Archive for junho, 2010

Vaza MESMO!

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Vaza, Vaza, Vaza…

A época é da mais perfeita distração em todo o planeta: a copa do mundo. Seguimos todos uma vez mais hipnotizados pela TV, que agora nos fornece no mínimo quatro horas diárias de futebol.

Enquanto isso, as águas no golfo do méxico vão ficando cada vez mais escuras…

Até quando?

“Somente após a última árvore ser cortada.

Somente após o último rio ser envenenado.

Somente após o último peixe ser pescado.

Somente então o homem descobrirá que dinheiro não pode ser comido!!”

Provérbio Cree

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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Retorno aos tempos dourados

Como aceitamos o fato de não consagrar nem mesmo alguns breves momentos por dia à introspecção? Estamos endurecidos, insensíveis, blasés a esse ponto? Ficamos realmente satisfeitos com uma conversinha espirituosa e um pouco de entretenimento banal? Vamos olhar para dentro. Há muito a fazer.

Vale a pena dedicar um momento de cada dia para cultivar o pensamento altruísta e observar o funcionamento da mente. Que não haja dúvida: Essa investigação nos ensinará mil vezes mais, e de maneira muito mais duradoura, do que uma hora dedicada a ler as notícias locais ou os resultados esportivos! Não se trata de ignorar o mundo, mas de fazer bom uso de nosso tempo. De qualquer maneira, não precisamos ter medo de cair no extremo, vivendo como vivemos, nesta era de distrações onipresentes, em que o acesso à informação geral nos leva bem perto do ponto de saturação. Trata-se, sim, de que estamos estagnados no extremo oposto: grau zero de contemplação. Podemos dedicar a ela alguns segundos, quando algum revés emocional ou profissional nos força a “pôr as coisas em perspectiva”. Mas como e por quanto tempo? Com muita frequência, só ficamos esperando que “passe o mau momento”, buscando ansiosamente alguma distração para “mudar as idéias” ou “refrescar a mente”. Mudam os atores e o cenário, mas a peça continua a mesma.

Por que não sentar-se à margem de um lago, no topo de uma montanha, ou em uma sala tranquila, para examinar de quê somos feitos, no mais profundo de nós mesmos? Primeiro, examinar o que mais nos importa na vida, e depois, estabelecer prioridades entre as coisas essenciais e as outras atividades a que forçosamente impomos ao nosso tempo. Podemos também nos beneficiar de certas fases da vida ativa para nos reencontrarmos e voltar o olhar para dentro. Tenzin Palmo, uma monja inglesa que passou muitos anos em retiro, escreveu: “As pessoas dizem que não têm tempo para a meditação. Não é verdade! Você pode meditar quando anda pelo corredor, quando espera que o sinal abra para você no trânsito, trabalhando no computador, quando está em uma fila, no banheiro, penteando o cabelo. É preciso criar o hábito de estar no presente, sem os comentários mentais”

O nosso tempo é contado desde o dia que nascemos, cada segundo, cada passo nos traz mais próximos da morte. O eremita tibetano Patrul Rimpoche lembra-nos poeticamente que:

A medida que sua vida passa como o mergulho do sol poente,

A morte se aproxima, como as sombras da noite se alongam.

Longe de fazer com que fiquemos desesperados, uma percepção lúcida da natureza das coisas, ao contrário, nos inspira a viver plenamente cada dia que passa. A não ser que examinemos a nossa vida, daremos por certo que não temos escolha e que é mais fácil fazer uma coisa depois da outra. Como sempre fizemos e sempre faremos. Mas se não abandonarmos os entretenimentos fúteis e as atividades estéreis do mundo, certamente elas não nos abandonarão, vindo a tomar cada vez mais espaço em nossa vida. Se adiarmos a nossa vida espiritual para amanhã, a nossa negligência se repetirá dia após dia. O tempo voa! A morte se aproxima a cada passo que dou, a cada olhar que tenho para o mundo, a cada tique-taque do relógio. Ela pode nos alcançar a cada instante, e não há nada que possamos fazer a respeito. Se a morte é certa, o momento de sua chegada é imprevisível. Como disse Nagarjuna, dezessete séculos atrás:

Se a vida é assolada por muitos males

E é ainda mais frágil do que uma bolha na água

É um milagre, depois de ter dormido

Inspirar, expirar, e acordar disposto!

No nível prático, se quisermos vivenciar nossa relação com o tempo de maneira harmoniosa, devemos cultivar certo número de qualidades. A atenção plena nos permite que permaneçamos alerta à passagem do tempo, e evita que ele se vá sem que percebamos. A motivação adequada é que dá ao tempo suas cores e o seu valor. A diligência nos permite fazer bom uso dele. A liberdade interior evita que ele seja monopolizado pelas emoções perturbadoras. Cada dia, cada hora, cada segundo é como uma flecha que voa para seu alvo. O tempo certo para começar é agora.

Trecho do livro “Felicidade”, de Matthieu Ricard (Palas Athena), monje budista que teve uma promissora carreira na área da genética celular antes de deixar a França para estudar o Budismo, no Himalaia, há trinta e cinco anos. É autor de vários bestsellers, fotógrafo e participante ativo das atuais pesquisas científicas  sobre os efeitos da meditação no cérebro. Vive e trabalha em projetos humanitários no Tibete e no Nepal.

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