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Dia mundial do meio ambiente

Como ela não fala a nossa língua, mas a língua dela própria, na própria cadência, compartilhamos hoje este vídeo em homenagem a Gaia

O vídeo é trailer do capítulo 9 da Série VIDA, da BBC

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Belo?

Talvez a questão mais importante dos anos Dilma no Brasil, a se refletir por séculos, seja a construção (ou não) da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Xingú (em Altamira, PA). A obra, planejada antes mesmo dos anos FHC, perpetua um modelo energético centralizado e devastador ao ambiente. A obra mal começou (o IBAMA inventou e concedeu “licensa parcial” e portanto já está sendo devastada floresta para criar o canteiro de obras) e já acumula inúmeras irregularidades políticas, jurídicas e sociais que apontam para um atropelo da constituição, da lei, das pessoas e da natureza. O último estudo de impactos ambientais levantou 40 (!!!) itens alarmantes. Quarenta cientistas reportaram 280 páginas sobre o projeto, que foram ignoradas. 560 mil assinaturas contra a obra foram entregues, mas sem efeito qualquer junto ao governo. Vinte e quatro culturas indígenas que congregam milhares serão devastadas pela usina, ao contrário do que declara a própria presidenta, que faz um jogo delicado e sutil de palavras: na constituição, alagar territórios não faz parte do conceito de atingir indígenas. Tudo isso em prol de um modelo energético duvidoso, que já produz energia elétrica em excesso e desperdiça absurdos e de um desenvolvimento econômico muito questionável. Se não bastasse, a obra não é isolada, mas parte de um plano de mais 60 usinas naquilo que hoje ainda é floresta.

Um recente documentário brasileiro com parceria espanhola traz a tona a voz dos ignorados que de fato vivem na região e serão devastados pela obra:

No dia 20 de agosto, sábado próximo, haverá ato global contra a obra, que simboliza uma luta de 30 anos. Participe, informe-se, contribua!

infos deste breve e emergencial post foram obtidas pelo @plantando no debate de segunda-feira, dia 15/08/2011, organizado pelo @salveafloresta na @casajaya, com participação de Aline Arruda (Advogada ambiental), Verena Glass (Jornalista – Xingu Vivo), Sanny Kalapalo (Etnia Kalapalo – Pró-Xingu), Célio Bermann (Professor da Pós graduação do Instituto de Eletrotécnica e Energia – USP), Rodrigo Guim (Ecólogo e Antropólogo), André Amaral (Biólogo, Mestre em Ciências Ambientais) e Flávia Cremonesi (Bióloga e Designer em Sustentabilidade e Permacultura), obrigado!

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Reflexão sobre o belo monte

Em tempos em que querem a todo custo acelerar o já acelerador PAC e construir coisas como a usina hidrelétrica de Belo Monte, atropelando demais interesses e necessidades de todos os seres vivos, relembrar as palavras do Cacique Seattle ao presidente norte-americano em 1852 é uma prática meditativa profunda que pedimos ao maior número de pessoas que façam. Se possível, que isto chegue à mesa de nossa primeira presidenta e de seus demais colaboradores neste processo:

“O presidente em Washington manda dizer que deseja comprar a nossa terra. Mas como você pode comprar o céu, a terra? Essa idéia é estranha para nós. Todas as partes dessa terra são sagradas para meu povo. Cada agulha brilhante de pinheiro, cada grão de areia da praia, cada névoa na floresta escura, cada arbusto é sagrado na memória e na experiência do meu povo. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs. O urso, o veado, a grande águia, são todos nossos irmãos. Cada reflexo na água cristalina dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida de meu povo. O murmúrio das águas é a voz do pai do meu pai.  Os rios são nossos irmãos. Eles carregam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se vendermos nossa terra a vocês, lembrem-se de que o ar é precioso para nós e compartilha seu espírito com todas as formas de vida que ele sustenta. O vento, que deu a nosso avô seu primeiro alento recebe também seu último suspiro. Isto nós sabemos. A terra não pertence ao homem. O homem pertence à terra. Todas as coisas são interligadas, como o sangue que une a todos nós. O homem não tece a teia da vida. Ele é apenas um fio dela. O que quer que faça à teia, fará com si mesmo. O destino de vocês é um mistério para nós. O que acontecerá quando todos os búfalos forem abatidos? O que acontecerá quando os recantos sagrados da floresta estiverem tristes com a tristeza de tantos homens? Quando a vista das colinas verdejantes se macular com os fios que falam? Será o fim da vida e o começo da sobrevivência. Quando o último pele-vermelha sumir com a natureza selvagem e suas memórias forem apenas sombras de uma nuvem sobre a planície, essas praias e florestas ainda estarão aqui? Terá sobrado algum espírito do meu povo? Amamos essa terra como o recém nascido ama as batidas do coração de sua mãe. Então se vendermos a vocês nossa terra, amem-a como nós a amamos. Cuidem dela como nós cuidamos. Preservem na mente a memória da terra como ela estiver quando a receberem. Preservem a terra para as crianças e amem-na como Deus ama a todos nós. Uma coisa que sabemos é que só existe um Deus. Nenhum homem, branco ou vermelho, pode viver isolado. No final das contas somos todos irmãos.”

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