Archive for junho, 2012

PMs abrem caminho para Marcha da Maconha passar pelo Aterro do Flamengo

Uma feliz continuidade ao post Tropa de choque pra quê? mostra que as coisas estão evoluindo

Matéria original no Globo por Carolina LaurianoDo G1 RJ

Índio acende ' cachimbo da paz' durante a Marcha da Maconha, no Rio (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Índio acende ‘ cachimbo da paz’ durante a Marcha da Maconha, no Rio (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Diferente da passeata de maio, quando uma confusão entre manifestantes e policiais militares deixou alguns feridos, a Marcha da Maconha desta terça-feira (19) teve motocicletas da PM abrindo o caminho para centenas de participantes na Cúpula dos Povos, maior evento paralelo à Rio+20, no Aterro do Flamengo.

A caminhada começou pontualmente às 16h20, saindo da frente do Museu de Arte Moderna (MAM), na Zona Sul do Rio de Janeiro, em direção à Praia do Flamengo. No dia 5 de maio, a marcha foi realiozada na Praia de Ipanema. Manifestantes foram agredidos por cassetetes, balas de borrachae estilhaços de bombas de efeito moral.

Mulher desaprova Marcha da Maconha (Foto: Carolina Lauriano/G1)Alguns desaprovam a Marcha da Maconha, que acontece nesta terça (Foto: Carolina Lauriano/G1)

“Nosso objetivo é dialogar com o público da Cúpula dos Povos e queremos colocar a legalização da maconha na pauta do evento e no documento final da Cúpula”, afirmou Renato Cinco, líder do evento, que antes da marcha dialogou com policiais militares e pediu aos manifestantes para que ninguém usasse maconha durante a caminhada. “Quem fumar corre o grande risco de ser detido”, completou.

O ato contou com cartazes, faixas e gritos de guerra do grupo. Pessoas contrárias à legalização das drogas também se manifestara durante a Marcha da Maconha, mas o clima foi pacífico.

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Uma guerra anunciada – sexta na Cúpula dos Povos Rio+20

Notícia fresquinha sobre um novo documentário, independente, e financiado coletivamente sobre a polêmica usina hidrelétrica de Belo Monte. Ele dá voz aos povos da região e aborda alternativas e mostra a dura realidade do impacto causado pela obra narrado pelas pessoas que estão acompanhando bem de perto a série de manobras políticas, jurídicas e desrespeitos que fazem parte desta história, como já foi relatado neste post do Plantando. Não sou dos mais radicais, e acho até que pensar em usinas hidrelétricas é uma evolução, considerando as  opções antigas baseadas na queima de combustível fóssil. Só não aponta para o futuro, e nos dias de hoje acaba sendo uma opção bem dentro da zona de conforto e que não considera seriamente questões ambientais estratégicas que estão relacionadas. Vim recentemente do TEDxRio+20 onde José Cordeiro, da Singularity University (uma joint-venture entre Google e NASA) falou da possibilidade real de uma matriz energética baseada em energia eólica e solar, e na transmissão wireless de energia elétrica englobando o  planeta inteiro até 2040. É para este futuro que deveríamos apontar, principalmente se o Brasil quer assumir de fato sua posição de liderança internacional.

Enquanto esta realidade não se materializa, ainda falta um tanto de gente acreditando junto, lembremos que toda ação vem de uma tomada de decisão, e que está baseada em valores e crenças. Se continuarmos acreditando que está tudo bem, e que somos imortais, e que o planeta dá um jeito, e vivermos negligenciando o impacto negativo dos valores egoístas da nossa sociedade, a coisa não vai pra frente. Temos que mudar de perspectiva e atualizar nossos valores para uma sociedade que inclua mais, que ouça mais, respeite mais e não tenha vergonha do amor. A si próprio e aos outros ao seu redor, estamos todos conectados.

O filme fala um pouco disso, tendo como fundo a história de Belo Monte, que já vem de longa data (as notícias começam em 1989, com uma “declaração de guerra” kaiapó à Eletronorte. E você pode assistí-la na íntegra aqui . Não é formidável?

E o fato de ter sido financiado coletivamente dá uma ideia clara da importância do tema para a população brasileira. Foram R$140 mil saídos dos bolsos da população. Fenomenal não é? É um grito de “Queremos saber a verdade!”. E ela está dita em Letras Garrafais neste longa. Creio que terá um impacto ainda maior do que o discurso de James Cameron. Vamos assistir, divulgar e compartilhar.

Um ponto importante de argumentação: para Belo Monte produzir a quantidade de energia que a justifique, serão necessárias várias outras barragens, alagando uma area muito superior a que está sendo declarada. E obviamente a primeira usina vai abrir o precedente. O autor e diversos estudiosos e autoridades entrevistadas fazem a previsão de que o argumento da necessidade de novas barragens será trazido à tona somente depois de alguns anos da construção da barragem inicial.

De novo, os valores, quem está decidindo por quem?

Um breve relato do filme segundo o diretor André D’elia:

“A primeira ideia era escrever um roteiro de ficção sobre a Amazônia. Depois de uma expedição pela floresta — e a constatação de que a Amazônia não é tão simples quanto parece —, a ideia passou a ser fazer uma pesquisa filmada. Após três anos, 120 horas de filmagens e R$ 140 mil angariados em uma grande vaquinha pela internet, o projeto finalmente saiu do papel. E em uma data propícia. O documentário “Belo Monte – Uma Guerra Anunciada”, sobre a usina hidrelétrica que está sendo construída no Pará, estreou no último domingo, com exibição no auditório Ibirapuera, em São Paulo, em meio às discussões sobre meio ambiente promovidas pela Rio+20.”

Na próxima sexta, dia 22 de junho o filme será exibido na Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo como evento da Rio+20. Quem tiver afim… por favor, chega mais!

“No Rio ou em São Paulo, as pessoas acham que conhecem a Amazônia, acham que sabem o que está acontecendo lá, mas não sabem. Muita coisa não está sendo dita. Para entender a questão é fundamental ouvir os povos que vivem lá e saber o que está por trás do projeto” ressalta André.

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