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Ayahuasca, imagens mentais e atenção ao mundo interior

Em novembro de 2012, cientistas da América Latina se reuniram em Cancún, no México, para a criação oficial da FALAN: Federação LatinoAmericana de Neurociências.

FALAN

Como não poderia deixar de ser, a Ayahuasca, medicina tradicional desta região do planeta, foi contemplada em duas palestras. Isto porque organizamos o simpósio “Manifesting the Mind“. As palestras sobre Ayahuasca ficaram a cargo do Dr. Jordi Riba, da Espanha, e de Draulio Araújo, do Instituto do Cérebro da UFRN.

A palestra do Prof. Draulio está agora disponível na íntegra. Além destas, houve uma palestra sobre ibogaína no tratamento da dependência, de Eduardo Schenberg, que será disponibilizada oportunamente.

Agradecimento especial a Rafael Beraldo, que editou o vídeo. Procuramos voluntário interessado em nos ajudar com a legenda, para que possa ser traduzida e disponibilizada a um público ainda maior!

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A molécula do espírito, o cipó das almas e a… Ciência?

Ayahuasca. Daime. Caapi. Yagé. Vegetal. Hoasca. Biaxii. Nishi Pae. Natema…

São muitos os nomes. São muitos os efeitos. São quase infindáveis as maneiras de usar, os propósitos, os contextos, os lugares…

A ayahuasca, bebida de origem amazônica utilizada ritualmente e religiosamente em no mínimo 20 países, por milhares de pessoas, propicia uma daquelas experiências absolutamente inacreditáveis para a imensa maioria dos ocidentais. Inefável. Beira o inexprimível…

Permitida para uso religioso no Brasil, tida como patrimônio cultural no Peru, é proibida, banida, mal entendida e perseguida em inúmeros países. É a protagonista central de episódeos típicos da santa inquisição, em pleno século XXI. Segundo os legisladores dos EUA e tantos outros países, o que os Quechuas batizaram “Cipó das Almas” é extremamente perigoso e deve ser banido, principalmente por conter a molécula N,N-Dimetiltriptamina, que o psiquiatra americano Rick Strassman batizou de “Molécula do Espírito”. Parece que há, afinal, alguma concordância entre índios Quechua e a psiquiatria moderna.

Essas são apenas algumas das quase infinitas perguntas que nós, do Plantando Consciência, mais um número cada vez maior de pesquisadores, no Brasil e no mundo, nos propomos a investigar, com auxílio da Ciência. Isso mesmo. Buscamos unir ciência e espírito, transcender a dicotomia cartesiana, a dualidade mente/matéria. Uma de nossas principais ferramentas: a neurociência. Aliada, é claro, à antropologia, história e respeito profundo e amplo a sabedorias ancestrais e seus maravilhosos mistérios.

Nossa jornada nessa direção já conta com algumas trilhas longas, e alguns frutos. Em agosto de 2012 organizamos, durante o congresso da FeSBE e da SBNeC o simpósio “Ayahuasca, cérebro e consciência“. Abaixo, você pode assistir, de graça e em primeira mão, duas destas palestras, na íntegra (Graças ao trabalho voluntário do Rafael Beraldo, que os editou, Obrigado!). Uma envolvendo pesquisa com ayahuasca e neuroimagem, já publicada, e outra sobre uma pesquisa em andamento com as ondas elétricas do cérebro durante o efeito do chá milenar.

 

E neste domingo, 14/10, mais um de nossos pesquisadores, Sidarta Ribeiro, irá apresentar palestra sobre investigações científicas envolvendo a ayahuasca, em NY, durante o simpósio Horizons.

E na terça feira que vem, aos que estiverem em São Paulo, apresentaremos mais uma sessão gratuita do documentário “A Molécula do Espírito” na Casa Jaya. Após a sessão, bate papo exclusivo com o Prof. de história Henrique Carneiro e com o antropólogo Marcelo Mercante, especialistas nestas e em outras mil questões interessantíssimas.

Dia 16/10 a partir das 19h, na Casa Jaya, Rua Capote valente 305, Pinheiros. Telefone: (11) 2935-6987

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N,N-Dimetiltriptamina?

A seguir, videos feitos pelo jornalista Paulo Castilho, com nosso debate sobre a DMT, a molécula do espírito (Obrigado Paulo!) que rolou no cineclube socioambiental dia 26/04. Desculpem a todos que nao puderam entrar pela falta de lugares, esperamos ve-los na próxima e espero que curtam os videos.

 

 

 

 

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Ainda vai ser proibido proibir o que não se pode proibir

Recentemente houve a polêmica publicação de um adendo à “Controlled Substances Act“, lei dos Estados Unidos que define quais substâncias são ilegais no país, e consequentemente influenciam o status destas substâncias em todo o mundo. Neste adendo, pelo que se tem notícias pela primeira vez, substâncias foram classificadas como ilegais baseadas em seu mecanismo de ação farmacológico. No texto do adendo consta que “agonistas canabimiméticos” ficam sendo proibidos… hein? Alto lá! Além de serem encontrados em plantas, como por exemplo na maconha ou haxixe, os agonistas canabinóides também estão presentes em diversos tipos de animais, e inclusive no nosso próprio organismo.

video com legendas em português e inglês, basta clicar play e depois no “CC”

Hoje algumas plantas são proibidas, o que me parece estranho visto que elas são parte da própria natureza. Mas alguém já pensou em proibir animais? Por exemplo, o baiacu é um peixe altamente venenoso que existe em abundância no litoral brasileiro. Não há dúvida de que traz risco, pois porta uma toxina altamente potente e mortal em seus órgãos interno. Mas ainda assim, algumas pessoas fazem uso de baiacu, e se deliciam com isto. Já imaginou proibir o baiacu porque ele potencialmente faz mal? Como se executa uma lei desse tipo?

Faz sentido que este belo baiacu seja "proibido", já que produz uma toxina mortal? Dica com importância de saúde pública, como limpar um baiacu, clique na foto.

Sim, no meu, no seu e no nosso organismo existem pelo menos 5 agonistas canabinóides. No cérebro, por exemplo, os agonistas canabinóides endógenos (endocanabinóides) são responsáveis por diversas funções importantíssimas para nossa saúde, incluindo regulação de temperatura, controle de processos inflamatórios, indução de fome, manutenção de humor, entre outras. Além do que agonistas canabinóides são responsáveis pelos efeitos terapêuticos, já reconhecidos em algumas preparações, como o Bedrocan, maconha medicinal vendida em farmácias da Holanda, e o extrato padronizado Sativex, comercializado em diversos países da Europa e no Canadá.

Com uma leitura mais atenta, percebe-se que a intenção do documento é estender a proibição a certas substâncias sintéticas com classe química definida. Ah tá… (muito embora, eu continue achando estranho pois o Marinol, um THC sintético, é liberado para uso terapêutico pelo FDA dos Estados Unidos já faz mais de 20 anos).

Esta manobra de proibição de agonistas canabinóides sintéticos é muito provavelmente uma reação ao recente aumento da venda de uma nova droga de rua chamada de “Spice” em terras estrangeiras, e que se descobriu, inclui (mas não se restringe a) canabinóides sintéticos. (Para saber mais)

O que pouco se comenta, no entanto, é que o aumento na variedade de substâncias sintéticas da classe canabinóide é uma consequência direta da proibição dos derivados naturais da Cannabis, que sempre foram os “preferidos” pelos usuários. Ou seja, é a mesma estratégia de proibição sendo utilizada para remediar os efeitos colaterais dela mesma. Não lhe parece um equívoco?

Se seguirmos nesta toada, proibindo ponto a ponto cada substância que se invente dentro de uma classe farmacológica, o desperdício de tempo e recursos, será imenso, pois é inevitável que novas substâncias sejam criadas de tempos em tempos, dada a vasta criatividade humana, em especial quando estimulada pelo alto preço dos miligramas destas substâncias ilícitas. É inevitável que um dia alguém se canse e queira de uma vez “proibir tudo o que é canabinóide“.

Curiosamente, o sistema endocanabinóide está intrinsecamente ligado à capacidade adaptativa dos organismos; e nunca antes na história da humanidade uma mudança radical de comportamento foi tão necessária! Aos que continuam achando que os canabinóides são os vilões da história, e que apóiam a estratégia de “proibições seriais”, já aviso que a estratégia é um saco sem fundo. Melhor então partir para uma abordagem tecnológica e usar a engenharia genética para fabricar uma nova geração de bebês que não possuam os receptores canabinóides (onde as moléculas da maconha se ligam para agir) no corpo. Ih, melhor não dar idéia… isto já é possível em animais menores, como roedores, e se o nosso futuro for tão catastrófico e artificial como o do Admirável Mundo Novo de Huxley (livro em pdf), isto ainda pode acontecer.

Aproveite para comer buchada de bode, ela pode ser proibida num futuro próximo! (intestinos de bode, porco e outros mamíferos de corte naturalmente contém endocanabinóides)

Considero um grande erro tirar o fator humano da jogada, e considerar que as substâncias são simplesmente “boas” ou “más”. Afinal, é uma pessoa, em um determinado contexto econômico e social, em um determinado momento, que faz uso de uma substância. E não é só o que a substância faz na pessoa, mas principalmente o que a pessoa faz com a substância… Grandes obras culturais da humanidade foram criadas com estímulo dos psicoativos; dizem algumas teorias que até as religiões são invenções psicodélicas… Então porque nos últimos 50 anos há tanta perseguição e tanto medo da psicoatividade?

Como dizia o Robertão, parece que “tudo que eu gosto é proibido, imoral ou engorda“. Ou seja, talvez a idéia velada seja proibir tudo o que incomoda, perturba, tira do senso comum; usando as substâncias (que são tangíveis) para classificar e recriminar ideologias e atitudes (intangíveis), como uma espécie de censura farmacológica. Neste caso, porque não ir direto ao ponto e declarar que é “proibido utilizar, cultivar, vender ou difundir qualquer substância, artefato ou prática que gere prazer, alteração de estado emocional ou mental, e que induza o indivíduo a pensar ou se comportar de maneira diferente do grupo de indivíduos de maior poder político em uma determinada sociedade“.

Afinal, não é esse o resultado final da estratégia vigente?

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O que é consciência?

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A máquina que constrói a realidade

Pra começar a admirável década nova, escolhemos postar um vídeo com palestra do amigo e colaborador Mariano Sigman, físico, Professor de Neurociências em Buenos Aires, que mostra de forma sucinta, bem animada e cativante, como a neurociência pode investigar alguns aspectos fascinantes da consciência e seus correlatos com funções cerebrais. O vídeo está em espanhol, mas pode ser visto com legendas em inglês ou espanhol no youtube (basta clicar no canto direito inferior do vídeo pra chegar lá).

Saudações esperançosas de que uma nova época tenha realmente começado

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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Tempo

Now is nothing,
an infinitesimal membrane of time
through which the future passes into the past.
Yet now is the only moment we experience.
And in that moment is everything we experience;
all of the present, the past, and the future.
But to be in that moment,
to have our attention be here, now;
not caught up in the past or the future,
not caught up in worry or concern,
to be at peace with what is,
to know that still center about which time turns,
Ah, that is our challenge.

Peter Russel

A recente moda por filmes 3D exemplifica bem um reducionismo muito comum, que reflete o fato de não lidarmos bem, e em muitos casos simplesmente ignorarmos uma dimensão fundamental da existência: O tempo. Qualquer filme que se propagandeia por aí como 3D na verdade é 4D, e os filmes tradicionais, ditos 2D, são 3D desde que o cinema é cinema, simplesmente porque o tempo é a dimensão extra, ignorada na conta.

Esta falta de percepção vai muito além de um preciosismo técnico ou científico e é central na situação atual da humanidade sobre a Terra. Não sabendo lidar bem com o tempo, criamos nossa incessante e enlouquecedora sociedade moderna voltada a produção na maior velocidade imaginável. Ficamos tão obcecados com a pressa em trabalhar, produzir, ir, chegar, fazer, comprar, voltar… que as expressões “correria do dia a dia” ou “correr atrás do tempo” já são lugar-comum.

Mas a percepção profunda e abrangente do tempo é central para o despertar da consciência, para que possamos criar um futuro onde haja mais recursos disponíveis do que hoje em dia, e não menos, como estamos atualmente deixando a nossos herdeiros. Precisamos nos dar conta de que a natureza opera em mútlipas escalas de tempo, que vão de micro-segundos (ou fento-segundos ou ainda menos) até milhares, bilhões de anos. Quando estendemos nossa percepção de tempo, ao menos intelectualmente, novos fenômenos se descortinam, alargando nossos horizontes.

Selecionamos duas obras onde o tempo é fundamental para a correta apreciação da situação e dos fatos, e quando o consideramos em sua escala adequada, um novo mundo de possibilidades se abre para a mente humana, usualmente prisioneira de sua limitadíssima percepção entre algumas centenas de milissegundos e não mais do que poucos anos. Além desses limites, quase todos os fenômenos tornam-se imperceptíveis e inimigináveis para a maioria de nós. De um lado, eventos rápidos, abaixo de algumas centenas de milissegundos, se tornam imperceptíveis conscientemente, porém podendo nos afetar incoscientemente em alguns casos, como nas imagens subliminares. De outro lado, fenômenos que se desenrolam de maneira muito lenta para nós parecem inexistentes, a não ser que os observemos em intervalos muito distantes e comparemos resultados, como no caso de fotografias que monitoram a situação de glaciares no mundo.

Assim sendo, profundamente reféns do aceleradíssimo bombardeamento sensorial proveniente da alta tecnologia, como a TV e a internet, onde tudo é tão rápido que chega a ser simultâneo, nos tornamos incapazes de enxergar as consequências de nossas ações no planeta poucos anos adiante. Algumas culturas ancestrais consideravam as consequências de suas ações por 7 gerações futuras, cientes que estavam das múltiplas escalas de tempo na natureza e da importância disto para a preservação da vida em gaia. O primeiro vídeo, a animação alemã Das Rad (dica do amigo Gabriel Jesus Monteiro), mostra o quão efêmera é a atividade Humana na Terra, quando vista de um ângulo diferente, onde muitos anos seriam apenas alguns instantes na vida de duas pedras

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

O segundo, uma palestra incrível do italiano Stefano Mancuso, abre nossos olhos para uma nova perspectiva sobre o reino vegetal, o mais abundante e essencial para a vida neste planeta, que por ser mal compreendido e desprezado, está no centro da nossa possível ruína como sociedade.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

(legendas disponiveis no menu abaixo do vídeo)

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