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Carta de Brasília em Defesa da Razão e da Vida

cid2013O Congresso Internacional sobre Drogas: Lei, Saúde e Sociedade foi realizado entre 3-5 de maio de 2013 no Museu da República em Brasília para fomentar o diálogo sobre o tema das drogas. Nós, participantes do Congresso e signatários desta carta, constatamos que a política proibicionista causa danos sociais gravíssimos que não podem persistir. Não há evidência médica, científica, jurídica, econômica ou policial para a proibição. Entretanto identificamos alarmados um risco de retrocesso iminente, em virtude do projeto de lei 7663/10, de autoria do Deputado Osmar Terra (PMDB/RS), atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, relatado pelo deputado Federal Givaldo Carimbão (PSB/AL). Entre vários equívocos, o projeto prioriza internação forçada de dependentes químicos. Vemos com indignação que autoridades do Governo Federal se pronunciam a favor dessa prática. Conforme apontado pelo relator especial sobre tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes junto ao conselho de direitos humanos da Organização das Nações Unidas, a internação forçada de dependentes químicos constitui tortura. Tendo em vista a trajetória política, compromisso com os direitos humanos e experiência pessoal em relação à tortura da Presidenta Dilma Roussef, é inadmissível que o Governo Federal venha a apoiar a internação forçada. Entendemos que a aplicação dessa medida no Brasil atual representa a volta da política de higienização e segregação de classe e etnia.

Mesmo em suas versões mais brandas, o proibicionismo infringe garantias fundamentais previstas na Constituição da República, corrompe todas as esferas da sociedade, impede a pesquisa, interdita o debate e intoxica o pensamento coletivo. A tentativa de voltar a criminalizar usuários e aumentar penas relacionadas ao tráfico de drogas é um desastre na contramão do que ocorre em diversos países da América e Europa, contribuindo para aumentar ainda mais o super-encarceramento e a criminalização da pobreza. A exemplo das Supremas Cortes da Argentina e da Colômbia, é preciso que o Supremo Tribunal Federal declare com urgência a inconstitucionalidade das regras criminalizadoras da posse de drogas ilícitas para uso pessoal. Em última instância, legalizar, regulamentar e taxar todas as drogas, priorizando a redução de riscos e danos, anistiando infratores de crimes não-violentos e investindo em emprego, educação, saúde, moradia, cultura e esporte são as únicas medidas capazes de acabar efetivamente com o tráfico, com a violência e com as mortes de nosso jovens. É um imperativo ético e científico de nosso tempo, em defesa da razão e da vida humana.

Saiba um pouco mais sobre a gravidade da situação assistindo ao vídeo abaixo

 

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Adriana Eiko Matsumoto, Psicóloga, Professora da PUCSP e Conselheira do Conselho Federal de Psicologia.

Adriana Rocha Aguilar Carneiro, Assistente Social, SP.

Adriana Souza Silva, jornalista, Diretora da Agência Fato Relevante.

Alba Zaluar, Antropóloga, Professora Titular do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Aldo Zaiden, Psicanalista, Conselheiro do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas- CONAD- MJ pelo Ministério da Saúde.

Alessandra Oberling, Antropóloga, membro da Rede Pense Livre.

Alexandre Ciconello, Advogado, assessor político do INESC, Instituto de Estudos Socioeconômicos.

Alexandre Machado, Jornalista, SP.

Alice Aparecida da Silva Ribeiro, Psicóloga, Pós-Graduada em Saúde Mental e Clínica, Articuladora de Rede do Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário do TJMG.

Aline Mattos Fuzinatto, Assistente Social, Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Mental Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Aline Souza Martins, Psicanalista, Mestranda USP, São Paulo, Autora da dissertação “Por que a guerra? Política e subjetividade de jovens envolvidos com o tráfico de drogas em Belo Horizonte”.

Aluísio Ferreira de Lima, Doutor em Psicologia Social, Professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará.

Amanda Simões Souza, Estudante de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília.

Anamaria Faria Carneiro, Psicóloga, Recife, PE.

Ana Lívia Rodrigues de Castro, Professora e Mestranda em Estudos Literários na Universidade Federal de São Carlos.

Ana Luiza de Souza Castro, Conselheira do Conselho Federal de Psicologia e membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP.

Ana Mercedes Bahia Bock, Professora de Psicologia, PUC/SP.

André Barros, Advogado da Marcha da Maconha, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ e do Instituto dos Advogados Brasileiros.

André da Costa Garcia, Estudante de Antropologia na Universidade Federal da Integração Latino-Americana e Integrante do Coletivo Marcha da Maconha de Foz do Iguaçu.

André Panzetti de Oliveira, Psicólogo, Técnico de Medida Socioeducativa em Meio Aberto, SMSE-MA Capela do Socorro.

André Rosito Marquardt, Médico Psiquiatra, coordenador do CAPS-AD continente de Florianópolis, SC.

André Sant’Anna, Escritor.

Andrea Nobre Viana, Psicóloga.

Andrew Muller Reed, Cientista Social, ativista da Marcha da Maconha Rio de Janeiro.

Anna Karla Rodrigues Santos, Graduanda em Gestão de Políticas Públicas na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Integrante do Coletivo Potiguar Marcha da Maconha.

Antonio Ferreira Marques Neto, Graduado em Filosofia, UnB e Assistente Administrativo na Ouvidoria do Conselho Federal de Psicologia.

Antonio Roque, Professor de Física da USP Ribeirão Preto e Tesoureiro da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento (SBNeC).

Antônio Sebastião Barbosa Neto, Acadêmico de Psicologia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e membro da Universidade Popular Juvenal Arduini.

Arlanza Rebello, Defensora Pública RJ, Titular do Núcleo do Sistema Penitenciário da Defensoria Pública (NUSPEN) do Estado do Rio de Janeiro.

Arlindo da Silva Lourenço, Psicólogo da Penitenciária “José Parada Neto”, de Guarulhos. Doutor em Psicologia Social pela USP-SP, Membro do Conselho Estadual de Saúde de São Paulo, Dirigente do Sindicato dos Psicólogos no Estado de São Paulo e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social da CUT, Professor Universitário.

Bárbara Chiavegatti, Estudante de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Beatriz Caiuby Labate, Antropóloga, Professora Visitante do Programa de Política de Drogas do Centro de Pesquisa e Ensino em Economia (CIDE), em Aguascalientes, México e Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP).

Beatriz Vargas Ramos, Professora de Direito Penal da Universidade de Brasília, Membro do GCCrim, Apoiadora da LEAP Brasil.

Betania Devechi Ferraz Bonfa, Defensora Publica, SP.

Breno Serson, Médico Psiquiatra e Doutor em Filosofia.

Bruna Pasqualini Genro, Bióloga, Doutoranda UFRGS/HCPA.

Bruno Ramos Gomes, Psicólogo, Mestre em Saúde Pública, representante do CRP/SP no CONED e Presidente do Centro de Convivência e de Lei.

Bruno Torturra, Jornalista, membro da Rede Pense Livre.

Cadu Oliveira, Jornalista, autor do Hempadão.

Camilo Vanni, Conselheiro do CONAD.

Carlos Weis, Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Carolina dos Reis, Psicóloga, Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul.

Cecília Boal, Psicanalista, RJ.

Cecília Hedin-Pereira, Neurocientista, Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Presidente da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC).

Cecília Pescatore Alves. Doutora em Psicologia Social, Professora da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo

Celi Cavallari, Psicóloga, Vice-Presidente da ABRAMD e Conselheira da REDUC.

Celso Peito Macedo Filho, Médico-Psiquiatra do CAPS II de Frutal/MG e do CAPS I de Iturama/MG, Especialista em Esquizoanálise, Esquizodrama, Análise Institucional e Grupos, membro do Instituto Gregorio Baremblitt, membro da Universidade Popular Juvenal Arduini.

Charles Alimandro, Empreendedor Social e organizador do Congresso Internacional Sobre Drogas 2013.

Claudia Abramo Ariano, Defensora Pública do Estado de São Paulo.

Claudio Angelo, Jornalista.

Claudio Marcos Queiroz, Professor Adjunto, Instituto do Cérebro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Clebion Eli Miranda, Diretor de Comunicação do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (SINDNAPI), Taubaté, SP.

Cristiane Ribeiro, Psicóloga, Belo Horizonte.

Cristiano Avila Maronna, Mestre e Doutor em Direito Penal pela USP e Diretor do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM).

Daniel Luis Moreira Aló, Turismólogo e Ambientalista.

Daniel Nicory do Prado, Diretor da Escola Superior da Defensoria Pública da Bahia e representante da ANADEP junto à Subcomissão de Crimes e Penas da Câmara dos Deputados, membro da Rede Pense Livre e consultor da campanha “Lei de Drogas: É preciso mudar”.

Daniela Skromov de Albuquerque, Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Danielle Vallim, Cientista Política, Pesquisadora do Núcleo de Pesquisas das Violências do Instituto de Estudos Sociais e Políticos, Doutoranda em Saúde Coletiva, IMS/UERJ, Pesquisadora NEIP e membro ABESUP.

Dartiu Xavier da Silveira, Médico-Psiquiatra, Professor da Universidade Federal de São Paulo, Coordenador e Fundador do PROAD, Presidente Fundador da ABRAMD, Assessor da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

Deborah Sereno, Psicanalista, Professora de Psicologia da PUC-SP.

Deborah Uhr, Psicanalista, Supervisora da Rede de Saúde Mental do município do Rio de Janeiro, Professora do Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação e doutoranda em psicologia clínica na PUC-Rio.

Dênis Roberto da Silva Petuco, Cientista Social, Mestre em Educação, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Juiz de Fora; consultor autônomo sobre Drogas, Educação e Saúde.

Denis Russo Burgierman, Diretor de Redação das revistas Superinteressante e Vida Simples.

Denizar Missawa Camurça, Biólogo, NEIP.

Douglas Senna Engelke, Biólogo, Doutorando Unifesp.

Dráulio Barros de Araujo, Professor Titular de Neuroimagem, Instituto do Cérebro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Dulcinea Peixoto Nelson, Advogada, UBMRJ, Pós-Graduação em Dependência Química UNISAL, Campinas, SP.

Ederton Quemel Rossini, Estudante Psicologia, ISECENSA, Campos dos Goytacazes, RJ.

Edson Nunes Mesquita, Estudante de Psicologia, UDF, DF.

Eduardo Ekman Schenberg, Pesquisador Pós-Doutor na Universidade Federal de São Paulo, Diretor do Instituto Plantando Consciência.

Edvaldo Nabuco, Professor Pesquisador, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS)/Fiocruz, Diretoria Nacional da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME).

Edward MacRae, Antropólogo CETAD/UFBA, Secretário da ABESUP.

Eliana Maria de Moraes, Terapeuta Ocupacional, Coordenadora do Fórum Mineiro de Saúde Mental/RENILA.

Elisa Zaneratto, Psicóloga, Professora da PUC/SP.

Elza Ibrahim, Psicóloga clínica, Professora da Universidade Veiga de Almeida.

Emilia Estivalet Broide, Psicanalista, Mestre em Saúde Pública FSP-USP, Doutoranda do Curso de Psicologia Social da PUC SP, Professora do Curso de Psicossociologia da Juventude e Políticas Publicas da ESPSP.

Emílio Nabas Figueiredo, Advogado Pós-Graduado em Responsabilidade Social e Terceiro Setor, Consultor Jurídico do Growroom.net e parte do Coletivo Projects.

Esdras Machado Silva Junior, Advogado Militante Especialista em Direito Público e Controle da Administração e simpatizante das causa relacionadas a efetivação dos direitos e garantias constitucionais.

Estela Waksberg Guerrini, Defensora Pública, Unidade da Fazenda Pública da Capital, São Paulo.

Fábio Mesquita, Médico, Doutor em Saúde Pública e trabalhador da Organização Mundial de Saúde.

Fernanda Morbeck Almeida, Técnica em Acupuntura, Brasília, DF.

Fernanda Penteado Balera, Defensora Pública, Coordenadora Auxiliar, Unidade DIPO – Regional Criminal, SP.

Flávia Fernando Lima Silva, Psiquiatra com especialização em Psiquiatria Infantil, Psicoterapeuta formada no centro de atenção a usuários de drogas do Pechansky, Preceptora da Residência em Psiquiatria no Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro, Mestranda em Psicologia Social pela UFF.

Flavio Campos, Redutor de Danos, Diretor de Combate às opressões da Juventude do PSB, Conselheiro Municipal de Juventude do Recife, Membro do Coletivo da Marcha da Maconha Recife, Graduando em Terapia Ocupacional.

Flavio Lobo, Jornalista.

Gabriela Moncau, Jornalista, integrante do Coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR), da Marcha da Maconha SP e da Frente Drogas e Direitos Humanos.

Geraldo Prado, Desembargador aposentado, Professor de Processo Penal da UFRJ e membro da LEAP.

Gerivaldo Neiva, Juiz de Direito (BA), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD) e Porta-Voz no Brasil do movimento Agentes da Lei contra a Proibição (LEAP-Brasil).

Gilberta Acselrad, Enfermeira aposentada, Mestra em Educação, Coordenadora da Área de Saúde Pública e Direitos Humanos, FLACSO Brasil.

Gisele Toassa, Professora Doutora, Área de Psicologia da Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal de Goiás.

Greice Costa Gagaus, Psicóloga, FMU São Paulo, SP.

Henrique Carneiro, Historiador, Professor Doutor DH-FFLCH-USP, Presidente da ABESUP, membro do NEIP.

Henrique Romanó Rocha, Graduando em Antropologia e Direito, Gestor do Centro Acadêmico de Antropologia da UnB e Organizador da Marcha da Maconha Brasília.

Hermano da Silveira, Engenheiro Eletricista, membro do Instituto Gregório Baremblitt e da Universidade Popular Juvenal Arduini.

Humberto Cota Verona, Psicólogo do SUS e Presidente do Conselho Federal de Psicologia.

Ícaro Monteiro Rizzo, Designer Gráfico, Coletivo Revolução Verde, SP.

Ignez Helena Oliva Perpétuo, Médica, Professora aposentada da UFMG.

Ilana Mountian, Psicóloga, Pós-Doutoranda do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Ilona Szabó de Carvalho, membro da Rede Pense Livre por uma política de drogas que funcione.

Isabel Coelho, Juíza TJ-RJ, membro da Associação de Juízes para a Democracia.

Isabel Cristina Gonçalves Bernardes, Psicóloga, Agente de Defensoria – Regional Central, Defensoria Pública do Estado de São Paulo

Isabela Bentes Abreu Teixeira, Cientista Social, Mestranda em Sociologia pela Universidade de Brasília, membro do Setorial Política sobre Drogas do PSOL e integrante do Movimento Nacional pela Legalização da Maconha.

Isabela Lara Oliveira, Professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, membro do NEIP e da ABESUP e pesquisadora do CIPRPS.

Ivan Belinky Heusi, Graduando em Ciências Ambientais pela Universidade de Brasília, membro do Setorial Política sobre Drogas do PSOL e integrante do Movimento Nacional pela Legalização da Maconha.

Jean Wyllys, Deputado Federal.

Jimmy Carter Lopes Salgado, Estudante de Antropologia na Universidade Federal da Integração Latino-Americana e Integrante do Coletivo Marcha da Maconha de Foz do Iguaçu.

João Gabriel Henriques, Jornalista do blog Hempadão e ativista da Marcha da Maconha Rio de Janeiro.

João Felipe Morel Alexandre, Biólogo, Mestrando em Neurociência e Cognição pela Universidade Federal do ABC.

João Ricardo Lacerda de Menezes, Neurocientista, Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

John Fontenele Araujo, Médico, Professor de Fisiologia da UFRN e Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento (SBNeC).

Jorge Alberto Quillfeldt, Neurocientista, Professor Titular de Biofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Secretário da SBNeC e Secretário-Geral da Federação Latino-Americana de Neurociências (FALAN).

Jorge Broide, psicanalista e analista institucional, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre. Professor do Curso de Psicologia da PUC-SP e do curso de pós graduação latu senso Psicossociologia da Juventude e Políticas Públicas da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Jorge da Silva, Coronel reformado da Polícia Militar, Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Vice-Presidente da LEAP Brasil.

José Arturo Costa Escobar, Doutor em Psicologia Cognitiva, Grupo de Estudos em Álcool e outras Drogas/UFPE, Recife.

José Caui Neto, Psicólogo, Membro da Universidade Popular Juvenal Arduini de Uberaba.

José Eliézer Mikosz, Artista Plástico, Doutor em Ciências Humanas com pesquisa em Arte e Estados não Ordinários de Consciência e Pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP).

José Henrique Rodrigues Torres, Juiz de Direito, Presidente da Associação Juízes para a Democracia e Professor de Direito Penal da PUC-Campinas/SP.

Julio Delmanto, Jornalista, Mestre em História Social, Membro dos coletivos antiproibicionistas Desentorpecendo a Razão (DAR) e Marcha da Maconha SP, pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP) e da ABESUP.

Julita Lemgruber, Coordenadora Centro de Estudos de Segurança e Cidadania/CESEC-UCAM.

Kenarik Boujikian, Co-fundadora e ex-Presidente da Associação Juízes para a Democracia.

Kenneth Rochel de Camargo Jr., MD PhD, Professor Associado, Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Editor Associado, American Journal of Public Health.

Lairton Bueno Martins, Enfermeiro, Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Mental Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Leilane Assunção, Professora substituta, Departamento de História, UFRN, membro do Núcleo Tirésias da UFRN, representante da Rede Latino Americana de Pessoas que Usam Drogas (LANPUD).

Leandra Brasil da Cruz, Professora Pesquisadora, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS)/Fiocruz.

Leonardo Leandro da Silva, Professor do Estado do Rio de Janeiro, Mestrando em Ensino de Física pela UFRJ.

Leonardo Pinheiro Gomes, Professor de Psicologia e Psicólogo Clínico – Niterói – RJ.

Leonardo Ferreira Gomes dos Santos, Graduando em Produção Cultural, Universidade Federal Fluminense, UFF.

Letícia Sabatella, Atriz.

Loiva Maria De Boni Santos, Mestre em Psicologia Social pela UFRGS .

Lorena Otero, Graduanda em Direito pela UMC/SP e pesquisadora na FGV/SP.

Lucas de Oliveira Alvares, Biólogo, Professor do Departamento de Biofísica/UFRGS.

Lucas Lichy, Graduando em Ciências Econômicas UFSC e Presidente do Instituto da Cannabis.

Luciana Boiteux, Professora de Direito Penal da UFRJ, Conselheira da REDUC.

Luciana Zaffalon Leme Cardoso, Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Luís Antônio Gomes Lima, Psicólogo, Professor Universitário de Graduação em Psicologia, pesquisador na área de história da psicologia e atuações profissionais voltadas à infância e à adolescência.

Luiz Eduardo Soares, Professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Luís Fernando Tófoli, Psiquiatra, Professor do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas.

Luiz Eduardo Lopes Silva, Mestrando em História Social da UFMA.

Luiz Chazan, Psiquiatra e Psicanalista e professor de Saúde Mental e Psicologia Médica da UERJ.

Maíra Andrade Scavazza, Estudante de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Maira Guarabyra, colaboradora de Revista semSemente, Marcha da Maconha do Rio de Janeiro, Hempadão, Growroom.net.

Marcelo Paixão, Professor da UFRJ, Coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), Pesquisador visitante, Universidade de Princeton (EUA).

Marcelo Simão Mercante, Antropólogo.

Marcelo Sodelli, Presidente da ABRAMD e pesquisador da Psicologia da PUC-SP.

Marcello de Souza Costa Pedroso, Antropólogo, educador agroflorestal e ativista da Marcha da Maconha de Brasília.

Márcia Caldas, Psicóloga, Distrito Federal.

Marco José Duarte – Assistente Social, Professor Doutor da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Coordenador do NEPS/UERJ, Coordenador da Residência Multiprofissional em Saúde Mental da UERJ, Supervisor do CAPS/UERJ e Membro da Frente Estadual Drogas e Direitos Humanos, RJ.

Marcos de Alcântara Machado, Administrador de Empresas, SP, membro da Rede Pense Livre – por uma política de drogas que funcione.

Marcos R. V. Garcia, Professor Doutor, Coordenador do CRR-UFSCar.

Marcos Rolim, Jornalista, Sociólogo, Escritor, Professor Universitário e consultor em direitos humanos e segurança pública.

Marcus Vinicius de Oliveira, Psicólogo, representante do Conselho Federal de Psicologia no CONAD, militante da Luta Antimanicomial.

Maria Angélica Comis, Psicóloga, Mestre em Psicobiologia, Integrante do Plantando Consciência.

Maria Clara Rebel Araújo, Doutora em Psicologia Social, Professora da Unesa e Psicóloga Clínica.

Maria Cristina G. Vicentin, Professora e Pesquisadora do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia Social da PUC-SP.

Maria Lucia Karam, Juíza aposentada e Presidente da LEAP Brasil.

Maria Rita Kehl, Psicanalista, Integrante da Comissão Nacional da Verdade.

Maria Solange Siqueira, Psicóloga Clínica e Institucional em São Carlos, SP.

Mariana Bernd, Designer Gráfica e Professora.

Mariangela Magalhães Gomes, Professora de Direito Penal da USP, Presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.

Marilia Marra de Almeida, Psicóloga, Agente da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Mario Augusto Carvalho de Figueiredo, Defensor Público, Regional Criminal da Capital, Unidade Varas Singulares, São Paulo.

Marisa Feffermann, Pesquisadora do Instituto de Saúde e Área de Juventude e Políticas Públicas, FLACSO, membro do GEDS, USP, militante do Tribunal Popular: O Estado Brasileiro no Banco dos Réus.

Marta Elizabeth de Souza, Psicóloga, Presidente do CRP MG, ex-Coordenadora Estadual de Saúde Mental de MG, militante do Fórum Mineiro de Saúde Mental/RENILA.

Marta Quaglia Cerruti, Psicanalista, Doutoranda pelo IPUSP, membro do Laboratório Psicanálise e Política IPUSP/PUC-SP.

Marta Rodriguez de Assis Machado, Pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, Professora da Escola de Direito de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Crime e Pena da FGV-SP.

Mary Garcia Castro, UCSAL, Socióloga.

Mary Suely Souza Barradas, Professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense.

Matias Maximiliano Acevedo, Editor chefe da Revista semSemente e co-fundador da Marcha da Maconha do Rio de Janeiro.

Maurício Fiore, Antropólogo pela USP, pesquisador do NEIP e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Maurides de Melo Ribeiro, Professor de Direito Penal e Criminologia na FACAMP, apoiador da LEAP.

Mauro Machado Chaiben, ex-Advogado, Analista Judiciário do TJDFT, especialista em direito público constitucional.

Mauro Leno Silvestrin, Antropólogo, militante da Marcha da Maconha e chefe de redação da revista semSemente.

Melina Risso, membro da Rede Pense Livre – por uma política de drogas que funcione.

Miguel Figueiredo Antunes, Psicanalista, PAI-PJ TJMG e Prefeitura de Belo Horizonte.

Miriam Abramovay, Socióloga, Pesquisadora, Coordenadora da Área de Juventude e Políticas Públicas, Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.

Miriam Debieux Rosa, Psicóloga, Professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Programa de Pós-graduação de Psicologia Social da PUC-SP.

Miriam K. A. Guindani, Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Miriam Nadim Abou-Yd, Psiquiatra, Psicóloga, ex-Coordenadora de Saúde Mental de BH, militante do Fórum Mineiro de Saúde Mental/RENILA.

Mônica Cavalcanti, Jornalista, membro da Rede Pense Livre – por uma política de drogas que funcione.

Natalia Bezerra Mota, Psiquiatra, mestranda em Neurociências, CAPS infantil Natal/RN.

Natália Peixoto Henriques, Estudante de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília.

Nelson Vaz, Professor Emérito de Imunologia, ICB, UFG, aposentado, Membro da Academia Brasileira de Ciências, Membro da Academia Mineira de Medicina, Sócio Honorário da Sociedade Portuguesa de Imunologia, Sócio Fundador da Sociedade Brasileira de Imunologia, Ex-Pesquisador 1-A CNPq.

Nilo Batista, Advogado, Professor da UFRJ e Presidente do Instituto Carioca de Criminologia (ICC).

Odair Furtado, Coordenador do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social – FACHS/PUC-SP, Integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trabalho e Ação Social (NUTAS).

Odila Maria Fernandes Braga, Psicóloga, Universidade Popular Juvenal Arduini.

Orlando Zaccone D’Elia Filho, Delegado de Polícia Civil RJ e Secretário da LEAP Brasil.

Patrícia Paula Lima, Doutoranda em Etnomusicologia na Universidade de Aveiro, Portugal INET-MD.

Paulo Amarante, Professor Pesquisador Titular, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS)/Fiocruz, Presidente Nacional da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME).

Paulo Cesar Ribeiro Barbosa, Professor Adjunto do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Santa Cruz, BA.

Paulo Eduardo Busse Ferreira Filho, Advogado, membro da Rede Pense Livre – por uma política de drogas que funcione.

Paulo E. Orlandi-Mattos, Pesquisador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, CEBRID.

Paulo Fernando Pereira de Souza, Psicanalista, especialista em Família e Psicologia Jurídica, Mestre em Psicologia Social.

Paulo Henrique Dias Quinderé, Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Pedro Carlos Carneiro, Psiquiatra e Psicoterapeuta, Interlocutor de Saúde Mental da Supervisão de Saúde Centro-Sá em São Paulo.

Pedro Gabriel Delgado, Psiquiatra, Professor da Faculdade de Medicina e Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

Pedro Paulo Gastalho de Bicalho, Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Coordenador da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia.

Pedro Vieira Abramovay, Professor da FGV-Direito Rio e Ex-Secretário Nacional de Justiça.

Priscilla Gadelha Moreira, Psicóloga, Libertas Comunidade, Recife, PE.

Rafael Damasceno Ferreira e Silva, Procurador Municipal, Gravataí/RS.

Rafael Folador Strano, Defensor Público do Estado de São Paulo.

Rafael Galati Sábio, Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos, SP.

Renally Cristine Cardoso Lucas, Graduanda em Psicologia – Universidade Federal de Campina Grande, PB.

Renata Barreto Fernandes de Almeida, Psicóloga e Fonoaudióloga, membro do GEAD/UFPE, Doutoranda em Medicina Preventiva/UNIFESP.

Renata Moura Costa, Estudante de graduação de Serviço Social, UFPE e Redutora de Danos, Recife, PE.

Renata Nunes Fernandes, Estudante de Psicologia do Rio de Janeiro.

Renata Simões Stabile Bucceroni, Defensora Pública, Vara de Execuções Criminais,Regional Guarulhos, SP.

Renato Cinco, Vereador da cidade do Rio de Janeiro, membro do Movimento Pela Legalização da Maconha.

Renato Filev, Neurocientista pela UNIFESP, membro do PROAD, coletivo DAR e Marcha da Maconha SP.

Renato Malcher-Lopes, Professor do Departamento de Ciências Fisiológicas da Universidade de Brasília (UnB).

Rinaldo Dias, Músico.

Roberta Marcondes Costa, Antropóloga, membro do Coletivo DAR, Redutora de Danos pelo Centro de Convivência e de Lei, GEDS (Grupo de Estudos Drogas e Sociedade).

Rodrigo Figueiredo de Oliveira, Defensor Público, SP.

Rodrigo Mac Niven, Jornalista, Cineasta, Coletivo Projects, membro da Rede Pense Livre.

Ronete Mendes Monteiro Rizzo, Socióloga, São Paulo.

Rosa Virgínia Melo, Doutora em Antropologia, Professora substituta do Departamento de Antropologia da UnB.

Rosemeire Aparecida da Silva, Psicóloga, membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP, Conselheira Nacional de Saúde, militante do Fórum Mineiro de Saúde Mental, ex-Coordenadora de Saúde Mental de Belo Horizonte.

Rossana Carla Rameh de Albuquerque, Psicóloga-IFRN, membro-GEAD/UFPE, Pesquisadora Associada-CEBRID, Doutoranda-Medicina Preventiva/UNIFESP.

Rubens Casara, Juiz de Direito do TJ/RJ e membro da Associação de Juízes para a Democracia (AJD), membro do LEAP.

Sábatha Fernandes, Graduanda em Ciência Política e Sociologia, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Membro do Coletivo Marcha da Maconha Foz do Iguaçú.

Salo de Carvalho, Doutor em Direito Penal (UFPR).

Sandra Fortes, Psiquiatra, Professora Adjunta FCM/UERJ.

Savio de Freitas Fontes, Psicólogo e Técnico em Acupuntura, Brasilia-DF.

Sergio Alarcon, Assessor de Saúde Mental da SMS do Rio de Janeiro, Professor de Bioética da ENSP/Fiocruz, Pesquisador Sênior da Flacso/Brasil.

Sergio Mauricio Souza Vidal, Antropólogo, ativista e escritor.

Sergio Salomão Shecaira, Professor Titular de Direito Penal da USP.

Silvio Mota, Juiz do Trabalho, aposentado.

Simone Kropf, Pesquisadora e Professora do Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz.

Sidarta Ribeiro, Biólogo, Professor Titular de Neurociências, Instituto do Cérebro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), membro do NEIP, Ex-Secretário da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC).

Stevens Rehen, Biólogo, Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC).

Talita Sztokbant, Jornalista do Growroom.net e colaboradora semSemente.

Taniele Rui, Doutora em Antropologia Social pela Unicamp, Pós-Doutoranda do Programa Drugs, Security and Democracy (SSRC-EUA), Pesquisadora colaboradora do NEIP e do CEBRAP, Professora convidada da Escola de Sociologia e Política.

Tarso Araujo Silva, Jornalista, autor do Almanaque das Drogas.

Tatiana Belons, Defensora Pública, SP.

Thiago Calil, Psicólogo, Mestrando em saúde pública, Coordenador de campo do Centro de Convivência é de Lei, membro da ABESUP.

Thiago Tomazine, militante da Marcha da Maconha RJ, Movimento pela Legalização da maconha, Hempadão e Bloco Planta na Mente.

Toni Reis, Professor, Doutor em Educação.

Vagner Ribeiro Fernandes, Estudante de Graduação em Serviço Social Universidade Federal do Pampa.

Vany Cristina Côrtes Coutinho Campello Teixeira, Psicóloga/Niterói-RJ.

Vera Malaguti Batista, Criminóloga, Professora da UFRJ, membro do ICC e Diretora da revista Discursos Sediciosos.

Vera Pasini, Psicóloga, trabalhadora da Saúde, Conselheira do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul, CRPRS.

Verônica Pereira Schwartz, Psicanalista, Supervisora Clínica de Desinstitucionalização, Superintendência de Saúde Mental, Município RJ.

Vinicius Prates, Jornalista e Pesquisador em Comunicação.

Waldir Cardoso, médico, Conselheiro Federal de Medicina e Diretor de Comunicação da Federação Nacional dos Médicos.

Walter Fanganiello Maierovitch, Jurista, Presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais.

Welliton Caixeta Maciel, Antropólogo, Pesquisador do GCCRIM da Faculdade de Direito da UnB.

William Lantelme Filho, Fundador do Growroom, co-Fundador da Marcha da Maconha, Diretor de Arte da Revista semSemente.

Wilson Roberto Lara Reis, Psicólogo CAPS AD Serrinha/BA e CRAS Conceição do Coité/BA.

Yago Paolo Costa Aguiar, Graduando em Comunicação Social na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

Yara Valverde, DSc, Pesquisadora, UFRRJ, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas Estratégias e Desenvolvimento do CNPq.

Yvone Magalhães Duarte, Coordenadora Geral, Conselho Federal de Psicologia.

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Bem vindos ao décimo quarto B’aktun

Hoje começa o décimo quarto B’aktun. Mas sem sequer saber o que a última palavra da sentença anterior quer dizer, milhares andam por aí falando em fim do mundo. Alguns tentam se aproveitar da ignorância alheia pra ganhar uns tostões vendendo blablablás esotéricos supostamente astrológicos e coisas do gênero, enquanto outros de fato ganharam milhões de tostões fazendo e vendendo filmes onde o planeta catastroficamente colapsa, fisicamente falando.

Tsunamis, explosões, implosões, guerras, terremotos, maremotos e coisas do tipo, que continuamente e incansavelmente fascinam os fãs de hollywood.

Outros gastam tempo ativamente combatendo os supostos charlatões, tentando mostrar como a ciência ocidental é desenvolvida e o resto é gente primitiva e superstição idiota. Afinal, somos um povo avançado, científico, seguro de si. Sabemos que o mundo não vai acabar, não tem nem o que pensar a respeito. Então é lógico que profecia de fim de mundo é besteira e é melhor você cuidar das suas finanças e não gastar tudo em férias extravagantes.

Mas a maioria apenas ouve falar duma tal de profecia do fim do mundo (mais uma), de uns tais maias. E como o melhor remédio contra a ignorância é o bom humor, tiram da história boas piadas.

Então bota Tim pra tocar numa relax, numa tranquila, numa boa. Chama os amigos e as amigas, pega uma cerveja, prepara um churrasquinho e bora festejar, porque se o mundo ta acabando, por sorte é no verão, numa sexta-feira quase véspera de natal. Não podia ser um final mais feliz, não é mesmo?

Uma mentira corre metade do mundo antes da verdade ter chance de vestir as calças ~ Winston Churchill

Os mayas foram uma das mais avançadas civilizações da América Pré-Colombiana, e durante mais de dois mil anos habitaram as terras que hoje formam parte do México, na península de Yucatán, e também da Guatemala, Honduras e El Salvador. Chegaram aos milhões de habitantes em dezenas, talvez centenas de cidades.

O desaparecimento dessa cultura ao longo do tempo, principalmente entre o ano 1000 e 1500 de nossa contagem atual – o calendário gregoriano – ainda é um mistério não resolvido. Muitos defendem que foi o uso inadequado dos recursos naturais que teria levado ao desaparecimento e colapso dos mayas, mas há entre os estudiosos do assunto até os que contestem a idéia de que tenha havido qualquer colapso.

De qualquer forma, ainda haviam mayas vivos em muitas partes quando da chegada dos Europeus, e o choque que se seguiu foi brutal. Os colonizadores que chegaram na América em 1492 vieram transportados diretamente da Idade Média, onde praticavam caça às bruxas, execuções em praças públicas e viviam sob condições parcas de higiene e desenvolvimento material e tecnológico, apesar do feito incrível de atravessarem o oceano, vivos. Consideraram então os mayas e seus estilos de vida como coisas do demônio. Assim, ativamente promoveram um genocídio digno das páginas negras da história da humanidade, escritas a ferro, fogo, pólvora e sangue. Um trauma psíquico e cultural que não foi exclusivo com relação aos mayas, mas que atingiu todos os milhões de habitantes das Américas, que segundo os estudos recentes eram em maior número do que os habitantes da Europa. Grande parte morreu também devido às doenças trazidas pelos Europeus, pras quais os povos ameríndios tinham pouca, ou nenhuma imunidade. Pra alguns, não fosse esse fato, os Europeus não teriam conseguido colonizar o “novo” continente, mesmo com auxílio da pólvora como superioridade tecnológica de combate.

No que tange o massacre dos mayas, um exemplo famoso é o do Bispo Católico Diego de Landa, que ativamente comandou assassinatos e destruições impressionantes. Em 12 de Julho de 1562, Landa comandou uma cerimônia na qual foram queimados pelo menos 40 códices mayas e mais de 20 mil imagens sagradas. O nível de abuso físico e torturas dos inquisidores comandados por Landa era tão escabroso que até mesmo dentro da Igreja teria havido discórdia e oposição contra ele.

O resultado histórico deste massacre generalizado dos povos nativos da América, de norte a sul, que durou muitas décadas, é que muito do que se fala sobre os mayas (e sobre índio) hoje é especulação. Principalmente porque a imensa maioria dessa cultura foi literalmente dizimada e destruída pela inquisição. Mas também porque o preconceito foi espalhado e se enraizou na cultura eurocêntrica que hoje domina quase todo o continente. Provas deste fato é que continuamos ensinando história do Brasil através do olhar ultra enviesado do colonizador, e não do colonizado; e que “índio” nesse país continua sendo o grande alvo de racismo e exclusão, com práticas inquistórias, escravistas e genocidas ainda em vigor em algumas partes. Na verdade, a maioria dos brasileiros sequer consegue enumerar mais de três ou quatro nomes de tribos indígenas que habitam o país, e sequer se dão conta do fato de que o próprio termo “índio” se origina do equívoco do colonizador, que pensava estar na Índia quando aqui pisou. E há muita criança por aí que acha que índio não existe mais, só em filme…

Do ponto de vista arqueológico e antropológico, a perda de conhecimentos sobre os mayas são incalculáveis. Ainda assim, pelo menos dois séculos de estudos científicos sistemáticos e sérios, com colaborações internacionais, levaram a algumas decobertas fascinantes. Pioneiros no estudo da civilização maya, como por exemplo John Lloyd Stephens, Teobert Maler, Sylvanus G. Morley e Tatiana Proskouriakoff, entre muitos outros, conseguiram decodificar grande parte dos hieroglifos mayas. Mesmo com apenas fragmentos do que sobrou após a destruição promovida pelos povos auto-proclamados de “desenvolvidos”. E também pelo próprio desgaste do tempo, pois os mayas sobreviventes aprenderam rápido que com os recém chegados não havia muita chance de relações humanas decentes, e se esconderam nas florestas e esconderam seus bens e conhecimentos mais preciosos.

Se esconder na floresta… Pode parecer bobo numa primeira lida. Isto porque comumente aprendemos que nas américas viviam “apenas uns poucos” índios. E também porque a maioria de nós não tem qualquer experiência do que de fato é uma floresta, e da dificuldade de transitar por uma. A retirada foi tão intensa e bem feita, e a floresta é tão grande e cerrada, que muitas das centenas de ruínas de construções mayas, hoje sítios arqueológicos, foram descobertas apenas séculos depois de considerada terminada a colonização das Américas, quando os países aqui já eram “independentes”. E possibilidade há para que haja ainda mais para ser encontrado.

Um excelente exemplo de tesouro perdido são as ruínas de Calakmul, uma das maiores e mais bem desenvolvidas cidades mayas que se conhece até hoje. Foi descoberta apenas em 1932, vista de um avião que sobrevoava a região e cujos tripulantes estranharam dois picos muito altos no meio da floresta. Foram necessárias expedições terrestres para que pudessem alcançar o local e descobrir que a floresta havia literalmente engolido duas pirâmides que ultrapassam os 40 metros de altura, e mais algumas dúzias de construções menores e centenas de estelas – lápides de pedra com inscrições hieroglíficas. O nome Calakmul, dado pelos exploradores, em maya significa “montes adjacentes”. Alguns estudos foram conduzidos ainda nos anos 30, mas somente nos anos 80 o sítio voltou a ser estudado sistematicamente, tendo sido aberto a visitas turísticas apenas em 1994, como resultado dos esforços do INAH – o Instituto Nacional de Antropologia e História do México.

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Ali perto há outra, Balamku, bem menor e que foi descoberta e patrimoniada pelo INAH apenas nos anos 90. Sua descoberta aconteceu após uma denúncia anônima de que saques estariam acontecendo em uma ruína da região (reverberando o padrão histórico sobre o que se faz com a cultura maya). Um arqueólogo foi então enviado e se deparou com algumas construções, uma delas contendo algumas esculturas das mais bem preservadas da região, que séculos depois ainda conservava os pigmentos vermelhos e azuis originais, que decoram figuras sagradas pros mayas, como o jaguar.

Durante pelo menos 200 anos, houve então uma redescoberta e ressignificação arqueológica e antropológica dos conhecimentos obtidos pelos mayas, através da leitura de sua própria linguagem, agora parcialmente decodificada. E parte destes estudos revelou que era uma civilização com alguns conhecimentos altamente desenvolvidos, em especial a matemática e a astronomia. Algumas construções mayas encontram-se em posições incrivelmente precisas em relação ao norte, como a Estrutura VIII de Calakmul, que está alinhada com “erro” de apenas 8 graus a leste do norte magnético. Várias técnicas foram desenvolvidas para rastrear e mapear a posição dos astros nos céus ao longo de muitos anos, usando a sombra das construções e alinhamentos entre feixes de luz entre pilares paralelos, por exemplo, para identificar com precisão datas únicas como os Solstícios de inverno e verão.

Assim, de maneira não totalmente compreendida, os mayas calcularam o valor do ciclo sinódico de vênus em 584 dias, assombrosamente preciso. De acordo com a mais alta tecnologia do seculo XXI, o resultado é de 583,92 (erro de 0,08 dias, ou cerca de duas horas, ou 0,01%). Calcularam o ciclo de Marte em 780 dias, espantosamente certeiro, pois hoje calculamos em 779,94 dias (erro de 0,06 dias) e calcularam o lunar em 29,5 dias, sendo o cálculo atual de 29,53059! Eles inventaram ainda uma sofisticada grafia para os números, compostos de pontos e traços, e também o conceito matemático zero, quiçá antes dos árabes, que foram quem ensinaram aos europeus como se faz matemática pra valer.

Estes acertos numéricos não são meras curiosidades, mas são frutos de práticas genuinamente científicas (observação, repetição, inferência, refutação, comprovação etc) e estão relacionados com a construção e com o desenvolvimento da agricultura. Esta foi um dos desenvolvimentos centrais para o apogeu dos mayas, e pode também ter sido crucial em seu declínio, já que alguns estudos indicam que possa ter sido o uso exagerado dos recursos naturais que teriam levado muitas cidades a catástrofes ecológicas e sociais.

O acompanhamento da trajetória dos astros no céu, feito continuamente ao longo de séculos, permitiu aos mayas desenvolverem também calendários fascinantes e estrondosamente precisos. Foi apenas nos idos de 1950, com o descobrimento do Códice de Dresde e com o trabalho de Yuri Knórozov que muito desse nosso conhecimento atual sobre os calendários mayas avançaram, incluindo a identificação de, até agora, pelo menos 800 glifos do alfabeto maya.

Os mayas contavam o tempo em ciclos, e possuíam inúmeros calendários utilizados para finalidades distintas. O mais famoso, também conhecido como roda calendárica, conta larga, ou simplesmente “calendário maia”, é um sofisticado mecanismo que relaciona distintas contagens. Na conta larga, a unidade básica é o dia, ou k’in, que são agrupados em períodos de 20 dias, chamado winal. Um tun corresponde a 18 winals. Há também um k’atun, que conta 20 tunoob’, que é um ano de 360 dias (ao qual se adiciona um período especial de 5 dias, o wayhaab’, formando 365 dias). Tem também o b’aktun, que corresponde a 400 tunoob’s, ou aproximadamente 400 anos (mais precisamente 394,26 anos). Estes ciclos teriam começado em 3114 AC, em uma das cíclicas e sucessivas “criações do mundo”.

Uma imagem do Calendário Maya (a maioria dos resultados de uma busca no google é do calendário Azteca, indicando quanta confusão há sobre o assunto)

É um pouco complicado, mas de certa forma guarda semelhança com nossa contagem, que tem o dia como unidade básica, mas que depois é agrupado em ciclos de 7 (semana), de aproximadamente 30 (mês), de aproximadamente 365 (ano), e depois os séculos e milênios, que dão ênfase aos múltiplos de 10 como tendo algum tipo de significação especial. Mas para os mayas, o especial estava nos ciclos, que possuíam diversos significados, com ênfase nas mudanças periódicas. Assim, os calendários mayas já nasceram focados nas mudanças e na diversidade das possibilidades de contagem do tempo, enquanto o calendário gregoriano nasceu com o nome de Calendário Gregorianum Perpetuum, se prpondo a ser a melhor, mais precisa e definitiva maneira de contagem do tempo, pra sempre.

Dentre os vários calendários mayas, era o Haab’ o utilizado para contar o ano de cerca de 365 dias relacionados ao sol. Outro era o calendário mágico, ou ritual, o Tzolk’in, que determinava padrões da vida cerimonial. O Tzolk’in foi construído combinando 13 coeficientes para cada um dos 20 nomes que existiam, neste calendário, para os dias. O resultado é uma conta de 13 x 20 = 260 dias, que aproxima o período de gestação humana, e na qual não há repetição de um único dia. Para cada um dos 20 dias principais haviam glifos que correspondiam a distintas entidades, divindades, forças da natureza ou animais, aos quais era combinada a conta de 13 números. A roda calendárica combina as 260 permutações do Tzolk’in com as 365 do Haab’. Os mayas sabiam que uma dada combinação do Tzolk’in com o Haab’ só voltaria a se repetir após um ciclo de 52 anos.

Além destes, haviam outros ciclos, como o pouco compreendido ciclo de 819 dias, relacionado aos números primos 7 e 13, que aparece em várias inscrições remanescentes ao massacre da cultura maya, e outros ciclos maiores como o piktun, equivalente a 8000 tunoob’s (ou cerca de 8 mil anos), o kalab’tun que é igual a 160.000 tunoob’s ou 20 piktuns, o k’inchiltun, que equivale a 3 milhões e 200 mil tunoob’s ou 20 kalab’tuns, e o ‘alautun, que correspondia a cerca de 64 milhões de anos.

Portanto, é óbvio que não há fim no calendário maya. Na verdade, os mayas tinham calendários que iam milhões de anos a frente de sua época, e milhões de anos a frente desta época em que estamos.

Mas então, o que as interpretações errôneas e catastróficas tem a nos dizer?

Estas histórias não surgiram dos mayas, mas de nossa própria cultura. Em um primeiro momento, nos revelam nosso etnocentrismo e o preconceito que ronda os conhecimentos adquiridos por outros povos, em outras épocas e lugares. Como não é incomum na antropologia, as interpretações revelam mais sobre o observador do que sobre o observado. As idéias de fim de mundo não são novas neste 21 de dezembro de 2012, e já rondaram também, por exemplo, o ano 2000 e o ano 1000, dada a nossa tendência a atribuir significado aos múltiplos de dez, ou mais especialmente aos milênios (chamado de milenarismo). Quase sempre estas datas são interpretadas como catástrofes físicas, ou então relacionadas ao juizo final Católico, onde Deus finalmente decidiria quais almas seriam salvas e quais não. Entre os não religiosos, é a visão de catástrofe física que parece predominar, e as raízes profundas disto podem estar na filosofia que atualmente vigora em nossa cultura científica: o materialismo.

Fim do mundo no ano 2000

Esta visão propõe que a realidade é o físico, que está fora de nossa mente, pode ser observado, medido e (supostamente) estudado objetivamente. Para o materialismo, os fenômenos mentais são epifenômenos da matéria, a consciência é um acaso que brota da atividade de bilhões de células cerebrais e espiritualidade é bobagem, superstição infantil ou ignorância. O materialismo nasceu na mesma época que a Ciência como hoje a conhecemos, fruto do pensamento e trabalho de gênios como Isaac Newton, René Descartes, Galileo Galilei, entre outros. É daí que vem o outro nome do materialismo científico, também conhecido como paradigma newtoniano-cartesiano, dada a influência intelectual e filosófica exercida por estes dois cientistas.

Assim, após séculos debruçados sobre o mundo material, compreendendo e descrevendo a trajetória dos planetas com fórmulas matemáticas, desvendando a composição química da natureza, a estrutura do átomo e suas subpartículas, a mente científica habituou-se a pensar quase que exclusivamente em termos da matéria. Não é de se surpreender, portanto, que quando se depare com algum mito “primitivo” sobre “fim do mundo”, imediatamente pense em catástrofes físicas e detruição do planeta.

Mas para os mayas, os ciclos do tempo indicavam também momentos propícios para rituais mágicos, religiosos ou místicos, relacionados a várias divindades. Provavelmente corresponde ao que hoje chamamos aspectos arquetípicos da psique, como colocado por pensadores como Jung e Campbell. Durante alguns desses rituais,  como o famoso e onipresente “juego de pelota”, a morte acontecia de fato fisicamente, sendo o perdedor decapitado, como parte do processo ritualístico de veneração das divindades e de um culto à fertilidade. Mas mais frequentemente, os rituais ameríndios estão ligados aos fenômenos espirituais sem a necessidade do sacrifício físico. É possível e provável que para os mayas não fosse totalmente diferente. Evidências de rituais mágico-religiosos e espirituais incluem as estátuas-cogumelo de Kaminaljuyu. Estas estátuas sugerem que cogumelos psicodélicos tenham sido usados e até mesmo considerados divindades pelos maya, bem como o eram por outras culturas e povos da região. Como por exemplo os mazatecas, que até hoje utilizam os “niños santos” em rituais na serra do estado de Oaxaca. Cogumelos do gênero Psilocybe, que contém centenas de espécies psicoativas, crescem em abundância em toda a península de Yucatan e na serra Oaxaqueña. São absolutamente não tóxicos, e propiciam uma experiência mística que pode ser profunda e extremamente transformadora, caso seja feito de maneira adequada, em local apropriado e com um guia experiente, capaz de levar o participante a colher frutos positivos da sua jornada interior. Assim, a morte e o fim que eram professados relacionados a estes tipos de rituais não eram necessariamente relativos a aspectos físicos, mas psíquicos e espirituais.

De qualquer forma, a posição dos astros no céu era relacionada com inúmeros mitos, deuses e demônios. Estas divindades representavam forças psíquicas e arquetípicas, e o acompanhamento dos astros no céu serviria então para mapear mudanças na psique, ou na consciência, de acordo com a carga energética dos deuses envolvidos em cada época e ciclo. Para eles, os ciclos de contagem do tempo indicavam as mudanças nas forças arquetípicas predominantes, e então tinham implicação direta na vida e nas sociedades, tendo sido considerados conhecimentos sagrados, venerados por milênios.

De acordo com esta visão arquetípica da psicologia profunda e da mitologia, o novo b’aktun do calendário maya marcaria então uma fase de mudança na psique da humanidade. Mas assim como a primavera não começa subitamente, as mudanças não acontecerão de imediato, nem acontecerão apenas após a data simbólica, muito menos serão apenas de ordem física. Trataria-se então de um período de transição psicológica e cultural, e um olhar abrangente pra situação planetária atual ilumina a questão e sugere que sim, a tal profecia maya pode ter sentido.

Nunca antes existiu neste planeta uma situação assim. Somos hoje mais de 7 bilhões de humanos, e seremos muito mais em intervalos cada vez menores, pois o crescimento é exponencial. E estamos vivendo como se fôssemos algum tipo de praga que consome tudo e desperdiça quantidades assombrosas, até mesmo daquilo que vai garantir a sobrevivência futura. E sem dar tempo e condições para que os recursos se regenerem. Estamos exagerando no uso da energia fóssil, na mineração e na construção. Estamos erguendo cidades de puro concreto num ritmo nunca antes visto, e partindo pra todos os ecosistemas com ganância de quem ainda quer mais. Esta ganância transparece em nossos sistemas políticos, que vão se esgotando em sua capacidade de gerenciar e representar as vontades e anseios da população em várias partes do planeta. Então as condições sociais se deterioram e as revoltas vão se acumulando e fortalecendo, acontecendo com mais e mais frequência, deixando a todos inseguros e amedrontados. Incluindo os políticos, que se escondem atrás do aparato policial e bélico, e propõem soluções frequentemente fundamentadas na cultura da violência.

banksy, cartão de natal 2012

O medo nos afasta e manifestações de intolerância contra o outro, o diferente, se intensificam e se reproduzem, criando mais fronteiras, mais muros, mais cadeias, mais aparatos de segurança, mais genocídio, ecocídio e etnocídio. Isto diz respeito com toda força ao que acontece com as culturas chamada indígenas, em todo o mundo, que continuam a sofrer com o trauma que se originou em 1492.

Como bem ensinou Jiddhu Krishnamurti, o mundo que fazemos é apenas um reflexo do nosso mundo interior, e não o contrário. Ou seja, não estamos confusos e amedrontados porque o mundo está uma bagunça. O mundo é que está uma bagunça porque nós assim o criamos, porque estamos inseguros e amedrontados.

Assim sendo, a tal profecia maya poderia estar nos dizendo que a hora é propícia para evoluir. Como já colocaram inúmeros místicos, cada qual a sua maneira, crise é um momento de perigo e oportunidade, ao mesmo tempo. A crise pode ser o momento para semearmos a mudança e colhermos crescimento, mas também pode trazer perigo de estagnação e retrocesso. Esse duelo brutal de forças opostas está presente de forma marcante no dia a dia de cada um de nós. Basta olhar em volta, com atenção, e tudo pode ser visto como perigo, ou como oportunidade.

Desse ponto de vista, a profecia maya poderia estar a dizer e calcular que nesta época estaríamos passando por mudanças psíquicas profundas. Mas não apenas nesta época, já que os eventos no tempo eram percebidos, pelos maya, como cíclicos. De fato, sequer há numerosas escrituras maya que digam algo de especialmente relevante sobre esta transição em particular, que chamamos de 2012. Há o monumento VI de Tortuguero, que descreve brevemente o que ocorreria ao final do 13 b’aktun, quando descenderá um conjunto de divindades chamados de B’alu’n Yookte’ K’uh, ou “dos nove pilares” (ou nove suportes). Outra referência específica a esta transição está no grupo de Palenque, e se refere a eventos similares ao da Fecha Era, ou ano zero, sugerindo eventos de grande magnitude. Seja como for, é certeza que trata-se de uma transição de b’aktuns, mas se algo de suprema importância e único vai acontecer, ninguém sabe.

Mas podemos, ao menos, não apenas contextualizar a crise atual pela qual passamos de acordo com a mudança de b’aktun, mas olhar pra trás e resignificar o calendário maya de acordo com outras transições de b’aktun anteriores. Os resultados desse exercício mental são impressionantes. Se um b’aktun tem quase 4 séculos, significa que estamos neste b’aktun desde cerca de 1600 (a conta pelo calendário gregoriano seria 2012 – 394 = 1618, em algum ponto antes de 21 de dezembro, já que o correto é 394,26). A Obra prima de Nicolaus Copernicus foi publicada em 1543 e revelou que a Terra gira em torno do Sol. A obra de Galileo Galilei chacoalhou o mundo católico ao redor de 1615, a obra de Descartes nasceu ao redor de 1640 e as “leis de Newton” foram publicadas por volta de 1680. Assim, foi no início do décimo terceiro e atual b’aktun que aconteceu a grande e conflituosa transição que originou a Ciência, mudou o mundo e nossa maneira de vê-lo. E veio junto o racha traumático que separa, até hoje, a ciência da maioria das religiões.

Ou seja, o b’aktun que está acabando hoje é aquele onde ocorreram os traumas da colonização do mundo por parte das culturas de origem Européia, incluindo a dizimação do povo maya, que pode ter sido prevista pelos próprios mayas. No livro Chilam Balam, de Maní, há uma profecia sobre a chegada dos conquistadores espanhóis, que diz algo próximo de “ocorrerá o itzá e rodará o Tancah“, que descreveria os estrangeiros como “hóspedes barbados que vem do oriente e em suas palavras não dizem verdades”. No décimo terceiro b’aktun aconteceu, portanto, não apenas o genocídio contra os próprios criadores de tal conhecimento, mas também o genocídio de inúmeras culturas e uma perseguição brutal contra tudo e todos que não se conformassem a uma visão específica de mundo.

Mas neste b’aktun a humanidade também mudou completamente de estilo de vida, criou a tecnologia que temos hoje e alterou drasticamente suas relações com o planeta e consigo mesma. Como resultado, também agigantaram-se as discrepâncias entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, testemunhou-se a escravidão de povos inteiros, o racismo, o nazismo, o fascismo, duas guerras mundiais, bombas atômicas, o terrorismo… Em suma, um b’aktun muito conturbado, conflituoso, paradoxal, antagônico, dual. Caracterizado por muito sofrimento físico, psíquico e espiritual.

Portanto, foi neste b’aktun, o décimo terceiro, que simbolicamente se encerra hoje, que inventamos o materialismo, com todas suas contradições. O materialismo nos deu de presente a bomba e o ipad, a metralhadora e o antibiótico, o GPS que guia o motorista mas também o míssil, nos deu a fábrica, mas nos deixou a poluição. O materialismo nos forneceu uma expectativa de vida sem precedentes, mas também nos trouxe a uma situação de superpopulação sem solução à vista.

Assim sendo, o que está em jogo não é a integridade física do planeta, mas nossa consciência. E não se trata de um jogo rápido. Se um b’aktun correponde a quase 400 anos, para entender do que falavam os mayas seria extremamente simplista e ingênuo buscar respostas em um único dia. Então, não espere que a profecia maya se concretize, ou seja refutada, com base em eventos pontuais, seja a eleição de um presidente aqui ou ali, o fim de uma guerra, o começo de outra, ou alguma descoberta científica chocante. Entretanto, o processo que começa a se desenrolar certamente envolve alguns destes eventos. Como no final do décimo segundo b’aktun foi descobeto que girávamos em torno do sol, no final do décimo terceiro descobriram o Bóson de Higgs…

Se acontecimentos realmente revolucionários aconteceram justamente na última transição de b’aktuns (e pode-se, obviamente, estender este estudo histórico para todas as transições anteriores), pode ser que de fato algo de relevante, bem relevante, esteja por trás dos conhecimentos do calendário maya. Quanto mais se escava informações a respeito dos b’aktuns precedentes, mais incoerente parece a explicação de que seja mera coincidência, totalmente desprovida de significado.

Não seria, portanto, muito alucinante pensar que no novo b’aktun, ganharíamos de presente algo completamente novo e tão transformador quanto foi a invenção da ciência nos idos dos 1600 gregorianos. E que também haverá, como houve à época, enorme resistência.

“O dia em que a ciência começar a estudar fenômenos não-físicos, ela fará mais progresso em uma década do que em todos os séculos de sua existência prévia” Nikola Tesla

Que tal então contemplarmos uma nova ciência, com uma nova visão de mundo? Será que faz sentido interpretarmos esta época inspirados nos maya, como significando uma revolução da consciência? Como o surgimento de uma percepção científica de que há mais entre o Céu e a Terra do que prega e delimita a filosofia materialista?

Algumas ocorrências indicam que sim, que pode ser disto que se trate a profecia maya. Os avanços a solapar o materialismo, a deslocar a matéria como a pedra fundamental da realidade, vieram primeiro com a física quântica. Depois, descobrimos que 90% do universo é composto de algo que não é matéria, que ironicamente nomearam de “matéria escura”. E agora a neurociência, a psicologia e a psiquiatria começam a passar por um processo semelhante ao que passou a física. Uma total ressignificação de conceitos e pressupostos, com mais e mais experimentos mostrando fascinantes resultados sobre a função do cérebro em estados de consciência distintos do comum. Isto inclúi experimentos com meditações, com transes mediúnicos, yoga e também com os psicodélicos, ou enteógenos.

Um bom marco sócio-cultural diretamente relacionado a essa transformação é o início do fim da guerra contra as drogas, marcado pela recente legalização da maconha em dois estados dos EUA. A guerra contra as drogas é nada mais que o alongamento psíquico da inquisição do século XV e XVI para o século XXI gregoriano. Uma inadequada prorrogação da luta e perseguição aos estados de consciência por um b’aktun inteiro! No fundo, não é uma guerra contra substâncias nocivas. É uma guerra contra a consciência. Contra a(s) possibilidade(s) de que a consciência seja algo maior, mais abrangente e misterioso do que a filosofia materialista supõe e é capaz de explicar. É uma guerra cultural contra estados não ordinários de consciência e seus métodos de indução mais confiáveis. Métodos estes que foram centrais para os mayas e para inúmeros outros povos, e que podem estar envolvidos diretamente na própria origem da religião como empreitada humana.

Talvez então a característica filosófica mais marcante do b’aktun que se encerra tenha sido o aprisionamento, tanto da ciência quanto da religião, em apenas um estado de consciência. Paradoxalmente, ao se aprisionarem no mesmo estado, se separaram radicalmente uma da outra. E possivelmente então o que nos aguarda seja a gradual e revolucionária liberação do ser humano para outros reinos, infernais e astrais, da psique. Esta jornada, como bem mostram os resultados pioneiros da psicologia surgida das explorações dos anos 60, incluindo o uso ritual, terapêutico, responsável e científico dos psicodélicos, pode significar o reencontro da ciência com a espiritualidade. Então, a oportunidade de sanar as feridas das guerras e genocídios deste b’aktun estará ao nosso alcance, como já começam a demonstrar pesquisas pioneiras com os psicodélicos.

“Não há conflito entre ciência genuína e religião autêntica. Se há, é porque estamos falando de pseudociência e falsas religiões” Ken Wilber

Principais Referências:

INAH, ruínas e sítios arqueológicos no México, Museo Nacional de Antropologia e o livro “Lo Essencial del Calendario Maya – los señores del tiempo” supervisionado pelo arqueólogo Carlos Pallán Gayol.

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O Poder do vício e o vício ao poder

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A Guerra em quadrinhos

Abaixo compartilhamos os ótimos quadrinhos de Stuart McMillen, retratando a história desta guerra que nos assola, violando a paz, rompendo o tecido social, tolhendo direitos humanos fundamentais, empacando a ciência, destruindo vidas…. Para ver o material completo, acesse o site do Stuart aqui

para ver a obra completa, clique aqui

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Ayahuasca no tratamento da dependência

Em Setembro de 2011, Marcelo Mercante, Beatriz Labate, Edward MacRae e  José Guilherme C. Magnani organizaram simpósio sobre a medicina amazônica e o tratamento do abuso e da dependência de drogas, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). Com palestrantes nacionais e internacionais, o encontro abordou, em três dias, uma série de tópicos extremamente relevantes para o conhecimento sobre as medicinas tradicionais, o conceito de “droga”, a fisiologia da ayahuasca, entre muitos outros. Compilamos aqui os vídeos de todo o evento, para ajudar a disseminar e aprofundar este conhecimento de grande relevância.

Abertura: A ayahuasca e o tratamento da dependência: limites e possibilidades

Participantes: José Guilherme C. Magnani (Doutor em Antropologia, USP), Marcelo Niel (Psiquiatra, Proad/Unifesp), Dr. Rosa Giove (Médica, Takiwasi).

Coordenação: Marcelo Mercante.

Sessão I: Dependência: os Centros de Tratamento, sua visão e abordagem do problema.

Participantes: André Volpe (Igreja Céu da Nova Vida — Santo Daime), Fernando Dini (Igreja Céu Sagrado — Santo Daime), José Muniz (Casa de Recuperação Caminho de Luz), Jacques Mabit (Centro de Reabilitación Takiwasi), Wilson Gonzaga (Associação Beneficente Luz de Salomão), Walter de Lucca (Unidade de Resgate Flor das Águas, Padrinho Sebastião), Néstor Berlanda (Fundación Mesa Verde, Argentina); Cesar Rabbat (Fundación El Emilio, Argentina), Santos Victorino Oreggioni Osores (Instituto Espiritual Chamánico Sol de la Nueva Aurora, Uruguai).

Coordenação: Walter Moure

 

Sessão II: Populações em situação de vulnerabilidade: diferentes abordagens

Participantes: Bruno Ramos Gomes (Psicólogo, Mestre em Saúde Pública, USP, Neip), Taniele Rui (Doutoranda em Antropologia, Unicamp, Neip), Jardel Fischer Loeck (Doutorando em Antropologia, UFRGS, Neip).

Coordenação: Liandro Lindner

Sessão III: O conceito de “droga” e a ayahuasca

Participantes: Henrique Carneiro (Doutor em Historia, USP, Neip), Edward MacRae, Maurício Fiore (Doutorando em Ciências Sociais, Unicamp, Neip, Cebrap), Sandra Goulart (Doutora em Antropologia, Faculdade Cásper Líbero, Neip)

Coordenação: Julio Simões

Sessão IV: As (des)fronteiras entre a terapia e o ritual

Participantes: José Guilherme Magnani, Paula Montero (Doutora em Antropologia, USP), Francisco Lotufo Neto (Psiquiatra, Faculdade de Medicina, USP)

Sessão V: O papel da experiência e do corpo no tratamento com ayahuasca

Participantes: Jacques Mabit, Marcelo Mercante, Walter Moure (Doutor em Psicologia, Runa Wasi), Gabriela Ricciardi (Doutoranda em Antropologia, UFBA).

Coordenação: Bruno Ramos Gomes

Sessão VI: A legalidade do uso da ayahausca no tratamento da dependência e as políticas públicas relacionadas a este tema

Participantes: Maurides Ribeiro (Advogado), Roberto
Tycanori (Coordenação de Saúde Mental, Ministério
da Saúde), Rosa Giove, Marcelo Niel

Coordenação: Marcelo Mercante.

 

Cerimônia de encerramento

Depoimento e bate papo com pessoas que se recuperaram da dependência química através da AYAHUASCA.

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A molécula do espírito, o cipó das almas e a… Ciência?

Ayahuasca. Daime. Caapi. Yagé. Vegetal. Hoasca. Biaxii. Nishi Pae. Natema…

São muitos os nomes. São muitos os efeitos. São quase infindáveis as maneiras de usar, os propósitos, os contextos, os lugares…

A ayahuasca, bebida de origem amazônica utilizada ritualmente e religiosamente em no mínimo 20 países, por milhares de pessoas, propicia uma daquelas experiências absolutamente inacreditáveis para a imensa maioria dos ocidentais. Inefável. Beira o inexprimível…

Permitida para uso religioso no Brasil, tida como patrimônio cultural no Peru, é proibida, banida, mal entendida e perseguida em inúmeros países. É a protagonista central de episódeos típicos da santa inquisição, em pleno século XXI. Segundo os legisladores dos EUA e tantos outros países, o que os Quechuas batizaram “Cipó das Almas” é extremamente perigoso e deve ser banido, principalmente por conter a molécula N,N-Dimetiltriptamina, que o psiquiatra americano Rick Strassman batizou de “Molécula do Espírito”. Parece que há, afinal, alguma concordância entre índios Quechua e a psiquiatria moderna.

Essas são apenas algumas das quase infinitas perguntas que nós, do Plantando Consciência, mais um número cada vez maior de pesquisadores, no Brasil e no mundo, nos propomos a investigar, com auxílio da Ciência. Isso mesmo. Buscamos unir ciência e espírito, transcender a dicotomia cartesiana, a dualidade mente/matéria. Uma de nossas principais ferramentas: a neurociência. Aliada, é claro, à antropologia, história e respeito profundo e amplo a sabedorias ancestrais e seus maravilhosos mistérios.

Nossa jornada nessa direção já conta com algumas trilhas longas, e alguns frutos. Em agosto de 2012 organizamos, durante o congresso da FeSBE e da SBNeC o simpósio “Ayahuasca, cérebro e consciência“. Abaixo, você pode assistir, de graça e em primeira mão, duas destas palestras, na íntegra (Graças ao trabalho voluntário do Rafael Beraldo, que os editou, Obrigado!). Uma envolvendo pesquisa com ayahuasca e neuroimagem, já publicada, e outra sobre uma pesquisa em andamento com as ondas elétricas do cérebro durante o efeito do chá milenar.

 

E neste domingo, 14/10, mais um de nossos pesquisadores, Sidarta Ribeiro, irá apresentar palestra sobre investigações científicas envolvendo a ayahuasca, em NY, durante o simpósio Horizons.

E na terça feira que vem, aos que estiverem em São Paulo, apresentaremos mais uma sessão gratuita do documentário “A Molécula do Espírito” na Casa Jaya. Após a sessão, bate papo exclusivo com o Prof. de história Henrique Carneiro e com o antropólogo Marcelo Mercante, especialistas nestas e em outras mil questões interessantíssimas.

Dia 16/10 a partir das 19h, na Casa Jaya, Rua Capote valente 305, Pinheiros. Telefone: (11) 2935-6987

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Tropa de choque pra que?

  “It is organized violence at the top which creates individual violence at the bottom” Emma Goldman

Aconteceu de novo. Cidadãos na rua de uma grande cidade brasileira, exercendo algo que deveria ser comum, tranquilo e desejável, que é fundamental pra democracia: sair na rua pra protestar, se expressar, aprender, conviver e participar da evolução da sociedade. Quase qualquer causa vale. Tá na constituição. Menos, é claro (também tá na constituição), defender atos de maldade a terceiros (inclui atos de racismo e ódio, por exemplo) ou pra impedir evento previamente marcado pro mesmo local e hora. Não deveria ser complicado. Mas complicaram, e muito. Até que no ano passado o STF deixou bem claro que o que tá na constituição tá, digamos assim, na constituição, oras. Então tem que ser respeitado. É um dos paradoxos do Brasil. Nossa democracia é ainda tão infantil que teve de chegar na instância jurídica suprema pra esclarecerem o que está no texto base da sociedade brasileira.

            A democracia tem na sua estrutura central a coexistência de idéias diversas e antagônicas. Alguns são ateus, outros religiosos, e precisamos conviver em paz. Não há outra maneira. Enquanto imaginarmos que de alguma forma teremos paz somente ao aniquilar ou eliminar o diferente, teremos apenas violência. A fabulosa história de Gandhi não deixa dúvidas. Vítima da segregação racial na África do Sul do apartheid, o simples advogado Mohandas Gandhi se tornou, anos após em sua terra natal, a Índia, Mahatma Gandhi. O homem que tecia sua própria roupa, fazia greves de fome e derrubou o longo e violento domínio do império britânico por aquelas terras.

            A estratégia: deixar claro para o mundo as atrocidades cometidas na colônia pelos colonizadores. Atrocidades tão grotescas que qualquer cristão, hindu, muçulmano ou ateu não poderia defender, porque eram simplesmente desumanas. Vão contra qualquer escritura, código de ética ou mesmo contra o bom senso e a compaixão. Atitudes covardes, cruéis e desnecessárias. Gandhi foi preso inúmeras vezes e apanhou outras tantas. Seus adeptos idem. Algumas cenas chocantes podem ser vistas no clássico de 1982. Apesar de bem feito, o filme dá apenas uma pálida sensação do que foi de fato a execução persistente do insight ativista de Gandhi. O império estava podre, e restava escancarar isso para o mundo. Deixá-los com vergonha, fazer com que o sofrimento pelos próprios atos de violência infligidos a terceiros os fizessem despertar. Porque se houvesse confronto, os indianos sempre sairiam perdendo. Tanto nas ruas, quanto na mídia.

            O desafio: não reagir. Ahimsa: Não-violência. Não devolver um único golpe. Não sujar as próprias mãos com a sujeira que se quer limpar. Foi penoso. Levou décadas. Mas funcionou. O império se foi. E Gandhi ensinou pra humanidade um bocado sobre o que é paz e como chegar lá.

            No Brasil, temos uma das polícias mais violentas do mundo. Além de matar milhares todos os anos, morre um escabroso número de policiais, muitos sob o pretexto da já falida guerra contra as drogas (qual guerra é bem sucedida, aliás??). A polícia no Brasil é demasiadamente violenta, abusiva e oprime milhões. Atropela direitos humanos e rompe com a paz social, tantas vezes em ações desnecessárias e absurdas. E como na história de Gandhi, sempre há um pretexto, um bode expiatório pra justificar a atrocidade da vez. Mesmo que patéticas, essas desculpas esfarrapadas servem pra manter, dentro dos limites estabelecidos por leis tortas, os perpretadores como inocentes, como apenas reagindo a atos dos “bárbaros” para trazer a “ordem”. Palavra, aliás, que estampa nossa bandeira…

            No Rio de Janeiro, final de tarde de sábado de lua cheia, 05 de maio de 2012, militares fortemente armados e truculentos partiram pra cima de uma população (variavelmente estimada entre 2 e 10 mil pessoas) pacífica e desarmada (pré-requisito para exercer o direito constitucional que estavam exercendo), com brutal violência e covardia. Os pretextos são patéticos. Procurem nas notícias da mídia e verão. A troco de nada algumas ruas da cidade maravilhosa viraram campo de batalha. E como não temos apenas a polícia mais violenta do mundo, mas uma das sociedades mais violentas do planeta, que ostenta o vergonhoso recorde mundial de homicídios, a cena até já parece meio que trivial, o que é escabroso. A cada repetição devemos nos indignar ainda mais. Ou será que também vamos protagonizar uma cena dessas na copa do mundo ou nas olimpíadas, escancarando pro mundo que há algo de podre no reino do Brasil?

            Para Gandhi, foi fundamental manter-se sempre contra qualquer ato de violência contra os violentos e genocidas colonizadores, por mais imoral e absurda que fosse a situação. Pois somente assim poderia ficar escancarado para qualquer um, grego ou troiano, o real e absoluto absurdo que estava acontecendo. Indianos totalmente pacíficos, homens, mulheres, crianças, sendo espancados e assassinados por militares colonizadores. Escancarado de tal forma que nem mesmo as artimanhas da centralizadíssima mídia da primeira metade do século XX pudesse deturpar, omitir ou esconder. Se eles tivessem a fibra necessária, ficaria claro pra todos ao redor do mundo que o imperador estava nú.

            Felizmente, na primeira metade do século XXI, a violência não é tão bárbara, nem a mídia tão centralizada. É urgente que se exponham as entranhas, as víceras podres e fedorentas de certos setores militares que andam na contramão do progresso. Palavra que também estampa a bandeira nacional. Pra isso, creio eu, humildemente, que a alternativa mais frutífera será a estratégia-Gandhi. Há de se deixar claro, pra todas as pessoas desse país, comunistas ou capitalitas, evangélicos, ateus ou judeus, pretos, brancos, ricos ou pobres, que não é por aí que queremos caminhar. E que infelizmente com frequência demasiada estão extrapolando os limites. E muito.

            Amplifiquemos a coragem que alguns já vem demonstrando nas ruas, se mantendo pacíficos frente a frente com policiais. Policiais que vem dirigindo pela contramão, armados para uma guerra brutal que obviamente não está acontecendo, como mostram as cameras presentes na mão do povo. Felizmente com a tecnologia atual a tarefa será muito menos árdua que na Índia colônia. Resta escancarar, além de qualquer dúvida, acima de qualquer suspeita, que há um setor de militares no Brasil que não entendeu, não gosta e não quer democracia.

            E é aí que um movimento específico como a Marcha da Maconha, que tanta polêmica atrai por causa da mal compreendida planta, se torna relevante para qualquer brasileiro. Porque a violência policial inaceitável está acontecendo em outras partes, independente deste tema (ainda que nesse seja mais frequente, dada a imensa carga de preconceitos vigentes). E então a Marcha da Maconha também é uma Marcha pela Paz. Além de ser marcha pelo objeto que lhe dá nome, é uma marcha pelo fim de um processo que mais danos causa do que aqueles que pretende solucionar. É uma marcha pelo fim de uma guerra.

            No filme sobre Gandhi, ainda no início de sua jornada, uma cena impactante: um pequeno grupo de trabalhadores explorados caminhando, desarmados. Na direção oposta, uma cavalaria armada pronta para o pior. A solução: todos os protestantes deitam-se no chão com as mãos na cabeça. Os cavalos, mais solidários e compassivos que os soldados, não pisoteiam ninguém. E os soldados, constrangidos pela possibilidade humilhante de espancar uma multidão deitada no chão, se retiram. A estratégia de não-violência do século passado está sendo utilizada com sucesso em movimentos Occupy deste século, da Puerta del Sol em Madrid ao Zuccotti Park em Nova Iorque.

            Creio que a marcha, a maconha e a democracia brasileira têm muito a ganhar se as pessoas se prepararem para expor o absurdo, ao invés de confrontá-lo com latinhas, garrafas, xingamentos ou slogans provocativos aos policiais. Porque por mais patética que seja a justificativa, por mais inaceitável que seja um policial violentar um cidadão desarmado porque essa pessoa “provocou”, ou porque estava com carro de som, ou porque interrompeu o tráfego, ou porque quer interromper o tráfico, somente escancarando o baixo nível e o desserviço que estas tropas de choque prestam à nação tiraremos das ruas esses grupos autoritários, coercitivos, violentos e brutais que tratam as ruas do Brasil como campo de guerra e seus cidadãos como saco de pancada. Infelizmente, para parte da nossa sociedade, ainda funcionam as armadilhas baseadas em preconceito disseminadas pela velha mídia, e assim alimentam-se as ações de uma polícia mais violenta e preconceituosa do que queremos e devemos ter.

            O mês prossegue, e seguindo ao dia 5 de maio, que contou com marchas da maconha também no Chile, Uruguai, Perú, Argentina, República Tcheca, entre tantos outros países, mais Marchas da Maconha virão Brasil afora. Dia 19 de maio, entre outras, na capital populacional, São Paulo, que ano passado também foi vítima de atuações absurdas de PMs mal preparados e por vezes mal intencionados. Espero que os protestos restantes por uma erva milenar, medicinal e recreativa menos danosa que o álcool sejam pacíficos e democráticos, como prega a constituição. Se a polícia fizer questão de abusar, que sejam expostos ao ridículo, pacificamente.

“Força não vem da capacidade física, mas de uma determinação indomável” Mahatma Gandhi

 

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