano passado o país inovou mais uma vez ao criar o fundo amazônico como opção para outros países contribuírem com a preservação da floresta e  neutralizarem suas próprias emissões. A Noruega já entrou com 1 bilhão de dólares até 2015, caso o Brasil mantenha seu compromisso contra o desmatamento. O presidente Lula analisa pedido de nove governadores da região, para que os países desenvolvidos podessam neutralizar apenas 10% de suas emissões com o fundo de proteção florestal. Isto fortaleceria o desenvolvimento sustentável em toda a região e impediria que os países desenvolvidos deixem de cortar emissões em seus próprios territórios por comprarem créditos excessivos do Brasil.

Em meio a um mar de notícias pessimistas sobre os resultados em Copenhaguem mês que vem, esperemos que a consciência manifeste-se nos brasileiros para que sejamos os pioneiros de uma nova era.

Clique aqui para enviar mensagem ao presidente Lula apoiando a tomada de decisões abrangentes e responsáveis em Copenhaguem.

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