O culto à ganância é agora uma ameaça ambiental

Suzanne Goldenberg, correspondente ambiental do The Guardian (veja o original em inglês).

O americano médio consome, em produtos, mais do que o seu próprio peso por dia, alimentando uma cultura global de excessos que está emergindo como a maior ameaça para o planeta, segundo documento  publicado hoje. No seu relatório anual, a Worldwatch Institute diz que o culto ao consumo e à ganância pode acabar com todas as vitórias das ações governamentais sobre as alterações climáticas ou impedir uma mudança efetiva para uma economia de energia limpa.

Erik Assadourian, diretor do projeto, que liderou uma equipe de 35 pessoas para produzir o relatório, afirmou: “Enquanto não reconhecermos que nossos problemas ambientais – das alterações climáticas ao desmatamento e à extinção de espécies – são movidos por hábitos insustentáveis, não seremos capazes de resolver as crises ecológicas, que ameaçam varrer a civilização.”

A população do mundo está queimando os recursos do planeta a uma velocidade imprudente, lembra o representante da organização americana. Na última década, o consumo de bens e serviços aumentaram  em 28%, para $ 30,5 trilhões de dólares.
A cultura do consumo não é mais um hábito essencialmente norte-americano, mas está se espalhando por todo o planeta. Ao longo dos últimos 50 anos, o excesso foi adotado como um símbolo de sucesso em países em desenvolvimento, do Brasil à Índia e China, afirma o relatório. A China ultrapassou os EUA esta semana como o maior mercado automobilístico do mundo. E já é o maior produtor de emissões de gases com efeito estufa.

Tais tendências não foram uma conseqüência natural do crescimento econômico, o relatório prossegue, mas o resultado de esforços deliberados das empresas para conquistar os consumidores. Produtos como o hambúrguer – rejeitado como um alimento não saudável para os pobres no início do século 20 – e garrafas de água, são comuns no dia a dia.

A família média ocidental gasta mais com seu animal de estimação do que é gasto por ser humano em Bangladesh.

Por outro lado, o relatório notou sinais encorajadores de uma mudança na contramão da cultura de altos gastos. Ele afirma que os programas de merenda escolar denotam maiores esforços para incentivar hábitos alimentares mais saudáveis entre as crianças. A geração mais jovem também está mais consciente do seu impacto sobre o meio ambiente.

“Deve haver uma transformação global de valores e atitudes”, propõe o relatório. Nas taxas atuais de consumo, o mundo precisa erguer 24 turbinas eólicas por hora para produzir energia suficiente para substituir os combustíveis fósseis.

“Nós vimos alguns esforços encorajadores para combater a crise climática nos últimos anos”, disse Assadourian.

“Mas ao se promover mudanças políticas e tecnológicas enquanto mantemos uma cultura centrada no consumismo e crescimento, não há como avançar”.

“Se não mudarmos a nossa cultura, teremos de enfrentar novas crises. No final das contas, o consumismo não será mais viável ao passo que a população mundial crescer em 2 bilhões e economias crescerem em maior quantidade de países.”

No prefácio do relatório, o presidente do Worldwatch Institute, Christopher Flavin, escreve: “Enquanto o mundo luta para recuperar-se da mais grave crise econômica desde a Grande Depressão, temos uma oportunidade sem precedentes para dar as costas ao consumismo. No final, o instinto humano de sobrevivência deve triunfar sobre o desejo de consumir a qualquer custo. ”

1 Comentário »

  1. Fabrício Pamplona said

    Fora o tolete de queijo em bandeja de isopor, plastificado por dentro e por fora. Viva o peixe fisgado pelo cozinheiro, direto da água pra panela. Faça você mesmo.

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