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A caminho da verdadeira sustentabilidade

“Sustainability: Development that meets the needs of the present without compromising the ability of future generations to meet their own needs”

“Sustentabilidade: Desenvolvimento que supre as necessidades do presente sem comprometer a habilidade de gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”

ONU, 1987

 

A eleição presidencial no Brasil mostrou que o ambientalismo está forte como nunca. Em uma política nacionalmente polarizada entre dois partidos (PT e PSDB) há anos, em 2010 os quase 20 milhões de votos no Partido Verde, outrora um partido-nanico, marcaram a história ao mostrar que o brasileiro hoje leva muito a sério a questão ambiental e ecológica.

Mas sustentabilidade vai muito além de políticas públicas sobre petróleo, combustíveis limpos e energias renováveis ou até mesmo desmatamento florestal etc etc. Ela ultrapassa os limites do chamado ambientalismo e passa pela casa de cada um de nós, onde cada indíviduo, comunidade, bairro e município pode fazer a diferença. Uma mudança de estilo de vida está em rumo, e atinge desde o que (e quanto) comemos e compramos até qual lâmpada você coloca na sua casa e como vc descarta tudo isso quando lhe parece que não tem mais utilidade.

Nesse sentido diversas alternativas interessantes aparecem por aí, mais ou menos criativas e que demandam empenho variado do indivíduo. A ONG Made In Forest está montando uma base de dados de pontos de coleta seletiva de diversos materiais em todo o país, enquanto a empresa TetraPak fornece o site rota da reciclagem e o governo executa a coleta seletiva solidária. A reciclagem poderia então ser muito simples no dia a dia de cada um se houvesse interação local entre as pessoas de cada edifício, condomínio, cooperativas, ruas, bairros e prefeituras, mas a coisa pode ir se complicando quando esta cadeia é rompida em qualquer um dos pontos. Em São Paulo, por exemplo, apesar de diversas iniciativas locais de reciclagem em condomínios e bairros, a prefeitura parece estar ainda no século passado, não demonstrando qualquer interesse em utilizar recursos financeiros de quase 6 bilhões que foram disponibilizados pelo governo federal para alavancar 10 cooperativas da megalópole (segundo matéria de Lúcia Rodrigues na Caros Amigos). A medida certamente ajudaria a resolver uma questão seríssima para um monstro de cerca de 15 milhões de habitantes que atualmente joga suas 12 mil toneladas diárias de lixo em municípios vizinhos mais pobres (Caieiras e Guarulhos) a um custo mensal de R$ 6,6 milhões (veja aqui !!!).

Nos municípios que recebem este lixo em troca de dinheiro falta a reflexão séria de que tipo de negócio estão praticando, trocando uma recompensa financeira imediatista em troca de um futuro com solo e água contaminados. Em escala planetária, este fenômeno se repete no tráfico internacional de lixo. Se parece absurdo países levarem seu lixo ao exterior de maneira clandestina, é mais ou menos o que faz cada cidadão diariamente, mas de acordo com a legislação: o que eu não quero aqui, jogo em outro lugar, sempre mais pobre que a origem.

Isso revela que a mesma questão se manifesta em várias escalas, e portanto devemos pensar em soluções abrangentes. Mudanças legislativas e políticas podem parecer ser a solução adequada, mas daí vem a pergunta: Por que uma prefeitura não faria ações de coleta seletiva?

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O futuro depende delas!

Neste dia das crianças, divulgamos uma série de animações do Instituto Akatu sobre consumismo, sociedade e meio ambiente. Em linguagem acessível e bem humorada, é uma ótima dica para compartilhar com as crianças, os verdadeiros construtores e herdeiros do futuro.

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O culto à ganância é agora uma ameaça ambiental

Suzanne Goldenberg, correspondente ambiental do The Guardian (veja o original em inglês).

O americano médio consome, em produtos, mais do que o seu próprio peso por dia, alimentando uma cultura global de excessos que está emergindo como a maior ameaça para o planeta, segundo documento  publicado hoje. No seu relatório anual, a Worldwatch Institute diz que o culto ao consumo e à ganância pode acabar com todas as vitórias das ações governamentais sobre as alterações climáticas ou impedir uma mudança efetiva para uma economia de energia limpa.

Erik Assadourian, diretor do projeto, que liderou uma equipe de 35 pessoas para produzir o relatório, afirmou: “Enquanto não reconhecermos que nossos problemas ambientais – das alterações climáticas ao desmatamento e à extinção de espécies – são movidos por hábitos insustentáveis, não seremos capazes de resolver as crises ecológicas, que ameaçam varrer a civilização.”

A população do mundo está queimando os recursos do planeta a uma velocidade imprudente, lembra o representante da organização americana. Na última década, o consumo de bens e serviços aumentaram  em 28%, para $ 30,5 trilhões de dólares.
A cultura do consumo não é mais um hábito essencialmente norte-americano, mas está se espalhando por todo o planeta. Ao longo dos últimos 50 anos, o excesso foi adotado como um símbolo de sucesso em países em desenvolvimento, do Brasil à Índia e China, afirma o relatório. A China ultrapassou os EUA esta semana como o maior mercado automobilístico do mundo. E já é o maior produtor de emissões de gases com efeito estufa.

Tais tendências não foram uma conseqüência natural do crescimento econômico, o relatório prossegue, mas o resultado de esforços deliberados das empresas para conquistar os consumidores. Produtos como o hambúrguer – rejeitado como um alimento não saudável para os pobres no início do século 20 – e garrafas de água, são comuns no dia a dia.

A família média ocidental gasta mais com seu animal de estimação do que é gasto por ser humano em Bangladesh.

Por outro lado, o relatório notou sinais encorajadores de uma mudança na contramão da cultura de altos gastos. Ele afirma que os programas de merenda escolar denotam maiores esforços para incentivar hábitos alimentares mais saudáveis entre as crianças. A geração mais jovem também está mais consciente do seu impacto sobre o meio ambiente.

“Deve haver uma transformação global de valores e atitudes”, propõe o relatório. Nas taxas atuais de consumo, o mundo precisa erguer 24 turbinas eólicas por hora para produzir energia suficiente para substituir os combustíveis fósseis.

“Nós vimos alguns esforços encorajadores para combater a crise climática nos últimos anos”, disse Assadourian.

“Mas ao se promover mudanças políticas e tecnológicas enquanto mantemos uma cultura centrada no consumismo e crescimento, não há como avançar”.

“Se não mudarmos a nossa cultura, teremos de enfrentar novas crises. No final das contas, o consumismo não será mais viável ao passo que a população mundial crescer em 2 bilhões e economias crescerem em maior quantidade de países.”

No prefácio do relatório, o presidente do Worldwatch Institute, Christopher Flavin, escreve: “Enquanto o mundo luta para recuperar-se da mais grave crise econômica desde a Grande Depressão, temos uma oportunidade sem precedentes para dar as costas ao consumismo. No final, o instinto humano de sobrevivência deve triunfar sobre o desejo de consumir a qualquer custo. ”

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