Para uns, é o juízo final. Para outros, uma grande oportunidade para mudanças.

Onde você vai estar quando os 5.125 anos do longo calendário Maia terminarem no dia 21 de dezembro de 2012? Você estará se escondendo do cataclisma global e da reversão polar magnética em uma caverna subterrânea? Estará entrando em um reino multidimensional do hiperespaço desencadeado pela ativação em massa da glândula pineal? Recolhendo os pedaços de um mundo em ruínas, ou dançando a noite inteira na festa do final dos tempos?

Considerando que ninguém sabe o que vai acontecer em 2012, o fim do calendário Maia funciona como um meme (o “gene da cultura” – termo cunhado pelo biólogo Richard Dawkins em “O Gene Egoísta”, de 1976) tremendamente intrigante sobre o qual podemos projetar nossas esperanças e medos, sonhos e desejos.

Se o calendário Maia não tem como ser exatamente preciso, tanto melhor: as mudanças planetárias já estão em curso. Representadas no nosso consciente coletivo desde o início do milênio através dos célebres ataques às Torres Gêmeas de 2001 (motivados em última instância pela escassez do petróleo, ou seja, uma questão ambiental), o Tsunami de 2004, Katrina em 2005 e o aquecimento global, esta seqüência de eventos provocou uma mudança da nossa postura de “chefes da natureza” para “parte integrante” dela. Some a isto a crise financeira e a cada vez mais latente noção do fracasso de uma ciência cartesiana como solução dos nossos problemas (a ciência falhou em eliminar o espiritual de nossas vidas, e a retomada de substâncias psicodélicas como expansores de consciência – o LSD foi redescoberto pelas universidades e a ayahuasca tem se tornado o centro de movimentos sociais pós-modernos no primeiro mundo – aliados a descobertas recentes no campo da ciência quântica – primeiro a física e agora a biologia, trouxeram de volta uma visão ancestral em que ciência e espiritualidade são duas faces da mesma moeda), e você verá que 2012 (ou o fim do mundo tal qual o conhecemos) já está acontecendo.

Hollywood está oferecendo uma massiva projeção sombria sob a forma de um épico apocalíptico de $250 milhões que leva a estética da aniquilação a um novo grau de perfeição. Mas descontados os efeitos especiais e o entretenimento de shopping, o que este lançamento tem a dizer? Que temos que rir das crenças antigas com um saco de pipoca na mão, e desacreditar nessa simbologia, já que todos sabemos que o planeta não vai acabar de um dia pro outro? Isto é um enfoque um tanto quanto juvenil, cá entre nós. E covarde, pois nos exclui da responsabilidade pelo que está acontecendo no mundo. Ao fazer pouco caso do assunto e tratá-lo como um delírio das massas religiosas e ignorantes, nós estamos dizendo também que o carro que dirigimos, o banho longo que tomamos e o lixo que deixamos de reciclar não estão abusando do planeta. Afinal, é tudo misticismo.

Paradoxalmente ao seu efeito prometido, este blockbuster do fim dos tempos dá abertura para se oferecer uma visão alternativa para o que 2012 pode significar para o nosso planeta. Potencialmente, 2012 pode representar o despertar da consciência na espécie humana, em que assumimos a responsabilidade por nosso papel como agentes da evolução consciente.

Um crescente movimento popular percebe agora que não podemos mais esperar que governos, corporações ou qualquer entidade exterior sejam responsáveis por criar o belo mundo em que desejamos viver. Temos que fazer isso nós mesmos. Esta rede crescente inclui movimentos, festivais e comunidades como Evolver, Burning Man, Bioneers, Transition Towns e outros, que estão desenvolvendo novas redes cooperativas que podem ajudar a curar o nosso planeta, fornecendo soluções sustentáveis para os nossos sistemas político e econômico desastrosamente insustentáveis, que enfraquecem as pessoas, mantendo-nos todos adormecidos (e facilmente seduzidos por blockbusters como o de Roland Emmerich).

Cidades em todo o mundo (mas não no Brasil, onde a mentalidade de curto alcance, ou a arrogância ignorante propagada pela mídia domina) irão acolher conversas sobre 2012 e a evolução da consciência, incluindo “contra-projeções” para o blockbuster da Sony Pictures. Dois filmes que tratam do assunto sem o sensacionalismo narcotizante do filme de Emmerich merecem destaque e ajudam a esclarecer outra abordagem sobe o tema. O primeiro é um documentário da Mangusta Productions intitulado “2012: Time for Change“, dirigido por João Amorim (sim! Um documentarista brasileiro, radicado nos EUA e nominado ao Emmy, mas, pra variar, completamente desconhecido em seu país de origem) e estrelado, entre outros, por Ralph Metzner, David Lynch, Daniel Pinchbeck e –  pasmem! – Gilberto Gil (alô Veja, nada sobre isso?). O outro intitula-se “2012: Science or Superstition?“, e é produzido por Gary Baddeley (presidente da Disinformation Company ), que entrevista pesquisadores, escritores e cientistas do ramo com o mesmo propósito.

Ao longo do mês de Novembro, Estados Unidos, Canadá, Europa e África estarão participando dos debates, discutindo profecias indígenas e transformação global como gente grande.

Texto de Daniel Pinchbeck, remixado por Plantando Consciência

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