Pra tirar o pé do lodo

Na costa americana do Golfo do México, o choque causado pelo vazamento de petróleo um mês atrás é agora realidade para milhões de cidadãos, ao passo que se percebe o tamanho do estrago. Estrago causado pela ambição por perigosos combustíveis fósseis e pela perpetuação de uma sociedade monetária que está se tornando datada com sua máxima de “lucros a qualquer custo” (seja o custo humano ou ambiental). Este desastre clama por atenção. É tempo para uma solução viável que lide com este sistema engajado na sua própria destruição.

É com esta introdução infortúnia que devemos acordar do nosso torpor cotidiano e adentrar a conversação internacional para expressarmos a necessidade de mudanças verdadeiras. Este clamor não é fruto de algum tipo de slogan professado por um grupo de interesse, mas o desejo evidente das pessoas por uma transição significativa pra fora deste legado destrutivo, do fardo dos erros passados para uma civilização em amadurecimento. Nós só temos uma Terra, não há botão de reset aqui.

Nós precisamos largar de vez as ideologias estabelecidas que têm impedido o progresso. Acabar com a dualidade política, a estratificação econômica e as falsas divisões é a chave para superar nosso aparente apego histórico à idéia de que o futuro prometido tem que permanecer como um sonho evasivo. Nós precisamos repensar a nossa sociedade e superar estas partes dela que só servem para nos paralisar.

área de expansão do vazamento em 24 de Maio (fonte: NYTimes)

O vazamento de petróleo no Golfo do México tem sido noticiado com pouco destaque pela mídia brasileira – demasiada preocupada em reverter as significativas perdas de vendas e credibilidade nestes tempos de internet –, e é ofuscado por pautas sensacionalistas como “a confissão da bruxa” e outras baboseiras que mantém a mente fora de foco e presa a cabrestos psicológicos.

Este vazamento não precisava ter acontecido. Ele aconteceu porque nós continuamos a usar uma tecnologia obsoleta pelo propósito único e exclusivo de se manter um sistema lucrativo. Um sistema que perpetua vasta desigualdade, destrói frágeis ecossistemas e polui o nosso ar.

Até agora, passado um mês de seu início, não houve muito progresso nas tentativas de estancar o vazamento de mais de 5 mil barris de petróleo por dia (talvez até 10 vezes mais que isso). Enquanto isso a fugacidade dos encantos vendidos pela TV e indústria da moda e entretenimento (“consuma, consuma, consuma!”), o estímulo à posse e ao apego material como forma de “amor” (às vezes “injustiçado”, como na história dos avós do menino Sean), a cultura de medo dos noticiários policiais e transformação de pessoas em vigilantes, desconfiadas umas das outras, através de terrorismo psicológico de cima pra baixo (“o assassino do daime”, “a bruxa da tortura infantil” etc) mantém a todos nós alienados dos problemas realmente significativos que o planeta enfrenta agora, neste instante, enquanto você lê estas palavras.

Antes de soltarmos mais rojões pela descoberta do Pré-Sal e de comemorarmos o futuro glorioso que este poço de ouro negro nos promete, precisamos entender que é tempo para mudanças estruturais, e não promessas vazias. Nenhuma porção de socialismo ou da ideologia do livre-mercado irá nos salvar de nós mesmos. É preciso haver uma revisão fundamental de tudo o que pensamos que sabemos, para que possamos almejar um empreendimento humano verdadeiramente sustentável.

Nossa geração ficou parada assistindo o nosso planeta ser pilhado e destruído, e ainda assim não fizemos nada a respeito. Nossa geração ficou parada assistindo enquanto governos inocentaram os próprios criadores da crise econômica que atravessamos hoje, e ainda assim não fizemos nada a respeito. Nossa geração ficou parada assistindo enquanto vamos sendo despidos de nossos direitos como cidadãos globais, e ainda assim não fizemos nada a respeito. Nossa geração ficou parada assistindo enquanto nos foram passados adiante os problemas criados por incontáveis gerações anteriores, e enquanto nos preparamos para repetir o mesmo com a próxima geração, não fazemos nada a respeito.

Sejamos a primeira geração a lidar com os problemas e a procurar por soluções para os nossos filhos e para os filhos de nossos filhos. Mas não podemos fazer isto sozinhos. Vamos quebrar as barreiras que criamos entre nós. Nós precisamos de todos vocês, até o último fio de cabelo, para dizer basta em uma grande voz. Não como brasileiros ou americanos, cristãos ou muçulmanos, mas como pais, mães, irmãos e irmãs. Vamos destruir as divisórias entre nós e trabalhar para criar um mundo onde possamos contar para as nossas crianças que eles podem fazer o que quer que seus corações desejarem, e sabermos lá no fundo que estamos falando a verdade. Façamos com que nossa geração seja esta geração.

Nós temos as ferramentas, nós temos o conhecimento, nós temos a tecnologia. É tempo de se fazer a transição para um mundo, uma economia e um futuro que nós merecemos, indiferente da localização geográfica ou disposição econômica. Enquanto ficarmos contando com o legado de sistemas definidos numa mentalidade do século 19, tudo o que faremos será andar em círculos, enquanto uma parada de desastres econômicos e ecológicos irá continuar a nos visitar a todo momento. É hora de puxar o plug desta charada porque, como você vai descobrir, existe um caminho melhor.

Nós do Plantando Consciência, alinhados com movimentos de idéias como o ZeitgeistEvolver, associações de pesquisa como a MAPS, o movimento pela descriminalização das drogas e o trabalho em prol do uso controlado e regulmentado de medicina ancestral e do uso de enteógenos como substitutos para os sedutores mas ineficazes remédios caça-níqueis da indústria farmacêutica (porque estes só atacam os sintomas, e não as causas dos problemas), olhamos atentamente para o futuro, para a derrocada pacífica e consciente do capitalismo canibal e cancerígeno que criamos com afinco mas sem consideração, e em prol de uma sociedade mais humana. E buscamos você para que possamos trabalhar juntos naquilo que deve ser feito. Cada homem, cada mulher e criança tem uma voz, mas juntos podemos criar uma voz tão ensurdecedora que ninguém terá escolha senão escutá-la. Mas isso demanda a sua participação. Demanda que você deixe de lado preconceitos e idéias como “é a vida”, “tá todo mundo na merda mesmo” ou “Deus quis assim”, como se esse fosse o único caminho possível. Porque não o é!

Nossa forma de pensar não irá mais nos sustentar aqui. Nós podemos permanecer neste castelo de cartas que construímos e assisti-lo implodir ao nosso redor, ou podemos, através do melhor que a nossa sociedade pode oferecer, começar a construir uma nova e florescente sociedade, mais estável e madura, para que o vazamento no Golfo do México e as companhias petrolíferas não sejam nada mais do que uma vergonhosa nota de rodapé na nossa história.

baseado em um texto do Zeitgeist Movement, remix por Plantando Consciência

1 Comentário »

  1. Bruno Freitas said

    Boa adaptação e tradução da press release enviada pelo grupo de comunicação internacional do movimento zeitgeist.

    Você já está no nosso fórum? Seria interessante você participar das nossas discussões, caso você ache que vale a pena.

    Grande abraço,

    BF

RSS feed for comments on this post · TrackBack URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: