Com a palavra, o Cacique Ytajibá

Há aproximadamente um mês estive na Aldeia Tukum de Olivença, entre os índios Tupinambás. Além de conhecer suas terras, que ainda hoje tem 75% de seu território revestido de Mata Atlântica virgem, rios de águas transparentes e deliciosamente frescas sob o sol da Bahia, conheci um pouco da sua história. Como a história de muitos povos indígenas no Brasil, a dos Tupinambás inclui massacres, tentativas variadas de aculturação e usurpação de bens e direitos. Hoje, o Cacique Ytajibá da Aldeia Tukum dos Tupinambás veio nos pedir ajuda financeira para ir à Brasília lutar pelos direitos de seu povo.

Para doar qualquer quantia que você puder, você pode preferencialmente depositar diretamente em nossa conta no Banco do Brasil: Agência 6986-8 conta corrente 7459-4

ou, alternativamente, através do Paypal pelo botão abaixo:

Por favor, note que eles tem muita urgência para receber esse dinheiro, o prazo para doações é dia 14 de abril!

Se você quiser saber como andam as doações, mande-nos um email ou siga-nos no Facebook!

Os Tupinambás gostariam de enviar um presente àqueles que fizerem doações. Por favor, mande-nos o seu contato para que possamos postar o seu!

Com a palavra, o Cacique:

O Povo Tupinambá de Olivença (Aldeia Tukum) de Ilhéus sul da Bahia é uma Nação guerreira, que ao longo dos anos resistiram às diversas formas de colonização, e ao decorrer desses últimos cinco séculos vêm revitalizando sua cultura e suas tradições. Descendente linguisticamente do tronco Tupi, é um povo determinado, forte, que mantém sua cultura preservando e valorizando a sua língua, a espiritualidade, os costumes, os mitos e as suas tradições ancestrais.

detalhe desenho da Aldeia Tukum

Ao examinar a conjuntura indigenista brasileira nos últimos anos salta aos olhos a intensificação de campanhas contra os direitos indígenas, protagonizadas especialmente por políticos, empresários, latifundiários e organizações ruralistas.

A primeira agenda oficial da Presidente do Brasil Dilma Rousseff em 2013 começou recebendo alguns dos principais empresários e executivos do país. Dilma optou em começar o ano ouvindo o capital e não o movimento social. Faz sentido. Dilma nunca escondeu que sua prioridade é a economia.

Temas estruturantes do social como saúde, educação, saneamento, moradia, Reforma Agrária, demarcação de terras indígenas, questão ambiental, entre outros, estarão presentes na retórica discursiva-política, mas não necessariamente se traduzirão em políticas efetivas de governo. Esses “temas entrarão na agenda proporcionalmente à capacidade de pressão do movimento social”.

desenho da aldeia

Os Povos indígenas continuam como ‘entraves’ ao modelo de desenvolvimento

Se por um lado a agenda da Reforma Agrária vem aos poucos desaparecendo do horizonte do governo, a questão indígena sequer entrou na agenda da esquerda brasileira no poder. “Retrocedemos muito neste período”. Se antes lutávamos pelo cumprimento dos nossos direitos, hoje lutamos para não perder esses direitos reconhecidos na Constituição. Em média, os governos dos presidentes Lula e Dilma homologaram menos terras, em número e extensão, do que os antecessores José Sarney, Fernando Collor de Melo, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, destaca reportagem do Brasil de Fato. Na avaliação dos defensores dos direitos indígenas, a razão para este retrocesso está na opção de modelo desenvolvimentista para o campo e para as florestas adotadas pelos governos nesta última década. “Pela origem do governo ligado aos movimentos sociais, o movimento indígena criou muita expectativa, mas o mesmo fez uma aliança com os latifundiários e as mineradoras, deixando os nossos interesses de lado”.

Diariamente acompanhamos uma chuva de investida contra os direitos indígenas, sobretudo a invasão de seus territórios, onde o Governo Federal investe cada vez mais em grandes obras impactando a vida dos Povos Indígenas no País.

Tupinambás

A Portaria 303 da Advocacia Geral da União, publicada oportunamente depois da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e das pressões da Organização Internacional do Trabalho, aprofunda o estrangulamento dos direitos territoriais indígenas iniciados com a paralisia na tramitação e aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas, engavetado há mais de 20 anos na Câmara dos Deputados, e com a edição das Portarias Interministeriais 420 a 424, que estabelecem prazos irrisórios para a FUNAI se posicionar frente aos Estudos de Impactos e licenciamento de obras sobre os territórios indígenas além da aprovação da PEC 215, que passa para o congresso a demarcação dos territórios indígenas.

As indicações para os desafios de 2013: “Há grandes desafios a serem enfrentados pelos povos e suas organizações: entre eles, o de apresentar as demandas, mobilizar-se em torno delas para que efetivamente sejam acolhidas e transformadas em políticas públicas, assegurando sua participação em todas as etapas; e o de pressionar o poder público para que as terras sejam efetivamente demarcadas, protegidas, estando na posse e usufruto assegurados aos povos e comunidades”.

Sem que isso aconteça, “não é possível vislumbrar o efetivo combate às violências, ao descaso, à omissão e à dependência de políticas” paliativas compensatórias. Sem isso, na hora de discutir políticas públicas os povos indígenas serão tratados como ‘entraves’ num modelo de desenvolvimento sem garantias, que privilegia alguns setores e penaliza muitos.

OBJETIVO GERAL DO II ENCONTRO NACIONAL DE LIDERANÇAS INDÌGENAS

  • Realizar o II Encontro Nacional de Lideranças Indígenas, favorecendo uma ampla reflexão e debates entre as principais lideranças indígenas do País a respeito da Política Indigenista atual e os diversos instrumentos jurídicos que vem sendo utilizado para atacar os direitos indígenas já garantidos na Constituição Federal.
Yatjiba e Acaua
Cacique Ytajibá e Nádia Acauã

A partir do quadro apresentado na introdução deste pedido, temos a profunda clareza, que a estratégia dos setores anti-indígenas amplamente organizados por todo País, articulados e amparado principalmente pela Confederação Nacional de Agricultura no Brasil (CNA) no qual vem disponibilizando todo seu aparato político e jurídico é impedir o reconhecimento e demarcação de terras indígenas, e o que mais absurdo ainda, invadir e mercantilizar as terras que já são demarcadas e homologadas.

Diante disso, hoje a grande luta é pela manutenção dos direitos dos Povos indígenas. E neste contexto, lideranças indígenas de todo País, e entidades indigenistas, definiram por realizar o II Encontro Nacional de Lideranças para refletir e debater os diversos instrumentos que estão sendo utilizado para atacar os seus direitos.

O Encontro reunirá representações de Povos indígenas, e lideranças de todo Brasil, tendo como principal objetivo buscar estratégias de enfrentamento aos setores que vem atacando os direitos indígenas. Para isso, faz-se necessário contarmos com o apoio dos aliados para possibilitar o transporte de indígenas a fim de participarem desse importante evento.

Temas: II Encontro Nacional de Lideranças Indígenas

  • Elaboração de estratégias e enfrentamento ao Governo Federal no sentido de fazer garantir a proteção e efetivação dos Direitos Indígenas, conforme a constituição Federal e convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho;
  • A luta contra os diversos mecanismos de negação de direitos dos Povos Indígenas;
  • Análise da política indigenista atual.

QUANDO: Chegada: 15/04/2013.

Encontro:  16/04  a 19/04/2013

O dia 15/04/2013 seria dedicado à chegada das delegações.

ONDE: Centro de Formação Vicente Cañas – Luziânia/GO.

a tristeza do índio

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS DO II ENCONTRO NACIONAL DE LIDERANÇAS

  • Possibilitar reflexão sobre a política indigenista brasileira, permitindo maior compreensão da conjuntura política no País, dos problemas locais, regionais e nacionais.
  • Analisar os graves efeitos das manobras jurídicas e Políticas que vem sendo utilizado pelo grande capital para atacar os direitos dos Povos indígenas.
  • Fortalecer e ampliar a articulação de parcerias e redes de apoio na luta pela demarcação dos territórios indígenas.
  • Garantir o processo de formação permanente das lideranças indígenas, suas comunidades e organizações.

Realizar diversas mobilizações em Brasília – DF nos espaços de definição de assuntos indígenas.

Enfrentamento ao processo de violência e criminalização das lutas e das lideranças.

QUEM ESTARÁ LÁ?

Lideranças de várias nações indígenas estarão presentes no encontro.

QUANTAS PESSOAS?

Esperamos de 150 a 400 líderes presentes no encontro.

QUANTAS PESSOAS DE CADA NAÇÃO?

Nós esperamos que, na média, cada nação compareça com 45 pessoas.

QUANTO DINHEIRO NÓS PRECISAMOS?

Nós precisamos de aproximadamente R$15.000. Só para o transporte, serão gastos R$10.000 (aluguel de ônibus para 42 pessoas de Olivença para Brasília, ida e volta). Os outros R$5.000 serão gastos para alimentar as pessoas durante o encontro (média de R$8,00 por pessoa por refeição). Quanto mais pessoas conseguirmos levar, maior será nosso poder de persuasão! Até agora nós não temos absolutamente nenhuma ajuda para estar no encontro, lutando por nossos direitos. Nós esperamos que, após o que foi explicado aqui, você possa nos ajudar a estar lá.

a fuga de marcelino

E SE NÓS NÃO TIVERMOS TODO O DINHEIRO NECESSÁRIO PARA IR PARA O ENCONTRO?

O ideal é que estejamos no encontro com uma quantidade significativa de pessoas da aldeia, porque dessa forma podemos realmente pressionar o governo. No entanto, caso não tenhamos todo o dinheiro necessário para ir em 42 pessoas, esperamos levar ao menos nossas lideranças. Isso pode acontecer de duas formas:

Com R$9.000,00 podemos ir em 16 pessoas, de van. O aluguel é de aproximadamente R$6.000, o motorista extra R$1.000,00 e, para alimentação R$1.920,00, totalizando R$8.920,00.

Para irmos em quatro pessoas (o Cacique Ramón Ytajibá Souza e outros líderes da comunidade) de ônibus comum, necessitamos de R$1.400,00 para as passagens (cada passagem de ida e volta custa R$350,00) e R$600,00 para alimentação (R$120,00 por dia para as três refeições para os quatro líderes). Como o local que nos hospedaremos é fora de Brasília, a duas horas da capital, gastaremos aproximadamente R$500,00 para ir e voltar do local da reunião (durante o encontro pegamos carona com nossos parentes). Dessa forma, o total necessário seria de R$2.500,00.

No caso de não atingirmos essa meta, deixamos claro que nosso compromisso é com o desenvolvimento de nossa comunidade. Se não houver dinheiro suficiente para nenhum de nós irmos a Brasília, o dinheiro levantado com essa campanha será gasto na escola. A escola é um lugar muito especial para nós, porque esse é o local onde nossas crianças aprendem o nosso jeito de ser e se alfabetizam (e continuam sua educação). Nós temos materiais especial, desenvolvido por professores da nossa comunidade, nos quais nós contemplamos nossos conhecimentos tradicionais sobre a natureza, nossa lígua, nossos mitos, e por aí a fora. Em nossa escola, nós ensinamos nossas crianças como continuar a lutar por seus direitos, que ser indígena é motivo de orgulho e que elas merecem ser respeitadas. Dessa forma, nós acreditamos que, usar o dinheiro com elas, é uma continuação da proposta inicial desse pedido.

águas tupinambas

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