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Esse blog fez como as lagartas, que se nutrem, engordam, se encasulam, metamorfoseiam, criam asas e voam…

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Carta de Brasília em Defesa da Razão e da Vida

cid2013O Congresso Internacional sobre Drogas: Lei, Saúde e Sociedade foi realizado entre 3-5 de maio de 2013 no Museu da República em Brasília para fomentar o diálogo sobre o tema das drogas. Nós, participantes do Congresso e signatários desta carta, constatamos que a política proibicionista causa danos sociais gravíssimos que não podem persistir. Não há evidência médica, científica, jurídica, econômica ou policial para a proibição. Entretanto identificamos alarmados um risco de retrocesso iminente, em virtude do projeto de lei 7663/10, de autoria do Deputado Osmar Terra (PMDB/RS), atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, relatado pelo deputado Federal Givaldo Carimbão (PSB/AL). Entre vários equívocos, o projeto prioriza internação forçada de dependentes químicos. Vemos com indignação que autoridades do Governo Federal se pronunciam a favor dessa prática. Conforme apontado pelo relator especial sobre tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes junto ao conselho de direitos humanos da Organização das Nações Unidas, a internação forçada de dependentes químicos constitui tortura. Tendo em vista a trajetória política, compromisso com os direitos humanos e experiência pessoal em relação à tortura da Presidenta Dilma Roussef, é inadmissível que o Governo Federal venha a apoiar a internação forçada. Entendemos que a aplicação dessa medida no Brasil atual representa a volta da política de higienização e segregação de classe e etnia.

Mesmo em suas versões mais brandas, o proibicionismo infringe garantias fundamentais previstas na Constituição da República, corrompe todas as esferas da sociedade, impede a pesquisa, interdita o debate e intoxica o pensamento coletivo. A tentativa de voltar a criminalizar usuários e aumentar penas relacionadas ao tráfico de drogas é um desastre na contramão do que ocorre em diversos países da América e Europa, contribuindo para aumentar ainda mais o super-encarceramento e a criminalização da pobreza. A exemplo das Supremas Cortes da Argentina e da Colômbia, é preciso que o Supremo Tribunal Federal declare com urgência a inconstitucionalidade das regras criminalizadoras da posse de drogas ilícitas para uso pessoal. Em última instância, legalizar, regulamentar e taxar todas as drogas, priorizando a redução de riscos e danos, anistiando infratores de crimes não-violentos e investindo em emprego, educação, saúde, moradia, cultura e esporte são as únicas medidas capazes de acabar efetivamente com o tráfico, com a violência e com as mortes de nosso jovens. É um imperativo ético e científico de nosso tempo, em defesa da razão e da vida humana.

Saiba um pouco mais sobre a gravidade da situação assistindo ao vídeo abaixo

 

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Adriana Eiko Matsumoto, Psicóloga, Professora da PUCSP e Conselheira do Conselho Federal de Psicologia.

Adriana Rocha Aguilar Carneiro, Assistente Social, SP.

Adriana Souza Silva, jornalista, Diretora da Agência Fato Relevante.

Alba Zaluar, Antropóloga, Professora Titular do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Aldo Zaiden, Psicanalista, Conselheiro do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas- CONAD- MJ pelo Ministério da Saúde.

Alessandra Oberling, Antropóloga, membro da Rede Pense Livre.

Alexandre Ciconello, Advogado, assessor político do INESC, Instituto de Estudos Socioeconômicos.

Alexandre Machado, Jornalista, SP.

Alice Aparecida da Silva Ribeiro, Psicóloga, Pós-Graduada em Saúde Mental e Clínica, Articuladora de Rede do Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário do TJMG.

Aline Mattos Fuzinatto, Assistente Social, Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Mental Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Aline Souza Martins, Psicanalista, Mestranda USP, São Paulo, Autora da dissertação “Por que a guerra? Política e subjetividade de jovens envolvidos com o tráfico de drogas em Belo Horizonte”.

Aluísio Ferreira de Lima, Doutor em Psicologia Social, Professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará.

Amanda Simões Souza, Estudante de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília.

Anamaria Faria Carneiro, Psicóloga, Recife, PE.

Ana Lívia Rodrigues de Castro, Professora e Mestranda em Estudos Literários na Universidade Federal de São Carlos.

Ana Luiza de Souza Castro, Conselheira do Conselho Federal de Psicologia e membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP.

Ana Mercedes Bahia Bock, Professora de Psicologia, PUC/SP.

André Barros, Advogado da Marcha da Maconha, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ e do Instituto dos Advogados Brasileiros.

André da Costa Garcia, Estudante de Antropologia na Universidade Federal da Integração Latino-Americana e Integrante do Coletivo Marcha da Maconha de Foz do Iguaçu.

André Panzetti de Oliveira, Psicólogo, Técnico de Medida Socioeducativa em Meio Aberto, SMSE-MA Capela do Socorro.

André Rosito Marquardt, Médico Psiquiatra, coordenador do CAPS-AD continente de Florianópolis, SC.

André Sant’Anna, Escritor.

Andrea Nobre Viana, Psicóloga.

Andrew Muller Reed, Cientista Social, ativista da Marcha da Maconha Rio de Janeiro.

Anna Karla Rodrigues Santos, Graduanda em Gestão de Políticas Públicas na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Integrante do Coletivo Potiguar Marcha da Maconha.

Antonio Ferreira Marques Neto, Graduado em Filosofia, UnB e Assistente Administrativo na Ouvidoria do Conselho Federal de Psicologia.

Antonio Roque, Professor de Física da USP Ribeirão Preto e Tesoureiro da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento (SBNeC).

Antônio Sebastião Barbosa Neto, Acadêmico de Psicologia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e membro da Universidade Popular Juvenal Arduini.

Arlanza Rebello, Defensora Pública RJ, Titular do Núcleo do Sistema Penitenciário da Defensoria Pública (NUSPEN) do Estado do Rio de Janeiro.

Arlindo da Silva Lourenço, Psicólogo da Penitenciária “José Parada Neto”, de Guarulhos. Doutor em Psicologia Social pela USP-SP, Membro do Conselho Estadual de Saúde de São Paulo, Dirigente do Sindicato dos Psicólogos no Estado de São Paulo e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social da CUT, Professor Universitário.

Bárbara Chiavegatti, Estudante de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Beatriz Caiuby Labate, Antropóloga, Professora Visitante do Programa de Política de Drogas do Centro de Pesquisa e Ensino em Economia (CIDE), em Aguascalientes, México e Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP).

Beatriz Vargas Ramos, Professora de Direito Penal da Universidade de Brasília, Membro do GCCrim, Apoiadora da LEAP Brasil.

Betania Devechi Ferraz Bonfa, Defensora Publica, SP.

Breno Serson, Médico Psiquiatra e Doutor em Filosofia.

Bruna Pasqualini Genro, Bióloga, Doutoranda UFRGS/HCPA.

Bruno Ramos Gomes, Psicólogo, Mestre em Saúde Pública, representante do CRP/SP no CONED e Presidente do Centro de Convivência e de Lei.

Bruno Torturra, Jornalista, membro da Rede Pense Livre.

Cadu Oliveira, Jornalista, autor do Hempadão.

Camilo Vanni, Conselheiro do CONAD.

Carlos Weis, Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Carolina dos Reis, Psicóloga, Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul.

Cecília Boal, Psicanalista, RJ.

Cecília Hedin-Pereira, Neurocientista, Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Presidente da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC).

Cecília Pescatore Alves. Doutora em Psicologia Social, Professora da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo

Celi Cavallari, Psicóloga, Vice-Presidente da ABRAMD e Conselheira da REDUC.

Celso Peito Macedo Filho, Médico-Psiquiatra do CAPS II de Frutal/MG e do CAPS I de Iturama/MG, Especialista em Esquizoanálise, Esquizodrama, Análise Institucional e Grupos, membro do Instituto Gregorio Baremblitt, membro da Universidade Popular Juvenal Arduini.

Charles Alimandro, Empreendedor Social e organizador do Congresso Internacional Sobre Drogas 2013.

Claudia Abramo Ariano, Defensora Pública do Estado de São Paulo.

Claudio Angelo, Jornalista.

Claudio Marcos Queiroz, Professor Adjunto, Instituto do Cérebro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Clebion Eli Miranda, Diretor de Comunicação do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (SINDNAPI), Taubaté, SP.

Cristiane Ribeiro, Psicóloga, Belo Horizonte.

Cristiano Avila Maronna, Mestre e Doutor em Direito Penal pela USP e Diretor do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM).

Daniel Luis Moreira Aló, Turismólogo e Ambientalista.

Daniel Nicory do Prado, Diretor da Escola Superior da Defensoria Pública da Bahia e representante da ANADEP junto à Subcomissão de Crimes e Penas da Câmara dos Deputados, membro da Rede Pense Livre e consultor da campanha “Lei de Drogas: É preciso mudar”.

Daniela Skromov de Albuquerque, Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Danielle Vallim, Cientista Política, Pesquisadora do Núcleo de Pesquisas das Violências do Instituto de Estudos Sociais e Políticos, Doutoranda em Saúde Coletiva, IMS/UERJ, Pesquisadora NEIP e membro ABESUP.

Dartiu Xavier da Silveira, Médico-Psiquiatra, Professor da Universidade Federal de São Paulo, Coordenador e Fundador do PROAD, Presidente Fundador da ABRAMD, Assessor da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

Deborah Sereno, Psicanalista, Professora de Psicologia da PUC-SP.

Deborah Uhr, Psicanalista, Supervisora da Rede de Saúde Mental do município do Rio de Janeiro, Professora do Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação e doutoranda em psicologia clínica na PUC-Rio.

Dênis Roberto da Silva Petuco, Cientista Social, Mestre em Educação, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Juiz de Fora; consultor autônomo sobre Drogas, Educação e Saúde.

Denis Russo Burgierman, Diretor de Redação das revistas Superinteressante e Vida Simples.

Denizar Missawa Camurça, Biólogo, NEIP.

Douglas Senna Engelke, Biólogo, Doutorando Unifesp.

Dráulio Barros de Araujo, Professor Titular de Neuroimagem, Instituto do Cérebro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Dulcinea Peixoto Nelson, Advogada, UBMRJ, Pós-Graduação em Dependência Química UNISAL, Campinas, SP.

Ederton Quemel Rossini, Estudante Psicologia, ISECENSA, Campos dos Goytacazes, RJ.

Edson Nunes Mesquita, Estudante de Psicologia, UDF, DF.

Eduardo Ekman Schenberg, Pesquisador Pós-Doutor na Universidade Federal de São Paulo, Diretor do Instituto Plantando Consciência.

Edvaldo Nabuco, Professor Pesquisador, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS)/Fiocruz, Diretoria Nacional da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME).

Edward MacRae, Antropólogo CETAD/UFBA, Secretário da ABESUP.

Eliana Maria de Moraes, Terapeuta Ocupacional, Coordenadora do Fórum Mineiro de Saúde Mental/RENILA.

Elisa Zaneratto, Psicóloga, Professora da PUC/SP.

Elza Ibrahim, Psicóloga clínica, Professora da Universidade Veiga de Almeida.

Emilia Estivalet Broide, Psicanalista, Mestre em Saúde Pública FSP-USP, Doutoranda do Curso de Psicologia Social da PUC SP, Professora do Curso de Psicossociologia da Juventude e Políticas Publicas da ESPSP.

Emílio Nabas Figueiredo, Advogado Pós-Graduado em Responsabilidade Social e Terceiro Setor, Consultor Jurídico do Growroom.net e parte do Coletivo Projects.

Esdras Machado Silva Junior, Advogado Militante Especialista em Direito Público e Controle da Administração e simpatizante das causa relacionadas a efetivação dos direitos e garantias constitucionais.

Estela Waksberg Guerrini, Defensora Pública, Unidade da Fazenda Pública da Capital, São Paulo.

Fábio Mesquita, Médico, Doutor em Saúde Pública e trabalhador da Organização Mundial de Saúde.

Fernanda Morbeck Almeida, Técnica em Acupuntura, Brasília, DF.

Fernanda Penteado Balera, Defensora Pública, Coordenadora Auxiliar, Unidade DIPO – Regional Criminal, SP.

Flávia Fernando Lima Silva, Psiquiatra com especialização em Psiquiatria Infantil, Psicoterapeuta formada no centro de atenção a usuários de drogas do Pechansky, Preceptora da Residência em Psiquiatria no Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro, Mestranda em Psicologia Social pela UFF.

Flavio Campos, Redutor de Danos, Diretor de Combate às opressões da Juventude do PSB, Conselheiro Municipal de Juventude do Recife, Membro do Coletivo da Marcha da Maconha Recife, Graduando em Terapia Ocupacional.

Flavio Lobo, Jornalista.

Gabriela Moncau, Jornalista, integrante do Coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR), da Marcha da Maconha SP e da Frente Drogas e Direitos Humanos.

Geraldo Prado, Desembargador aposentado, Professor de Processo Penal da UFRJ e membro da LEAP.

Gerivaldo Neiva, Juiz de Direito (BA), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD) e Porta-Voz no Brasil do movimento Agentes da Lei contra a Proibição (LEAP-Brasil).

Gilberta Acselrad, Enfermeira aposentada, Mestra em Educação, Coordenadora da Área de Saúde Pública e Direitos Humanos, FLACSO Brasil.

Gisele Toassa, Professora Doutora, Área de Psicologia da Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal de Goiás.

Greice Costa Gagaus, Psicóloga, FMU São Paulo, SP.

Henrique Carneiro, Historiador, Professor Doutor DH-FFLCH-USP, Presidente da ABESUP, membro do NEIP.

Henrique Romanó Rocha, Graduando em Antropologia e Direito, Gestor do Centro Acadêmico de Antropologia da UnB e Organizador da Marcha da Maconha Brasília.

Hermano da Silveira, Engenheiro Eletricista, membro do Instituto Gregório Baremblitt e da Universidade Popular Juvenal Arduini.

Humberto Cota Verona, Psicólogo do SUS e Presidente do Conselho Federal de Psicologia.

Ícaro Monteiro Rizzo, Designer Gráfico, Coletivo Revolução Verde, SP.

Ignez Helena Oliva Perpétuo, Médica, Professora aposentada da UFMG.

Ilana Mountian, Psicóloga, Pós-Doutoranda do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Ilona Szabó de Carvalho, membro da Rede Pense Livre por uma política de drogas que funcione.

Isabel Coelho, Juíza TJ-RJ, membro da Associação de Juízes para a Democracia.

Isabel Cristina Gonçalves Bernardes, Psicóloga, Agente de Defensoria – Regional Central, Defensoria Pública do Estado de São Paulo

Isabela Bentes Abreu Teixeira, Cientista Social, Mestranda em Sociologia pela Universidade de Brasília, membro do Setorial Política sobre Drogas do PSOL e integrante do Movimento Nacional pela Legalização da Maconha.

Isabela Lara Oliveira, Professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, membro do NEIP e da ABESUP e pesquisadora do CIPRPS.

Ivan Belinky Heusi, Graduando em Ciências Ambientais pela Universidade de Brasília, membro do Setorial Política sobre Drogas do PSOL e integrante do Movimento Nacional pela Legalização da Maconha.

Jean Wyllys, Deputado Federal.

Jimmy Carter Lopes Salgado, Estudante de Antropologia na Universidade Federal da Integração Latino-Americana e Integrante do Coletivo Marcha da Maconha de Foz do Iguaçu.

João Gabriel Henriques, Jornalista do blog Hempadão e ativista da Marcha da Maconha Rio de Janeiro.

João Felipe Morel Alexandre, Biólogo, Mestrando em Neurociência e Cognição pela Universidade Federal do ABC.

João Ricardo Lacerda de Menezes, Neurocientista, Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

John Fontenele Araujo, Médico, Professor de Fisiologia da UFRN e Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento (SBNeC).

Jorge Alberto Quillfeldt, Neurocientista, Professor Titular de Biofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Secretário da SBNeC e Secretário-Geral da Federação Latino-Americana de Neurociências (FALAN).

Jorge Broide, psicanalista e analista institucional, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre. Professor do Curso de Psicologia da PUC-SP e do curso de pós graduação latu senso Psicossociologia da Juventude e Políticas Públicas da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Jorge da Silva, Coronel reformado da Polícia Militar, Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Vice-Presidente da LEAP Brasil.

José Arturo Costa Escobar, Doutor em Psicologia Cognitiva, Grupo de Estudos em Álcool e outras Drogas/UFPE, Recife.

José Caui Neto, Psicólogo, Membro da Universidade Popular Juvenal Arduini de Uberaba.

José Eliézer Mikosz, Artista Plástico, Doutor em Ciências Humanas com pesquisa em Arte e Estados não Ordinários de Consciência e Pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP).

José Henrique Rodrigues Torres, Juiz de Direito, Presidente da Associação Juízes para a Democracia e Professor de Direito Penal da PUC-Campinas/SP.

Julio Delmanto, Jornalista, Mestre em História Social, Membro dos coletivos antiproibicionistas Desentorpecendo a Razão (DAR) e Marcha da Maconha SP, pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP) e da ABESUP.

Julita Lemgruber, Coordenadora Centro de Estudos de Segurança e Cidadania/CESEC-UCAM.

Kenarik Boujikian, Co-fundadora e ex-Presidente da Associação Juízes para a Democracia.

Kenneth Rochel de Camargo Jr., MD PhD, Professor Associado, Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Editor Associado, American Journal of Public Health.

Lairton Bueno Martins, Enfermeiro, Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Mental Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Leilane Assunção, Professora substituta, Departamento de História, UFRN, membro do Núcleo Tirésias da UFRN, representante da Rede Latino Americana de Pessoas que Usam Drogas (LANPUD).

Leandra Brasil da Cruz, Professora Pesquisadora, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS)/Fiocruz.

Leonardo Leandro da Silva, Professor do Estado do Rio de Janeiro, Mestrando em Ensino de Física pela UFRJ.

Leonardo Pinheiro Gomes, Professor de Psicologia e Psicólogo Clínico – Niterói – RJ.

Leonardo Ferreira Gomes dos Santos, Graduando em Produção Cultural, Universidade Federal Fluminense, UFF.

Letícia Sabatella, Atriz.

Loiva Maria De Boni Santos, Mestre em Psicologia Social pela UFRGS .

Lorena Otero, Graduanda em Direito pela UMC/SP e pesquisadora na FGV/SP.

Lucas de Oliveira Alvares, Biólogo, Professor do Departamento de Biofísica/UFRGS.

Lucas Lichy, Graduando em Ciências Econômicas UFSC e Presidente do Instituto da Cannabis.

Luciana Boiteux, Professora de Direito Penal da UFRJ, Conselheira da REDUC.

Luciana Zaffalon Leme Cardoso, Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Luís Antônio Gomes Lima, Psicólogo, Professor Universitário de Graduação em Psicologia, pesquisador na área de história da psicologia e atuações profissionais voltadas à infância e à adolescência.

Luiz Eduardo Soares, Professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Luís Fernando Tófoli, Psiquiatra, Professor do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas.

Luiz Eduardo Lopes Silva, Mestrando em História Social da UFMA.

Luiz Chazan, Psiquiatra e Psicanalista e professor de Saúde Mental e Psicologia Médica da UERJ.

Maíra Andrade Scavazza, Estudante de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Maira Guarabyra, colaboradora de Revista semSemente, Marcha da Maconha do Rio de Janeiro, Hempadão, Growroom.net.

Marcelo Paixão, Professor da UFRJ, Coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), Pesquisador visitante, Universidade de Princeton (EUA).

Marcelo Simão Mercante, Antropólogo.

Marcelo Sodelli, Presidente da ABRAMD e pesquisador da Psicologia da PUC-SP.

Marcello de Souza Costa Pedroso, Antropólogo, educador agroflorestal e ativista da Marcha da Maconha de Brasília.

Márcia Caldas, Psicóloga, Distrito Federal.

Marco José Duarte – Assistente Social, Professor Doutor da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Coordenador do NEPS/UERJ, Coordenador da Residência Multiprofissional em Saúde Mental da UERJ, Supervisor do CAPS/UERJ e Membro da Frente Estadual Drogas e Direitos Humanos, RJ.

Marcos de Alcântara Machado, Administrador de Empresas, SP, membro da Rede Pense Livre – por uma política de drogas que funcione.

Marcos R. V. Garcia, Professor Doutor, Coordenador do CRR-UFSCar.

Marcos Rolim, Jornalista, Sociólogo, Escritor, Professor Universitário e consultor em direitos humanos e segurança pública.

Marcus Vinicius de Oliveira, Psicólogo, representante do Conselho Federal de Psicologia no CONAD, militante da Luta Antimanicomial.

Maria Angélica Comis, Psicóloga, Mestre em Psicobiologia, Integrante do Plantando Consciência.

Maria Clara Rebel Araújo, Doutora em Psicologia Social, Professora da Unesa e Psicóloga Clínica.

Maria Cristina G. Vicentin, Professora e Pesquisadora do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia Social da PUC-SP.

Maria Lucia Karam, Juíza aposentada e Presidente da LEAP Brasil.

Maria Rita Kehl, Psicanalista, Integrante da Comissão Nacional da Verdade.

Maria Solange Siqueira, Psicóloga Clínica e Institucional em São Carlos, SP.

Mariana Bernd, Designer Gráfica e Professora.

Mariangela Magalhães Gomes, Professora de Direito Penal da USP, Presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.

Marilia Marra de Almeida, Psicóloga, Agente da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Mario Augusto Carvalho de Figueiredo, Defensor Público, Regional Criminal da Capital, Unidade Varas Singulares, São Paulo.

Marisa Feffermann, Pesquisadora do Instituto de Saúde e Área de Juventude e Políticas Públicas, FLACSO, membro do GEDS, USP, militante do Tribunal Popular: O Estado Brasileiro no Banco dos Réus.

Marta Elizabeth de Souza, Psicóloga, Presidente do CRP MG, ex-Coordenadora Estadual de Saúde Mental de MG, militante do Fórum Mineiro de Saúde Mental/RENILA.

Marta Quaglia Cerruti, Psicanalista, Doutoranda pelo IPUSP, membro do Laboratório Psicanálise e Política IPUSP/PUC-SP.

Marta Rodriguez de Assis Machado, Pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, Professora da Escola de Direito de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Crime e Pena da FGV-SP.

Mary Garcia Castro, UCSAL, Socióloga.

Mary Suely Souza Barradas, Professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense.

Matias Maximiliano Acevedo, Editor chefe da Revista semSemente e co-fundador da Marcha da Maconha do Rio de Janeiro.

Maurício Fiore, Antropólogo pela USP, pesquisador do NEIP e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Maurides de Melo Ribeiro, Professor de Direito Penal e Criminologia na FACAMP, apoiador da LEAP.

Mauro Machado Chaiben, ex-Advogado, Analista Judiciário do TJDFT, especialista em direito público constitucional.

Mauro Leno Silvestrin, Antropólogo, militante da Marcha da Maconha e chefe de redação da revista semSemente.

Melina Risso, membro da Rede Pense Livre – por uma política de drogas que funcione.

Miguel Figueiredo Antunes, Psicanalista, PAI-PJ TJMG e Prefeitura de Belo Horizonte.

Miriam Abramovay, Socióloga, Pesquisadora, Coordenadora da Área de Juventude e Políticas Públicas, Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.

Miriam Debieux Rosa, Psicóloga, Professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Programa de Pós-graduação de Psicologia Social da PUC-SP.

Miriam K. A. Guindani, Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Miriam Nadim Abou-Yd, Psiquiatra, Psicóloga, ex-Coordenadora de Saúde Mental de BH, militante do Fórum Mineiro de Saúde Mental/RENILA.

Mônica Cavalcanti, Jornalista, membro da Rede Pense Livre – por uma política de drogas que funcione.

Natalia Bezerra Mota, Psiquiatra, mestranda em Neurociências, CAPS infantil Natal/RN.

Natália Peixoto Henriques, Estudante de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília.

Nelson Vaz, Professor Emérito de Imunologia, ICB, UFG, aposentado, Membro da Academia Brasileira de Ciências, Membro da Academia Mineira de Medicina, Sócio Honorário da Sociedade Portuguesa de Imunologia, Sócio Fundador da Sociedade Brasileira de Imunologia, Ex-Pesquisador 1-A CNPq.

Nilo Batista, Advogado, Professor da UFRJ e Presidente do Instituto Carioca de Criminologia (ICC).

Odair Furtado, Coordenador do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social – FACHS/PUC-SP, Integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trabalho e Ação Social (NUTAS).

Odila Maria Fernandes Braga, Psicóloga, Universidade Popular Juvenal Arduini.

Orlando Zaccone D’Elia Filho, Delegado de Polícia Civil RJ e Secretário da LEAP Brasil.

Patrícia Paula Lima, Doutoranda em Etnomusicologia na Universidade de Aveiro, Portugal INET-MD.

Paulo Amarante, Professor Pesquisador Titular, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS)/Fiocruz, Presidente Nacional da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME).

Paulo Cesar Ribeiro Barbosa, Professor Adjunto do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Santa Cruz, BA.

Paulo Eduardo Busse Ferreira Filho, Advogado, membro da Rede Pense Livre – por uma política de drogas que funcione.

Paulo E. Orlandi-Mattos, Pesquisador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, CEBRID.

Paulo Fernando Pereira de Souza, Psicanalista, especialista em Família e Psicologia Jurídica, Mestre em Psicologia Social.

Paulo Henrique Dias Quinderé, Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Pedro Carlos Carneiro, Psiquiatra e Psicoterapeuta, Interlocutor de Saúde Mental da Supervisão de Saúde Centro-Sá em São Paulo.

Pedro Gabriel Delgado, Psiquiatra, Professor da Faculdade de Medicina e Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

Pedro Paulo Gastalho de Bicalho, Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Coordenador da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia.

Pedro Vieira Abramovay, Professor da FGV-Direito Rio e Ex-Secretário Nacional de Justiça.

Priscilla Gadelha Moreira, Psicóloga, Libertas Comunidade, Recife, PE.

Rafael Damasceno Ferreira e Silva, Procurador Municipal, Gravataí/RS.

Rafael Folador Strano, Defensor Público do Estado de São Paulo.

Rafael Galati Sábio, Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos, SP.

Renally Cristine Cardoso Lucas, Graduanda em Psicologia – Universidade Federal de Campina Grande, PB.

Renata Barreto Fernandes de Almeida, Psicóloga e Fonoaudióloga, membro do GEAD/UFPE, Doutoranda em Medicina Preventiva/UNIFESP.

Renata Moura Costa, Estudante de graduação de Serviço Social, UFPE e Redutora de Danos, Recife, PE.

Renata Nunes Fernandes, Estudante de Psicologia do Rio de Janeiro.

Renata Simões Stabile Bucceroni, Defensora Pública, Vara de Execuções Criminais,Regional Guarulhos, SP.

Renato Cinco, Vereador da cidade do Rio de Janeiro, membro do Movimento Pela Legalização da Maconha.

Renato Filev, Neurocientista pela UNIFESP, membro do PROAD, coletivo DAR e Marcha da Maconha SP.

Renato Malcher-Lopes, Professor do Departamento de Ciências Fisiológicas da Universidade de Brasília (UnB).

Rinaldo Dias, Músico.

Roberta Marcondes Costa, Antropóloga, membro do Coletivo DAR, Redutora de Danos pelo Centro de Convivência e de Lei, GEDS (Grupo de Estudos Drogas e Sociedade).

Rodrigo Figueiredo de Oliveira, Defensor Público, SP.

Rodrigo Mac Niven, Jornalista, Cineasta, Coletivo Projects, membro da Rede Pense Livre.

Ronete Mendes Monteiro Rizzo, Socióloga, São Paulo.

Rosa Virgínia Melo, Doutora em Antropologia, Professora substituta do Departamento de Antropologia da UnB.

Rosemeire Aparecida da Silva, Psicóloga, membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP, Conselheira Nacional de Saúde, militante do Fórum Mineiro de Saúde Mental, ex-Coordenadora de Saúde Mental de Belo Horizonte.

Rossana Carla Rameh de Albuquerque, Psicóloga-IFRN, membro-GEAD/UFPE, Pesquisadora Associada-CEBRID, Doutoranda-Medicina Preventiva/UNIFESP.

Rubens Casara, Juiz de Direito do TJ/RJ e membro da Associação de Juízes para a Democracia (AJD), membro do LEAP.

Sábatha Fernandes, Graduanda em Ciência Política e Sociologia, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Membro do Coletivo Marcha da Maconha Foz do Iguaçú.

Salo de Carvalho, Doutor em Direito Penal (UFPR).

Sandra Fortes, Psiquiatra, Professora Adjunta FCM/UERJ.

Savio de Freitas Fontes, Psicólogo e Técnico em Acupuntura, Brasilia-DF.

Sergio Alarcon, Assessor de Saúde Mental da SMS do Rio de Janeiro, Professor de Bioética da ENSP/Fiocruz, Pesquisador Sênior da Flacso/Brasil.

Sergio Mauricio Souza Vidal, Antropólogo, ativista e escritor.

Sergio Salomão Shecaira, Professor Titular de Direito Penal da USP.

Silvio Mota, Juiz do Trabalho, aposentado.

Simone Kropf, Pesquisadora e Professora do Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz.

Sidarta Ribeiro, Biólogo, Professor Titular de Neurociências, Instituto do Cérebro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), membro do NEIP, Ex-Secretário da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC).

Stevens Rehen, Biólogo, Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC).

Talita Sztokbant, Jornalista do Growroom.net e colaboradora semSemente.

Taniele Rui, Doutora em Antropologia Social pela Unicamp, Pós-Doutoranda do Programa Drugs, Security and Democracy (SSRC-EUA), Pesquisadora colaboradora do NEIP e do CEBRAP, Professora convidada da Escola de Sociologia e Política.

Tarso Araujo Silva, Jornalista, autor do Almanaque das Drogas.

Tatiana Belons, Defensora Pública, SP.

Thiago Calil, Psicólogo, Mestrando em saúde pública, Coordenador de campo do Centro de Convivência é de Lei, membro da ABESUP.

Thiago Tomazine, militante da Marcha da Maconha RJ, Movimento pela Legalização da maconha, Hempadão e Bloco Planta na Mente.

Toni Reis, Professor, Doutor em Educação.

Vagner Ribeiro Fernandes, Estudante de Graduação em Serviço Social Universidade Federal do Pampa.

Vany Cristina Côrtes Coutinho Campello Teixeira, Psicóloga/Niterói-RJ.

Vera Malaguti Batista, Criminóloga, Professora da UFRJ, membro do ICC e Diretora da revista Discursos Sediciosos.

Vera Pasini, Psicóloga, trabalhadora da Saúde, Conselheira do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul, CRPRS.

Verônica Pereira Schwartz, Psicanalista, Supervisora Clínica de Desinstitucionalização, Superintendência de Saúde Mental, Município RJ.

Vinicius Prates, Jornalista e Pesquisador em Comunicação.

Waldir Cardoso, médico, Conselheiro Federal de Medicina e Diretor de Comunicação da Federação Nacional dos Médicos.

Walter Fanganiello Maierovitch, Jurista, Presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais.

Welliton Caixeta Maciel, Antropólogo, Pesquisador do GCCRIM da Faculdade de Direito da UnB.

William Lantelme Filho, Fundador do Growroom, co-Fundador da Marcha da Maconha, Diretor de Arte da Revista semSemente.

Wilson Roberto Lara Reis, Psicólogo CAPS AD Serrinha/BA e CRAS Conceição do Coité/BA.

Yago Paolo Costa Aguiar, Graduando em Comunicação Social na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

Yara Valverde, DSc, Pesquisadora, UFRRJ, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas Estratégias e Desenvolvimento do CNPq.

Yvone Magalhães Duarte, Coordenadora Geral, Conselho Federal de Psicologia.

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Setenta Anos

Hoje é um dia muito especial para a ciência. Faz 70 anos que Albert Hofmann, químico suíço, ingeriu voluntariamente uma minúscula dose de LSD (em 19 de abril de 1943), uma molécula que havia inventado 4 anos antes (16 de novembro de 1938) e acidentalmente ingerido 3 dias antes (16 de abril de 1943). Os efeitos o surpreenderam tanto que decidiu testar de novo em si mesmo para confirmar se uma substância química, em doses minúsculas, poderia afetar a mente humana de tal forma a alterar por completo a percepção do que é real. Albert ingeriu apenas 250 microgramas, que no caso do LSD é uma dose forte. Mas pra se ter idéia, a aspirina faz efeito em doses ao redor de 300 mil microgramas.

Carinhosamente conhecido entre os aficcionados como dia da bicicleta, o 19 de abril serve como bom marco histórico do início da Ciência Psicodélica, um ramo da psicofarmacologia extremamente promissor, mas negligenciado e até mesmo demonizado. Verdade seja dita, a mescalina, princípio ativo dos cactos Peyote (Peyotl no original Nahuatl, a língua Azteca) e San Pedro, era conhecida há muito mais tempo, tendo os primeiros relatos ocidentais sobre o fascinante cacto Peyote aparecido ainda no século XIX, com a mescalina tendo sido isolada por Arthur Heffter ainda em 1894, sendo que ele próprio experimentou o alcalóide puro em 1897.

Mas com a turbulência cultural que viria a ocorrer nos anos 60 nos EUA, que atrelou a mescalina e principalmente o LSD à revolução cultural, aos protestos anti-guerra do Vietnam, aos direitos civis, igualdade racial, liberdade sexual e afins, o LSD foi demonizado por uma série absurda de acusações e falsidades que fizeram sua imagem, até os dias de hoje, estar associada a PERIGO.

Mas este viés está ficando pra trás, está virando história. Pois a ciência psicodélica avança. A prova mais contundente disto é que hoje começa, em Oakland, Califórnia, a conferência Psychedelic Science 2013, organizada pela MAPS: Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies com parceria da Beckley Foundation, do Heffter Research Institute e do Counsel for Spiritual Practices.

Mais de 1600 pessoas, de 33 países, já estão nos EUA para participar do congresso, que tratará do LSD, da mescalina, da ayahuasca, psilocibina e muito, muito mais. Além dos 3 dias principais, sexta, sábado e domingo, há workshops e cursos extra, tanto antes quanto depois do congresso.

Plantando Consciência, que hoje celebra dois anos de sua reunião de fundação, participa desta linha pioneira da neurociência, psicologia, psiquiatria e afins com palestras e filmagens. Dentre as mais de 100 palestras, com os grandes momentos do evento incluindo por exemplo a aula do expert David Nichols, “LSD neuroscience“, destacamos as de nossos membros e sócios-fundadores, Sidarta Ribeiro e Dartiu Xavier da Silveira.

Sidarta, neurocientista e professor da UFRN, falará da relação entre sonhos e os estados psicodélicos, baseando-se principalmente em estudos com neuroimagem que revelam as redes neurais envolvidas em cada processo. Quais as semelhanças, e quais as diferenças?

Já Dartiu Xavier, psiquiatra e professor da UNIFESP, falará sobre estudos da ayahuasca e sua relação com saúde mental, que ele estuda há mais de dez anos, tendo desenvolvido parcerias com Charles Grob e Rick Strassman, pioneiros da Ciência Psicodélica.

Vale também destacar a participação essencial de outros brasileiros com papel fundamental no desenrolar deste congresso. A antropóloga Beatriz Labate coordena a seção específica sobre Ayahuasca, a medicina sagrada da Amazônia, área de estudos a que se dedica com afinco por mais de uma década. Nesta seção, haverá palestra do físico Draulio Araújo, professor da UFRN, sobre estudos de neuroimagem e ayahuasca, do doutor em ciências médicas Paulo Brabosa, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz, e também do psiquiatra brasileiro Luís Fernando Tófoli, professor da UNICAMP, que também estuda a questão da saúde relacionada ao uso da ayahuasca. Tema, aliás, de livro coordenado por Bia Labate e José Carlos Bouso, que será lançado no evento.

Para comemorar o septuagenário LSD e homenagear Hofmann, que além de inventar esta molécula, descobriu a psilocibina, a psilocina e o LSA em cogumelos e plantas sagradas dos Aztecas, Mazatecas e outras tribos ancestrais, serão lançados ainda mais dois livros. O primeiro é um relançamento do clássico “LSD my problem child”, autobiografia do gênio da ciência psicodélica, em nova tradução direto do alemão, feita pelo pioneiro da psiconáutica, Jonathan Ott. O segundo é uma nova biografia lindamente ilustrada, feita por Suíços que conviveram de perto com Hofmann: Dieter Hagenbach e Lucius Werthmuller, com prefácio de Stanislav Grof. O nome sintetiza bem o personagem: “Mystic Chemist”.

Este ano, também estaremos presentes atrás das câmeras, com Marcelo Schenberg filmando e entrevistando cientistas e conferencistas para o documentário Medicina, que você pode ajudar através de doações.

Nos próximos meses, vamos aos poucos postando as palestras do congresso, que como sempre, serão filmadas e disponibilizadas pela MAPS na internet, de graça (vale a pena ver o conteúdo dos congressos organizados pela MAPS em 2010 e 2011, que também contou com presença do Plantando Consciência, com palestras de Eduardo Schenberg e Sidarta Ribeiro sobre ayahuasca e neurociência). Possivelmente, faremos legendas das palestras, contando para isso com a ajuda de voluntários. Se você deseja nos ajudar, entre em contato conosco!

Neste momento, dividimos com todos a alegria e entusiasmo de ver estes avanços acontecerem, deixando para trás o pânico moral e o sensacionalismo de eras passadas. É nosso profundo desejo que o estudo da consciência avance desimpedido, porém com respeito e seriedade, gerando frutos para a saúde mental, espiritual, física e social da humanidade.

Se você quer contribuir com essa jornada, feita em grande parte com trabalho voluntário, por favor considere realizar uma doação, ou entre em contato para nos ajudar prestando serviço voluntário. Há várias maneiras de contribuir!

doar

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Os Hereges

Todo mundo sabe que muito tempo atrás rolavam censuras terríveis. Queima de livros, enforcamento de bruxas e tribunais contra quem ousasse sugerir, por exemplo, que a Terra era redonda, ou que girava em torno do sol. Reações fortíssimas também aconteceram contra pessoas que sugeriram que nós temos um ancestral comum com os outros primatas e que existe um troço chamado seleção natural.

Na maioria dos casos, estas pessoas estavam fazendo ciência, e ao fazer ciência estavam desafiando a visão de mundo dominante, à época aquela ditada pelo livro considerado sagrado por uma Igreja em especial, a Católica. Todo mundo sabe também que agora a visão que predomina é a científica, e que em nome da ciência jamais se faria algo como censura, certo?

voltaire marcha liberdade

De acordo com um episódio que rolou nesta semana, a resposta é: errado. A gigantesca corporação TED – Tecnologia, Entretenimento e Design – tirou do ar duas palestras de um evento TEDx – uma forma híbrida de evento TED, mas organizado independentemente. Mas comecemos pelo começo: o que é o TED?

Fundado há quase 30 anos, em 1984, o TED foi realmente catapultado a uma das mais inovadoras organizações do mundo entre 2007, quando lançou seu atual site, e 2009, quando lançou um programa de tradução voluntária. Eles criaram um sistema amigável e simples para que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, pudesse traduzir para outra língua as legendas das palestras, disponibilizadas em inglês. Ao todo são mais de 1.400 palestras disponíveis gratuitamente, com 32 mil traduções para mais de 40 línguas diferentes, feitas por milhares de tradutores em todo o globo.

Ali tem de tudo. Só as 20 “TED talks” mais vistas até agosto de 2012 dão um bom panorama do que se trata e da audiência alcançada. Sir Ken Robinson tem quase 15 milhões de visitas com sua palestra de que escolas matam a criatividade. Em segundo lugar vem a neuroanatomista Jill Bolte Taylor, que conta sua iluminação durante um derrame cerebral, assistido por mais de 11 milhões de pessoas. O terceiro colocado é Pranav Mistry, com quase 10 milhões de visitantes em sua palestra sobre o sexto sentido. E assim vai. Tem gente falando do mundo subaquático, do poder da vulnerablidade, de como viver, sobre as melhores estatísticas que você jamais verá, sobre porque somos felizes, sobre magia cerebral… Tudo isso só entre as campeãs de audiência. Mas no TED tem até gente defendendo que comer insetos é a solução do problema da fome mundial. Sem dúvidas um site fascinante.

Até mesmo Julian Assange, pai e líder do WikiLeaks, já pasou pelo TED, falando sobre liberdade de expressão e comunicação na era digital. Parece então que o TED é uma organização de ponta, aberta a novas idéias. Idéias alias é o mote do TED: ideas worth spreading (ou idéias que vale a pena compartilhar). Seria muito estranho, impensável na verdade, que o TED resolvesse então fazer censura. Mas fez.

O que poderia incomodar estas pessoas a ponto delas removerem da rede duas palestras, com alguns milhares de visitas cada? Que tipo de assunto poderia ser tão inapropriado para uma TED talk, considerando que todos os palestrantes são convidados?

Vejamos o ocorrido:

Rupert Sheldrake, biólogo, já foi membro da Royal Academy britânica, estudou nas prestigiosíssimas Harvard e Cambridge, recebeu prêmios diversos, publicou mais de 80 artigos científicos, obteve um PhD em bioquímica, publicou vários livros e desenvolveu a teoria dos campos morfogenéticos.

Sheldrake foi convidado e compareceu ao “TEDx White Chapel – Visions for Transition: challenging existing paradigms and redefining values for a more beautiful world” (Visões para a transição: desafiando paradigmas existentes e redefinindo valores para um mundo mais bonito). O título é pomposo, mas diz ao que veio o evento, que aconteceu em Janeiro deste ano em Londres: trazer alternativas à visão de mundo predominante que nos leva e arrasta por uma crise sem precedentes.

O tópico da palestra foi “O Delírio Científico: Libertando a Ciência“, título também de um de seus livros mais recentes (que já foi assunto aqui no Plantando Consciência). O delírio, pra ele, é a crença de que a ciência, a princípio, já compreende a natureza da realidade, deixando apenas detalhes para serem descobertos e explicados.

Sheldrake enumerou o que considera os atuais 10 dogmas do delírio científico:

1 – O Universo é mecânico, ou funciona como uma máquina;

2 – A matéria é inconsciente;

3 – As leis da natureza são estáticas;

4 – A quantidade total de matéria e energia é sempre a mesma;

5 – A natureza é despropositada;

6 – Toda a hereditariedade biológica é material, está nos genes;

7 – Memórias são armazenadas dentro do cérebro, como partículas materiais;

8 – Sua mente está dentro da sua cabeça;

9 – Fenômenos psíquicos, como telepatia, são impossíveis;

10 – A única medicina que realmente funciona é a mecanicista.

Sheldrake argumenta que estes dogmas estão engessando a ciência genuína, baseada na razão, observação e hipóteses, ao criar uma visão de mundo fixa, que se tornou uma crença popular que orienta a quase totalidade dos adultos razoavelmente educados, os governos, as empresas e a sociedade como um todo. E o 8 e o 9, segundo ele, são dos mais intrigantes e polêmicos. Em pleno século XXI, a ciência não consegue lidar com o fato de que somos conscientes, e de como investigar isso.

Este tópico foi exatamente o assunto de outra palestra no mesmo evento, “War on Consciousness” (Guerra à Consciência), de Graham Hancock. Ele é autor de bestsellers como “Supernatural: Meetings with the ancient teachers of mankind” (Sobrenatural: Mistérios que cercam a origem da religião e da arte) e “Fingerprints of the Gods” (As digitais dos Deuses). Seus livros já venderam mais de 5 milhões de cópias, com traduções em 27 línguas. Hancock se formou em Sociologia com “Honra de Primeira Classe”, na Universidade Durham, no norte da Inglaterra. Trabalhou como jornalista em muitos veículos de mídia, escrevendo sobre uma grande variedade de tópicos e criando, segundo alguns críticos, um novo e inovador estilo de escrita e investigação.

No livro “Sobrenatural”, de acordo com seu próprio site, Hancock “investiga o xamanismo e as origens da religião. Este livro controverso sugere que a experiência dos estados alterados de consciência desempenharam papel fundamental na evolução da cultura humana, e de que outras realidades – mundos paralelos na verdade – nos rodeiam todo o tempo mas normalmente não são acessíveis aos nossos sentidos.”

Em sua palestra censurada pelo TED, ele aborda alguns destes tópicos, começando pela idéia – talvez a mais herética possível em uma sociedade que vive há um século demonizando todos os psicoativos que não sejam álcool ou aqueles vendidos pela indústria – de que a origem da consciência humana, esta que nos distingue de todas as demais espécies, aconteceu em nossa descoberta das plantas dos deuses através do xamanismo.

Vejamos agora a justificativa do TED pelo ocorrido:

“Após trabalho cuidadoso, incluindo um levantamento sobre a pesquisa científica disponível e recomendações de nossa Assessoria Científica e nossa comunidade, decidimos que as TED talks de Rupert Sheldrake e Graham Hancock deveriam ser removidas do nosso canal TEDx no Youtube. Ambas foram marcadas como contendo sérios erros factuais que prejudicam o comprometimento do TED com a boa ciência. As críticas a estas palestras precisam de mais destaque. Não estamos censurando as palestras. Mas colocamos ambas aqui no blog, onde podem ser enquadradas para enfatizar suas idéias provocativas e os problemas com seus argumentos.”

Como vemos acima, algumas horas depois da censura, talvez pela pressão que sofreram pela internet (e pela obviedade de que volariam a ser disponibilizadas por quem já as tivesse gravado em seus computadores), o TED recolocou as palestras na rede. Mas não no mesmo lugar. As duas passaram ao status de material privativo no canal oficial do TEDx no youtube e foram rebaixadas à sessão do blog chamada de “aberto para discussão” (fica uma pergunta: apenas esta seção está aberta para discussão? Todo o resto do material divulgado pelo TED é verdade absoluta?). Importante destacar que essa decisão foi tomada exclusivamente pelo TED, à revelia dos organizadores do TEDx WhiteChapel, que se manifestaram no facebook contra o ocorrido.

Tecnicamente, a decisão afeta vários sites que haviam feito links e embeds pros vídeos originais, e portanto limita bastante o acesso as palestras, bem como interfere no resultado de buscas pelo google e afins.

Filosoficamente, a decisão é, entretanto, muito mais reveladora dos processos em andamento neste início de 14° B’aktun. A decisão do TED de censurar palestras ou colocá-las sob discussão especial porque estas não seriam científicas tem dois problemas fundamentais:

1 – Nem tudo que está no TED é baseado em ciência;

2 – Ciência não é uma descrição definitiva do que é Verdade ou Realidade;

Examinar a primeira razão nos levaria a um debate extenso sobre o próprio TED, e este não é o intuito. Mas a segunda razão é a que mais interessa, pois não diz respeito somente ao TED e suas decisões. É importante pois a razão alegada para censurar Rupert Sheldrake é exatamente o delírio científico como ele enuncia: de que a ciência, a princípio, já compreende a natureza da realidade, deixando apenas detalhes para serem descobertos e explicados. Ou seja, ao seguirem o delírio científico, os organizadores do TED censuraram quem manifestou opinião divergente da que eles próprios defendem. E ao censurarem Hancock, confirmaram não só que há de fato uma Guerra contra a Consciência, que eles apoiam, mas que os dogmas 7, 8 e 9 de Sheldrake são bem reais.

Assim, em nome da ciência, o TED teve uma atitude muito típica de religiosos dogmáticos: aquilo com que não concordo não deve existir ou deve ser marginalizado. Este pensamento e atitude são totalmente contrários ao verdadeiro espírito científico, que é de perpétudo ceticismo aliado à curiosidade e abertura para novas questões e situações. A atitude do TED também é incompatível com um estado de harmonia na sociedade, onde todos devem ao menos ser ouvidos, e no melhor caso, compreendidos. Por fim, a decisão do TED afronta o público, pois indiretamente diz que os visitantes do site não pensam criticamente por conta própria, e necessitam dos avisos do TED com relação ao conteúdo de alguns vídeos.

respect and harmony

Para justificar a decisão, o TED recorre ao argumento favorito daqueles que congelam suas idéias: o argumento de autoridade. Eles mencionam que algumas das pesquisas ou resultados científicos mencionados pelos hereges não estão disponíveis em revistas científicas que publicam artigos com “avaliação por pares” (peer-review).

Mas se aquilo que é científico ou não for definido como o que está ou não publicado num número limitado de meios de comunicação que seguem determinado método que veta certos tipos de resultado e linhas de pesquisa, a ciência estaria se condenando a uma visão que não poderia mais progredir com relação a estes tópicos.

Ou seja, certas pesquisas são definidas a priori como não científicas (em geral pois desafiam o dogma 1 de Sheldrake). Por causa disto, estas pesquisas são negadas no sistema de publicação considerado científico. O mais grave acontece então quando se justifica que não são informações científicas porque não foram publicadas no sistema que as definiu a priori como não científicas! Alguma semelhança com o raciocínio que veta o que não está na Bíblia??

Segundo Hancock argumentou pelo facebook:

If this is how science operates, by silencing those who express opposing views rather than by debating with them, then science is dead and we are in a new era of the Inquisition. 

(Se é assim que a ciência opera, silenciando aqueles que expressam visões opostas ao invés de debater com eles, então a ciência está morta e nós estamos em uma nova era da Inquisição).

Ou seja, de maneira heresiasemelhante ao que parece ter ocorrido na transição de B’aktuns anteriores, quando cientistas chacoalharam a visão de mundo rígida e imutável dos religiosos, neste início de 14° B’aktun o incômodo são cientistas desafiando a visão de realidade que se cristalizou na mente coletiva da humanidade a partir das descobertas da própria ciência.

Se outrora a censura e perseguição era mais brutal e violenta, agora a situação pode ser muito desafiadora em termos sociais, pois ambas as visões de mundo clamam se basear no mesmo processo: a Ciência. E a dos hereges pode, talvez, estar a inverter o processo iniciado há mais de 400 anos. Principalmente os argumentos de Hancock vão na direção que unifica ciência e espiritualidade, revertendo a direção que tomamos no começo do B’aktun passado. Mas Sheldrake também questiona seriamente as bases do materialismo, que é a filosofia que fundamenta esta separação.

No final das contas, a reação do TED faz sentido, como já foi argumentado com clareza por grandes filósofos como Thomas Kuhn e Karl Popper. O primeiro argumentou que os grandes saltos científicos não são absorvidos pelos cientistas nem pela população, que geralmente não mudam de opinão. As grandes revoluções ocorrem, na verdade, com a transição de geração, que dá espaço aos mais novos para pensarem diferente, livres dos impedimentos colocados pelos mais velhos. Para Kuhn, a essência da revolução científica está na transição de gerações e na mudança do modo de pensar, oriundo das novas descobertas científicas. Este fenômeno ocorre repetida e sucessivamente, geração após geração, e foi enunciado eloquentemente por Popper, que defendeu que a ciência é, por princípio, interminável. Quem decidir um dia que chegamos a uma verdade definitiva, retira-se do jogo.

Portanto, se a ciência do 13º B’aktun se autodefiniu como necessariamente contrapondo a religião e negando tudo que não for material, pode ser que estejamos a testemunhar a tentativa de nascimento da ciência do 14° B’aktun: que se abre para as possibilidades de aproximação com a espiritualidade e outras formas de conhecimento e existência que não a exclusivamente materialista.

Neste momento, fica o agradecimento ao TED pela ingenuidade de achar que poderia controlar a informação na era digital, e ao fazê-lo, criar muito mais interesse pelo tópico em questão. Mas principalmente, parabéns aos Hereges por empurrarem o pensamento humano adiante, estejam certos ou errados sob pontos específicos.

Parafaseando Henry David Thoureau:

“Todo o conhecimento deste mundo já foi uma heresia desagradável cometida por algum sábio”.

Para aprofundar-se na obra destes dois Hereges, sugerimos, claro, seus livros. Mas vale também conferir a participação de ambos no programa LondonRealTV, com cerca de uma hora cada (apenas em inglês):

Rupert Sheldrake

Graham Hancock

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Voltando aos Invisíveis

hillman

Neste fim de semana acontece um (imperdível) Tributo a James Hillman na UNICAMP. Eu arrisco a dizer que Hillman deveria, ao lado de Stanislav Grof, ser uma referência universal em psicologia tanto quanto Freud e Jung. Apesar de distintos, ambos nos presentearam com novas e ousadas formas de se tentar compreender o fenômeno da consciência, de tal forma, que garantiram seu ingresso no panteão dos imortais.

Se as idéias de Grof e sua psicologia transpessoal partem de uma base freudiana (quando se fala em matrizes perinatais, por exemplo, estamos extendendo a influência dos processos internos para além da infância e da sexualidade), Hillman e sua psicologia arquetípica partem de Jung (que lida com a influência de fenômenos externos ao indivíduo, como o inconsciente coletivo e os arquétipos universais). Hillman, aliás, dirigiu o Instituto C.G. Jung em Zurique, mas pode-se dizer que ele deixou sua marca indelével para a investigação da consciência ao fundar o que hoje é chamado de psicologia arquetípica. Em seu livro O Código do Ser  (na verdade O Código da Alma – The Soul’s Code –, título adulterado pela tradução brasileira que aparentemente julgou o termo “alma” como impróprio), ele elabora uma teoria completamente oposta às idéias correntes na psicologia, na genética e na mídia, as quais pressupõem um determinismo linear na formação de nossas personalidades.

daimon Ao invés de entender cada indivíduo como o resultado da combinação genética de seus pais e dos fatores sócio-ambientais em que ele está inserido (que ressoa a velha noção aristotélica da tábula rasa: que a consciência é desprovida de qualquer conhecimento inato – tal como uma folha em branco, a ser preenchida), ele apresenta o conceito platônico do daimon. O daimon, ou a teoria do fruto do carvalho (acorn theory) – como ele a reelabora – é também chamado de nosso gênio, talento, vocação, personalidade, imagem, destino, anjo da guarda, caráter etc. Em outras palavras, nosso futuro e nosso potencial já estão inscritos de alguma forma em nós ao nascermos, assim como uma semente contém toda a árvore em potencial.

É um conceito fluido que cabe em inúmeras definições, mas é um conceito revolucionário no entendimento da psique, pois evita reduzir o senso de individualidade ao âmago do “eu” – como faz a psicologia tradicional, ao fragmentar o enigma do indivíduo em fatores e traços de personalidade, em tipos, complexos e temperamentos, tentando localizar o segredo da individualidade nos substratos da matéria cerebral e dos cromossosmos – e não aceita que a vida humana é um acaso estatístico. Mas a teoria de Hillman dá sua grande cartada quando também não entrega nossos destinos “às mãos de Deus”. Como diz Hillman, “a teoria do fruto do carvalho transita com desenvoltura entre esses dois dogmas antagônicos que há séculos ladram um para o outro e que o pensamento ocidental continua mantendo afetuosamente como animais de estimação”.

Todos nós nascemos com uma imagem que nos define. O daimon seria o nosso par invisível, a centelha de consciência, ou a intenção angélica por detrás de nossos atos. A idéia vem de Platão (A República). Resumidamente, ela diz que a alma de cada um de nós recebe um daimon único, antes de nascer, que escolhe uma imagem ou um padrão a ser vivido na Terra. Esse companheiro da alma, o daimon, nos guia aqui. Na chegada, porém, esquecemos tudo o que aconteceu e achamos que chegamos vazios a este mundo. O daimon lembra do que está em sua imagem e pertence a seu padrão, e portanto o seu daimon é portador do seu destino.

Bebendo na fonte da mitologia grega, Hillman enfrenta o materialismo dominante com coragem, compostura e senso de humor, ao abraçar conceitos vistos pelo paradigma materialista como exclusivos do universo infantilizado da religião institucionalizada, como “alma” e “espírito” (uma grande ironia às inversas na mudança do título de seu livro mais famoso para a edição brasileira). Hillman leva este conceitos a um novo patamar, ao inseri-los dentro do universo arquetípico e mitológico, um universo invisível que oferece a quem decide explorá-lo uma “visão além do alcance” do nosso mundo racional.

 Para começar, precisamos deixar claro que atualmente o principal paradigma para se entender uma vida humana, a inter-relação da genética com o ambiente, omite algo essencial – a particularidade que você sente que é você. Ao aceitar a idéia de que sou o efeito de um choque sutil entre a hereditariedade e as forças da sociedade, reduzo-me a um resultado. Quanto mais minha vida for explicada pelo que já ocorreu em meus cromossomos, pelo que meus pais fizeram ou deixaram de fazer e pelos anos remotos da minha infância, tanto mais minha biografia será a história de uma vítima.

Se por um lado, diriam os gregos, a nossa alma chega ao mundo ignorante de sua existência prévia, o daimon, que vem a seu lado, não. Ele sabe qual a nossa missão nessa vida, e fará de tudo para que escutemos seu chamado e realizemos aquilo que é sua necessidade. No entanto, diz Hillman, nós precisamos “baixar” no mundo, e este é um processo difícil, e uma luta entre nossa personalidade e nosso chamado daimônico. O daimon está mais próximo da idéia do espírito, uma entidade transcendental, que pertence mais aos céus do que à Terra. Ele não quer encarnar, mas conclama ao ideal. Já a alma é terrena, precisa se materializar no aqui e agora, viver contradições, incoerências, pisar no chão firme para existir e cumprir sua missão. É de um violento embate entre os dois que resultam as tortuosas biografias de muitas celebridades (muitas das quais morrem cedo), e é da uma comunhão profunda com o daimon que testemunhamos outras grandiosas histórias de vida.

522577_612683128745636_627514899_n Uma vez que cada um nasce com seu daimon – o seu chamado – cada um tem sua história particular, e ela não deve muito a nossos pais (nem geneticamente nem psicologicamente), que na grande parte do tempo são confundidos com nossos mestres. Os pais, diz Hillman, têm a função de nos acolher. Nossos verdadeiros mestres só encontraremos ao longo de nossa jornada. Eles serão aqueles capazes de enxergar nosso daimon, e nos ajudar a realizar sua busca. Um professor de música que reconhece seu talento, um treinador, um amigo que te ajuda num momento difícil, um livro que muda a sua vida… Ao contrário do que possa parecer ao olhar superficial, a teoria de Hillman é libertadora pois coloca a responsabilidade do destino de cada um de volta às mãos de cada um. Não é determinista, pois o daimon não anula o livre arbítrio, ele apenas nos dá a direção, mas nós é que decidimos cada passo dado. Se o daimon representa nossa necessidade, a decisão está na esfera do ego.

Ao afirmar que a Necessidade interfere em todos os momentos decisivos da minha vida, posso justificar qualquer ação. É como se eu pudesse me livrar da responsabilidade – está tudo nas cartas, ou nas estrelas. No entanto, dominadora inflexível que é, essa deusa me faz tremer diante de cada decisão, pois sua irracionalidade aleatória é totalmente imprevisível. Só retrospectivamente posso ter certeza, dizendo que tudo era necessário. Como é curioso, a vida pode ser pré-ordenada, embora sendo não-previsível.

Hillman era uma pessoa tão singular que foi considerado por muitos como um dissidente na psicologia, um rebelde (não à toa ele dizia que “só em nossas teorias psicológicas ocidentais é que o rabo abana o cachorro”). Mas seus conceitos começam a ser iluminados por outro olhar nesses tempos de transição brutal, onde os velhos paradigmas se tornam escancarados e as velhas respostas não mais respondem a nossos anseios, abrindo espaço para o levante recente de religiões modernas que são incapazes de pensar metaforicamente, levam-se a sério demais e colocam a sociedade em risco ao projetarem suas interpretações literais no mundo das relações humanas.

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Por isso, neste fim de semana podemos nos considerar privilegiados, pois graças a uma iniciativa brasileira, a UNICAMP recebe um evento em tributo a Hillman, que contará com inúmeros acadêmicos que tiveram com relação próxima a ele, e inclusive com seu filho Laurence. Entre sexta e domingo, palestras e confraternização relembrarão a fagulha de despertar que este grande homem passou adiante quando faleceu no final de 2011, e que agora está em nossas mãos neste início de 14º baktun.

Nós do Plantando Consciência estaremos no evento por inúmeros motivos. Dentre os quais é o reconhecimento de que a contribuição de James Hillman para a psicologia se estende para além desta disciplina, abarcando toda a questão da saúde e da vida humanas. Como estamos produzindo um documentário sobre a questão da influência da consciência na relação entre saúde e doença (saiba mais aqui), temos uma grande oportunidade de enriquecermos nossa busca. Se você apóia nossa iniciativa, aproveite para doar para o nosso projeto. Até este momento o filme está sendo inteiramente bancado com o mínimo necessário para conduzir as entrevistas, mas com um enorme senso de dever e com a ajuda de muitas pessoas que contribuem para reduzir os custos. Ainda assim, muito mais será necessário para que este documentário possa alcançar o estado de uma árvore sólida e repleta da sabedoria contemporânea e ancestral.

Serviço:

Tributo a James Hillman

15, 16 e 17 de Março de 2013

Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da UNICAMP

Palestrantes, programação e inscrição: http://www.tributoahillman.com.br/

Para saber mais sobre o filme:
http://www.plantandoconsciencia.org/pt/medicina/

Doe qualquer quantia clicando no botão abaixo:
Ajude-nos a cumprir com este objetivo!

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Ayahuasca, imagens mentais e atenção ao mundo interior

Em novembro de 2012, cientistas da América Latina se reuniram em Cancún, no México, para a criação oficial da FALAN: Federação LatinoAmericana de Neurociências.

FALAN

Como não poderia deixar de ser, a Ayahuasca, medicina tradicional desta região do planeta, foi contemplada em duas palestras. Isto porque organizamos o simpósio “Manifesting the Mind“. As palestras sobre Ayahuasca ficaram a cargo do Dr. Jordi Riba, da Espanha, e de Draulio Araújo, do Instituto do Cérebro da UFRN.

A palestra do Prof. Draulio está agora disponível na íntegra. Além destas, houve uma palestra sobre ibogaína no tratamento da dependência, de Eduardo Schenberg, que será disponibilizada oportunamente.

Agradecimento especial a Rafael Beraldo, que editou o vídeo. Procuramos voluntário interessado em nos ajudar com a legenda, para que possa ser traduzida e disponibilizada a um público ainda maior!

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A Nova Epidemia

por Charles Eisenstein, traduzido por Marcelo Schenberg

epidemics Você sabia que, neste instante, estamos em meio a uma epidemia que já é pelo menos 100 vezes mais predominante que a temida epidemia de poliomielite dos anos 50? A maioria das pessoas não sabe disto. Esta ignorância ilustra: o caráter de novidade desta doença; as baixas expectativas que temos em relação à saúde humana; e a atomização da comunidade que transformou a doença em uma questão privada.

O mito de ascenção nos faz pensar que a tecnologia já conquistou quase todas as grandes epidemias virais que um dia nos fizeram reféns. Ah, sim, ainda há algumas poucas doenças virais que ainda não sucumbiram, mas no geral nós exterminamos as mais terríveis doenças fatais. E com a pesquisa contínua, as doenças remanescentes como a gripe, a AIDS e mesmo o resfriado comum irão eventualmente sucumbir ao mesmo programa de vacinação que exterminou a polio, a difteria e a varíola.

Na verdade, é bastante discutível se foram as vacinas e antibióticos  que acabaram com as grandes epidemias do século XIX. De acordo com Ivan Illich, “as taxas combinadas de morte por escarlatina, difteria, pertússis e sarampo entre as crianças e jovens de até 15 anos revelam que aproximadamente 90% do declínio total na mortalidade entre 1860 e 1965 ocorreu antes da introdução dos antibióticos e da vacinação estendida” (Medical Nemesis, pág. 16). Talvez a maior parte deste avanço tenha sido devido a melhorias nas condições de higiene e na atenuação natural da virulência infecciosa no organismo ao passo em que ela evolui para um estado de equilíbrio com as espécies hospedeiras.

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Frank Miller explorou a questão da vacinação de forma assustadora em Give Me Liberty, de 1990

Se o desaparecimento generalizado das velhas epidemias é ou não um triunfo da medicina moderna, enfrentamos hoje uma vasta nova forma de epidemia. Não se trata de uma nova epidemia em potencial, nem outra crise de gripe. As doenças infecciosas são epidemias do passado. Não, eu estou falando sobre uma epidemia que já está em andamento, afetando primeiramente jovens. Estou falando da epidemia de doenças autoimunes, ou, num sentido mais amplo, a epidemia de disfunções do sistema imunológico humano.

Em primeiro lugar, dentre as novas doenças autoimunes, está o autismo. Suas causas e efeitos são complexos, e envolvem envenenamento com mercúrio e outros metais pesados, ruptura na ecologia do organismo, falhas no sistema imunológico e um ataque do próprio sistema imunológico contra as estruturas do cérebro. Outrora uma doença rara que afetava 1 em cada 10.000 crianças nos anos 70, a taxa aumentou para 1 em cada 150 nos dias de hoje, sem indícios de diminuição. Isto não é uma disfunção de menor importância. Leia a descrição de um pai.

 Eu me lembro de quando o João oscilava na sala de estar…
quando ele não respondia…
quando ele ficava lá fora apenas a sentir o vento soprando sobre ele…
quando eu engavetei todos os álbuns de fotos  porque eu não conseguia mais olhar para o João primeiro como um bebê e agora como alguém que parecia um refugiado de guerra.

Aqui vai outro depoimento:

Eu me lembro dos três meses, quando minha mãe veio nos visitar. Eu estava dando de mamar ao David e, como sempre, estava interagindo com ele verbalmente e através do contato visual. David conseguia imitar meus gu-gu-da-das e as risadinhas naquela idade. Minha mãe dizia, ‘eu tenho certeza que logo logo esse menino irá começar a falar’. Com um ano o David estava falando e interagindo verbalmente – sentenças de uma ou duas palavras. ‘Qué bola’, ‘Qué bincá.’

Quando David recebeu a tríplice viral aos 18 meses, ele voltou pra casa doente. Letárgico. Quente. Com cólicas. Evitando o contato olho no olho. No dia seguinte ele era uma criança diferente. Um olhar atordoado. Não comia. Parou de fazer atividades. Nós fomos a um consultório pediátrico. Fomos informados que algumas crianças reagem desta forma e que não devíamos nos preocupar.

David não falou mais por quatro anos. Ao invés de jogar bola, sua brincadeira favorita se tornou rodopiar, qualquer coisa: pratos, rodas de bicicleta, ele mesmo. E então ele ficava apenas encarando os objetos a girar. E balançando, por horas, Se a gente tentasse tirar ele do balanço, ele fazia um escândalo. Hoje sabemos que isto se chama estereotipia.”

Aqui vai o relato de um pediatra:

Jogando as crianças no trânsito: A verdade sobre o Autismo Por: Kenneth Stoller, doutor em Medicina e membro da American Academy of Pediatrics, com Anne McElroy Dachel, Terça-feira, 24 de Abril de 2007 “Eu sou pediatra há mais de 20 anos. Eu vi a minha primeira criança com autismo no início dos anos 90 – eu nunca havia visto uma criança autista em todos os meus anos de faculdade. O garoto tinha 4 anos e era possível ver a frustração em seu rosto como se ele quisesse falar, mas nada inteligível saía de sua boca exceto guinchos de ansiedade.

Seguem algumas outras doenças que compõem esta nova epidemia:

diabetesDiabetes de tipo 1, que, de acordo com os livros didáticos tem origem genética, também apresenta um crescimento misterioso nos anos recentes de aproximadamente 3% ao ano.

Lupus, antes classificada como uma doença rara, é o ataque autoimune a inúmeros tecidos corporais e hoje afeta 1,4 milhão de americanos de acordo com estimativas conservadoras, e talvez até mais que isso.

Esclerose múltipla, uma doença autoimune do sistema nervoso central, afeta 400.000 americanos e 2,5 milhões de pessoas no mundo todo. As taxas de prevalência dobraram de 1960 a 1980, e pelo menos um estudo mostra outra duplicação entre 1993 e 2002. A causa? Ninguém sabe, mas como de costume, a “suspeita é um vírus”.

A aparição da Esclerose Múltipla é ligada com alergias a alimentos, outra nova epidemia de nossa era. Quando eu perguntei a um primo pediatra qual foi a maior mudança em termos de saúde infantil que ele testemunhou em 20 anos de prática médica, ele disse que sem dúvida nenhuma é o aumento agudo das alergias e asma. Apesar de não serem doenças autoimunes, alergias são disfunções no sistema imunológico. Quando eu era criança, talvez houvesse uma criança na sala de aula que fosse “alérgica”; hoje você dificilmente ousará dar comida a uma criança sem antes perguntar a seus pais se ela não tem alguma reação alérgica. É prática sistemática perguntar “ele é alérgico a algo?”. Isto não é apenas uma questão de mais conhecimento. Um estudo do National Institute of Health (NIH) nos Estados Unidos descobriu que 54% dos americanos têm teste positivo para pelo menos um alergênico – o dobro de 30 anos atrás. Ao longo do mesmo período, as taxas de asma cresceram 74%, afetando por volta de 10% da população.

medicina-modernaSíndrome da fadiga crônica é outra nova doença com um provável componente autoimune. Antes pouco conhecida, ela afeta hoje 1 em cada 544 pessoas nos Estados Unidos. Ela pode ser uma condição debilitante, geralmente requerendo que os pacientes durmam por 14, 16 ou até mesmo 20 horas por dia. O que causa estes suspeitos ataques autoimunes? Ninguém sabe mas, de novo, suspeita-se de “um enteovirus, retrovirus, ou o virus da herpes”.

Uma condição relacionada conhecida como fibromialgia afeta 1 em cada 74 americanos, ou 3,7 milhões com mais de 18 anos. Caracterizada por uma dor crônica no sistema locomotor, muitas vezes debilitante, fadiga e rigidez, a doença pode ou não ser autoimune em sua origem (opiniões de experts estão divididas). De qualquer forma, é uma categoria de doenças muito recente.

Doenças autoimunes da glândula tireóide constituem outra nova epidemia, afetando 1 em cada 50 americanos.

Até agora, temos sido bem sucedidos em manter uma fachada de normalidade, mesmo com pessoas cada vez mais doentes. Uma forma de se fazer isso é convencer as pessoas de que é normal estar doente. Você só precisa de seu medicamento, e pode seguir sobrevivendo. A verdade – que nós deveríamos estar vibrantemente saudáveis – é uma ameaça ao status quo. Não é pra ser assim. Mas não tenha medo, a verdade irá emergir. Ela já está irrompendo da Terra. Ao passo em que as epidemias aceleram, logo ficará inegável para todos.

Este artigo te intrigou? O Plantando Consciência está trabalhando em um documentário sobre a medicina e saúde, e vamos investigar estas questões, e o que o xamanismo e os ecodélicos podem nos oferecer para enriquecer este debate. Já estivemos na Amazônia filmando os índios kaxinawá e em Alto Paraíso de Goiás entrevistando curandeiros de tradições americanas diversas (nativos de países da América do Norte, Central e Sul). Nossa próxima parada é Oakland, na Califórnia, para entrevistarmos médicos e cientistas que estarão reunidos no Psychedelic Science 2013, e que nos possibilitarão nos aprofundar na questão do ponto de vista da ciência. Mas esta meta só poderá ser atingida com a sua ajuda! Já conseguimos nossos ingressos e a estadia graças a doações e ajuda de simpatizantes. Mas ainda não chegamos lá, e precisamos de mais para conseguirmos viabilizar esta viagem. Ajude-nos fazendo uma doação de qualquer valor!

Doe qualquer quantia clicando no botão abaixo:
Ajude-nos a cumprir com este objetivo!

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Para saber mais sobre o filme:
http://www.plantandoconsciencia.org/pt/medicina/

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Budismo e Psicodélicos

Nesta conversa franca, James Fadiman, psicólogo, e Kokyo Henkel, monge Zen Budista, navegam por aspectos superficiais e profundos da experiência psicodélica, e conversam com a platéia sobre as semelhanças e diferenças com a filosofia zen budista e a prática da meditação. Temas delicados e importantes como o uso consciente de substâncias, a vivência de estados extraordinários de consciência como uma prática espiritual, a importância da integração, do set and setting, a dose, o guia, o ajudante, a intenção e muito mais são abordados com clareza e simplicidade.

Fundamental para aqueles interessados em tirar proveito dessas experiências e integrá-las de maneira evolutiva e educativa.

Por hora, ambos os vídeos disponíveis sem legendas. Se você é um voluntário para fazê-las, por favor entre em contato!

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Respiração Holotrópica

Respirar, um ato cotidiano automático, mas vital. Passamos a maior parte do tempo sem perceber que estamos respirando, e como estamos respirando. Ocupados e entretidos nos processos da mente, mal nos damos conta da inteligência corporal, que cuida sozinha desse processo fantástico e vital. Mas bastam alguns poucos segundos sem ar, e a vitalidade do processo se torna instantaneamente óbvia.

Em contextos científicos, respirar é definido como o processo de inalar e exalar o ar, durante o qual ocorre a troca de moléculas gasosas entre o corpo e o meio ambiente – nós captamos mais oxigênio e exalamos mais gás carbônico por exemplo, enquanto plantas fazem o oposto.

Mas em contextos mais amplos, atribuímos à palavra respirar inúmeros outros significados, como de sentir alívio, de descansar, repousar, ou de exprimir, manifestar e revelar: “tudo aqui respira alegria.”

O outro lado da moeda é a falta de ar, que é associada a coisas ruins, ao desconforto, sufoco, pânico, desentendimento e morte.

Esta breve reflexão nos leva a um lampejo de uma realização profunda que é explorada sistematicamente por várias culturas faz milênios. O ato de respirar é central em toda nossa fisiologia e psique. E diversas técnicas foram desenvolvidas, desde as mais simples, praticadas por qualquer um em momentos de desalento – “calma, respira!” – até outras mais sofisticadas, como os exercícios de pranayama da yoga e as várias técnicas respiratórias que formam um dos pilares centrais das práticas meditativas.

Ao focar na respiração, e voluntariamente modificá-la, aprofundando, acelerando ou lentificando, ou até mesmo parando por determinado período, podemos exercer efeitos em nossa psique. Até mesmo quando o objetivo não é esse, o resultado aparece: mergulhadores sentem com frequência os efeitos relaxantes e de abertura da mente enquanto estão de baixo d’água, mesmo que não se dêem conta de que estão, de certa forma, meditando, pois a concentração na respiração tem que ser intensa.

Atenção na respiração foi uma das brilhantes sacadas de Stanislav Grof, psiquiatra Tcheco que vive nos EUA, ainda nos anos 60. Grof foi o último pesquisador a encerrar suas pesquisas com substâncias psicodélicas após a proibição, que começou a vigorar nos EUA no fim dos anos 60. Após este baque, que encerrou o que alguns ainda consideram “a era de ouro da psiquiatria”, Grof passou por um período de reavaliação de suas descobertas e rumos profissionais: ele conduziu milhares de sessões terapêuticas com LSD e arquivou uma infinidade de papéis e documentos sobre seus pacientes – e também mais alguns milhares fornecidos por seus de colegas.

Essa revisão transcorreu ao longo de alguns anos, durante os quais Grof participou e organizou seminários inéditos e únicos no Instituto Esalen, na Califórnia. Interessados no fenômenos da consciência de maneira ampla e não-reducionista se encontraram periodicamente em um local telúrico. Monges, cientistas, médicos, gurus, mestres de artes marciais, artistas, cientistas, empresários, exploradores etc. Todos reunidos com a finalidade de explorar, aprender e desenvolver novas técnicas para a vivência segura dos estados extra-ordinários de consciência.

Um dos resultados desta jornada foi a criação, por Stan Grof e sua esposa, Christina Grof, da técnica de Respiração Holotrópica. É uma abordagem de autoexploração e terapia, que pode ser vivenciada em sessões particulares, mas mais comumente é praticada em grupo. Os participantes formam duplas. Enquanto um “respira”, o outro cuida. E a equipe treinada fica de prontidão, circulando pela sala, atendendo os casos de necessidade, conforme vão surgindo. O respirar aqui não é o respirar automatizado e inconsciente do dia a dia. É um respirar focado, atento, consciente. Respira-se profundamente e aceleradamente, deitado em um colchonete, de olhos fechados ou vendados.

É uma jornada interior. Um passeio pelos domínios arquetípicos da psique. Pra facilitar e guiar o processo, músicas acompanham todo o trabalho, que dura cerca de três horas. Assim, cada participante vive o seu processo, sem interrupções, sem diálogo e sem qualquer direcionamento por parte da equipe. A idéia central é se conectar com um eu mais profundo, que tem uma sabedoria que nos leva quase que espontaneamente a processos de cura e tranformação.

O trabalho é acompanhado ainda por arte-terapia após a sessão de respiração, e rodas de compartilhamento, onde cada participante divide com o grupo aquilo que foi mais importante e profundo de sua experiência. O compartilhamento é um momento importante, nos ajuda a consolidar pelo que passamos e nos ajuda a formar um senso de comunidade, ao tirar o foco apenas de nós mesmos e nos estimular a dar atenção e ouvido ao próximo.

Nos próximos meses, a Respiração Holotrópica estará perto de São Paulo. No começo de março, teremos um workshop de um fim de semana, introdutório sobre a técnica. Na sexta-feira, 01 de março, uma palestra introdutória, gratuita. No sábado, duas sessões de respiração, onde os participantes alternarão entre o papel de “respirantes” e cuidadores, sendo possível então que cada um respire uma vez. No domingo, ocorrerá mais um compartilhamento e o encerramento das atividades no almoço.

E em Abril, uma vivência mais prolongada e intensa estará disponível durante um módulo do “Grof Transpersonal Training”, programa de formação de profissionais em Respiração Holotrópica, mas que também recebe pessoas que estejam interessadas no autoconhecimento sem a necessidade de continuar ou fazer parte da formação como um todo.

Ambos acontecerão no ENAI, em São Roque, cerca de 30 minutos de São Paulo pela Raposo Tavares.

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Mais informações e inscrições em http://www.aljardim.com

Plantando consciência tem à venda o livro “Respiração Holotrópica, Uma nova abordagem de autoexploração e terapia”, recentemente lançado no Brasil pela Editora Numina. O livro detalha a história, os conceitos, a prática, as músicas e os resultados. Um manual completo! Interessados, favor entrar em contado pelo email plantando@plantandoconsciencia.org

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Bem vindos ao décimo quarto B’aktun

Hoje começa o décimo quarto B’aktun. Mas sem sequer saber o que a última palavra da sentença anterior quer dizer, milhares andam por aí falando em fim do mundo. Alguns tentam se aproveitar da ignorância alheia pra ganhar uns tostões vendendo blablablás esotéricos supostamente astrológicos e coisas do gênero, enquanto outros de fato ganharam milhões de tostões fazendo e vendendo filmes onde o planeta catastroficamente colapsa, fisicamente falando.

Tsunamis, explosões, implosões, guerras, terremotos, maremotos e coisas do tipo, que continuamente e incansavelmente fascinam os fãs de hollywood.

Outros gastam tempo ativamente combatendo os supostos charlatões, tentando mostrar como a ciência ocidental é desenvolvida e o resto é gente primitiva e superstição idiota. Afinal, somos um povo avançado, científico, seguro de si. Sabemos que o mundo não vai acabar, não tem nem o que pensar a respeito. Então é lógico que profecia de fim de mundo é besteira e é melhor você cuidar das suas finanças e não gastar tudo em férias extravagantes.

Mas a maioria apenas ouve falar duma tal de profecia do fim do mundo (mais uma), de uns tais maias. E como o melhor remédio contra a ignorância é o bom humor, tiram da história boas piadas.

Então bota Tim pra tocar numa relax, numa tranquila, numa boa. Chama os amigos e as amigas, pega uma cerveja, prepara um churrasquinho e bora festejar, porque se o mundo ta acabando, por sorte é no verão, numa sexta-feira quase véspera de natal. Não podia ser um final mais feliz, não é mesmo?

Uma mentira corre metade do mundo antes da verdade ter chance de vestir as calças ~ Winston Churchill

Os mayas foram uma das mais avançadas civilizações da América Pré-Colombiana, e durante mais de dois mil anos habitaram as terras que hoje formam parte do México, na península de Yucatán, e também da Guatemala, Honduras e El Salvador. Chegaram aos milhões de habitantes em dezenas, talvez centenas de cidades.

O desaparecimento dessa cultura ao longo do tempo, principalmente entre o ano 1000 e 1500 de nossa contagem atual – o calendário gregoriano – ainda é um mistério não resolvido. Muitos defendem que foi o uso inadequado dos recursos naturais que teria levado ao desaparecimento e colapso dos mayas, mas há entre os estudiosos do assunto até os que contestem a idéia de que tenha havido qualquer colapso.

De qualquer forma, ainda haviam mayas vivos em muitas partes quando da chegada dos Europeus, e o choque que se seguiu foi brutal. Os colonizadores que chegaram na América em 1492 vieram transportados diretamente da Idade Média, onde praticavam caça às bruxas, execuções em praças públicas e viviam sob condições parcas de higiene e desenvolvimento material e tecnológico, apesar do feito incrível de atravessarem o oceano, vivos. Consideraram então os mayas e seus estilos de vida como coisas do demônio. Assim, ativamente promoveram um genocídio digno das páginas negras da história da humanidade, escritas a ferro, fogo, pólvora e sangue. Um trauma psíquico e cultural que não foi exclusivo com relação aos mayas, mas que atingiu todos os milhões de habitantes das Américas, que segundo os estudos recentes eram em maior número do que os habitantes da Europa. Grande parte morreu também devido às doenças trazidas pelos Europeus, pras quais os povos ameríndios tinham pouca, ou nenhuma imunidade. Pra alguns, não fosse esse fato, os Europeus não teriam conseguido colonizar o “novo” continente, mesmo com auxílio da pólvora como superioridade tecnológica de combate.

No que tange o massacre dos mayas, um exemplo famoso é o do Bispo Católico Diego de Landa, que ativamente comandou assassinatos e destruições impressionantes. Em 12 de Julho de 1562, Landa comandou uma cerimônia na qual foram queimados pelo menos 40 códices mayas e mais de 20 mil imagens sagradas. O nível de abuso físico e torturas dos inquisidores comandados por Landa era tão escabroso que até mesmo dentro da Igreja teria havido discórdia e oposição contra ele.

O resultado histórico deste massacre generalizado dos povos nativos da América, de norte a sul, que durou muitas décadas, é que muito do que se fala sobre os mayas (e sobre índio) hoje é especulação. Principalmente porque a imensa maioria dessa cultura foi literalmente dizimada e destruída pela inquisição. Mas também porque o preconceito foi espalhado e se enraizou na cultura eurocêntrica que hoje domina quase todo o continente. Provas deste fato é que continuamos ensinando história do Brasil através do olhar ultra enviesado do colonizador, e não do colonizado; e que “índio” nesse país continua sendo o grande alvo de racismo e exclusão, com práticas inquistórias, escravistas e genocidas ainda em vigor em algumas partes. Na verdade, a maioria dos brasileiros sequer consegue enumerar mais de três ou quatro nomes de tribos indígenas que habitam o país, e sequer se dão conta do fato de que o próprio termo “índio” se origina do equívoco do colonizador, que pensava estar na Índia quando aqui pisou. E há muita criança por aí que acha que índio não existe mais, só em filme…

Do ponto de vista arqueológico e antropológico, a perda de conhecimentos sobre os mayas são incalculáveis. Ainda assim, pelo menos dois séculos de estudos científicos sistemáticos e sérios, com colaborações internacionais, levaram a algumas decobertas fascinantes. Pioneiros no estudo da civilização maya, como por exemplo John Lloyd Stephens, Teobert Maler, Sylvanus G. Morley e Tatiana Proskouriakoff, entre muitos outros, conseguiram decodificar grande parte dos hieroglifos mayas. Mesmo com apenas fragmentos do que sobrou após a destruição promovida pelos povos auto-proclamados de “desenvolvidos”. E também pelo próprio desgaste do tempo, pois os mayas sobreviventes aprenderam rápido que com os recém chegados não havia muita chance de relações humanas decentes, e se esconderam nas florestas e esconderam seus bens e conhecimentos mais preciosos.

Se esconder na floresta… Pode parecer bobo numa primeira lida. Isto porque comumente aprendemos que nas américas viviam “apenas uns poucos” índios. E também porque a maioria de nós não tem qualquer experiência do que de fato é uma floresta, e da dificuldade de transitar por uma. A retirada foi tão intensa e bem feita, e a floresta é tão grande e cerrada, que muitas das centenas de ruínas de construções mayas, hoje sítios arqueológicos, foram descobertas apenas séculos depois de considerada terminada a colonização das Américas, quando os países aqui já eram “independentes”. E possibilidade há para que haja ainda mais para ser encontrado.

Um excelente exemplo de tesouro perdido são as ruínas de Calakmul, uma das maiores e mais bem desenvolvidas cidades mayas que se conhece até hoje. Foi descoberta apenas em 1932, vista de um avião que sobrevoava a região e cujos tripulantes estranharam dois picos muito altos no meio da floresta. Foram necessárias expedições terrestres para que pudessem alcançar o local e descobrir que a floresta havia literalmente engolido duas pirâmides que ultrapassam os 40 metros de altura, e mais algumas dúzias de construções menores e centenas de estelas – lápides de pedra com inscrições hieroglíficas. O nome Calakmul, dado pelos exploradores, em maya significa “montes adjacentes”. Alguns estudos foram conduzidos ainda nos anos 30, mas somente nos anos 80 o sítio voltou a ser estudado sistematicamente, tendo sido aberto a visitas turísticas apenas em 1994, como resultado dos esforços do INAH – o Instituto Nacional de Antropologia e História do México.

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Ali perto há outra, Balamku, bem menor e que foi descoberta e patrimoniada pelo INAH apenas nos anos 90. Sua descoberta aconteceu após uma denúncia anônima de que saques estariam acontecendo em uma ruína da região (reverberando o padrão histórico sobre o que se faz com a cultura maya). Um arqueólogo foi então enviado e se deparou com algumas construções, uma delas contendo algumas esculturas das mais bem preservadas da região, que séculos depois ainda conservava os pigmentos vermelhos e azuis originais, que decoram figuras sagradas pros mayas, como o jaguar.

Durante pelo menos 200 anos, houve então uma redescoberta e ressignificação arqueológica e antropológica dos conhecimentos obtidos pelos mayas, através da leitura de sua própria linguagem, agora parcialmente decodificada. E parte destes estudos revelou que era uma civilização com alguns conhecimentos altamente desenvolvidos, em especial a matemática e a astronomia. Algumas construções mayas encontram-se em posições incrivelmente precisas em relação ao norte, como a Estrutura VIII de Calakmul, que está alinhada com “erro” de apenas 8 graus a leste do norte magnético. Várias técnicas foram desenvolvidas para rastrear e mapear a posição dos astros nos céus ao longo de muitos anos, usando a sombra das construções e alinhamentos entre feixes de luz entre pilares paralelos, por exemplo, para identificar com precisão datas únicas como os Solstícios de inverno e verão.

Assim, de maneira não totalmente compreendida, os mayas calcularam o valor do ciclo sinódico de vênus em 584 dias, assombrosamente preciso. De acordo com a mais alta tecnologia do seculo XXI, o resultado é de 583,92 (erro de 0,08 dias, ou cerca de duas horas, ou 0,01%). Calcularam o ciclo de Marte em 780 dias, espantosamente certeiro, pois hoje calculamos em 779,94 dias (erro de 0,06 dias) e calcularam o lunar em 29,5 dias, sendo o cálculo atual de 29,53059! Eles inventaram ainda uma sofisticada grafia para os números, compostos de pontos e traços, e também o conceito matemático zero, quiçá antes dos árabes, que foram quem ensinaram aos europeus como se faz matemática pra valer.

Estes acertos numéricos não são meras curiosidades, mas são frutos de práticas genuinamente científicas (observação, repetição, inferência, refutação, comprovação etc) e estão relacionados com a construção e com o desenvolvimento da agricultura. Esta foi um dos desenvolvimentos centrais para o apogeu dos mayas, e pode também ter sido crucial em seu declínio, já que alguns estudos indicam que possa ter sido o uso exagerado dos recursos naturais que teriam levado muitas cidades a catástrofes ecológicas e sociais.

O acompanhamento da trajetória dos astros no céu, feito continuamente ao longo de séculos, permitiu aos mayas desenvolverem também calendários fascinantes e estrondosamente precisos. Foi apenas nos idos de 1950, com o descobrimento do Códice de Dresde e com o trabalho de Yuri Knórozov que muito desse nosso conhecimento atual sobre os calendários mayas avançaram, incluindo a identificação de, até agora, pelo menos 800 glifos do alfabeto maya.

Os mayas contavam o tempo em ciclos, e possuíam inúmeros calendários utilizados para finalidades distintas. O mais famoso, também conhecido como roda calendárica, conta larga, ou simplesmente “calendário maia”, é um sofisticado mecanismo que relaciona distintas contagens. Na conta larga, a unidade básica é o dia, ou k’in, que são agrupados em períodos de 20 dias, chamado winal. Um tun corresponde a 18 winals. Há também um k’atun, que conta 20 tunoob’, que é um ano de 360 dias (ao qual se adiciona um período especial de 5 dias, o wayhaab’, formando 365 dias). Tem também o b’aktun, que corresponde a 400 tunoob’s, ou aproximadamente 400 anos (mais precisamente 394,26 anos). Estes ciclos teriam começado em 3114 AC, em uma das cíclicas e sucessivas “criações do mundo”.

Uma imagem do Calendário Maya (a maioria dos resultados de uma busca no google é do calendário Azteca, indicando quanta confusão há sobre o assunto)

É um pouco complicado, mas de certa forma guarda semelhança com nossa contagem, que tem o dia como unidade básica, mas que depois é agrupado em ciclos de 7 (semana), de aproximadamente 30 (mês), de aproximadamente 365 (ano), e depois os séculos e milênios, que dão ênfase aos múltiplos de 10 como tendo algum tipo de significação especial. Mas para os mayas, o especial estava nos ciclos, que possuíam diversos significados, com ênfase nas mudanças periódicas. Assim, os calendários mayas já nasceram focados nas mudanças e na diversidade das possibilidades de contagem do tempo, enquanto o calendário gregoriano nasceu com o nome de Calendário Gregorianum Perpetuum, se prpondo a ser a melhor, mais precisa e definitiva maneira de contagem do tempo, pra sempre.

Dentre os vários calendários mayas, era o Haab’ o utilizado para contar o ano de cerca de 365 dias relacionados ao sol. Outro era o calendário mágico, ou ritual, o Tzolk’in, que determinava padrões da vida cerimonial. O Tzolk’in foi construído combinando 13 coeficientes para cada um dos 20 nomes que existiam, neste calendário, para os dias. O resultado é uma conta de 13 x 20 = 260 dias, que aproxima o período de gestação humana, e na qual não há repetição de um único dia. Para cada um dos 20 dias principais haviam glifos que correspondiam a distintas entidades, divindades, forças da natureza ou animais, aos quais era combinada a conta de 13 números. A roda calendárica combina as 260 permutações do Tzolk’in com as 365 do Haab’. Os mayas sabiam que uma dada combinação do Tzolk’in com o Haab’ só voltaria a se repetir após um ciclo de 52 anos.

Além destes, haviam outros ciclos, como o pouco compreendido ciclo de 819 dias, relacionado aos números primos 7 e 13, que aparece em várias inscrições remanescentes ao massacre da cultura maya, e outros ciclos maiores como o piktun, equivalente a 8000 tunoob’s (ou cerca de 8 mil anos), o kalab’tun que é igual a 160.000 tunoob’s ou 20 piktuns, o k’inchiltun, que equivale a 3 milhões e 200 mil tunoob’s ou 20 kalab’tuns, e o ‘alautun, que correspondia a cerca de 64 milhões de anos.

Portanto, é óbvio que não há fim no calendário maya. Na verdade, os mayas tinham calendários que iam milhões de anos a frente de sua época, e milhões de anos a frente desta época em que estamos.

Mas então, o que as interpretações errôneas e catastróficas tem a nos dizer?

Estas histórias não surgiram dos mayas, mas de nossa própria cultura. Em um primeiro momento, nos revelam nosso etnocentrismo e o preconceito que ronda os conhecimentos adquiridos por outros povos, em outras épocas e lugares. Como não é incomum na antropologia, as interpretações revelam mais sobre o observador do que sobre o observado. As idéias de fim de mundo não são novas neste 21 de dezembro de 2012, e já rondaram também, por exemplo, o ano 2000 e o ano 1000, dada a nossa tendência a atribuir significado aos múltiplos de dez, ou mais especialmente aos milênios (chamado de milenarismo). Quase sempre estas datas são interpretadas como catástrofes físicas, ou então relacionadas ao juizo final Católico, onde Deus finalmente decidiria quais almas seriam salvas e quais não. Entre os não religiosos, é a visão de catástrofe física que parece predominar, e as raízes profundas disto podem estar na filosofia que atualmente vigora em nossa cultura científica: o materialismo.

Fim do mundo no ano 2000

Esta visão propõe que a realidade é o físico, que está fora de nossa mente, pode ser observado, medido e (supostamente) estudado objetivamente. Para o materialismo, os fenômenos mentais são epifenômenos da matéria, a consciência é um acaso que brota da atividade de bilhões de células cerebrais e espiritualidade é bobagem, superstição infantil ou ignorância. O materialismo nasceu na mesma época que a Ciência como hoje a conhecemos, fruto do pensamento e trabalho de gênios como Isaac Newton, René Descartes, Galileo Galilei, entre outros. É daí que vem o outro nome do materialismo científico, também conhecido como paradigma newtoniano-cartesiano, dada a influência intelectual e filosófica exercida por estes dois cientistas.

Assim, após séculos debruçados sobre o mundo material, compreendendo e descrevendo a trajetória dos planetas com fórmulas matemáticas, desvendando a composição química da natureza, a estrutura do átomo e suas subpartículas, a mente científica habituou-se a pensar quase que exclusivamente em termos da matéria. Não é de se surpreender, portanto, que quando se depare com algum mito “primitivo” sobre “fim do mundo”, imediatamente pense em catástrofes físicas e detruição do planeta.

Mas para os mayas, os ciclos do tempo indicavam também momentos propícios para rituais mágicos, religiosos ou místicos, relacionados a várias divindades. Provavelmente corresponde ao que hoje chamamos aspectos arquetípicos da psique, como colocado por pensadores como Jung e Campbell. Durante alguns desses rituais,  como o famoso e onipresente “juego de pelota”, a morte acontecia de fato fisicamente, sendo o perdedor decapitado, como parte do processo ritualístico de veneração das divindades e de um culto à fertilidade. Mas mais frequentemente, os rituais ameríndios estão ligados aos fenômenos espirituais sem a necessidade do sacrifício físico. É possível e provável que para os mayas não fosse totalmente diferente. Evidências de rituais mágico-religiosos e espirituais incluem as estátuas-cogumelo de Kaminaljuyu. Estas estátuas sugerem que cogumelos psicodélicos tenham sido usados e até mesmo considerados divindades pelos maya, bem como o eram por outras culturas e povos da região. Como por exemplo os mazatecas, que até hoje utilizam os “niños santos” em rituais na serra do estado de Oaxaca. Cogumelos do gênero Psilocybe, que contém centenas de espécies psicoativas, crescem em abundância em toda a península de Yucatan e na serra Oaxaqueña. São absolutamente não tóxicos, e propiciam uma experiência mística que pode ser profunda e extremamente transformadora, caso seja feito de maneira adequada, em local apropriado e com um guia experiente, capaz de levar o participante a colher frutos positivos da sua jornada interior. Assim, a morte e o fim que eram professados relacionados a estes tipos de rituais não eram necessariamente relativos a aspectos físicos, mas psíquicos e espirituais.

De qualquer forma, a posição dos astros no céu era relacionada com inúmeros mitos, deuses e demônios. Estas divindades representavam forças psíquicas e arquetípicas, e o acompanhamento dos astros no céu serviria então para mapear mudanças na psique, ou na consciência, de acordo com a carga energética dos deuses envolvidos em cada época e ciclo. Para eles, os ciclos de contagem do tempo indicavam as mudanças nas forças arquetípicas predominantes, e então tinham implicação direta na vida e nas sociedades, tendo sido considerados conhecimentos sagrados, venerados por milênios.

De acordo com esta visão arquetípica da psicologia profunda e da mitologia, o novo b’aktun do calendário maya marcaria então uma fase de mudança na psique da humanidade. Mas assim como a primavera não começa subitamente, as mudanças não acontecerão de imediato, nem acontecerão apenas após a data simbólica, muito menos serão apenas de ordem física. Trataria-se então de um período de transição psicológica e cultural, e um olhar abrangente pra situação planetária atual ilumina a questão e sugere que sim, a tal profecia maya pode ter sentido.

Nunca antes existiu neste planeta uma situação assim. Somos hoje mais de 7 bilhões de humanos, e seremos muito mais em intervalos cada vez menores, pois o crescimento é exponencial. E estamos vivendo como se fôssemos algum tipo de praga que consome tudo e desperdiça quantidades assombrosas, até mesmo daquilo que vai garantir a sobrevivência futura. E sem dar tempo e condições para que os recursos se regenerem. Estamos exagerando no uso da energia fóssil, na mineração e na construção. Estamos erguendo cidades de puro concreto num ritmo nunca antes visto, e partindo pra todos os ecosistemas com ganância de quem ainda quer mais. Esta ganância transparece em nossos sistemas políticos, que vão se esgotando em sua capacidade de gerenciar e representar as vontades e anseios da população em várias partes do planeta. Então as condições sociais se deterioram e as revoltas vão se acumulando e fortalecendo, acontecendo com mais e mais frequência, deixando a todos inseguros e amedrontados. Incluindo os políticos, que se escondem atrás do aparato policial e bélico, e propõem soluções frequentemente fundamentadas na cultura da violência.

banksy, cartão de natal 2012

O medo nos afasta e manifestações de intolerância contra o outro, o diferente, se intensificam e se reproduzem, criando mais fronteiras, mais muros, mais cadeias, mais aparatos de segurança, mais genocídio, ecocídio e etnocídio. Isto diz respeito com toda força ao que acontece com as culturas chamada indígenas, em todo o mundo, que continuam a sofrer com o trauma que se originou em 1492.

Como bem ensinou Jiddhu Krishnamurti, o mundo que fazemos é apenas um reflexo do nosso mundo interior, e não o contrário. Ou seja, não estamos confusos e amedrontados porque o mundo está uma bagunça. O mundo é que está uma bagunça porque nós assim o criamos, porque estamos inseguros e amedrontados.

Assim sendo, a tal profecia maya poderia estar nos dizendo que a hora é propícia para evoluir. Como já colocaram inúmeros místicos, cada qual a sua maneira, crise é um momento de perigo e oportunidade, ao mesmo tempo. A crise pode ser o momento para semearmos a mudança e colhermos crescimento, mas também pode trazer perigo de estagnação e retrocesso. Esse duelo brutal de forças opostas está presente de forma marcante no dia a dia de cada um de nós. Basta olhar em volta, com atenção, e tudo pode ser visto como perigo, ou como oportunidade.

Desse ponto de vista, a profecia maya poderia estar a dizer e calcular que nesta época estaríamos passando por mudanças psíquicas profundas. Mas não apenas nesta época, já que os eventos no tempo eram percebidos, pelos maya, como cíclicos. De fato, sequer há numerosas escrituras maya que digam algo de especialmente relevante sobre esta transição em particular, que chamamos de 2012. Há o monumento VI de Tortuguero, que descreve brevemente o que ocorreria ao final do 13 b’aktun, quando descenderá um conjunto de divindades chamados de B’alu’n Yookte’ K’uh, ou “dos nove pilares” (ou nove suportes). Outra referência específica a esta transição está no grupo de Palenque, e se refere a eventos similares ao da Fecha Era, ou ano zero, sugerindo eventos de grande magnitude. Seja como for, é certeza que trata-se de uma transição de b’aktuns, mas se algo de suprema importância e único vai acontecer, ninguém sabe.

Mas podemos, ao menos, não apenas contextualizar a crise atual pela qual passamos de acordo com a mudança de b’aktun, mas olhar pra trás e resignificar o calendário maya de acordo com outras transições de b’aktun anteriores. Os resultados desse exercício mental são impressionantes. Se um b’aktun tem quase 4 séculos, significa que estamos neste b’aktun desde cerca de 1600 (a conta pelo calendário gregoriano seria 2012 – 394 = 1618, em algum ponto antes de 21 de dezembro, já que o correto é 394,26). A Obra prima de Nicolaus Copernicus foi publicada em 1543 e revelou que a Terra gira em torno do Sol. A obra de Galileo Galilei chacoalhou o mundo católico ao redor de 1615, a obra de Descartes nasceu ao redor de 1640 e as “leis de Newton” foram publicadas por volta de 1680. Assim, foi no início do décimo terceiro e atual b’aktun que aconteceu a grande e conflituosa transição que originou a Ciência, mudou o mundo e nossa maneira de vê-lo. E veio junto o racha traumático que separa, até hoje, a ciência da maioria das religiões.

Ou seja, o b’aktun que está acabando hoje é aquele onde ocorreram os traumas da colonização do mundo por parte das culturas de origem Européia, incluindo a dizimação do povo maya, que pode ter sido prevista pelos próprios mayas. No livro Chilam Balam, de Maní, há uma profecia sobre a chegada dos conquistadores espanhóis, que diz algo próximo de “ocorrerá o itzá e rodará o Tancah“, que descreveria os estrangeiros como “hóspedes barbados que vem do oriente e em suas palavras não dizem verdades”. No décimo terceiro b’aktun aconteceu, portanto, não apenas o genocídio contra os próprios criadores de tal conhecimento, mas também o genocídio de inúmeras culturas e uma perseguição brutal contra tudo e todos que não se conformassem a uma visão específica de mundo.

Mas neste b’aktun a humanidade também mudou completamente de estilo de vida, criou a tecnologia que temos hoje e alterou drasticamente suas relações com o planeta e consigo mesma. Como resultado, também agigantaram-se as discrepâncias entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, testemunhou-se a escravidão de povos inteiros, o racismo, o nazismo, o fascismo, duas guerras mundiais, bombas atômicas, o terrorismo… Em suma, um b’aktun muito conturbado, conflituoso, paradoxal, antagônico, dual. Caracterizado por muito sofrimento físico, psíquico e espiritual.

Portanto, foi neste b’aktun, o décimo terceiro, que simbolicamente se encerra hoje, que inventamos o materialismo, com todas suas contradições. O materialismo nos deu de presente a bomba e o ipad, a metralhadora e o antibiótico, o GPS que guia o motorista mas também o míssil, nos deu a fábrica, mas nos deixou a poluição. O materialismo nos forneceu uma expectativa de vida sem precedentes, mas também nos trouxe a uma situação de superpopulação sem solução à vista.

Assim sendo, o que está em jogo não é a integridade física do planeta, mas nossa consciência. E não se trata de um jogo rápido. Se um b’aktun correponde a quase 400 anos, para entender do que falavam os mayas seria extremamente simplista e ingênuo buscar respostas em um único dia. Então, não espere que a profecia maya se concretize, ou seja refutada, com base em eventos pontuais, seja a eleição de um presidente aqui ou ali, o fim de uma guerra, o começo de outra, ou alguma descoberta científica chocante. Entretanto, o processo que começa a se desenrolar certamente envolve alguns destes eventos. Como no final do décimo segundo b’aktun foi descobeto que girávamos em torno do sol, no final do décimo terceiro descobriram o Bóson de Higgs…

Se acontecimentos realmente revolucionários aconteceram justamente na última transição de b’aktuns (e pode-se, obviamente, estender este estudo histórico para todas as transições anteriores), pode ser que de fato algo de relevante, bem relevante, esteja por trás dos conhecimentos do calendário maya. Quanto mais se escava informações a respeito dos b’aktuns precedentes, mais incoerente parece a explicação de que seja mera coincidência, totalmente desprovida de significado.

Não seria, portanto, muito alucinante pensar que no novo b’aktun, ganharíamos de presente algo completamente novo e tão transformador quanto foi a invenção da ciência nos idos dos 1600 gregorianos. E que também haverá, como houve à época, enorme resistência.

“O dia em que a ciência começar a estudar fenômenos não-físicos, ela fará mais progresso em uma década do que em todos os séculos de sua existência prévia” Nikola Tesla

Que tal então contemplarmos uma nova ciência, com uma nova visão de mundo? Será que faz sentido interpretarmos esta época inspirados nos maya, como significando uma revolução da consciência? Como o surgimento de uma percepção científica de que há mais entre o Céu e a Terra do que prega e delimita a filosofia materialista?

Algumas ocorrências indicam que sim, que pode ser disto que se trate a profecia maya. Os avanços a solapar o materialismo, a deslocar a matéria como a pedra fundamental da realidade, vieram primeiro com a física quântica. Depois, descobrimos que 90% do universo é composto de algo que não é matéria, que ironicamente nomearam de “matéria escura”. E agora a neurociência, a psicologia e a psiquiatria começam a passar por um processo semelhante ao que passou a física. Uma total ressignificação de conceitos e pressupostos, com mais e mais experimentos mostrando fascinantes resultados sobre a função do cérebro em estados de consciência distintos do comum. Isto inclúi experimentos com meditações, com transes mediúnicos, yoga e também com os psicodélicos, ou enteógenos.

Um bom marco sócio-cultural diretamente relacionado a essa transformação é o início do fim da guerra contra as drogas, marcado pela recente legalização da maconha em dois estados dos EUA. A guerra contra as drogas é nada mais que o alongamento psíquico da inquisição do século XV e XVI para o século XXI gregoriano. Uma inadequada prorrogação da luta e perseguição aos estados de consciência por um b’aktun inteiro! No fundo, não é uma guerra contra substâncias nocivas. É uma guerra contra a consciência. Contra a(s) possibilidade(s) de que a consciência seja algo maior, mais abrangente e misterioso do que a filosofia materialista supõe e é capaz de explicar. É uma guerra cultural contra estados não ordinários de consciência e seus métodos de indução mais confiáveis. Métodos estes que foram centrais para os mayas e para inúmeros outros povos, e que podem estar envolvidos diretamente na própria origem da religião como empreitada humana.

Talvez então a característica filosófica mais marcante do b’aktun que se encerra tenha sido o aprisionamento, tanto da ciência quanto da religião, em apenas um estado de consciência. Paradoxalmente, ao se aprisionarem no mesmo estado, se separaram radicalmente uma da outra. E possivelmente então o que nos aguarda seja a gradual e revolucionária liberação do ser humano para outros reinos, infernais e astrais, da psique. Esta jornada, como bem mostram os resultados pioneiros da psicologia surgida das explorações dos anos 60, incluindo o uso ritual, terapêutico, responsável e científico dos psicodélicos, pode significar o reencontro da ciência com a espiritualidade. Então, a oportunidade de sanar as feridas das guerras e genocídios deste b’aktun estará ao nosso alcance, como já começam a demonstrar pesquisas pioneiras com os psicodélicos.

“Não há conflito entre ciência genuína e religião autêntica. Se há, é porque estamos falando de pseudociência e falsas religiões” Ken Wilber

Principais Referências:

INAH, ruínas e sítios arqueológicos no México, Museo Nacional de Antropologia e o livro “Lo Essencial del Calendario Maya – los señores del tiempo” supervisionado pelo arqueólogo Carlos Pallán Gayol.

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