Archive for dezembro, 2010

Fazendo as pazes com Papai Noel

Você já parou pra pensar por que levamos pinheiros pra dentro de casa, os decoramos com bolas coloridas e colocamos presentes ao seu redor no Natal? Qual é, de fato, a origem da simbologia natalina?

Enquanto a maioria de nós entende o Natal como um feriado cristão que simboliza qualidades elevadas de caráter como solidariedade, compaixão, esperança, altruísmo etc; apesar de celebrado no mundo inteiro, o evento causa sentimentos controversos. Para uma parcela mais radical a data representa uma espécie de celebração do consumismo materialista e da ganância, banhado com uma calda de hipocrisia. Por outro lado, alguns entusiastas do Natal acreditam que manter uma criança crente na existência do Papai Noel é de certa forma uma crueldade, uma vez que mais tarde elas descobrirão que foram enganadas pelos seus próprios pais. E se perguntam, justamente, que, “se não queremos que elas mintam, porque mentimos para elas?”.

Temos também uma frente mais recente, oriunda da paranóia policiadora do politicamente correto, que também está em guerra contra o bom velinho, que vem sendo crucificado por “sua massa corpórea estar muito além do que recomendam os médicos” (!!),  ataque respaldado por uma manipulação de estatísticas que conclui que “Há uma correlação entre os países que mais veneram o Papai Noel e altos índices de obesidade infantil” (!!!).

Como tudo no mundo contemporâneo, é claro, o buraco é sempre mais embaixo.

“Então, por quê as pessoas levam pinheiros pra dentro de suas casas no solstício de inverno e colocam pacotes coloridos (vermelho e branco) ao redor de seu tronco, como presentes para demonstrar seu amor pelo próximo e como representações do amor de Deus e da dádiva da vida para seus filhos? É porque, embaixo do tronco do pinheiro é a localização exata onde se pode encontrar a mais sagrada substância, a Amanita Muscaria, na natureza.” – James Arthur, “Mushrooms and Mankind”

A Amanita Muscaria é o cogumelo vermelho de pintinhas brancas que habita nosso inconsciente coletivo e a literatura das fadas e do mundo da magia, e que cresce quase que exclusivamente em redes de micélios que coexistem simbioticamente com os pinheiros nos países nórdicos. Também conhecido como o “fungo voador”, seu igrediente ativo principal é o ‘muscimol,’ bem como traços de DMT, ou a “molécula do espírito”, um enteógeno que, de acordo como Dr. Rick Strassman, PHD e pesquisador especializado na molécula, possui fortes evidências de ser produzido pela glândula Pineal no cérebro humano.

“O próprio nome ‘Christmas’ é uma palavra composta de ‘Christ’ (Cristo, no sentido daquele que é embebido com a substância mágica’ e ‘Mass’ (Missa, o trabalho religioso ou cerimônia de ingestão da eucaristia sacramental, o Corpo de Cristo’). Na tradição católica, esta substância (corpo/soma) foi substituída pela doutrina da ‘transubstanciação’, em cujas cerimônias os padres clamam a habilidade de transformar uma bolachinha redonda (a hóstia) no Corpo de Cristo literal; ou seja, um susbtituto, ou placebo.” – James Arthur, “Mushrooms and Mankind”

Ao passo que a maioria de nós entende o Natal como um feriado cristão, ele tem suas origens em tempos mais remotos, das tradições xamânicas dos povos tribais do norte da Europa pré-cristianismo. Esses cogumelos eram usados pelos povos ancestrais para clarividência e experiências transcendentais. A maioria dos elementos da tradição natalina, como o Papai Noel, as árvores de Natal, as renas voadoras e a troca de presentes são baseadas nas tradições que envolviam a colheita e consumo desses cogumelos sagrados.

Os povos ancestrais da região, incluindo os Lapps da hoje Finlândia, e as tribos Koyak das estepes centrais da Rússia, acreditavam na idéia da “Árvore do Mundo”. A Árvore do Mundo era vista como uma espécie de eixo cósmico, no qual os planos do universo são afixados. As raízes da Árvore do Mundo se esticam pra dentro dos mundos inferiores, seu caule está na “Terra do meio”, da existência cotidiana, e seus galhos alcançam pra cima, em direção aos reinos dos céus. Para os povos ancestrais, esses cogumelos eram literalmente as “frutas da Árvore”.

A Estrela do Norte também era considerada sagrada, uma vez que, ao olho do observador, todas as outras estrelas rotacionavam em torno deste ponto fixo. Eles associavam esta “Estrela Polar” com a Árvore do Mundo e o eixo central do universo. O topo da Árvore do Mundo tocava a Estrela do Norte, e o espírito do xamã escalava a árvore metafórica, passando para o reino dos deuses. Este seria o significado original da estrela no topo da árvore de Natal moderna, e também o motivo pelo qual o “super-xamã” Papai Noel vive no Pólo Norte.

As analogias prosseguem. Um dos efeitos colaterais da ingestão da Amanita é sentido na pele, através de uma “vermelhidão” que pode ser percebida com mais facilidade nas extremidades do rosto. É por isso que o Papai Noel é sempre ilustrado com nariz e bochechas avermelhados. Até seu riso “Ho, ho, ho!” corresponde de certa forma ao riso eufórico daqueles que mergulham na indulgência com o fungo mágico.

Papai Noel também se veste como um coletor. Quando era tempo de sair para fazer a coleta dos cogumelos mágicos, os xamãs ancestrais da Sibéria vestiam-se de forma correlata, com casacos de pele e longas botas.

Os povos da região viviam em tendas feitas de madeira e pele de rena, chamadas “yurts”. A chaminé central dessas tendas era também usada de entrada, uma vez que o enorme volume de neve que se acumula no solo bloqueia uma entrada frontal. Após a colheita, os xamãs voltavam pra casa com seus sacos cheios nas costas. Ao adentrar as tendas dos habitantes destas tribos, eles presenteavam os mesmos com os frutos mágicos de sua colheita. Também não é coincidência que as renas que habitam estas regiões sejam grandes comedoras de cogumelos  Amanita, o “fungo voador”.

Ao compreendermos melhor as origens destas celebrações, nós podemos compreender melhor o mundo contemporâneo, e nosso lugar nele. Papai Noel não é uma mentira, e o verdadeiro espírito do Natal não reside na troca de brinquedos de plástico, mas na celebração de um presente da terra: o enteógeno, a planta ou substância capaz de gerar o “Deus interior” e as experiências reveladoras e visionárias que dele podemos extrair, que no fundo remetem ao grande denominador comum entre todos nós: o amor e a comunhão.

Nós do Plantando Consciência desejamos um Feliz Natal a todos, e um 2011 repleto de visões, frutífero para o despertar!

Saiba mais:

http://www.plantandoconsciencia.org/pharma.htm

Livros (em ingles):

– Mushrooms and Mankind, de James Arthur
– Soma: Divine Mushroom of Immortality, de Gordon Wasson
– Mushrooms, Poisons and Panaceas, de Denis R. Benjamin
Astrotheology and Shamanism:  Christianity’s Pagan Roots
A Revolutionary Reinterpretation of the Evidence
, de Jan Irvin e Andrew Rutajit
The Sacred Mushroom and the Cross, de John Marco Allegro

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Guerra contra o que?

Os recentes acontecimentos no RJ, contados pela VEJA (melhor seria não ver) sugerem que o Brasil finalmente começou a vencer a guerra. Mas que guerra é essa? Chamada mundialmente de “guerra contra as drogas”, o fenômeno se revela, à uma análise um pouco mais científica e profunda, uma guerra contra outras coisas, mas não contra as drogas.

É isso mesmo. Essa política repressiva e sanguinária existe a cerca de 5 décadas como um dos pilares centrais da sociedade moderna, mas é um fracasso total na questão de repressão às drogas ilícitas. Enquanto a guerra, os presos e os mortos proliferam rapidamente no mundo todo, as drogas são cada vez mais disponíveis, mais fortes e mais baratas (não acredita? clique aqui). Por outro lado, a guerra que se diz contra as drogas é um sucesso total em outro quesitos. Por exemplo, a juíza aposentada no RJ, Maria Lúcia Karam, mostra que essa guerra civil permanente, nos EUA, já encarcera mais negros do que o regime político do apartheid, que era explicitamente racial, ao contrário da perniciosa política atual. Seria então uma política racial disfarçada? Isto é deliberado ou inconsciente, efeito colateral duma política equivocada? E quando houve mesmo na história da humanidade uma sociedade sem drogas? Segundo Henrique Carneiro, historiador da USP, nunca. E isso não só é impossível como indesejável. De fato, ninguém quer ficar sem as drogas da farmácia, artificalmente distinguidas pelo nome de remédio. Mas que também viciam e matam, por vezes muito mais do que as demonizadas e tornadas ilícitas. E poucos querem ficar sem sua cervejinha, seu tabaco, café ou chocolate.

Então o que nos impede de debater a questão seriamente? Qual o grande medo por trás desta guerra que faz com que a maioria sequer aceite ouvir idéias alternativas, enquanto um verdadeiro genocídio prossegue todos os dias? Segundo o Major Neill Franklin, ex policial norte-americano, o maior medo por trás da mudança na política de drogas atual é reconhecer que erramos feio, e que foi por tanto tempo. Segundo Wade Davis, antropólogo Canadense, esta guerra é a maior loucura de toda a história humana. Pensamento semelhante foi expresso pelo recém prêmio Nobel Mário Vargas Llosa.

Estas, e muitas outras questões, são tema do documentário brasileiro Cortina de Fumaça, que o Plantando Consciência traz com exclusividade para São Paulo, em exibições inéditas a partir de amanhã. Em uma parceria com a produtora do filme, Coletivo Projects, e com a Matilha Cultural, o filme será exibido de graça até domingo, dia 19/12 (para detalhes da programação acesse nosso site). Na sexta-feira, dia 17, sessão especial as 20:00 seguida de debate com o diretor, Rodrigo MacNiven e alguns entrevistados já confirmados: Elisaldo Carlini, Walter Maierovitch e Cristiano Maronna. Carlini é médico, psicofarmacologista e professor da Universidade Federal de São Paulo. Já prestou inúmeros serviços ao governo brasileiro e à ONU especificamente sobre drogas. Maierovitch foi secretário nacional Antidrogas da Presidência da República entre 1999 e 2000 e hoje é Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. Maronna é diretor do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) e advogado.

Para todos os que desejam um Brasil diferente nos anos que estão por vir, serão sessões imperdíveis!

Saudações cordiais

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Convite para o lançamento do livro “2012, O Ano da Profecia Maia”, de Daniel Pinchbeck

Neste fim de semana (11 e 12 de Dezembro) o pessoal da Editora independente Anadarco lança o best-seller de Daniel Pinchbeck em aguardada tradução para o português. O livro de Pinchbeck inspirou o documentário de João Amorim “2012 Tempo de Mudança” que passamos em primeira mão em Outubro (e agora em Dezembro estreamos o documentário Cortina de Fumaça na Matilha Cultural) e virou referência entre um corpo crescente de avatares da nova consciência no mundo de língua inglesa. É mais do que bem vinda a tradução de seu livro para o português: ela é necessária.

Intitulado aqui como “2012, o Ano da Profecia Maia” (seguindo o nome do livro em terras britânicas), o título original americano poderia ser lido como  “2012 – O Retorno de Quetzalcoatl”, e se refere à divindade mesoamericana, também conhecida como a “Serpente Emplumada” (simbologia que unifica opostos: serpente e pássaro, céu e inferno, luz e escuridão, espírito e matéria), que, diz a profecia, voltará para resgatar a humanidade da destruição. Longe de ser um livro apocalíptico, como podem dar a entender ambos os títulos, o livro de Pinchbeck joga luz sobre essa e outras metáforas que caem tão bem nos tempos contemporâneos, nesta turbulenta passagem de milênio, de era, de paradigmas. De acordo com o estudioso Maia José Argüelles, Quetzalcoatl parecia ser “não apenas um deus, mas múltiplos deuses; não apenas um homem, mas muitos homens, não apenas uma religião, mas . . . uma estrutura mental”.

A milhas de distância da (quase sempre oportunista) literatura apocalíptica, esotérica, de auto-ajuda e afins, que inevitavelmente pende para a prosa excessivamente otimista e tomada por uma fé inabalável, na maioria das vezes irritante (é possível levar a sério alguém que nunca desconfiou, nunca duvidou, nunca questionou? Será humana tamanha perfeição?), o livro de Pinchbeck mergulha a fundo numa busca muito bem fundamentada (o livro contém mais de 170 citações e referências bibliográficas) por erguer as cortinas ideológicas de nossa era e revelar verdades e conhecimentos mais profundos que nos foram obliterados por séculos de doutrina materialista-científica. E ao contrário do tom deslumbrado que permeia a maior parte dos textos esotéricos, a obra de Pinchbeck nos desvenda outros mundos a partir do prisma de um intelectual ateu, cético por princípio, que vê as verdades que lhe foram ensinadas ao longo da vida sendo desmoronadas empiricamente, ao mergulhar no universo dos enteógenos, da busca por si mesmo e de conhecimentos ancestrais esquecidos ou diluídos para consumo.

O staff da Anadarco trata a jornada para trazer este livro para o Brasil como um projeto diferenciado para quem deseja agir diferente do atual estilo de vida. “Mas o que é agir diferente? É sair do estado de conforto, repensar a lógica do consumismo, atuar na preservação do meio ambiente e dar margens a outras interpretações além da racional. Enfim, um convite para enxergar o mundo com outros olhos”, segundo a editora Karin Thrall.

Serviço:

Open House | Open Books | Open Mind ANADARCO
11 de dezembro – das 13h às 21h
12 de dezembro – das 13h às 19h
Rua Oscar Freire, 329 – cj. 71
Drinks e petiscos naturais | lounge music | celebração e networking

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Redescobrindo o princípio do divino feminino na Água

Por Kathi von Koerber, especial para o Plantando Consciência

Estamos na época de nos dar conta de que, por séculos, o valor real da água como a verdadeira forma do feminino foi negligenciado. Por milênios a humanidade reverenciou o elemento do fogo, o filho do Sol. Fogo é uma manifestação do masculino no planeta Terra, e a água é o aspecto feminino. Em nossa história, fogo significou riqueza, potencial, capacidade de forjar ouro, massacrar e queimar impérios, conquistar territórios, cruzadas e caça às bruxas; e continua sendo usado como elemento de impacto e poder. Civilizações imperiais governaram com desdém pelo balanço dos elementos da água e fogo. Este último, relativo ao Sol na Terra, tornou-se a celebrada força do elemento masculino de força e poder, e as águas, elemento feminino, lenta mas consistentemente foram depreciadas e poluídas.

Hoje nossas águas estão em estado de crise e nós humanos refletimos este estado em nós mesmos. Sem dúvidas o ciclo da vida está sendo desafiado enquanto o aquecimento global acelera, represas estão interferindo com o fluxo da natureza e até mesmo o rio Amazonas está experimentando secas. Igualmente, a saúde e o bem estar interior da humanidade está sofrendo de pobreza espiritual e existencial. Desordens mundiais de ansiedade, depressão, esquizofrenia, insônia, vícios e personalidades maníacas são resultado da crise interior. Desordens femininas como a TPM extrema, fibrose, câncer de útero, infertilidade e câncer de mama são apenas alguns exemplos que refletem a luta do sexo feminino para encontrar equilíbrio e saúde num mundo moderno afastado da natureza. Esta crise é resultado da falta de harmonia entre os humanos; homens, mulheres e sua relação mútua e consigo mesmos, a natureza e os elementos. E mais especificamente o desequilíbrio da água e do fogo em nossas vidas.

Como passamos a compreender nas últimas décadas, o cuidado com a água é fundamental para nossa sobrevivência futura. Mais do que jamais imaginamos. Como habitantes da Terra, nós entramos numa época onde precisamos priorizar e reverenciar mais a Terra e seus habitantes femininos para nos reequilibrar e harmonizar.

O princípio do feminino no planeta Terra pode ser encontrado no fluxo das águas. Os lagos, rios, tudo que flui, acumula, nutre e eventualmente origina o oceano. Nos textos Védicos é dito que existem sete tipos de águas: nascentes, corredeiras, rios, lagoas, lagos, aquíferos e o mar. Os lagos e lagoas representam o ventre, os rios e as cachoeiras a fertilidade e virilidade das águas e os oceanos representam o líquido amniótico. Os mares e oceanos são conhecidos em muitas tradições com a mãe das águas, também conhecido no Brasil como Iemanjá. O elemento da água é o sangue de nosso planeta, os rios são as veias da Terra e por natureza, as mulheres cuidam e abençoam a água. O princípio feminino é nutrir, manter seguro, como a mãe segurando e alimentando seu bebê. Ao nutrir seu ventre, suas crianças, as mulheres efetivamente nutrem as águas e a si mesmas. Portanto, as mulheres tem a responsabilidade de agir como guardiãs das águas. Toda água que flui traz a marca da nutrição, da mãe e da cuidadora.

A natureza do feminino é muito similar a um cristal. Cristais são condutores de energia, assim como as mulheres. Mulheres são geralmente mais sensíveis que homens, elas absorvem e transformam a energia, como uma mãe que cuida de seu filho com leite do seio. Da mesma maneira, pensamentos e emoções são absorvidos e armazenados em nossos corpos através de nossas águas, como nosso sangue que leva nutrientes para as células e órgãos. Água é um condutor e portanto precisamos tomar cuidado com quais pensamentos colocamos na água pois ela pode absorvê-los. Quando absorvem e não liberam, nossas águas podem ficar fisicamente desequilibradas, resultando em desarmonia ou doença. Então, para reestabelecer a harmonia, é preciso aprender a equilibrar as emoções e estar consciente de que estamos poluindo nossas águas interiores com pensamentos negativos.

É do entendimento de todos que precisamos participar ativamente dos ciclos da vida e não nos considerarmos separados da natureza. Para cada recebimento há uma retribuição. Assim como há um negativo, há um positivo, como uma bateria. Para cada recebimento de água há uma oferta. Para cada emoção há um ato de harmonização e limpeza. Como na natureza, para cada noite há um dia, enquanto o sol e a lua ciclam harmoniosamente, as energias do fogo e da água podem novamente se realinhar.

Então para cada gole de água que sacia nossa sede e limpa nossos corpos, deve haver um ato recíproco. Um ato de devolver é um agradecimento em uma tentativa de harmonização de nossas águas internas e externas. Pensando positivamente quando cozinhamos, ou quando movemos nossas águas internas através da dança, ou ao cantarmos e vibrarmos durante o banho. Compreender que toda a água que usamos foi usada por nossos ancestrais e será usada por nossos filhos e portanto devemos honrar a linhagem e a continuidade da vida.

Com o tempo podemos reintegrar o ciclo da água em nossas vidas, seja através de um estilo de vida sustentável, coletando as águas cinzas, ou sabendo de onde vem sua água potável. Assim, nosso conhecimento se torna mais consciente do design sagrado da vida e das leis da natureza. Para homens e mulheres poderem também compreender que a cozinha, para uma mulher, é o ponto central da família e o altar vivo do equlíbrio alquímico da água e do fogo.

Não Podemos viver sem água. Água é vida, água dá vida e água tira vida.

Estamos vivendo no limiar da maior crise que a humanidade já presenciou, que é a falta de água fresca e limpa. Portanto é extremamente importante como iremos tratar a água interna e externa daqui pra frente. Uma crise planetária da água revela-se de três formas: água contaminada, falta de água e excesso de água. Em nossos corpos, a água poluída se manifesta como raiva, falta de água se relaciona com tristeza e o excesso de água é o ciúme, luxúria e ganância, todos levando a tormentos e desequilíbrio. Para quaisquer formas de turbulência sobre a água que falemos, o antídoto são rezas e boas ações.

Mulheres foram abençoadas com o presente da auto-limpeza na forma de nosso ciclo menstrual. Assim como a terra tem seus ciclos, os sistemas reprodutivos da mulher e o ciclo menstrual são um mecanismo de limpeza sintonizado com a lua. A lua é o guardião feminino que alinha as águas femininas e a menstruação aos ciclos do cosmos. Assim como a água limpa a si mesma por osmose, evaporação, precipitação e filtragem durante a sedimentação, as mulheres liberam e transformam toxinas acumuladas, energias estagnadas e emoções através da menstruação. A menstruação é uma maneira do corpo e da mente se limparem para toda a família, pois a mulher é a peça central da família, pois é a que dá a luz e nutre. A menstruação foi suprimida pela sociedade ao ponto de pessoas tentarem escondê-la, fingir que não está acontecendo e ignorando-a. Todos os sintomas da TPM, ou saúde debilitada em torno da menstruação ou dos sistemas reprodutivos são claras indicações de alguma sorte de desarmonia espiritual ou física. Os ciclos naturais nunca deveriam ser considerados como certezas; o mesmo vale para o sistema menstrual da mulher.

O ciclo natural da mulher é um método altamente avançado para as mulheres se reconectarem à terra e limparem seu ser interior. Mulheres precisam aprender a honrar este momento sagrado e serem apoiadas pelo seu entorno neste feito. Devolver o sangue menstrual como matéria fértil para o solo é uma prática ancestral, contrastante com o conveniente descarte na descarga do banheiro. A verdadeira reza da mulher para devolver seu sangue menstrual para a terra, através do uso do moderno e conveniente coletor de silicone fortalece a comunicação direta com a terra e o eu interior da mulher. Isso permite que as mulheres novamente se tornem suas próprias curandeiras e revigora a relação deteriorada com o planeta Terra. As emoções ficam ancoradas ao solo e não na água. Quando o sangue menstrual é depositado na água, a água se torna mais volátil com emoções e toxicidade. Mesmo a água sendo reciclada muitas vezes, nós beberemos esta volatilidade e será difícil equilibrar mente, espírito e a harmonia masculino/feminino no planeta. O elemento terra tem a habilidade de acalmar as águas.

O primeiro passo para harmonizar o papel do divino feminino é recuperar nossas águas. Como humanidade e indivíduos, temos de reclamar nossas águas. Em uma jornada interior para curar e garantir águas tranquilas é importante integrar a si mesmo nos ciclos naturais das leis do universo. Em um nível ambiental é importante estar seguro de onde vêm nossa água potável, como foi tratada e para onde fluirá depois. É a responsabilidade pessoal com a saúde interior e sua manutenção, para que então possamos ser úteis na preservação e continuidade da comunidade. Na reza e no dia a dia, significa balancear as águas internas e externas permitindo a nós mesmas honrar e ouvir a fluidez das águas femininas.

Kathi von Koerber é uma dançarina/curandeira e diretora de cinema da Alemanha/Africa do Sul. Conviveu com idosos das tribos Bushmen no sul da África do Sul, os Tuareg no Saara, a princesa da Iboga no Gabão, Bernardette Riebenot, Lakota, Navajo e Cherokee nos EUA, Xawante e Fulnio no Brasil e os Camsra e Kogi na Colômbia. Kathi ensina dança e faz apresentações internacionais ha 15 anos, e dedica sua vida para preservar a sabedoria indígena e advocar rituais como elementos chave na evolução humana e iniciação na vida adulta.

Kathi fundou a Kiahkeya em 2004 com o objetivo de informar e disseminar a arte, criatividade e espiritualidade com o propósito da tolerância e igualdade cultural e ambiental.

Vários projetos incluem filmes sobre a tribo Bushmen na África do Sul, o filme “Footsteps in Africa” sobre a música, dança e capacidade de sobrevivência dos nômades Tamakesh no Saara e um filme ambiental de dança Butoh feito nas geleiras do Alaska, que ela atualmente está editando.

O projeto mais recente de Kathi é um filme sobre os poderes místicos da água chamado “Moving Waters”. Kiahkeya também produz workshops interculturais, incluindo dança, medicina sagrada com plantas medicinais, rezas de diferentes tradições, treinamento em liderança selvagem e vivência sustentável. Todos os projetos da Kiahkeya são esforços para apoiar o ambiente e seus habitantes nesta era moderna. Kathi honra a voz da avó. Ela apóia a reza feminina e suas vozes anciãs através dos elementos, a terra e o alimento, o fogo e a transformação, a água e seu poder purificante e o ar através do qual caminhamos a dança da vida

http://www.kiahkeya.com
http://www.imovewater.net

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