Archive for março, 2011

O retorno de Gojira

No início, nada existia.
Apenas escuridão e silêncio.
Só existiam os criadores.
O Coração do Céu e o Coração da Terra.
De repente surgiu a aurora e a claridade se fez.
Apareceu a Terra com suas montanhas e árvores.
Depois, os animais foram criados, todos os tipos de animais.
E eles deveriam venerar os deuses, mas eles eram incapazes de falar.
Foi então que os primeiros seres humanos foram criados.
E eles foram feitos de barro.
Mas essas pessoas não ficaram boas.
Elas não tinham sentimentos, nem capacidade de entender.
E não louvavam os deuses.
Não tinham forças e não podiam se mover.
Então os deuses destruíram essas pessoas com uma enorme tempestade.
Na segunda tentativa, os deuses criaram homens de madeira.
Da madeira entalharam suas faces. Da madeira fizeram seus corpos.
E pareciam com seres humanos.
Eles se reproduziram e povoaram a Terra com seus filhos e filhas.
Mas os seres de madeira seguiam sem rumo.
Eles cortavam as árvores, matavam animais e destruíam o meio ambiente.
Eles não possuíam alma ou compreensão.
Eram destrutivos e não louvavam os deuses.
Então, a morte foi lançada sobre eles.
Choveu o dia todo e a noite toda.
E eles foram exterminados por uma enorme enchente.
Na terceira tentativa, o Coração do Céu criou seres humanos de milho.
Esses seres foram colocados na Terra e eram capazes de compreender e ver tudo que os cercava.
Eram capazes de enxergar longe e ver coisas que estavam escondidas.
Estavam conectados a todo o cosmos e viviam em equilíbrio com o mundo natural.
Mas os deuses perceberam que haviam dado poderes demais aos humanos.
Então, sopraram uma névoa sobre seus olhos.
Com a visão limitada, os seres humanos de milho caminharam sobre a terra e se reproduziram.
Lentamente, eles se distanciaram do mundo natural.
Esqueceram-se de como louvar os deuses e respeitar a Natureza.
O ciclo do tempo, a era dos seres de milho está chegando ao fim.
Haverá uma nova era para os seres humanos na Terra?

“Todas as condições meteorológicas estão levando a radioatividade para o mar, sem implicações para o Japão ou outros países próximos” – Maryam Golnaraghi, coordenadora do programa de redução de riscos em desastres nucleares.

A antiga profecia maia, que abre este texto e também o documentário 2012 Tempo de Mudança (que o Plantando Consciência trouxe  para São Paulo no final do ano passado e que deve entrar em circuito nacional este ano), se encaixa na tragédia japonesa como o sapatinho de cristal no pé de Cinderela. E cabe também como resposta à miopia implícita na frase de Maryam Golnaraghi1,que revela o quão alienado é o senso comum. Olhamos para tudo o que acontece sempre do ponto de vista antropocêntrico, como fossemos de fato o centro do mundo, alienados da grande “teia de aranha” que conecta tudo o que existe, inclusive cada um de nós.

Por isso, quando a natureza se torna este poder primitivo indomável, que já deveríamos ter subjulgado com o nosso inegável progresso científico-tecnológico, nós mergulhamos num poço de incompreensão e angústia. “Como?”, o homem civilizado se pergunta. E de seu ponto de vista dualista e estritamente materialista, que separa a natureza – esta força devastadora – de nós – a civilização -, o homem civilizado fica aliviado de saber que a radiação esteja sendo levada ao mar. Melhor lá com eles do que aqui entre nós.

Os jornais usam títulos como “Natureza em Fúria”, e em seus editoriais concluem derrotados que “por mais bem preparado que esteja um país e por mais bem treinada que esteja sua população, é limitada a capacidade humana para conter os efeitos das catástrofes naturais”2. Ou, “a situação do Japão, que pertence ao grupo das nações mais ricas e mais tecnologicamente avançadas do mundo, fornece um clássico exemplo de como os humanos ainda estão desamparados em face da fúria da natureza”3.

O que esta visão antropocêntrica materialista não quer ver é que o ser humano SEMPRE será desamparado em face da “fúria da natureza”, porque o ser humano PERTENCE à natureza. O ser humano não dominou a natureza e jamais o fará, porque no dia em que isto acontecer estaremos condenados a perecer com ela.

Pra entender o que está acontecendo, ou pra evitar consequências drásticas toda vez que a natureza manifestar sua força, não adianta construirmos computadores mais impressionantes, ou nos protegermos ainda mais. Este viés moderno que joga a civilização contra a natureza é uma ilusão que carregamos desde o início da Idade Moderna, como nos conta o filósofo e reformista Rudolf Steiner, que teria completado 150 anos em Fevereiro último.

A Idade Moderna, que teve início em meados do século XV com o Renascimento, é definida, segundo Steiner, a partir de quando “o economista começou a emergir na civilização moderna como o tipo representativo de governante”4, substituindo o clero, que havia substituído, por sua vez, os “iniciados” do Egito, Babilônia e Ásia antigos. Estes últimos, os povos ancestrais, “sabiam que seu corpo era constituído não apenas de ingredientes que existem aqui na Terra e que são incorporados nos reinos animal, vegetal e mineral. Ele sabia que as forças que ele via nas estrelas acima trabalhavam em sua existência como humano, ele se sentia um membro de todo o cosmos.”5

Steiner, sempre à frente de seu tempo, tinha uma observação perspicaz a nosso respeito. “O pensamento humano de hoje – o presente intelecto – vive num estrato da existência de onde não se é possível alcançar as realidades profundas. Alguém pode então provar alguma coisa estritamente, e também provar seu oposto. É possível hoje se provar o espiritualismo de um lado e o materialismo de outro. Pela racionalização intelectual ou científica de hoje, alguém pode provar qualquer coisa tão bem quanto pode provar seu oposto. E as pessoas podem brigar uns com os outros por pontos de vista igualmente bons, porque seu intelecto está numa camada superior da realidade e não consegue descer para as profundezas da existência.”6

Se estivéssemos todos capacitados a descer às profundezas da existência, entenderíamos a catástrofe japonesa não como uma fatalidade, mas como consequência.

Gojira

A vida imita a arte: Em 1954, nove anos depois de Hiroshima e Nagasaki, Ishirō Honda expressa o trauma generalizado das bombas atômicas ao criar Gojira (depois renomeado no mercado americano para Godzilla), um filhote bastardo dos testes nucleares no Pacífico, que tem a dorsal brilhante, cospe fogo atômico e deixa pegadas radioativas.

O jornalista Clóvis Rossi conta em interessante artigo sobre as conexões “fáusticas” do incidente japonês (fazendo analogia entre o pacto com o demônio que fez o personagem do mito imortalizado por Goethe, e a nossa perigosa barganha para obter o poder do átomo em nossas mãos) que, mesmo após o pânico nuclear, “Michael Levy, pesquisador-sênior do Council para energia e meio-ambiente, dizia ser cedo demais para uma avaliação sobre a eventualidade do retrocesso do que antes se chamava de ‘renascença do nuclear’”7. Claro, há muito dinheiro em jogo na indústria da energia nuclear, assim como há na indústria dos transgênicos, dos pesticidas, da extração de petróleo, da especulação financeira, das armas, do tráfico de drogas etc etc. Pela lógica intrínseca do capitalismo, estes problemas jamais serão resolvidos, pois eles são o próprio alimento para a continuidade alucinada do sistema.

Em contraste com a ciência natural, que é baseada na análise experimental causal, Goethe – uma das maiores influências no pensamento de Steiner – procurava a unidade universal da natureza. No fenômeno original  da natureza ou nos arquétipos dos mundos vegetal e animal, ele descobriu uma seqüência de manifestações de conteúdo espiritual para os quais o homem é capaz de dar expressão deliberada em seu próprio microcosmo.8

Steiner parte de Goethe para construir sua própria cosmogênese. Ele acreditava que o pensamento manifesto em idéias é na verdade a essência do universo. O físico quântico Amit Goswami, um século depois, reverbera as teorias de Stenier ao chamar isto de “causação descendente”, ou seja, em vez de pensar na matéria  como base da existência, a física quântica parte da premissa que a base de tudo é a consciência. Voltando a Steiner, um esforço deliberado de cognição resultaria em constante progresso em direção à “fundação do mundo”.

Assim como nos primeiros escritores românticos, a crítica do criador da antroposofia para a modernidade busca a reconciliação entre ciência, religião e arte – uma nova mitologia cultural, se originando do aprimoramento do processo do pensamento até que ele se torne a experiência intuitiva do Conhecimento Original.9

À época do tsunami asiático de Dezembro de 2004, que atingiu áreas de reserva ecológica, a falta de corpos de animais após o início das buscas espantou as equipes de resgate. Desde então a idéia de que os animais teriam um “sexto sentido” que os teria mandado fugir em tempo começou a circular pela internet. A história está começando a circular de novo, e não vale dizer que é fruto de crendice em bobagens paranormais. Os animais, diferentes de nós, estão conectados de forma integral com a natureza, em completa simbiose com a inteligência oculta de Gaia. Eles sentem com aqueles sentidos primitivos que nós desligamos desde que nos tornamos civilizados.

Assim, desconectados, nós choramos a devastação provocada na humanidade pelas forças da natureza e, incapazes de perceber o pacto faustiano que fizemos com o “demônio atômico”, choramos também pelas atrocidades e fatalidades do passado, como Hiroshima e Nagasaki, Chernobyl. Nós choramos toda vez que vidas humanas são ceifadas. Mas quem chorou pelas 2053 explosões nucleares a título de “teste” detonadas por 7 nações sobre e sob o solo do nosso planeta entre 1945 e 1998 (1032 delas apenas pelos EUA)?

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.
Veja este belíssimo mas assustador mapa temporal das explosões feito pelo artista japonês Isao Hashimoto

Desde 1963 explosões submarinas e atmosféricas foram banidas, então a grande maioria destas explosões foram subterrâneas. Estaria Gaia, nosso planeta mãe, revidando mais de meio século de agressões nucleares em seu tecido subcutâneo? Chamando nossa atenção para o nosso próprio histrionismo? O que o seu corpo faria se você constantemente o cutucasse com uma brasa de cigarro, machucasse sua pele com micro cargas atômicas localizadas por anos? Alguma doença cutânea, matando milhares de células localizadas? Câncer de pele?

As analogias não são meras metáforas. É tarde pra continuarmos nos iludindo. O micro, o macro, tudo funciona como um padrão. A forma espiralada do DNA se repete nas galáxias, tudo segue uma lógica inteligente. Os resultados de nossas ações são inevitáveis nesta realidade entrelaçada, e enquanto nossas ações forem destrutivas, as consequências também o serão. Apenas colhemos o que plantamos. Nós podíamos plantar consciência, mas  plantamos energia atômica no solo por mais de meio século, e agora, sem querer desmerecer os esforços humanitários em prática, não devíamos estar surpresos quando percebemos que chegou a hora da colheita.

1 Folha.com, Ventos levam radioatividade de usina no Japão para o Pacífico, 15/03/2011
2 O Estado de São Paulo, editorial da edição de 16/03/2011
3, 7 Clóvis Rossi (Janela para o Mundo), O Japão, Fausto e o átomo, 14/03/2011
4, 5, 6 The Ahrimanic Deception, Lecture by Rudolf Steiner (Zurich, October 27, 1919).
8, 9 Heiner Ullrich, Rudolf Steiner (1861-1925), originally published in Prospects: the quarterly review of comparative education (Paris, UNESCO: International Bureau of Education), vol.XXIV, no. 3/4, 1994, p. 555-572.

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Ayahuasca e depressão

Por Brian Anderson, especialmente para o Plantando Consciência

(see the english version)

Este artigo se propõe a dar ao leitor alguma informação básica no tópico sobre ayahuasca e depressão. Lembramos que decisões sobre questões de saúde não devem ser tomadas apenas com base nestas informações, mas devem ser feitas através da consulta de um profissional da área médica, um curandeiro experiente, ou um líder religioso confiável.

Assim como todas as outras substâncias com proprieadades medicinais, a ayahuasca pode trazer riscos se usada de maneira incorreta. É claro que a interpretação do que é “correto”, bem como sobre o uso  saudável da ayahuasca é discutível.

Uma questão frequente que envolve a ayahuasca com a saúde é a pergunta se pessoas que tomam antidepressivos devem ingerir a ayahuasca. Esta questão não pode ser respondida de maneira satisfatória no presente momento, mas podemos fazer uma tentativa inicial de nos aprofundar na questão com as informações disponíveis na literatura científica.

Depressão é uma doença muito comum. Apesar de ser vista como  um distúrbio de ordem “mental”, a depressão pode consistir em sintomas físicos e psicológicos, incluindo mau humor, inabilidade de se experimentar o prazer, falta de energia, perda de apetite, falta de concentração, alterações no sono (pra mais ou pra menos), sensação de culpa, agitação, dores físicas e pensamentos suicidas.

O uso da ayahuasca para se tratar de sintomas como estes já se faz corrente há décadas – um livro conhecido que descreve este tipo de uso da ayahuasca se chama Visionary Vine (“O Cipó Visionário”, sem tradução para o português), de Marlene Dobkin de Rios. Tentativas de se usar a ayahuasca em cenários tradicionais para se tratar da depressão também já foram documentadas recentemente1. Não há tratamentos médicos clínicos para a depressão com o uso de ayahuasca que tenham sido completados, mas alguns cientistas acreditam que outros psicodélicos, como a psilocibina, podem ser úteis no tratamento da depressão2. Então existe uma chance de que a pesquisa científica possa jogar uma luz sobre a questão de o uso da ayahuasca ser benéfico no tratamento da depressão.

Antes que possamos adentrar a questão das interações negativas de certos medicamentos com a ayahuasca, deve ser notado que mesmo nas pessoas que não estão tomando remédios psiquiátricos, a ayahuasca pode ter efeitos psicológicos danosos (como a indução de estados psicóticos ou depressivos), mesmo que estes casos sejam relativamente raros. Acredita-se que os psicodélicos em geral possam precipitar estados psicóticos em pessoas predispostas a tais reações3. Outras reações negativas podem ocorrer quando o usuário da ayahuasca não tem suporte na sociedade para ajudá-lo a integrar suas experiências após a sessão4. É importante para a própria saúde que pessoas com histórico psicótico não bebam a ayahuasca5. E, apesar de que algumas pessoas depressivas possam afirmar se sentirem melhor após a ingestão da medicina ancestral, pessoas que sofrem de depressão com sintomas psicóticos também deveriam evitar a ayahuasca.

Muita da preocupação acerca do uso da ayahuasca por pessoas que tomam antidepressivos parece proceder da questão da “síndrome da serotonina” levantada por James Callaway e Charles Grob no artigo de 1998 intitulado “Preparados de Ayahuasca e Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (SSRIs): Uma Combinação Potencial para Interações Adversas Severas6. A Síndrome da Serotonina é caracterizada pelos indícios e sintomas de febre, pressão alta, confusão e agitação, convulsões, tremores, rigidez muscular, reflexos patelares elevados, pupilas dilatadas, contínuos movimentos oculares horizontais, suor, vômitos e diarréia7. Estes sintomas geralmente começam minutos após o consumo de drogas que aumentam excessivamente os níveis de serotonina, e se não forem tratados, casos severos podem resultar em morte. No caso de suspeita de Síndrome de Serotonina, deve-se procurar por ajuda médica imediatamente. Isto é complicado no caso de usuários da ayahuasca, porque diversos destes sintomas podem ser efeitos normais de curto prazo decorrentes do uso da mesma.

A Síndrome da Serotonina é uma preocupação entre usuários da ayahuasca porque a bebida contém alcalóides do tipo harmala, como a harmina e harmalina, que agem como inibidores da Monoamina Oxidase (IMAOs – ou MAOIs, em inglês), ou seja, eles impedem que as moléculas de serotonina sejam quebradas, e assim elevam os níveis de serotonina no corpo. Assim sendo, para uma pessoa que esteja tomando drogas antidepressivas como os IMAOs, ou os mais frequentes Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina (ISRSs – ou SSRI, em inglês), é temido que elas possam elevar seus níveis de serotonina demasiadamente se elas também beberem a ayahuasca.

Curiosamente, no entanto, apesar do fato de que milhares de pessoas no Brasil e em outros países bebam a ayahuasca regularmente, e que muitos deles possivelmente estejam tomando medicamentos antidepressivos, não há um único caso de Síndrome de Serotonina registrado na literatura científica desde o artigo de 1998 de Callaway e Grob. Existem muitas possíveis razões para isto, e apenas uma das quais sugere que estes casos seriam muito raros ou não-existentes. No entanto, esta idéia de que casos severos de Síndrome de Serotonina raramente ocorram, pelo menos dentro na União do Vegetal (UDV)8, tem suporte na alegação feita pelo psiquiatra Luis Fernando Tófoli, coordenador do Comitê de Saúde Mental para a UDV, o qual jamais ouviu depoimentos de casos deste tipo que teham ocorrido dentro da instituição.

É claro que esta falta de evidências de danos não deve ser tomada necessariamente como evidência de segurança. Além disso, Tófoli comenta que é de fato importante se evitar o uso da ayahuasca enquanto se toma o IMAO Tranilcipromina. Isto se deve ao fato de que a tranilcipromina é uma IMAO “irreversível”, ou seja, que seus efeitos duram por mais tempo que outros IMAOs “reversíveis” como a Moclobemida.

Isto nos leva a outro ponto importante: os efeitos de algumas drogas, incluindo antidepressivos, irão durar mais tempo que outras após o indivíduo ter encerrado a ingestão de tal substância. Os efeitos do Prozac (um ISRS: Flouxetina), por exemplo, pode durar por semanas após a última dosagem. Então, mesmo que alguém parasse de tomar antidepressivos para evitar uma interação negativa com a ayahuasca, esta interação ainda poderia ocorrer dias após a medicação ter sido cortada. Além disso, interromper uma medicação de forma imediata nem sempre pode ter um efeito benigno – além do potencial para uma piora da saúde mental, interromper um medicamento psiquiátrico de repente pode, às vezes, trazer sintomas físicos como câimbras gastrointestinais em pessoas que tenham usado ISRSs por muito tempo.

Este texto se propôs a fazer um pequeno resumo do que é conhecido dentro do campo das ciências acadêmicas no tópico de ayahuasca e depressão, e tentamos demonstrar preocupação acerca da possibilidade de casos de Síndrome de Serotonina, potencialmente letal, em pessoas que tomam medicamentos antidepressivos e ayahuasca. Deve ser notado que não apenas drogas antidepressivas são tidas como associadas à Síndrome de Serotonina, mas também medicamentos como Meperidina, o antibiótico Linezolid, o xarope pra tosse (e muitas vezes droga recreativa) Dextrometorfano, e inúmeras outras9. Não se sabe como estes medicamentos interagem com a ayahuasca, especialmente devido ao diversos métodos que existem para o preparo da mesma. Em suma, ayahuasca é realmente uma substância complexa, e as experiências que as pessoas têm, e as relações que podem se desenvolver com a bebida são ainda mais complexas. Desconhece-se muito mais do que se conhece sobre como a ayahuasca afeta a saúde mental. E além da substância em si, os contextos  nos quais a bebida é usasa podem ser muito importantes, combinando assim para aumentar a complexidade dos efeitos da ayahuasca sobre a saúde mental.

Da mesma forma como acontece com o uso de qualquer outra substância em tratamentos terapêuticos, contexto e suporte interpessoal são cruciais para que se possa cultivar e colher os efeitos otimizados da susbstância. Este fato não deve ser ignorado.

1 Palladino, L. 2010. Vine of the Soul: A Phenomenological Study of Ayahuasca and its Effects on Depression. Ph.D. dissertation, Program in Clinical Psychology, Pacifica Graduate Institute.
2 Grob, C. S., A. L. Danforth, G. S. Chopra, M. Hagerty, C. R. McKay, A. L. Halberstadt and G. R. Greer. 2011. Pilot Study of Psilocybin Treatment for Anxiety in Patients with Advanced-Stage Cancer. Archives of General Psychiatry 68(1):71-8.
Vollenweider, F. X., and M. Kometer. 2010. The Neurobiology of Psychedelic Drugs: Implications for the Treatment of Mood Disorders. Nature Reviews Neuroscience 11:642-51.
3 Strassman, R. J. 1984. Adverse Reactions to Psychedelic Drugs: A Review of the Literature. The Journal of Nervous and Mental Disease 172(10):577-95.
4 Lewis, S. E. 2008. Ayahuasca and Spiritual Crisis: Liminality as Space for Personal Growth. Anthropology of Consciousness 19(2):109-33.
5 Santos, R. G., and Strassman, R. J. 2008. Ayahuasca and psychosis. British Journal of Psychiatry (online). 2008.
6 Callaway, J. C., and C. S. Grob. 1998. Ayahuasca Preparations and Serotonin Reuptake Inhibitors: A Potential Combination for Severe Adverse Interactions. Journal of Psychoactive Drugs 30(4):367-9.
7 Boyer, E. W., and M. Shannon. 2005. The Serotonin Syndrome. New England Journal of Medicine 352:1112-20.
8 Almeida, C. 2010. Pesquisas testam potencial benefício da ayahuasca contra depressão e dependência. Bol Notícias, 26 de Abril de 2010 .
9 Boyer, E. W., and M. Shannon. 2005. The Serotonin Syndrome. New England Journal of Medicine 352:1112-20.

Brian Anderson é doutorando em medicina pela Stanford University School of Medicine; mestrando no BIOS Centre, London School of Economics, e pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP).

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Ayahuasca and depression

Brian Anderson, especially for Plantando Consciência

(veja versão em português)

This essay is meant to make available to the lay reader some basic information on the topic of ayahuasca and depression. Health decisions should not be made on the basis of this information alone, rather they should be made with the consultation of a trusted health care professional, an experienced folk healer, or a religious leader. Like all substances with medicinal properties, ayahuasca can be harmful if used incorrectly; of course, what consists of the “correct” and healthy use of ayahuasca is debatable.

One health-related question regarding ayahuasca that comes up frequently is whether people taking antidepressant drugs can drink ayahuasca? This question cannot at the moment be answered in a very satisfying manner, but we can make an initial attempt at it.

Depression is a very common illness. Although it is often spoken of as a “mental illness,” depression can consist of physical as well as psychological symptoms, including decreased mood, the inability to experience pleasure, decreased energy, loss of appetite, loss of concentration, sleeping more or less, feelings of guilt, agitation, physical pains, and suicidal thoughts. The use of ayahuasca to treat symptoms like these has likely been around for decades—one well-known book describing such a use of ayahuasca is Marlene Dobkin de Rios’ Visionary Vine. Attempts to use ayahuasca in traditional settings to treat depression has also been documented recently.[i] No biomedical clinical trials using ayahuasca to treat depression have yet been completed, but some scientists do believe that other psychedelics, like psilocybin, may be useful in the treatment of depression.[ii] So, there is a chance that scientific research may shed some more light on if and how ayahuasca use might have beneficial effects on depression.

Before we get to the question of negative medication interactions with ayahuasca, it should be noted that even in people who are not taking psychiatric medications, ayahuasca can have harmful psychological effects (such as inducing psychotic or depressed states), even if these cases are relatively rare. It is thought that psychedelics in general may precipitate psychotic states in people who are predisposed to such reactions.[iii] Other negative reactions may occur when the ayahuasca user lacks the proper social support to help them integrate their experiences after the session.[iv] It is important for their own health that people with a history of psychosis do not drink ayahuasca.[v] And although some depressed people may report feeling better after taking ayahuasca, people who suffer from depression with psychotic symptoms should probably avoid ayahuasca as well.

Much of the concern regarding the use of ayahuasca by people taking antidepressant medications seems to stem from the issue of the “serotonin syndrome” raised by James Callaway and Charles Grob in their 1998 article “Ayahuasca Preparations and Serotonin Reuptake Inhibitors: A Potential Combination for Severe Adverse Interactions.”[vi] The serotonin syndrome is characterized by the signs and symptoms of fever, elevated pulse and blood pressure, confusion and agitation, convulsions, tremor, muscle rigidity, increased joint reflexes, dilated pupils, continuous horizontal eye movements, sweating, vomiting, and diarrhea.[vii] These symptoms usually start within minutes of consuming drugs that excessively increase levels of serotonin, and if left untreated severe cases can result in death. In the case of suspected serotonin syndrome, medical help should be sought immediately; this is complicated though in the case of ayahuasca users because several of these symptoms can be normal short-term effects of ayahuasca use.

The serotonin syndrome is a concern among ayahuasca users because ayahuasca contains harmala alkaloids like harmine and harmaline, which act as monoamine oxidase inhibitors (MOAIs), meaning they stop serotonin from being broken down, and hence increase levels of serotonin in the body. Therefore if a person who is taking antidepressant drugs like MAOIs, or the more frequently used selective serotonin reuptake inhibitors (SSRIs), it is feared that they could raise their serotonin levels too high if they also drank ayahuasca. Interestingly , however, despite the fact that 1000s of people across Brazil and other countries regularly drink ayahuasca, and that many of them are likely to be taking antidepressant medications, not a single case of suspected serotonin syndrome from ayahuasca use has appeared in the scientific literature since Callaway & Grob’s 1998 article. There are several possible reasons for this, only one of which is that such cases truly are very rare or non-existent, but the idea that severe cases of serotonin syndrome rarely occurs, at least in the Brazilian ayahuasca religion União do Vegetal (UDV), is supported by the statement made by the psychiatrist Luis Fernando Tófoli, coordinator of the Mental Health Committee for the UDV, that he has never heard of any reports of such cases occurring in the UDV.[viii] Of course, this lack of evidence of harm should not necessarily be taken as evidence of safety. Furthermore, Tófoli does comment that it is important to avoid using ayahuasca while taking the MAOI tranylcypromine. This is because tranylcypromine is an “irreversible” MAOI, meaning its effects last longer than other “reversible” MAOIs like moclobemide.

This brings us to another point—the effects of some drugs, including antidepressants, will last longer than those of other drugs after one stops taking them. The effects of the SSRI Prozac (fluoxetine), for example, can last for weeks after the last dose; so even if someone were to stop taking an antidepressant in order to avoid having a negative interaction with ayahuasca, such an interaction may still be possible for days after the medication was stopped. Also, quickly stopping a medication is not always a benign process—besides the potential of leading to a worsening of mental health, stopping a psychiatric medication suddenly can sometimes lead to physical symptoms, such as gastrointestinal cramps in people who have used an SSRI for a long time.

This has been a quick review of what is known within the academic sciences on the topic of ayahuasca and depression, and has attempted to address concerns around the possibility of the potentially lethal serotonin syndrome occurring in people who are taking antidepressant medications while they drink ayahuasca. It should be noted that not only antidepressant drugs are thought to be associated with the serotonin syndrome, but so are pain medications like meperidine, the antibiotic Linezolid, the cough-suppressant and sometimes recreational drug dextromethorphan, and several other drugs.[ix] How these medications may interact with ayahuasca is unknown, especially given the many different methods that exist for preparing ayahuasca. In summary, ayahuasca is a truly complex substance, and the experiences people have, and the relationships they can develop, with the brew are even more complex. Far more is unknown than is currently known about how ayahuasca affects mental health. And beyond the substance itself, the contexts and ways in which ayahuasca is used can be quite important, thus compounding the complexity of ayahuasca’s effects on mental health. As with the use of most drugs as mental health therapies, context and concomitant interpersonal support are crucial for cultivating the drug’s optimal effects—this fact should not be ignored.


[i] Palladino, L. 2010. Vine of the Soul: A Phenomenological Study of Ayahuasca and its Effects on Depression. Ph.D. dissertation, Program in Clinical Psychology, Pacifica Graduate Institute.

[ii] Grob, C. S., A. L. Danforth, G. S. Chopra, M. Hagerty, C. R. McKay, A. L. Halberstadt and G. R. Greer. 2011. Pilot Study of Psilocybin Treatment for Anxiety in Patients with Advanced-Stage Cancer. Archives of General Psychiatry 68(1):71-8.

Vollenweider, F. X., and M. Kometer. 2010. The Neurobiology of Psychedelic Drugs: Implications for the Treatment of Mood Disorders. Nature Reviews Neuroscience 11:642-51.

[iii] Strassman, R. J. 1984. Adverse Reactions to Psychedelic Drugs: A Review of the Literature. The Journal of Nervous and Mental Disease 172(10):577-95.

[iv]Lewis, S. E. 2008. Ayahuasca and Spiritual Crisis: Liminality as Space for Personal Growth. Anthropology of Consciousness 19(2):109-33.

[v]Santos, R. G., and Strassman, R. J. 2008. Ayahuasca and psychosis. British Journal of Psychiatry (online). 2008.

[vi] Callaway, J. C., and C. S. Grob. 1998. Ayahuasca Preparations and Serotonin Reuptake Inhibitors: A Potential Combination for Severe Adverse Interactions. Journal of Psychoactive Drugs 30(4):367-9.

[vii] Boyer, E. W., and M. Shannon. 2005. The Serotonin Syndrome. New England Journal of Medicine 352:1112-20.

[viii] Almeida, C. 2010. Pesquisas testam potencial benefício da ayahuasca contra depressão e dependência. Bol Notícias. http://noticias.bol.uol.com.br/ciencia/2010/04/26/pesquisadores-testam-beneficios-da-ayahuasca-contra-a-depressao.jhtm Accessed 26 April.

[ix] Boyer, E. W., and M. Shannon. 2005. The Serotonin Syndrome. New England Journal of Medicine 352:1112-20.

Brian Anderson

MD candidate, Stanford University School of Medicine

MSc candidate, BIOS Centre, London School of Economics

Researcher, Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos

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