Archive for maio, 2011

O que é consciência?

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A cidade tá tá tá tá tá…

Botaram Tanta Fumaça

Tom Zé

Botaram tanto lixo,
botaram tanta fumaça,
Botaram tanto lixo
por baixo da consciência da cidade,
que a cidade
tá, tá tá tá tá
com a consciência podre,
com a consciência podre…

http://www.marchadaliberdade.org/

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O progresso da sociedade moderna

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Vitalidade Postural e Movimento Inteligente

por Hans Reikdal Machado, especial para o Plantando Consciência

A nossa organização postural define a qualidade dos nossos movimentos e esta relação entre postura e movimentos influencia profundamente nossas vidas, quer sejamos atletas, músicos, atores, jovens, idosos ou estejamos num processo de reabilitação motora.  Dar-se conta deste fato pode ser um gesto transformador, por isso volto a frisar: nossos padrões posturais definem a qualidade do que fazemos.

O Método Feldenkrais possibilita um mergulho neste nível da nossa organização pessoal e dá instrumentos para que cada um possa usufruir sua postura e seus movimentos em plena vitalidade e inteligência. Vamos entender um pouco mais como isso acontece.

Postura e Movimento nas Realizações

A organização postural pode facilitar ou dificultar a realização de um ato. Muitas vezes a atividade tônico-postural, distribuída em todo o organismo, sustenta intenções contrárias à realização de uma atividade. Nestes casos vivemos contradições motivacionais em nosso próprio corpo e nos restringimos a um patamar de ação inferior às nossas capacidades, desejos e sonhos.

Vejamos um exemplo concreto. Você ouve um som que vem do seu lado esquerdo. Imediatamente vira a cabeça para se direcionar à nova fonte de interesse. De maneira coordenada, o pescoço, a cabeça e os olhos buscam o mesmo alvo.  Mas o que você faz com os ombros, tronco, lombar, joelhos e pés? O que acontece no pano de fundo de sua sustentação postural durante a realização deste simples ato de se direcionar ao mundo?

Observe-se na próxima vez que olhar para o lado (um movimento realizado inúmeras vezes todos os dias). É comum observarmos que os ombros e o tronco, ao invés de ajudarem a rotação da cabeça, dificultam. Esta contradição ocorre porque os hábitos de postura não estão integrados aos motivos da ação mais corrente.

Surge uma pergunta prática, é possível fazer com que os segmentos corporais sejam coordenados de um modo que facilitem a realização do movimento atual? Sim, e este é o objetivo do Método Feldenkrais, fazer com que o nível dos hábitos de postura deixe de comprometer e passe a contribuir para a qualidade e o rendimento do nosso desempenho e auto-realização.

Integração: um salto qualitativo

Vimos que nossos padrões posturais definem a qualidade do que fazemos. E agora, começando a entender como isto acontece, podemos usar este princípio ao nosso favor. Quando a organização postural favorece a intenção de um ato, podemos realizar nossas vontades com mais facilidade, eficiência e prazer.

Quando a intenção motora e a sustentação tônico-postural estão integradas e orientadas ao mesmo objetivo, o que experimentamos é quase mágica. Sentimos mais leveza e liberdade e podemos executar os movimentos da maneira que realmente queremos. Dos movimentos mais simples aos mais sofisticados: sentar e levantar, saltar, falar, executar um golpe de judô, um giro numa dança, um assana de yoga. Tudo pode ser realizado com mais facilidade, mais precisão, mais força e menos esforço.

Vou chamar esta harmonização das intenções motoras às intenções posturais de “integração tônico-cinética das intenções”. Quando vivemos esta integração, o que antes era impossível torna-se fácil e o que já era fácil torna-se elegante. A importância deste refinamento é enorme, basta lembrarmos a famosa afirmação do Dr. Moshe Feldenkrais, “Vida é movimento. Melhore a qualidade do movimento e você melhora a própria vida”.

Integrando os Níveis de Intencionalidade


Três níveis de movimentos estão entrelaçados em nossos gestos e atos, movimentos voluntários, hábitos posturais e movimentos vitais. A influência entre eles é constante e recíproca. Esta interação pode ser mais harmônica ou mais truncada. Vejamos a que me refiro com estes três níveis para podermos entender melhor como o Método Feldenkrais trabalha no sentido da integração:

1. Movimentos voluntários (cinéticos)

Estes movimentos são mais facilmente acessíveis à escolha consciente. Este é o nível de que estamos mais conscientes e familiarizados, mesmo que muitas vezes sejam movimentos tão automatizados que nem reparamos neles enquanto os realizamos. (como no exemplo acima de girar a cabeça). São movimentos voluntários que surgem dos motivos da ação atual e, portanto, estão vinculados aos resultados imediatos da atividade corrente. Exemplos:  mover os dedos para digitar o computador, os braços para escovar os dentes, chutar uma bola, subir um degrau, etc.

2. Hábitos posturais (tônicos)

Em sua maior parte este nível de atividade não é consciente. Este é o campo da organização pessoal formada pelo conjunto dos padrões posturais. Os hábitos de postura são padrões de relações, memórias relacionais com forma específica e pessoal. Assim, o tempo postural (tônico) é diferente do tempo dos movimentos voluntários (cinético).

Podemos entender os padrões posturais como intenções estendidas no tempo.  Não tratam de objetivos imediatos como pegar uma caneta ou tocar um acorde no violão, embora participem decisivamente de todas estas ações. A atividade postural está mais relacionada aos estados emocionais, à autoimagem e a visão de mundo. Ex: a posição dos ombros em relação ao peito e ao pescoço (mais levantados ou mais para frente); a intensidade da curva lombar, a pressão da mordida ou a força com que seguramos a caneta.

As intenções posturais são anteriores às intenções cinéticas, são experiências passadas que se tornaram um fundo mais um menos permanente para o agir. Revelam a história de vida, características da família e até mesmo os traços culturais.

3. Movimentação vital.

Aqui estamos diante da manifestação de uma intencionalidade ainda mais antiga, mais primal. A inteligência e as intenções deste nível de atividade não foram adquiridas durante a biografia pessoal, nem durante a história das civilizações.  Estes movimentos vitais, como estou chamando aqui, reverberam o longo processo de organização da vida aqui na Terra. São expressão do tempo filogenético, as centenas de milhões de anos em que o sistema nervoso e a anatomia corporal ganharam forma e desenvolveram seus padrões fundamentais de ação.

A expressão desta camada mais instintiva, que é complexa e riquíssima, está diretamente relacionada com a ideia de vitalidade.  Como exemplo podemos pensar nos reflexos de equilíbrio que permeiam toda a nossa relação com a gravidade. Você está descendo do ônibus, tropeça, e sem saber como, dando pequenos saltos, movimentando os braços, a cabeça e todo o corpo, consegue se equilibrar e de repente se encontra em pé na calçada. Em dois ou três segundos, a inteligência de milhões de anos evitou que você se machucasse e continuou atuando para que você ficasse em pé plenamente orientado na vertical.

Um outro exemplo é a respiração. A sabedoria presente no ato de respirar é muito mais do que ancestral, é primitiva (na melhor acepção da palavra). Há uma coordenação muito sofisticada de ritmo e de força entre o diafragma e os músculos que ligam as costelas umas às outras e ao pescoço. Como sabemos, são movimentos vitais. E aqui podemos perceber como a camada dos hábitos posturais interage com os movimentos vitais, podendo deixar a respiração mais curta e mais localizada, ou amplamente expandindo-se em todas as direções.

Método Feldenkrais: vitalidade e inteligência


O Método Feldenkrais traz estratégias pedagógicas para Integrar estes três níveis de ação. São princípios que ajudam a integrar os hábitos de postura aos motivos da ação atual. Não se trata de aprender uma postura estereotipada segundo modelos de certo e errado. Muito pelo contrário, através da prática de sequências especiais de movimentos, o Método Feldenkrais combina imaginação, autoimagem e sensorialidade aproveitando o que há de singular em cada pessoa.

As lições de “Consciência pelo Movimento” suspendem a urgência dos atos correntes e penetram no tempo e na lógica dos padrões posturais. A partir daí, estas sequências de movimentos nos conduzem através de uma exploração que flexibiliza os hábitos e dinamiza as respostas tônico-posturais permitindo a expressão dos movimentos vitais.

O criador do Método dizia que o objetivo era a aproximação entre vontade e instinto, ou seja, entre a iniciativa consciente de um movimento e as tendências inatas. É o que estou chamando de integração tônico-cinética das intenções, quando os três níveis de intencionalidade e inteligência cooperam e seguem num mesmo objetivo. Uma qualidade de vida em que a expressão espontânea da vitalidade e a condução inteligente do fluxo dos movimentos se combinam numa organização postural maleável e certeira na direção dos sonhos escolhidos.

VIVENCIE NA PRÁTICA – WORKSHOP EM SÃO PAULO NO PRÓXIMO FIM DE SEMANA


Data: ATENÇÃO, O WORKSHOP FOI ADIADO PARA 18/06

Investimento: R$ 120,00

Espaço Vajra – R Pelotas 302f, Vila Mariana – SP

Além da parte vivencial, serão apresentados:

  • Biografia do Dr. Moshe Feldenkrais
  • História do Método
  • O que é uma Formação Feldenkrais
  • O que já está disponível no Brasil.

INSCRIÇÕESfeldenkraisbrasil@gmail.com ou

Mariana  (11) 8963-4104 e  (11) 2807-1999

Instrutor: Hans Reikdal Machado – Psicólogo (USP), artista marcial (ving tsun kung fu) e instrutor de Feldenkrais (certificado pelo Feldenkrais Guild of North America). (saiba mais…)

Mais informações no blog Núcleo Feldenkrais Brasil.

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A psicologia dos contos de fadas

Foi uma semana daquelas.

Sentindo-se encurralado nos negócios e alheio ao que acontece no seu próprio lar, suas últimas noites foram mal dormidas, repletas de insegurança e preocupação. Então, em meio a um sonho estranho, um misto de delírio com pesadelo, que juntava – sobre a cobertura de um prédio – uma festa com um julgamento, uma celebração bizarra de polaridades, onde ex-funcionários seus curtiam ao mesmo tempo em que o botavam no pau, o pai é desperto por duas mãozinhas que o chacoalham fragilmente no escuro das 2 horas da manhã.

Papai…

– …

Papaai…

Hmmm… Oi… filho… hmm que aconteceu?, ele resmunga acendendo o abajur e cerrando os olhos, agredidos pela súbita luminosidade no quarto.

Sabendo que irá esquecer deste sonho estranho em poucos instantes, o pai tenta repassá-lo rapidamente na cabeça, pra tentar tirar algum significado dele. Mas as imagens se misturam com a súbita consciência de que seu filho está ali precisando dele, seu filho que anda tão desamparado, para quem ele não tem conseguido preencher seu papel de protetor, tão ocupado que anda com seus próprios interesses.

Papai, tá doendo… o menino fala com um biquinho de cortar o coração, interrompendo seus pensamentos.

Hã? Doendo… o que aconteceu?

Tá doendo aqui – o garoto levanta a camisa do pijama e aponta, com voz trêmula, a um instante de cair aos prantos, para uma inofensiva marca de nascença no lado esquerdo da barriga, que sempre esteve lá.

Eu não consigo dormir… porque tá doendo aqui – a frase soa quase como um lamento musical em sua delicadeza infantil.

O pai se ergue e, já ciente do que está acontecendo, senta-se na beirada da cama e segura seu filho com as duas mãos ao redor dos ombros.

Hmmm… tá dodói meu amor?

Tá… – o menino começa a choramingar

O que aconteceu? – Pergunta o pai, como se esperasse inconscientemente que o garoto respondesse aquilo que ele, em sua maturidade, já sabe.

Um bicho me picou.

Hã? Bicho? Picou?! – por um momento ele fica alerta com a notícia, mas, olhando para a barriga do menino, logo percebe que é um recurso infantil, a única maneira que o garoto tem de expressar o medo que seu pesadelo despertou.

Tá doendo!

Ainda atormentado por um obscuro sentimento de culpa que foi desenterrado pelo seu próprio sonho, e ciente dos acontecimentos recentes, ele, como bom homem de negócios, enxerga uma possibilidade de ouro para reconsquistar a confiança do garoto. A idéia passa como um raio, quase insconscientemente, mas a motivação fica. O pai então se inclina para dar um beijo na barriga do filho, que se afasta, empurrando-o com os braços e virando a cabeça pro lado.

Pára !

Calma filho, é só o papai, não é o monstro que está aqui agora.

E, enquanto faz um carinho, diz:

Já vai sarar, papai está cuidando do seu machucado.

Então ele se levanta e completa,

– Eu vou pegar este bicho que te picou filho, e vou matar ele pra ele nunca mais machucar você!

O pai calça os chinelos e vai até o quarto do garoto, que permanece onde estava, choramingando ao lado da mãe, que sem se levantar o abraça na cama. O menino ouve então uns barulhos lá no outro quarto, e então escuta a voz abafada do seu pai dizer enfaticamente “Arrá! Te peguei! Seu monstro, você nunca mais vai machucar o meu filho! Toma aqui!”. O menino escuta então o ruído de se abrir e fechar a janela do quarto.

– Pronto!

O pai volta ao quarto do casal e diz pro garoto, cheio de firmeza “Prontinho filhão! Achei o bicho que te picou! Ele era feio e mau, mas era um covarde. Onde já se viu atacar  meninos pequenos! Mas eu sou maior que ele.

O garoto fica olhando o pai ali de pé, entoando seu pronunciamento com a firmeza de uma rocha, e sente um calorzinho acolhedor subir pela sua espinha, um sentimento de justiça e de segurança, de estar protegido por um herói.

– Ele tava se escondendo debaixo da sua cama, veja só! Mas eu peguei o bastardo! Esse monstro já era! Você nunca mais vai ver ele andando por esta casa.

O menino sorri, embora ainda fragilizado pelo efeito do pesadelo, e é acalentado pelos pais por uns instantes, em silêncio.

Então ele se afasta um pouco do pai, dá um suspiro, olha pra cima, bem no seu rosto, e com a face ainda pintada pelas lágrimas diz:

Papai, você não matou monstro nenhum!

O quê meu filho?!!

É mentira!

Quê isso filhão! Papai pegou ele, acabou com ele, você ouviu tudo!

E cadê ele?

Eu o joguei lá fora, pra bem longe filho!

Eu não vi nada! Por quê você não me mostrou que pegou ele então?

Filho, ele era muito feio, tava morto! Se eu mostrasse pra você, você ia ficar assustado. Ia ter até pesadelo depois! Papai nao faz essas coisas!

É mentira!

Meu querido, por quê o papai mentiria pra você?

Você mentiu pra mim que o coelinho da Páscoa e o Papai Noel existiam! Você mentiu pra mim que ia na minha apresentação! E você disse que nunca mais ia deixar o João Pedro me bater na escola. Você prometeu que nunca mais ia brigar comigo!

O pai olha para o filho com seriedade e sente um cansaço. Por um momento ele fica com vontade de pedir desculpas, mas logo engole esta vontade, lembra-se que está com sono e repete pra si mesmo que este moleque precisa de um psicólogo. Ou de um remédio. Ou ambos. Então ele simplesmente diz:

O papai matou o bicho que te machucou filho. Se você não acredita no papai é porque o monstro e os amigos dele ficaram sussurrando idéias erradas no seu ouvido que confundiram a sua cabeça. Agora vamos dormir senão eu vou te botar de castigo.

Por Marcelo Schenberg

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