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Tempo de Mudança

Daniel era um niilista. Nascido nos anos 60, filho da geração da contracultura (seu pai era um pintor abstrato e sua mãe uma editora e escritora que fizera parte da Geração Beat), cresceu num universo artístico profundamente ateu e aprendeu com seus pais a rejeitar as religiões de seus antepassados, internalizando uma visão científica de mundo que desconhece a existência do sagrado. Fez então da cultura sua religião, procurando na literatura e na boemia a conciliação do desejo de ser, de uma autenticidade desengonçada, “a uma instância daquilo que o mercado pode suportar”.

Como jornalista, em seus vinte e poucos anos, bebia ao excesso em festas e coquetéis, enquanto escrevia perfis de celebridades e artistas para revistas. Crescendo em Manhattan, segundo ele “um redemoinho de distrações eróticas e culturais”, não conseguia se livrar de uma sensação de que algo faltava na sua vida, algo “tão essencial como desconhecido, e virtualmente inconcebível”.

Aos poucos, sua desilusão com a sociedade contemporânea – suas falsas necessidades de consumo, obssessão pelo medo perpétuo de guerra e terrorismo e o uso da mídia pra gerar consenso forçado – foi criando uma atmosfera que enegreceu sua mente até obscurecer tudo mais. Perdeu interesse pelo seu trabalho, ou por qualquer trabalho. Com seus amigos, mergulhou na “estrada do excesso” de heroína, cocaína e álcool, na obsessão por bandas alternativas como Nirvana e Pavement e numa vida de memórias borradas de comportamentos indesculpáveis. Mas não atingiu qualquer “palácio de sabedoria”, tal qual invocado nos Provérbios do Inferno de William Blake. Pelo contrário, viu alguns de seus companheiros serem levados drasticamente desta vida.

Procurando pela peça perdida no quebra-cabeça que o levou a tal beco sem saída, ele lembrou de um punhado de experiências com psicodélicos que havia se submetido em tempos de faculdade – que percebeu como os únicos momentos de sua vida em que parecia ter penetrado em níveis de consciência que lhe pareciam mais perspicazes e avançados, e até mais educativos que as aulas que ele assistia.

Dentro do universo artístico e literário na Nova York dos anos 90, a atitude em relação aos psicodélicos era de desdém. Uma vez considerados expansores da mente, as “drogas dos hippies” não possuíam a aura perigosa de “chique fora-da-lei” geralmente atribuída à cocaína e heroína, eleitas como as drogas de escolha dos boêmios. Em sua crise, Daniel percebeu então que, ao se entregar a essas substâncias, eles estavam apenas espelhando a cultura decadente da qual tentavam escapar. Ele e seus amigos haviam optado por adentrar estados alterados de maneira destrutiva – uma que emparelhava com seu niilismo inconsciente.

A partir de então Daniel se enveredou por um caminho de descobertas, começando por uma radical viagem à África para participar de cerimônias rituais com uma tribo Bwiti, que faz uso da raiz da iboga para “rachar a cabeça” (break open the head, em inglês), ou “temporariamente libertar a alma do corpo, permitindo a entrada inicial no cosmos espiritual, onde lhe é mostrado o traçado de seu destino”. Ele passou então pela Amazônia, onde tomou ayahuasca com os índios; pelo México, atrás dos cogumelos sagrados e do legado Maia; pela Índia e Nepal, pelo deserto de Nevada, as terras medievais ao redor de Glastonbury, na Inglaterra, e muitos outros pontos de uma jornada iniciática para desenterrar verdades ancestrais ocultas que a nossa sociedade varreu pra baixo do tapete e que agora, num momento em que nosso planeta se encontra enfermo, clamam pela redescoberta.

Essas histórias irresistíveis e transformadoras podem ser conferidas em seus dois livros, Breaking Open the Head (2002, inédito no Brasil) e 2012, The Return of Quetzalcoatl (2006, com lançamento no Brasil previsto para o fim deste ano, com o título 2012 O Ano da Profecia Maia). Ambos são sólidos frutos de pesquisa intercalados com autobiografia (o primeiro tem 336 páginas e o segundo, 416) que misturam relato de jornada pessoal com referências bibliográficas (só em 2012, O Ano da Profecia Maia são mais de 170 obras literárias e científicas referenciadas e parafraseadas). Prolífico escritor, Daniel Pinchbeck consegue atingir em cheio aqueles que sempre procuraram conforto nas frágeis explicações materialistas sobre a vida, e faz com que seus livros funcionem eles mesmos como uma jornada iniciática de expansão da consicência adormecida.

Dentre seus leitores que tiveram a cabeça aberta (“head broken open” em inglês, referência ao título de seu primeiro livro) através da leitura de sua obra – também céticos de formação e desconfiados, por princípio, com a “baboseira New Age” -, estão este que vos escreve e o cineasta brasileiro João Amorim.

João, que, além de cineasta, trabalha com permacultura (fundou a ONG Ciclo Sustentável em Goiás), vivia em Nova York à época, e teve uma grande identificação com a obra de Pinchbeck. Assim como o autor, o brasileiro havia relegado suas experiências iniciáticas do passado a algum canto obscuro do inconsciente após ter adentrado o mundo dos business, produzindo animações em grande escala e sofisticados comerciais de TV. O cineasta percebeu então como fomos escravizados por uma noção errônea de tempo, que justifica um sistema de lógica auto-destrutiva e insustentável, e a necessidade latente de nos realinharmos com a natureza para evoluirmos nossa consciência e construir um mundo melhor.

Com essas idéias em mente, ele procurou Daniel, com quem desenvolveu empatia imediata e, juntos, produziram o documentário com sofisticadas animações 2012, Tempo de Mudança, que acompanha o autor e explora os tempos de crise que vivemos, o potencial para uma evolução da consciência e propostas práticas para solucionar os nossos problemas através do design ecológico.

É com grande prazer que o Plantando Consciência traz para São Paulo a estréia do filme, a partir do dia 1 de Outubro (sexta-feira) na Matilha Cultural, onde fica em cartaz com sessões gratuitas até o dia 09, dentro do evento Setembro Verde. No dia seguinte à estréia, no sábado 02 de Outubro, haverá um debate com o diretor após a exibição, imperdível para todos aqueles interessados em jardinar a consciência. E no dia 15 teremos uma sessão na Cinemateca Cultural.

Em fase de exibição em festivais e circuitos culturais, o filme já chamou a atenção da rede BBC de Londres, entre outros, que produziu a matéria que você pode conferir abaixo (legendada em português pelo Plantando Consciência); e deve entrar no circuito comercial nos Estados Unidos no fim do ano. No Brasil, não há previsão de que o filme entre em cartaz, então aproveite a oportunidade!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Reportagem da BBC sobre o filme. Legendas disponíveis tb em português, no menu logo abaixo do vídeo

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O Ativista Quântico, ou como salvar o planeta

“Qualquer tentativa de se descartar um fenômeno incompreensível ao tratá-lo como alucinação se torna irrelevante quando uma teoria científica coerente pode ser aplicada” – Amit Goswami.

Nossas visões errôneas da realidade levaram à atual crise ambiental, social, econômica e espiritual. O que está em jogo é nada menos do que a nossa sobrevivência neste planeta. Onde foi que nós erramos? Será que a culpa foi de um ou outro fruto podre, de uma ou outra situação que escapuliu do nosso controle, ou será que erramos por princípio, e nossos velhos paradigmas é que são o problema?

Avançando o trabalho de Fritjof Capra em o Tao da Física, o físico indiano Amit Goswami, que está no Brasil para divulgar seu novo livro e DVD O Ativista Quântico, pode ter encontrado a melhor resposta. Goswami propõe que os paradoxos da física quântica, como não-localidade, movimento descontínuo, ação à distância e outras “bizarrices1” presenciadas em experimentos laboratoriais só podem ser resolvidos pela hipótese de que a consciência, e não a matéria, é a realidade fundamental do universo.

Mais conhecido no Brasil por sua participação no bem sucedido filme Quem Somos Nós? (What The Bleep Do We Know?, no original em inglês), Amit Goswami nasceu na Índia e na infância foi introduzido à espiritualidade hindu, a qual ele renegou ao ingressar no universo da ciência materialista (é doutor em física nuclear), onde residiu por mais de 30 anos, como pesquisador e professor titular de fisica teórica da Universidade de Oregon. Até perceber que pressupostos newtonianos, cartesianos e darwinistas não conseguem explicar o mundo tal como prometido desde que a ciência assumiu o papel que outrora coube à religião: encontrar respostas.

Consciousness Does Matter

Em O Universo Autoconsciente:  Como a Consciência Cria o Mundo Material (1993), Goswami resgata o conhecimento ancestral ao qual tinha sido apresentado na sua infância e o concilia de forma espetacular com a ciência, abrindo portas para uma novo pensar científico menos limítrofe e de maior potencial, tão necessário nesses tempos de mudança. “Eu estive buscando em vão uma descrição da consciência através da ciência, e o que eu e outros devemos procurar, pelo contrário, é uma descrição da ciência através da consciência. Nós devemos desenvolver uma ciência compatível com a consciência, esta nossa experiência primária.”

Ao invés de uma separação dualista entre mente e matéria, ou sujeito e objeto, o autor promove uma filosofia a qual ele chama de “idealismo monístico” (“idealismo” de idéias, e “monístico” em oposição a dualístico, que seriam os elementos básicos da realidade). De acordo com esta posição, “a consciência do sujeito numa relação sujeito-objeto é a mesma consciência que é pilar para toda a existência.  Assim sendo, consciência é unificadora. Existe apenas uma consciência subjetiva, e nós somos essa consciência,” ele escreve em O Universo Autoconsciente.

Modestamente, Goswami acaba promovendo um feito sem par na história: concilia Deus com ciência. “A ciência tradicional criou e destruiu um Deus barbudo, que fica sentado num trono separado de nós, e acha que está indo a algum lugar com isso”, ele ironiza no filme O Ativista Quântico. Não é à toa que o físico é visto com preconceito por parte da comunidade científica. Suas teorias são avançadas demais para agradar as (frágeis) certezas absolutas que imperam num suposto mundo sem mistérios, tal qual defendido por agitadores como Richard Dawkins.

O Ativista Quântico pode ser visto como um compêndio de seu trabalho desde a publicação de O Universo Autoconsciente; uma aula sobre as idéias propostas pela física quântica – direcionado às pessoas comuns, e não ao especialista – e sua reconciliação com a espiritualidade.


Trailer de O Ativista Quântico com legendas em português

Mas, afinal, que consciência “divina” é essa? Ao contrário de tudo o que costumamos pensar – que existe um mundo físico independente da nossa consciência sobre ele, e que o nosso cérebro é o grande criador de sentido da existência -, Goswami propõe que o cérebro físico funciona na verdade como um instrumento de medição e gravação, seguindo as regras da física clássica, ao passo que “um componente quântico do cérebro-mente é o veículo para a escolha consciente e a criatividade”.  Em outras palavras, é a atividade da consciência que traz o mundo à existência, ao determinar o “colapso quântico” de onda em partícula. “Consciência é o agente que colapsa a onda de um objeto quântico, que existe em potencial, transformando-a em partícula imanente no mundo da manifestação”, ele escreve. A maioria das grandes inovações criativas, seja nas artes ou nas ciências, são resultado de saltos intuitivos, ou saltos quânticos, em novos contextos.

Assim como objetos quânticos, pensamentos parecem obedecer o princípio de incerteza. Goswami nota que “você nunca pode simultaneamente manter foco no conteúdo de um pensamento e na sua direção –  para onde o pensamento está indo.” Ele propõe que a “substância mental” – o pensamento – foi feita dos mesmos elementos intangíveis que construíram os “macro objetos” do mundo físico, mas “a substância mental é sempre sutil, ela não forma conglomerados brutos.”

O filósofo e ocultista Rudolf Steiner2 também concebeu pensamentos como possuidores de uma substância. Não possuindo a terminologia da física quântica, ele expressou a idéia através de um quadro místico, percebendo “pensamentos como seres vivos e independentes. O que nós entendemos como pensamento no mundo manifesto é como uma sombra de um pensamento vivo que está ativo no mundo dos espíritos.” Este “mundo dos espíritos” poderia ser considerado o domínio transcendente do potencial.

Adentrando o terreno antes restrito ao misticismo, Goswami elabora, em A Física da Alma (2001), uma hipótese científica baseada em seu entendimento da natureza quântica da consciência, para mecanismos de reincarnação, a existência de “corpos sutis” e o sistema de chakras descrito por tantas tradições esotéricas. Nem a doutrina cristã nem o pensamento secular contemporâneos dão suporte à idéia de reincarnação, a qual é um elemento básico em muitas tradições espirituais, incluindo hinduísmo e budismo.

Goswami traça a hipótese de que padrões condicionados de pensamento, sentimento e ação criam o que ele chama de “mônada quântica”, um agregado que retorna vida após vida. Ele define a “mônada quântica” como um estágio intermendiário de individualidade, algo entre o ego e o “eu-quântico”, que seria o equivalente da consiência transcendente. Os padrões distintos de pensamento, sentimento e ação condicionados também podem ser considerados como os “corpos sutis” definidos pelo misticismo. O “corpo mental” representa o padrão individual do pensar, e o “corpo vital” é o padrão individual da energia e do sentimento. A “mônada quântica” individual desenvolve memórias vitais e mentais de contextos passados através de vidas sucessivas.

Casos demonstrados de efeitos quânticos como “ação à distância” e “correspondência não-local” provam que objetos quânticos possuem de fato uma “memória” – apesar de esta memória não ser gravada fisicamente, como numa fotografia ou dvd, mas apenas ativada quando a consciência causa um colapso de onda. “Objetos obedecem leis quânticas – eles se espalham pelas possibilidades seguindo a equação descoberta por Erwin Schrödinger – mas a equação não é codificada nos objetos em si.” Da mesma forma, equações apropriadas governam a dinâmica dos corpos que passaram por um condicionamento de memória quântica, apesar de esta memória não estar gravada neles. Enquanto que a memória clássica é gravada em objetos, a memória quântica é na verdade o análogo do que os ancestrais chamavam de memória Akashica, memória escrita em akasha, vazio – em lugar nenhum.”

Uma vez que colapso quântico só pode ocorrer através do cérebro físico, o ego é uma identidade assumida que a consciência veste com o interesse de ter um ponto de referência. Disciplinas esotéricas e técnicas de meditação nos ensinam a observar nossa subjetividade – o ego e seu contínuo balbuciar de pensamentos e preocupações – do ponto de vista de alguém de fora, como uma “consciência testemunha”. Ao fazer isso, nós pulamos pra fora da nossa perspectiva individualista condicionada, o circuito auto-referencial, e atingimos uma perspectiva transcendental.

O ego desenvolve padrões habituais de pensamento e comportamento em resposta ao condicionamento. Com o passar do tempo, este condicionamento cria uma propensão probabilística em favor de padrões anteriores de resposta. “Uma vez que uma tarefa é aprendida, então para todas as situações que a envolvam, a probabilidade que a memória irá engatilhar uma resposta condicionada se aproxima dos 100%.”

Mas, além de nossos padrões habituais de reação, nós sempre preservamos o potencial para insight espontâneo e ação não condicionada. “Quando nos comportamos no nosso modo condicionado, o ego, e então nossos pensamentos, parecem algorítmicos, contínuos e previsíveis, o que os dá a aparência de objetos no estilo newtoniano. Mas também existe pensamento criativo, uma transição descontínua no pensar, uma mudança de significado do condicionado para algo de valor novo”, escreve Goswami, propondo que “pensamento criativo” é o “produto de um salto quântico no ato de pensar.”

De maneira similar, o físico F. David Peat sugere que “sincronicidades, epifanias e experiências místicas” revelam a mente “operando, por um instante, em sua verdadeira ordem… alcançando além da fonte mente e matéria, pra dentro da própria criatividade.” O aspecto quântico da consciência também rompe a casca do hábito na forma de intuição, o que não é um processo irracional, as “a-racional”, geralmente contendo uma “análise superior ou insight ou conhecimento que a consicência não foi capaz de produzir”, escreveu Carl Jung.

A consciência transcendente, esta “consciência que é pilar para toda a existência”,  “emprega matéria, assim como nós empregamos um computador, para fazer representações (software), que nós chamamos de vida nas células e conglomerados, ou funções vitais.”

De acordo com o linguista Noam Chomsky, o desenvolvimento da linguagem humana não poderia ter acontecido como um simples passo acima da comunicação animal.  “Parece não haver sustentação na idéia de que a linguagem humana é simplesmente uma instância mais complexa de algo a ser encontrado em algum outro lugar no mundo animal”, ele escreve. “Isso cria um problema para o biólogo, uma vez que, se for verdade, é um exemplo de verdadeira ‘emergência’ – a aparição de um fenômeno qualitativamente diferente em um estágio específico de complexidade de organização.”

Humanos possuem uma capacidade inata ou inerente para o desenvolvimento da linguagem, gramática e sintaxe, inexplicável por qualquer  modelo conhecido. “De fato, os processos pelos quais a mente humana alcançou seu estágio presente de complexidade e sua forma particular de organização inata são um total mistério… É perfeitamente seguro atribuir este desenvolvimento à ‘seleção natural’, contanto que percebamos que não há substância nesta afirmação, que ela não é nada mais do que uma crença em que deva existir uma explicação naturalista para esse fenômeno.”

O repentino surgimento da linguagem como estrutura cognitiva parece embasar a tese de Goswami de “um salto quântico de uma consciência criativa”, operando de um domínio transcendental. Tal perspectiva deixa aberta a possibilidade de futuros “saltos quânticos” de complexidade cognitiva.

Goswami acredita que seu modelo de evolução aponta para uma fase futura do desenvolvimento humano quando seremos capazes de mapear o “intelecto supramental” ou “corpo temático” (“o corpo de temas arquetípicos que determina o movimento dos corpos físico, mental e vital” – o que Jung chamava de “Self” e Platão de “reino das idéias”), assim como os corpos vital e mental, no corpo físico. Isso seria uma mudança de fase sem precedentes no potencial humano.


• Amit Goswami no Brasil
• 2012, O Ano da profecia Maia, de Daniel Pinchbeck (com publicação no Brasil prevista para o fim de 2010)
• Rudolf Steiner. Mais conhecido no Brasil pelas escolas Waldorf, Steiner – doutor em Filosofia e com diplomas de Química, Biologia e Física – foi uma espécie de precursor de Goswami, ao integrar ciência com espiritualidade há quase um século, através da criação da antroposofia.


1Propriedades quânticas:

• Um objeto quântico (como, por exemplo, um elétron) pode estar, no mesmo instante, em mais de um lugar (a propriedade da onda).

• Não podemos dizer que um objeto quântico se manifeste na realidade comum espaço-tempo até que o observemos como uma partícula (o colapso da onda).

• Um objeto quântico deixa de existir aqui e simultaneamente passa a existir ali, e não podemos dizer que ele passou através do espaço interveniente (o salto quântico).

• A manifestação de um objeto quântico, ocasionada por nossa observação, influencia simultaneamente seu objeto gêmeo correlato — pouco importando a distância que os separa (ação quântica à distância).

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Para uns, é o juízo final. Para outros, uma grande oportunidade para mudanças.

Onde você vai estar quando os 5.125 anos do longo calendário Maia terminarem no dia 21 de dezembro de 2012? Você estará se escondendo do cataclisma global e da reversão polar magnética em uma caverna subterrânea? Estará entrando em um reino multidimensional do hiperespaço desencadeado pela ativação em massa da glândula pineal? Recolhendo os pedaços de um mundo em ruínas, ou dançando a noite inteira na festa do final dos tempos?

Considerando que ninguém sabe o que vai acontecer em 2012, o fim do calendário Maia funciona como um meme (o “gene da cultura” – termo cunhado pelo biólogo Richard Dawkins em “O Gene Egoísta”, de 1976) tremendamente intrigante sobre o qual podemos projetar nossas esperanças e medos, sonhos e desejos.

Se o calendário Maia não tem como ser exatamente preciso, tanto melhor: as mudanças planetárias já estão em curso. Representadas no nosso consciente coletivo desde o início do milênio através dos célebres ataques às Torres Gêmeas de 2001 (motivados em última instância pela escassez do petróleo, ou seja, uma questão ambiental), o Tsunami de 2004, Katrina em 2005 e o aquecimento global, esta seqüência de eventos provocou uma mudança da nossa postura de “chefes da natureza” para “parte integrante” dela. Some a isto a crise financeira e a cada vez mais latente noção do fracasso de uma ciência cartesiana como solução dos nossos problemas (a ciência falhou em eliminar o espiritual de nossas vidas, e a retomada de substâncias psicodélicas como expansores de consciência – o LSD foi redescoberto pelas universidades e a ayahuasca tem se tornado o centro de movimentos sociais pós-modernos no primeiro mundo – aliados a descobertas recentes no campo da ciência quântica – primeiro a física e agora a biologia, trouxeram de volta uma visão ancestral em que ciência e espiritualidade são duas faces da mesma moeda), e você verá que 2012 (ou o fim do mundo tal qual o conhecemos) já está acontecendo.

Hollywood está oferecendo uma massiva projeção sombria sob a forma de um épico apocalíptico de $250 milhões que leva a estética da aniquilação a um novo grau de perfeição. Mas descontados os efeitos especiais e o entretenimento de shopping, o que este lançamento tem a dizer? Que temos que rir das crenças antigas com um saco de pipoca na mão, e desacreditar nessa simbologia, já que todos sabemos que o planeta não vai acabar de um dia pro outro? Isto é um enfoque um tanto quanto juvenil, cá entre nós. E covarde, pois nos exclui da responsabilidade pelo que está acontecendo no mundo. Ao fazer pouco caso do assunto e tratá-lo como um delírio das massas religiosas e ignorantes, nós estamos dizendo também que o carro que dirigimos, o banho longo que tomamos e o lixo que deixamos de reciclar não estão abusando do planeta. Afinal, é tudo misticismo.

Paradoxalmente ao seu efeito prometido, este blockbuster do fim dos tempos dá abertura para se oferecer uma visão alternativa para o que 2012 pode significar para o nosso planeta. Potencialmente, 2012 pode representar o despertar da consciência na espécie humana, em que assumimos a responsabilidade por nosso papel como agentes da evolução consciente.

Um crescente movimento popular percebe agora que não podemos mais esperar que governos, corporações ou qualquer entidade exterior sejam responsáveis por criar o belo mundo em que desejamos viver. Temos que fazer isso nós mesmos. Esta rede crescente inclui movimentos, festivais e comunidades como Evolver, Burning Man, Bioneers, Transition Towns e outros, que estão desenvolvendo novas redes cooperativas que podem ajudar a curar o nosso planeta, fornecendo soluções sustentáveis para os nossos sistemas político e econômico desastrosamente insustentáveis, que enfraquecem as pessoas, mantendo-nos todos adormecidos (e facilmente seduzidos por blockbusters como o de Roland Emmerich).

Cidades em todo o mundo (mas não no Brasil, onde a mentalidade de curto alcance, ou a arrogância ignorante propagada pela mídia domina) irão acolher conversas sobre 2012 e a evolução da consciência, incluindo “contra-projeções” para o blockbuster da Sony Pictures. Dois filmes que tratam do assunto sem o sensacionalismo narcotizante do filme de Emmerich merecem destaque e ajudam a esclarecer outra abordagem sobe o tema. O primeiro é um documentário da Mangusta Productions intitulado “2012: Time for Change“, dirigido por João Amorim (sim! Um documentarista brasileiro, radicado nos EUA e nominado ao Emmy, mas, pra variar, completamente desconhecido em seu país de origem) e estrelado, entre outros, por Ralph Metzner, David Lynch, Daniel Pinchbeck e –  pasmem! – Gilberto Gil (alô Veja, nada sobre isso?). O outro intitula-se “2012: Science or Superstition?“, e é produzido por Gary Baddeley (presidente da Disinformation Company ), que entrevista pesquisadores, escritores e cientistas do ramo com o mesmo propósito.

Ao longo do mês de Novembro, Estados Unidos, Canadá, Europa e África estarão participando dos debates, discutindo profecias indígenas e transformação global como gente grande.

Texto de Daniel Pinchbeck, remixado por Plantando Consciência

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2012

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