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O que a TV faz com nossas cabeças??

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Possibilidades positivas para os psicodélicos

“Por que ainda não vimos uma imagem completa da mente?”

por James Fadiman. Publicado originalmente em 10/02/10, no dharma cafe. Tradução de Plantando Consciência

Se o recente sucesso da comédia familiar “Simplesmente Complicado* e a sucessão de iniciativas legalizantes acontecendo na Califórnia servem como algum indício, a maconha finalmente alcançou respeitabilidade em larga escala. Mais marcante ainda, apesar da atmosfera repressiva ter resistido e sufocado a primeira década do nosso admirável século novo, a pesquisa com psicodélicos nos EUA entrou em sua era de ouro.
James Fadiman, talvez a maior e mais respeitada autoridade americana sobre psicodélicos e seus usos, nos dá um valioso panorama.

As substâncias químicas da transformação e da revelação que abrem os circuitos de luz, visão e comunicação, chamadas por nós de manifestadoras da mente, são conhecidas de povos indígenas como medicinas: os meios dados ao homem para conhecer e curar, para ver e dizer a verdade.
Henry Munn

Para os envolvidos com psicodélicos esta é uma época de mudanças inesperadas, um momento para celebrar, mas com cautela. Após décadas de inverno, o gelo está derretendo. O aquecimento rumo à legalização, uso religioso, médico e psicoterapêutico, a exploração cientifica e a aceitação cultural são encorajadores.
Após tantos anos, por que agora? Talvez porque a geração que suprimiu a pesquisa, criminalizou o uso pessoal e encarcerou usuários esteja saindo do poder. Esta próxima geração é melhor preparada para admitir a ineficácia da opressão criminalizante e considerar suavizá-la. É muito mais fácil para aqueles que nunca votaram pelas leis atuais reconhecer que algumas, aprovadas com pressa ou ignorância, são contraproducentes e inviáveis.
Enquanto a agenda de pesquisa da comunidade científica focou na restauração do uso terapêutico, as mudanças mais dramáticas foram no campo do status legal do uso pessoal privado. As nações parecem estar sacudindo a poeira do medo induzido pelos excessos dos anos 60. A resposta fóbica do governo norte-americano e a pressão dos EUA sobre outros estados parecem estar seguindo estes rumos. Como flores selvagens brotando de rachaduras no concreto, mais países estão definindo suas próprias políticas.
A Holanda permite a muito tempo a obtenção fácil e o uso de alguns psicodélicos, mas parou antes da formalização jurídica. Portugal legalizou todas as drogas em 2001 e deixou explícito que o tratamento estaria disponível para qualquer usuário que necessitasse. Os “do contra” insistiram ansiosamente que isto teria consequências terríveis, mas os resultados foram totalmente benéficos: menos vício, menos problemas sociais, menos crime, menos uso, mais unidades de tratamento e economias gigantescas em policiamento e cadeias.
O México legalizou, em 2009, pequenas quantidades de todas as drogas previamente ilegais. Isto foi feito, em parte, para liberar recursos para tentar eliminar os grandes cartéis de traficantes. Como as drogas ilegais, incluindo cocaína, heroína e seus derivados são primariamente fabricados para o mercado norte-americano, o foco agora é minimizar as atividades na fronteira. A República Tcheca relaxou as penalidades para posse de pequenas quantidades de substâncias manufaturadas como MDMA (ecstasy, N.T.). A base para estas reformas é o reconhecimento das seguintes realidades:

1. Psicodélicos não causam vício. Nunca causaram.

2. A maconha, diferentemente do tabaco e do álcool, não causa síndromes médicas sistêmicas. Apenas nos EUA, o tabaco – legalizado, viciante e regulado – diretamente contribui para a morte de 400 mil pessoas por ano. A maconha – ilegal, não viciante e não regulada – (e talvez utilizada por mais pessoas que o tabaco) não mata ninguém

3. Drogas ilegais são ímãs da violência. Foi verdade quando os EUA proibiram o álcool; é igualmente verídico para qualquer outra substância desejada e proibida. Se são removidas as penas para substâncias benignas, ou ao menos não-viciantes, o uso pessoal na verdade diminui – pelo menos na Holanda e em Portugal, os únicos dois países para os quais temos dados reais. A outra estatística que temos é que nos estados norte-americanos que regulamentaram a maconha medicinal não houve aumento no consumo de maconha para outros fins, apesar das previsões anteriores feitas por pessoas contrárias a esta nova legislação.

Um segundo grupo de países não mudou suas leis, mas seus sistemas jurídicos alegam que a constituição afirma o direito de realizar atividades privadas de alteração da consciência. No Brasil e na Argentina concluiu-se que é ilegal negar a pessoas o direito ao uso pessoal de qualquer substância, desde que isso não leve a comportamento criminal ou socialmente inaceitável.
O terceiro grupo de países, ainda inseguros sobre qual direção seguir, inclui os EUA. Nos EUA, políticas que agruparam maconha, psicodélicos e drogas viciantes levaram a um aumento da população carcerária, a proliferação de atividades criminais internacionais altamente lucrativas, distorções econômicas nos países que produzem as drogas ilegais para consumo nos EUA e um crescente desrespeito ao governo que não consegue resolver a situação. O efeito colateral é que estas políticas custam bilhões de dólares anuais.
Apesar da relutância de Washington em mudar, alguns estados usaram sua liberdade para permitir que pessoas usem maconha como medicamento. Até a administração Obama, o governo federal fez o seu melhor para romper com estas legislações e manter todos os usuários criminalizados. Uma indicação do quanto há de demanda por maconha medicinal surgiu em LA poucas semanas após a decisão de permitir tal uso, com a abertura de 800 lojas, deixando para trás o número de bancos ou escolas públicas na cidade. A tendência para legalização está acelerando conforme fica mais e mais óbvio que uso de maconha não leva a comportamentos violentos ou criminais. O fato de que os últimos três presidentes fumaram maconha em algum momento de suas vidas não foi esquecido por reformistas ou pelo público em geral. A maconha não é um psicodélico, mas é uma substância alteradora de consciência usada tradicionalmente para fins espirituais e terapêuticos. Conforme seu status muda, fará com que plantas e substâncias alteradoras de consiência com maior potência sejam menos demonizadas.
Vários estados, com destaque para a Califórnia, mas também Nevada, Washington e Flórida, estão tentando iniciar suas ações para descriminalizar ou legalizar a maconha. Na Califórnia, o principal argumento é que sobre a produção, apesar de ser uma das maiores indústrias do estado, não incidem impostos e que sua interdição é cara e mal-sucedida. A idéia é transformar um ralo de dinheiro desperdiçado em fonte de renda para o estado. A proposta da Califórnia, que já têm o número necessário de assinaturas para ir para votação, torna a posse de aproximadamente 30 gramas legal; permite cultivo pessoal em jardim de não mais de 2,3m2, proíbe a venda para menores e proíbe fumar em público. As especificidades de regulação e de impostos são deixadas para as autoridades locais.

Soma-se a isto, e agora diretamente relacionado aos psicodélicos e liberdade religiosa, que várias cortes estabeleceram que grupos religiosos usando ayahuasca como seu sacramento central podem praticar sua fé sem medo de serem presos. Estes casos são um primeiro passo para a restauração da liberdade religiosa com uso de psicodélicos em outras situações.

Até o absurdo de proibir o cultivo do cânhamo, como se fosse maconha (comparável a colocar malzbier na mesma categoria da skol) está ganhando um novo olhar. Produtos importados feitos de cânhamo, incluindo aqueles para consumo humano, estão novamente disponíveis; e Washington seguiu o exemplo do Canadá e de dúzias de outros países, permitindo o cultivo, colheita e comércio de cânhamo. Parece haver, se não um fim na falta de bom senso do establishment proibicionista, pelo menos algumas rachaduras.
Tornar a maconha legal e cobrar impostos de seu comércio reduz o orçamento das forças repressivas – e seus poderes. A reação virá do sistema proibicionista-criminalizador-carcerário-policial, instituições cujos lucros ou cuja própria existência depende de repressão e sentenças. Muitos departamentos policiais, por exemplo, que dependem do dinheiro apreendido em operações de tráfico como sua maior fonte de renda, irão lutar contra a legalização que lhes causa perda de renda.
Apenas agora, na fase preliminar da liberalização, estamos começando a ter evidências científicas sobre os psicodélicos disponíveis. Seria inapropriadamente otimista esperar legislações baseadas em evidências em qualquer momento próximo, mas pode-se esperar mais países relaxando suas restrições conforme os benefícios de o fazer se tornem mais aparentes.

Uso Enteogênico
As restrições legais acabam com a pesquisa tradicional, mas pouco fazem para prevenir a contínua proliferação de psicodélicos por meios culturais. É difícil dizer quais das muitas áreas culturais foram mais influenciadas por psicodélicos. Por exemplo, Jack Kornfield, um respeitado estudioso budista, diz: “É verdade que a maioria dos professores budistas americanos tiveram experiências psicodélicas, ou logo depois de começarem suas práticas espirituais ou antes disso.” Este uso, na verdade, não contradiz os preceitos budistas. Minha própria experiência é de que professores em muitas outras áreas espirituais também começaram suas jornadas após importantes experiências psicodélicas.
Um grupo na John Hopkins University está engajado em uma série de estudos para determinar se psicodélicos utilizados de maneira segura e ritualizada leva a maioria das pessoas a experiências espirituais. Não surpreendente, a resposta é sim. Mais importante que a pesquisa em si foi que ela quebrou uma grande barreira: o governo permitiu, pela primeira vez, um estudo científico que fazia perguntas espirituais e não apenas médicas. Também impressionante foi a atenção que a grande mídia deu ao fato. Mais de 300 publicações relataram os resultados após sua publicação em revista científica. Surpreendentemente, um relato positivo apareceu no Wall Street Journal. Mais informativo, olhando para tendências, foi um curto artigo num jornal esportivo escocês: “Cogus te levam as alturas.” Os editores assumiram que seus leitores conheciam a gíria para os cogumelos psicodélicos e que não seria necessário um artigo extenso para dizer aos leitores que a ciência havia descoberto aquilo que eles já sabiam.
Igualmente importante, uma rede de sites agora satisfaz a necessidade de se ter rápido e fácil acesso a informação sobre uso seguro de psicodélicos. O principal é o Erowid, que traz relatórios e informações, artigos técnicos, dicionários moleculares interativos, arte visionária, descrições de perigos e contra-indicações bem como milhares de relatos pessoais sobre o uso de dúzias de substâncias. O site têm média de 50.000 visitas diárias, número que cresce a cada ano desde seu lançamento. Navegar pelo erowid deixa claro que 40 anos de repressão inapropriada dificultaram o uso consciente, mas uma cultura underground está sendo bem sucedida.
Outro fenômeno recente é a crescente popularidade da ayahuasca. Enquanto outros psicodélicos são frequentemente usados com fins recreativos, a ayahuasca é quase sempre utilizada com guias ou xamãs. Nos anos 60, um rito de passagem era visitar a Índia, estudar com um guru e praticar austeridades em um ashram. Os psiconautas contemporâneos partem para a floresta para conhecer e trabalhar com os curandeiros tradicionais e suas plantas medicinais, sendo a principal a ayahuasca. As viagens para a Índia são principalmente sobre realização pessoal, mas a intenção dos que buscam a imersão na floresta sulamericana quase sempre inclui cura pessoal e um imenso interesse em reparar o abismo entre a humanidade e os outros reinos biológicos.

Dois debates continuam, ecos da expansão de consciência dos anos 60. Um é sobre a validade de experiências induzidas por plantas ou substâncias químicas quando comparadas a experiências alcançadas pela meditação, reza, movimento, jejum, etc. Os argumentos se aquecem e esfriam de quando em quando, mas nunca serão finalizados. O outro debate – entre aqueles que tomam psicodélicos sintéticos e aqueles que não – também segue sem esperanças de um lado convencer o outro. Gordon Wasson, que descobriu o uso dos cogumelos psicodélicos para o Novo Mundo, foi entrevistado sobre a diferença entre os cogumelos e a psilocibina posteriormente sintetizada pela farmacêutica Sandoz. Ele disse: “Eu não vi nenhuma diferença. Acho que as pessoas que encontram diferenças estão procurando por uma e então imaginam que a encontraram.” O importante é o efeito que a experiência produz na vida do sujeito e não as sutilezas deste ou daquele produto.

Uso Médico/Psicoterapêutico
O uso médico e psicoterapêutico dos psicodélicos está de volta! Se alguém disse que esta é a época de ouro, seria mais apropriado dizer que está exposta a ponta do iceberg. Uma enorme comunidade de cientistas está animada para recomeçar pesquisas que foram atrasadas por décadas. Conferências científicas honrando o trabalho de Albert Hoffman em sintetizar o LSD e outros psicodélicos levaram mais de 2.000 pessoas de 37 países a Basel, na Suíça, em 2006 e 2008. Duzentos jornalistas de todas as partes do planeta cobriram as apresentações – um memorável momento para uma substância que é mantida ilegal por tantos anos (em abril deste ano acontecerá em São Francisco, Califórnia, o congresso “Ciência Psicodélica no Século XXI“, organizado pela MAPS, consolidando a tendência de reestabelecimento de pesquisas psicodélicas em todo o mundo, N.T.).
Enquanto algumas pesquisas recentes são repetições de trabalhos feitos antes de tudo ser desmantelado, novas áreas de pesquisa revelam como psicodélicos ajudam a aliviar condições médicas que não têm tratamento convencional disponível. É notável que até agora não tenham aparecido oposições para acabar com este trabalho. As reações poderiam ser diferentes se fosse demonstrado que uma dose apropriada de psicodélicos a cada seis semanas tivesse efeito antidepressivo. Neste caso, poderia haver oposição severa da indústria farmacêutica e fornecedores de antidepressivos. Por concentrar-se em uma ou poucas condições severas, os pesquisadores driblam esta possível oposição. De fato, têm recebido apoio dos colegas médicos, como por exemplo no caso das cefalélias em salvas (cluster headaches). Inicialmente comunicadas entre usuários ilegais cujas conversas vieram a público, os efeitos medicinais estão sendo avaliados por um estudo em andamento em Harvard. Resta saber se aquilo que ja está razoavelmente bem descrito na prática consegue ser provado pelos estudos farmacológicos duplo-cego, pelo sistema de publicação com avaliação por pares e, mais importante, finalmente se tornar disponível na prática clínica corriqueira.
Outro estudo promissor está dando psilocibina para pacientes altamente ansiosos, em estágio de câncer terminal. Os resultados mostram que uma única sessão em um ambiente seguro e encorajador, permitindo que o sagrado, caso ocorra, seja vivenciado, beneficia tanto o paciente quanto sua família. Outro tratamento, mais controverso – outrora permitido nos EUA mas agora apenas em outros países – usa a iboga, planta psicodélica Africana, para quebrar o ciclo viciante da heroína. Dados os poucos tratamentos disponíveis e o alto custo do vício, tratado ou não, esta área deveria ganhar mais atenção e apoio no futuro. Na verdade, o tratamento é tão valioso que ex-viciados estão ilegalmente tratando outros viciados sem o apoio médico.
Inexplicavelmente, o que ainda está para retornar é a terapia psicodélica para o alcoolismo, de longe a mais pesquisada, testada e comprovada terapia da era pré-proibicionista. Virtualmente nada tem sido escrito nos anos recentes, nem mesmo nos circuitos alternativos. Permanece um setor largamente ignorado em meio ao que é a atual renascência das pesquisas com psicodélicos.
Vários outros países, incluindo a Alemanha, Suíça e Israel, estão permitindo ou apoiando projetos psicodélicos primariamente envolvidos no uso de MDMA para ajudar pessoas a superar os debilitantes efeitos crônicos do estresse pós traumático. Com centenas de milhares de militares retornando do Iraque e do Afeganistão com esta síndrome, a demanda por tratamento com alto índice de cura está se intensificando. O fato de que veteranos do Vietnam seguem em outros tratamentos até hoje faz com que seja mais provável que o tratamento com MDMA seja oferecido a eles. Talvez, assim como com as cluster headaches, os primeiros relatos serão de veteranos se auto-medicando e ajudando uns aos outros, como já acontece com a maconha. O sistema hospitalar de veteranos está sem fundos, sem equipe e com excesso de pacientes e portanto sem ajuda externa é improvável que consiga estabelecer avanços.
Ainda há, é claro, uso contínuo e extenso de psicodélicos para auto-conhecimento, ilegalmente e sem os guias adequados. Um levantamento entre estudantes encontrou que a razão mais citada para uso de psicodélicos era exploração pessoal, e não uso recreativo ou espiritual. Assim como a aceitação da maconha medicinal aumentou o número de lojas onde pacientes podem comprá-la, se as tendências seguirem podemos esperar o surgimento de clínicas e instituições especializadas no tratamento psicoterapêutico com diferentes tipos de psicodélicos.

Criatividade e solução de problemas
O termo psicodélico já é de conhecimento público para descrever certos tipos de música e arte visual. Não carrega nenhum estigma o artista que declara que psicodélicos influenciaram numa música, pintura ou produção teatral. Seu uso é largamente aceito no mundo técnico mesmo que não haja discussões profundas sobre o tema.
Durante a revolução digital, empresas foram formadas por pessoas que cresceram com psicodélicos facilmente disponíveis. O uso de drogas para eles era casual e frequente. Recentemente dois ganhadores do prêmio Nobel atribuíram aos psicodélicos parte importante de suas descobertas, sugerindo que o uso é bem maior e disseminado na comunidade científica do que é geralmente aceito (Francis Crick e Kerry Mullis, N.T.).
Em paralelo aos milhares que acompanharam as conferências científicas em Basel estão as hordas que se dirigem anualmente ao Boom Festival na Europa e ao Burning Man em Nevada, EUA. Nem todos os 50.000 burners tomaram psicodélicos, mas a vasta maioria sim.

No YouTube, vídeos individuais sobre fatos e conceitos psicodélicos estão sendo acessados por um milhão de usuários. Em 2009, a National Geographic conseguiu vender o espaço publicitário para toda o seu horário nobre na TV sobre “drogas”. A sessão começou com uma hora sobre meta-anfetamina. A segunda hora passeou pelo mundo da maconha, seu plantio, cultivo, venda e uso. A hora final foi sobre o uso contemporâneo de psicodélicos por artistas para melhorar e expandir suas habilidades. Estes programas indicam quão longe estamos da propaganda anti-marijuana “Reefer Madness“, distribuída em 1936 como programa “informativo”.

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Conclusões
A tendência geral é de maior abertura e disponibilidade de informações. Guias treinados para sessões espirituais e científicas ainda são raros de se encontrar por aí, mas as forças culturais e mercadológicas favorecem a criação de instituições para esta finalidade.
Este panorama é baseado na esperança otimista de que os usos adequados destas substâncias fenomenais não serão prejudicados por popularização trivial, como ocorreu quando os psicodélicos foram proibidos.

As forças contrárias a aceitação mais generalizada incluem os suspeitos usuais: estupidez, medo, ganância, egoísmo e inércia. Os grupos criminais e as forças repressivas governamentais e carcerárias empregadas para fazer as leis já estão ativas. Na Califórnia, o sindicato de guardas carcerários está entre os grupos que mais doam para campanhas políticas e que sem dúvida não medirão esforços em combater as iniciativas legalizantes. Alguns membros de religiões organizadas sem dúvida estarão entre a oposição. Quase todas as instituições religiosas tem burocracias veladas para dizer que são a única ponte entre a fé e o divino. No passado, a possibilidade de contato espiritual direto fornecido pelos psicodélicos era vista como ameaça a este status quo (ver Xamãs da Amazônia, A Inquisição Farmacrática e Outros Mundos, N.T.). Recentemente, entretanto, a lei norte-americana permitiu que igrejas usem substâncias psicodélicas como o sacramento que realmente são. Resta-nos esperar que uma nova geração de líderes na grande mídia e igrejas se inspire nisso.

Oposição adicional pode vir do sistema financeiro internacional. Se isto soa improvável, é apenas porque a maioria de nós desconhece o valor do comércio ilegal. Um estudo da ONU sobre a recente crise de 2008-2009 concluiu que uma das poucas fontes initerruptas de liquidez foram os lucros de US$232 bilhões (este é de fato o número real!) com a venda de drogas ilegais. A maioria deste lucro vêm de drogas como cocaína e heroína, mas manter as leis confusas serve melhor a estes interesses do que leis voltadas apenas para drogas aditivas.

Por mais favoráveis que estas tendências possam parecer, o que mais importa é como seu entendimento de você mesmo e de seu lugar na ordem natural das coisas foi clareado ou enriquecido pelo uso de psicodélicos. Se os insights resultantes não forem integrados na sua vida, eles podem ser trivializados, ignorados ou patologizados. O teólogo Huston Smith diz que a questão não é se estas substâncias induzem experiências místicas, mas se o seu uso leva a uma vida religiosa. O pesquisador psicodélico e praticante budista Rick Strassman diz: “Experiência espiritual isolada, mesmo repetidamente, não é a base para se tornar uma pessoa melhor. Ao contrário, os insights psicodélicos apropriadamente escalonados e postos em prática com considerações morais e éticas parecem ser o melhor caminho para colher os frutos das drogas psicodélicas.

Em muitas culturas, o explorador psicodélico é chamado para encontrar algo de útil para sua sociedade – descobrir os potenciais terapêuticos de uma planta, trazer de volta uma música de cura ou receitas para as pessoas viverem em harmonia consigo mesmas e com o mundo natural. O fato de que os psicodélicos facilitam tais experiências não diminui a responsabilidade.

A questão colocada pela poeta Mary Oliver, “O que é que você pretende fazer com sua única e preciosa vida?” é o que os psicodélicos nos impelem a levar a sério.

*Nos EUA houve polêmica sobre o filme porque os personagens fumam maconha. Algumas instituições, como a Motion Pictures Association of America (MPAA) criticaram o filme por isso e pelo fato de nada ruim acontecer aos personagens devido a fumarem maconha. A MPAA recebeu muitas críticas por esta posição extremamente conservadora.

Nascido em maio de 1939, James Fadiman se graduou em Relações Sociais pela Harvard University em 1960 e realizou mestrado e doutorado em psicologia na Stanford University, em 62 e 65, respectivamente. Nos últimos 40 anos lecionou uma grande variedade de tópicos, consultas, treinamentos, aconselhamentos, editoriais e exerceu outras funções. Enquanto vivia em Paris durante seus anos de estudante, James Fadiman foi apresentado aos psicodélicos pelo seu supervisor na graduação, Richard Alpert (Ram Dass), que estava a caminho de Copenhague com Tim Leary e Aldous Huxley para a primeira grande apresentação em uma conferência internacional sobre os potenciais positivos dos psicodélicos.

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A Louca Corrida dos EUA ameaça o planeta

Por Paul Craig Roberts. Tradução de Margarida Ferreira para http://resistir.info/ e Carta Maior. Leia o original em inglês aqui.
Paul Craig Roberts é ex-secretário assistente do Tesouro na administração Reagan, co-autor de “The Tyranny of Good Intentions”. Foi editor associado da página editorial do Wall Street Journal e editor colaborador na National Review.

O Washington Times é um jornal que encara com bons olhos as guerras de agressão de Bush/Cheney/Obama/ neoconservadores no Médio Oriente e defende que se obrigue os terroristas a pagar pelo 11/Setembro. Por isso, fiquei admirado ao saber que, em 24 de fevereiro, a notícia mais apreciada no sítio web do jornal durante os últimos três dias era a reportagem “Explosive News” , do “Inside the Beltway”, sobre as 31 conferências de imprensa em cidades dos EUA e no estrangeiro realizadas a 19 de Fevereiro pelos Arquitetos e Engenheiros para a Verdade do 11/Setembro, uma organização de profissionais que já tem 1 000 membros.

E ainda fiquei mais admirado por a reportagem do jornal tratar a conferência de imprensa muito a sério.

Como é que três arranha-céus do World Trade Center se desintegram subitamente em poeira fina? Como é que sólidas vigas de aço em três arranha-céus cedem subitamente em consequência de incêndios de curta duração, isolados e de baixa temperatura? “Mil arquitetos e engenheiros querem saber, e apelam ao Congresso que promova uma nova investigação sobre a destruição das Torres Gêmeas e do Edifício 7”, noticia o Washington Times.

O jornal noticia que os arquitetos e engenheiros chegaram à conclusão de que a Federal Emergency Management Agency (FEMA) e o National Institute of Standards and Technology (NIST) forneceram “relatos insuficientes, contraditórios e fraudulentos das circunstâncias da destruição das torres” e “exigem uma investigação de um grande júri aos funcionários do NIST”.

O jornal relata que Richard Gage, o porta-voz dos arquitetos e engenheiros disse: “Deverão ser notificados funcionários do governo de que a ‘Conivência com a Traição’, Código 18 (Sec. 2382) dos EUA é um grave crime federal, que exige a ação dos que possuem indícios de traição. As implicações são enormes e podem ter um impacto profundo no próximo julgamento de Khalid Sheik Mohammed”.

Agora há uma outra organização, os Bombeiros pela Verdade do 11/Setembro. Na principal conferência de imprensa em São Francisco, Eric Lawyer, o líder desta organização, anunciou o apoio dos bombeiros às exigências dos arquitetos e engenheiros. Denunciou que não houve qualquer investigação forense aos incêndios que supostamente destruíram os três edifícios e que esta omissão constitui um crime.

Não foram seguidos os procedimentos obrigatórios e, em vez de ser preservada e investigada, a cena do crime foi destruída. Também denunciou que há mais de cem testemunhas de primeira-mão que ouviram e sentiram explosões e há provas de explosões através da rádio, de gravações de som e de vídeos.

Também na conferência de imprensa, o físico Steven Jones apresentou provas da existência de nano-termite em resíduos dos edifícios do WTC encontrada por um painel internacional de cientistas, chefiado pelo Professor Niels Harrit, da Universidade de Copenhaga. A nano-termite é um explosivo/pirotécnico de alta tecnologia capaz de derreter instantaneamente vigas mestras de aço.

Antes de gritarmos “teoria da conspiração”, temos que ter presente que os arquitetos, engenheiros, bombeiros e cientistas não apresentam qualquer teoria. Apresentam provas que contestam a teoria oficial. Estas provas não vão desaparecer.

Se o fato de exprimir dúvidas ou reservas quanto à versão oficial do Relatório da Comissão do 11/Setembro torna uma pessoa num idiota da teoria da conspiração, então também temos que incluir o co-presidente da Comissão do 11/Setembro e o conselheiro legal da Comissão, que escreveram livros em que declaram abertamente que foram enganados por funcionários do governo quando dirigiam a investigação, ou, melhor, quando presidiam à investigação dirigida pelo director executivo Philip Zelikow, membro da equipa de transição do Presidente George W. Bush e do Foreign Intelligence Advisory Board e um co-autor com a secretária de Estado de Bush, Condi “Mushroom Cloud” Rice.

Há-de haver sempre americanos que acreditam em tudo o que o governo lhes diz apesar de saberem que o governo lhes tem mentido muitas vezes. Apesar das dispendiosas guerras que ameaçam a Segurança Social e os Cuidados de Saúde, guerras essas baseadas em inexistentes armas de destruição maciça iraquianas, em inexistentes ligações de Saddam Hussein à al Qaida, em inexistente participação afegã nos ataques de 11/Setembro, e em inexistentes armas nucleares iranianas, que estão a ser invocadas como razão para a próxima guerra americana de agressão no Médio Oriente, mais de metade da população dos EUA continua a acreditar na história fantástica que o governo lhes contou sobre o 11/Setembro, uma conspiração muçulmana que ludibriou todo o mundo ocidental.

Mais ainda, esses americanos não se preocupam com a quantidade de vezes que o governo altera a sua versão. Por exemplo, os americanos ouviram falar pela primeira vez de Osama bin Laden porque o regime Bush lhe atribuiu os ataques do 11/Setembro. Ano após ano foram apresentados vídeos ao público crédulo americano com declarações de bin Laden. Os especialistas consideraram que esses vídeos eram falsificações, mas os americanos mantiveram-se crédulos. Depois, subitamente no ano passado, surgiu um novo “cérebro” do 11/Setembro que ocupou o lugar de Bin Laden, o preso Khalid Sheik Mohammed, o detido que foi mergulhado em água 183 vezes até confessar ter sido o cérebro dos ataques do 11/Setembro.

Na Idade Média, as confissões arrancadas sob tortura constituíam prova, mas o sistema legal dos EUA sempre recusou a auto-incriminação desde a sua fundação. Mas com o regime Bush e os juízes federais Republicanos, que nos juraram defender a Constituição dos EUA, a auto-incriminação de Sheik Mohammed consiste hoje na única prova que o governo americano tem de que foram terroristas muçulmanos que provocaram o 11/Setembro.

Se uma pessoa analisar as acções atribuídas a Khalid Sheik Mohammed, estas são simplesmente incríveis. Sheik Mohammed é um super-herói mais brilhante, com mais capacidades do que V no filme de ficção, “V de Vingança” (V for Vendetta). Sheik Mohammed ludibriou todas as 16 agências de informações americanas e as de todos os aliados ou fantoches dos EUA, incluindo o Mossad de Israel. Não há nenhum serviço de informações na terra nem mesmo todos eles juntos que cheguem aos calcanhares de Sheik Mohammed.

Sheik Mohammed ludibriou o Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Dick Cheney, o Pentágono, o Departamento de Estado, o NORAD, a Força Aérea americana, e o Controlo de Tráfego Aéreo.

Fez com que a Segurança dos Aeroportos falhasse quatro vezes na mesma manhã. Provocou a falha das modernas defesas aéreas do Pentágono, o que permitiu que se jogasse no Pentágono um avião comercial pirateado, que andou fora da rota durante toda a manhã enquanto a Força Aérea americana, pela primeira vez na história, foi incapaz de o interceptar,

Sheik Mohammed conseguiu realizar estas façanhas com pilotos não qualificados.

Sheik Mohammed, apesar de ser um prisioneiro mergulhado em água, conseguiu impedir que o FBI divulgasse os muitos vídeos confiscados que, segundo a versão oficial, mostrariam o avião pirateado a bater no Pentágono.

Até que ponto temos que ser ingênuos para acreditar que qualquer ser humano, qual personagem de ficção de Hollywood, tem este poder e capacidades?

Se Sheik Mohammed tem estas capacidades super humanas, como é que os incompetentes americanos o apanharam? Este tipo é um bode expiatório torturado até à confissão, a fim de que os americanos ingênuos continuem a acreditar na teoria da conspiração governamental.

O que está havendo é que o governo americano tem que pôr fim ao mistério do 11/Setembro. O governo tem que levar a julgamento e condenar um réu para poder encerrar o caso antes que ele rebente. Qualquer pessoa que foi mergulhada em água 183 vezes confessa o que quer que seja.

O governo americano tem respondido às provas, que têm sido apresentadas contra a sua extraordinária teoria da conspiração do 11/Setembro, redefinindo a guerra contra o terrorismo de inimigos externos para inimigos internos. Janet Napolitano, secretária da Segurança Nacional, disse em 21 de Fevereiro que atualmente os extremistas americanos são motivo de preocupação tão grande como os terroristas internacionais. Os extremistas, claro, são pessoas que interferem na agenda do governo, como os 1 000 Arquitectos e Engenheiros pela Verdade do 11/Setembro. Este grupo era de 100, agora já são 1 000. E se vierem a ser 10 000?

Cass Sunstein, um funcionário do regime Obama, tem uma solução para os céticos do 11/Setembro: infiltrar-se dentro deles e levá-los a fazerem declarações e ações que possam ser usadas para os desacreditar ou para os prender. Mas livrar-se deles a todo o custo.

Por quê utilizar estas medidas extremas contra supostos idiotas se eles apenas provocam divertimento e risadas? Estará o governo preocupado que eles farejem alguma coisa?

Em vez disso, por que é que o governo americano não confronta pura e simplesmente as provas que são apresentadas e as contesta?

Se os arquitetos, engenheiros, bombeiros e cientistas são uns idiotas chapados, seria fácil analisar as suas provas e refutá-las. Porque é que é necessário infiltrar-se neles com agentes secretos e armar-lhes ratoeiras?

Muitos norte-americanos responderiam que o “seu” governo nunca sequer pensaria em matar seus próprios cidadãos, roubando aviões e destruindo edifícios só para promover a agenda do governo. Mas em 3 de Fevereiro, Dennis Blair, diretor do National Intelligence, disse à Comissão de Informações da Câmara que o governo dos EUA pode assassinar os seus próprios cidadãos quando eles estão além-mar. Não é necessário nenhuma detenção, nenhum julgamento, nenhuma condenação por um crime capital. Apenas um assassínio impune.

Obviamente, se o governo dos EUA pode assassinar os seus cidadãos no estrangeiro, também pode assassiná-los internamente, e é o que tem feito. Por exemplo, foram assassinados 100 Davidianos Branch [1] em Waco, Texas, por ordem da administração Clinton, sem qualquer razão legítima. O governo decidiu apenas usar do seu poder sabendo que o podia fazer, e foi o que fez.

Os americanos que pensam que o “seu governo” é uma espécie de operação moralmente pura, deviam familiarizar-se com a Operação Northwoods. A Operação Northwoods foi uma conspiração organizada pelos chefes de estado-maior conjuntos para que a CIA efetuasse atos de terrorismo em cidades americanas e fabricasse provas culpando Castro a fim de os EUA poderem conquistar o apoio interno e internacional para a mudança de regime em Cuba. O plano secreto foi vetado pelo presidente John F. Kennedy e foi revelado pelo John F. Kennedy Assassination Records Review Board. Está disponível online no National Security Archive. Há inúmeros relatos disponíveis online, incluindo na Wikipedia. O livro de James Bamford, Body of Secrets , também fala resumidamente na conspiração.

“A Operação Northwoods, que teve a aprovação por escrito do presidente [Gen. Lemnitzer] e de todos os membros dos chefes de estado-maior, propunha que fossem alvejadas pessoas inocentes nas ruas americanas; que fossem afundados no alto mar barcos que transportassem refugiados fugidos de Cuba; que fosse desencadeada uma onda de terrorismo violento em Washington, DC, Miami, e noutros lugares. Seriam acusadas pessoas por explosões que não tinham feito, seriam sequestrados aviões. Através de provas fabricadas, tudo isso seria atribuído a Castro, dando a Lemnitzer e à sua pandilha a justificação e o apoio público e internacional de que precisavam para desencadear a sua guerra”.

Antes do 11 de Setembro os neoconservadores americanos foram explícitos quanto afirmaram que as guerras de agressão que pretendiam desencadear no Médio Oriente exigiam “um novo Pearl Harbour”.

Para seu próprio bem e para o bem de todo o mundo, é preciso que os norte-americanos prestem atenção ao número cada vez maior de especialistas que estão dizendo que o relato do governo sobre o 11 de Setembro não condiz com as suas próprias investigações. O 11 de Setembro desencadeou o plano neoconservador para a hegemonia mundial dos EUA. Enquanto escrevo, o governo dos EUA está a negociar o acordo de governos estrangeiros que rodeiam a Rússia para aceitar bases americanas de intercepção de mísseis. Os EUA pretendem cercar a Rússia com bases americanas de mísseis desde a Polônia, passando pela Europa Central e Kosovo, até à Geórgia, Azerbaijão e Ásia central [ver http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=17709 ]. O enviado especial americano Richard Holbrooke declarou a 20 de Fevereiro que a Al Qaeda está infiltrando-se em regiões da antiga União Soviética na Ásia central, como o Tajiquistão, o Quirguistão, o Uzbequistão, o Turquemenistão e o Cazaquistão. Hollbrooke está pedindo bases norte-americanas nestas repúblicas ex-soviéticas com a desculpa da “guerra contra o terrorismo” sempre em expansão.

Os EUA já cercaram o Irã com bases militares. O governo norte-americano pretende neutralizar a China assumindo o controlo do Oriente Médio e isolando a China do petróleo.

Este plano parte do princípio que a Rússia e a China, países com armas nucleares, ficarão intimidados com as defesas anti-mísseis americanas e cederão à hegemonia dos EUA e que a China ficará sem petróleo para as suas indústrias e forças militares.

O governo dos EUA está enganado. Os líderes militares e políticos russos responderam a esta ameaça óbvia declarando que a OTAN é uma ameaça direta para a segurança da Rússia e anunciando uma mudança na doutrina russa da guerra quanto ao lançamento preventivo de armas nucleares. Os chineses estão demasiado confiantes para serem intimidados por uma “superpotência” americana enfraquecida.

Os retardados mentais de Washington estão jogando a cartada da guerra nuclear. O impulso louco para a hegemonia americana ameaça a vida sobre a terra. O povo norte-americano, ao aceitar as mentiras e enganos do “seu” governo, estão facilitando este resultado.


[1] Davidianos Branch – seita religiosa destrutiva com origem na igreja adventista; em 1993 agentes federais dos EUA cercaram as suas instalações em Waco (Texas), tendo daí resultado a morte de dezenas dos seus membros quando o complexo ardeu completamente (N.T.).

Para saber mais sobre o tema, veja no nosso site os filmes:

Loose Change

Zeitgeist, parte 2

O Novo Século Americano


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