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Los chamanes jaguares de Yuruparí

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Sabedoria Ancestral

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Bicicletas de Gotham City

Há quase vinte anos mudamos da Vila Madalena para um sobrado que dá de frente para uma pracinha. As bicicletas dos três irmãos foram junto, e naquele bairro tranquilo e plano, nos divertimos tardes sem fim andando de bicicleta por todo lado. O tempo passou, e nem lembro o que foi feito das bicicletas. Sei que passaram-se quase 15 anos até que eu subisse numa bicicleta novamente.

Dois anos atrás fui participar do meu primeiro congresso internacional de neurociências. O dito cujo ia ter lugar no velho mundo, em Amsterdam. Aí veio aquele frio na barriga: vou ter que andar de bicicleta! Será que eu ainda sei? Um amigo querido foi comigo fazer a prova: alugamos duas bikes no Parque Villa Lobos e fomos dar uma volta, em pleno domingo de sol em nossa cidade tão escassa de lazer a céu aberto. Parque cheio, com “gangues” de adolescentes ultrapassando todo mundo, velhinhas em triciclos, famílias, casais, em suma, todo tipo de gente. A frase que mais se ouvia na ocasião era: “Minino, olha pra frente!”. Sobrevivi. Com uma convicção: uma vez que se aprende a andar de bicicleta, nunca mais se esquece! Tá bom, é chavão, mas também é verdade, pô!

Confiando na minha aprendizagem motora, agora conferida, embarquei pra cidade modelo de inclusão das bikes no trânsito. Não foi sempre assim, como mostra o documentário.

Amsterdam também passou pelo deslumbramento do automóvel. Prédios foram derrubados para alargar avenidas, o crédito era fácil para adquirir a liberdade de ir e vir e… as pessoas começaram a morrer atropeladas! Pois é um imperativo: se há automóvel, há atropelamentos. Somado à crise do pós-guerra, a população foi às ruas e clamou por garantias à vida nas ruas. Deu no que deu: Amsterdam tem hoje a maior malha viária para tráfego exclusivo de bicicletas e motos. São mais de 400km de ciclovias utilizadas por 600.000 bicicletas. Mas vale perguntar, quantos habitantes têm Amsterdam? Pois bem, são em torno de 750.000. Virtualmente TODOS na cidade usam bicicletas. Inclusive eu, quando estive por lá. E é uma sensação incrível!

Aluguei uma bicicleta por uma semana, em uma lojinha no centro. Comentei com o cara que me atendeu que fazia um tempo que eu não andava de bicicleta e que estava com medo. Ele me orientou a sair da muvuca por umas vielas escondidinhas e meia hora depois eu estava amarrando a minha bicicleta na frente do congresso. Conheci a cidade toda assim. Seus incontáveis parques e canais, museus bacanas… Uma delícia. E uma diversão à parte, ver os usos e usuários das bicicletas por lá. Um velhinho que, quando desceu da sua bike sacou a bengala pra andar, o pai com um nenê na frente e outro maiorzinho atrás, carregando não só as crianças, mas também as compras no guidão, a executiva de tailleur e salto agulha, o fulano com o cachorro na cestinha…

Voltei para São Paulo, caridosamente apelidada aqui em casa de Gotham City, triste que só. Além dos roxos e da possível costela quebrada de um belo tombo que eu levei por lá, me parecia simplesmente impossível andar de bicicleta por aqui. Se não impossível, muito provavelmente mortal. As estatísticas não mentem: são 9 ciclistas internados diariamente na metrópole vítimas de acidentes de trânsito. É grave. E assim, conformada com a minha situação de ciclista cabaça, praticamente desisti da magrela. Andei mais meia dúzia de vezes, nesse esquema pega o carro e leva a bike até o parque. Ô coisa mais paulistana! Pega o carro pra tudo! E fila também! Sim, porque nossos míseros parques ficam abarrotados aos finais de semana. Somos 20 milhões em uma cidade que só tem lugar pra… carros!

Pois, domingo passado, tudo foi diferente. Eu e meu namorado nos juntamos a uma Massa Crítica, ou, como dizem por aqui: uma bicicletada. Nesses eventos, dezenas de ciclistas se unem para dar uma volta pela cidade, com o objetivo de conscientizar a população sobre a viabilidade da bicicleta como meio de transporte urbano, além de tentar cada vez mais conquistar o espaço que lhe é de direito nas vias públicas. A experiência é incrível! Acho que a sensação que mais define o sentimento geral do passeio é a de “estar” na rua. Quase um Occupy Street. O carro é uma extensão do espaço privativo do indivíduo, quando estamos parados, no trânsito, dentro do nosso carro, é quase como estar no sofá de casa, só que sem o pijama. Não nos envolvemos com nada do que está lá “fora”. Subimos o vidro, ligamos o ar condicionado e colocamos um filme preto nas janelas, criando uma carcaça isolante que, no fim, nos isola da coisa mais preciosa que temos, nossa humanidade.

Os budistas dizem que o homem é um bicho especial porque anda com o ventre exposto. Isso certamente nos deixa mais frágeis a ataques, mas também nos deixa mais abertos e disponíveis para a interação. Domingo, pedalando nas ruas de Gotham City, despida da malha de aço, me senti em comunhão com a cidade. O medo cedeu lugar à liberdade. A fragilidade da bicicleta foi suplantada pelo apoio do grupo. E eu finalmente entendi do que Raul estava falando quando cantou:

Sonho que se sonha só,

É só um sonho que se sonha só…

Mas sonho que se sonha junto,

É realidade.

Obrigado aos organizadores da Massa Crítica da Praça do Omaguás, por promoverem a conscientização do uso da bicicleta na cidade de São Paulo. Vocês, juntos, fazem o sonho de uma São Paulo um pouco mais humana se tornar realidade.

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Gaia

Poucas vezes nos damos conta de quão esquisito é o calendário que usamos e que a maioria do mundo (ainda) usa. Os 365 dias não encaixam direito no movimento dos planetas, e o 29 de fevereiro que existiu esse ano nos lembra esse fato. A cada quatro anos o calendário gregoriano passa por um “ajuste”, e atualmente isso é feito enfiando-se um dia a mais em fevereiro, que geralmente tem só 28 dias. Enquanto os outros alternam entre 30 e 31. Quer dizer… alternam mais ou menos. Julho e Agosto formam uma sequência de dois meses com 31 dias. Isso porque o ego de Cesar Augustus era tão grande quanto o de Júlio César, imperadores romanos. E já que a Júlio César tinha sido dado um mês com 31 dias, a César Augustus também foi concedida a mesma benesse, restando a fevereiro fazer a boa ação de ceder os dias necessários pra que a conta continuasse fechando em 365.

A historinha romana nos lembra que na base de nosso calendário estão disputas sangrentas pelo poder (Julio César foi assassinado) e pouco ou nenhum entusiasmo com os ciclos fundamentais da natureza e do planeta que nos serve não apenas de casa, mas de suporte de vida. Uma mentalidade que ainda perdura, em especial para o 1%, com duras penas para os 100%… É a Terra que nos dá tudo que comemos, a oportunidade de aproveitar energia (e de desperdiçar também) entre inúmeras outras coisas. Mas esse conhecimento, que deveria ser fundamental e ensinado com carinho desde a pré-escola, é marginalizado pela arrogância do homo sapiens que se considera o ponto mais alto da evolução, o ser mais inteligente. Por consequência então segue achando que o tempo deve ser medido em relação a si mesmo e que o planeta deve ser pilhado. Rios devem ser transformados em hidrelétricas, montanhas devem ser explodidas para extração de minério, florestas desmatadas para obtenção de madeira, peixes pescados predatoriamente, tudo em ritmo sempre crescente. Sempre elevando o PIB com o olhar míope que não alcança mais do que um, na melhor das hipóteses dois ciclos políticos, como escancarou a nomeação de um bispo que nunca pescou e não entende nem “acredita” na evolução (como se fosse tópico passivel de crença ou descrença…), como ministro da pesca…

Assim, seguimos todos comemorando datas com feriados de uma origem religiosa fortemente antropocêntrica e patriarcal, no caso a cristã, mesmo que sejamos ateus ou agnósticos, budistas, crentes em Jah ou o que quer que seja. Nos esquecemos de que a passagem do tempo é marcada pelo ciclos naturais, e hoje é uma data propícia pra lembrar disso porque é equinóceo, é fim de verão e começo de outono para uns, fim de inverno e começo de primavera para outros. O planeta mais uma vez re-inicia um ciclo, encerrando outro…

E nesse ano, além de ser bissexto e nos presentear com o dia extra, duas fotos foram publicadas, em 25 de Janeiro e 02 de Fevereiro, que novamente nos remetem à grandiosidade e importância que tem esse planeta, que volta a ser foco das atenções conforme rumamos a um futuro imprevisível com grandes probabilidades de algumas catástrofes acontecerem, dada a nossa desconexão com o mundo natural, com os ciclos da natureza, o movimento dos planetas, o ciclo das estações, os equilíbrios ecológicos e a delicada harmonia da vida. A NASA publicou duas imagens de um mesmo objeto, que se hoje estamos razoavelmente acostumados a ver, outrora nunca havia sido visto, pelo menos não dessa maneira, com a beleza e suavidade de seus 360 graus, em meio a uma infinitude de espaço sem vida que se extende até onde os mais avançados instrumentos científicos chegaram até hoje. Essa grande esfera foi agora fotografada com definição sem precedentes, e nos permite uma vez mais contemplar a beleza do pequeno ponto azul.

A primeira vez que a NASA liberou uma foto do planeta, aliás, foi devido a um insight psicodélico. Numa sociedade obcecada pelo progresso industrial e tecnológico dividida com fervores religiosos antropocêntricos, a idéia de divulgar uma foto do planeta não havia, por incrível que pareça, passado na cabeça de nenhum dos membros dos gigantescos projetos espaciais, distraídos provavelmente pela feroz competição típica da guerra fria… Coube a Stewart Brand, membro da trupe psicodélica conhecida como os Merry Pranksters, ter o insight durante uma sessão de LSD em 1966. Stewart, também criador de um livro épico dos anos 60, o Whole Earth Catalog, percebeu que uma imagem do planeta, visto de fora, inteiro, seria um potente catalizador de uma nova percepção para a humanidade, tão distraída com o progresso industrial e as datas comemorativas de religiões que ha muito esqueceram ou que sequer reconheceram na prática que o mundo é redondo, que gira em torno do sol, que os recursos são finitos e que estamos nessa todos juntos, independente de fronteiras e bandeiras, de crença e de raça. A imagem do planeta foi divulgada somente em 1968 quando astronautas da missão Apollo mandaram a primeira foto colorida de Gaia. No meio tempo, Stewart fez campanha com broches com a pergunta “Por que ainda não vimos uma foto do planeta inteiro?”, que mandva para políticos, membros da ONU, da NASA, da união soviética… Segundo Stewart, a foto “reenquadrou tudo. Pela primeira vez a humanidade se viu de fora. As características do planeta eram um azul e verde vivos – continentes marrons e calotas polares extremamente brilhantes – e uma atmosfera complicada, ativa. Tudo arranjado como uma jóia em meio a imensidões de espaço e vácuo”.

De fato, a imagem do planeta chacoalhou a consciência da humanidade, e pode ser tido com um dos pontos que marcam o nascimento do movimento ecológico, que ganha força e se torna cada vez mais importante, dados os desafios globais que enfrentamos atualmente.

Uma característica comum dos efeitos dos psicodélicos, especialmente quando usados com sabedoria e respeito, junto a um ambiente natural, são insights sobre a maravilha da natureza, a beleza e o mistério em cada pétala, em cada inseto, a complexidade de comportamentos, a interdependência de todos com todos, a percepção simples e súbita, porém profunda e de efeitos duradores, da preciosidade da teia da vida. Não é a toa que os chamam também, entre inúmeros outros nomes, de ecodélicos. Albert Hofmann, pai do LSD, nos diz:

“A humanidade agora enfrenta desafios de enormes proporções; a sobrevivência da nossa espécie e de milhares de formas de vida estão em jogo. Um entendimento sagrado de toda a vida é necessário como base para um comportamento compassivo e para ações criativas que irão servir e sustentar a vida. Espero que no início deste novo milênio, as pessoas usem toda a variedade de práticas espirituais para ajudar a transformar a visão de mundo de nossa fixada cultura materialista. Tal mudança de valores nos levará a uma maior sensação de interconectividade com todas as criaturas de Deus e uma apreciação mais profunda da infinita riqueza e maravilha do cosmos e a igualmente infinita riqueza dos reinos interiores de nosso ser.”

São vários os pioneiros do movimento ecológico que atestaram a importância de seus insights de experiências psicodélicas, e na aproximação da Rio+20 em meio a um governo considerado por muitos o pior para a área ambiental desde a ditadura militar, apreciar de novo a beleza e o poder das imagens de Gaia em alta definição em pleno equinóceo pode, quem sabe, despertar algumas almas para um novo mundo que se levanta.

Ou será que o provérbio Cree será realizado?

“Somente após a última árvore ser cortada.

Somente após o último rio ser envenenado.

Somente após o último peixe ser pescado.

Somente então o homem descobrirá que dinheiro não pode ser comido!!”

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Como alimentar 9 bilhões sem destruir o planeta?

Neste momento de tensão política em prol do avanço econômico a qualquer custo, com Belo Monte e código ruralista a todo vapor e Rio+20 a caminho, esta palestra de Jason Clay, da WWF, nos traz alertas surpreendentes e da maior importância. O desafio de produzir alimentos para 9 bilhões de pessoas até 2050 mantendo alguma chance de sobrevida para a biodiversidade planetária não será vencido com perspectives simples e unidirecionadas, como a da expansão da soja, por exemplo. Pessoas, governos e ONGs precisam atuar em todos os níveis. No meio da tensão política entre governo brasileiro e ONGs, o alerta fica ainda mais importante. Trata-se de tarefa sem precedentes para a humanidade, e precisamos abrir o olho já. Agricultura é o maior utilizador de venenos, toxinas e poluentes, dentre todas as atividades humanas. Na agricultura gastamos atualmente o dobro da água que consumimos em todas as demais atividades humanas no planeta, e água é o principal recurso que temos de preservar para nos mantermos vivos. Os dados são avassaladores. O desperdício, por exemplo, é responsável pela perda de 1/3 de todos os alimentos que se produz no mundo. E quanto a isso, todos, sem excessão, podem fazer algo. E é disso que trata a palestra, o que pode ser feito de positivo, por ONGs, governos, empresas e cidadãos, se trabalharmos de maneira consciente e colaborativa.

vídeo com legendas em português e inglês, no menu acima clique em CC

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Festival de idéias

Está rolando o festival de idéias. A idéia (das idéias) é simples:

1– Inscreva uma idéia

2– Trabalhe em rede

3– As 3 finalistas levarão R$ 10 mil cada

Plantamos 3 sementinhas por lá. Porque:

1gostamos de pedalar;

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2não gostamos de pisar na merda, mas gostamos de árvores;

 

 

 

 

 

 

 

 

3gostamos de caminhar;

 

 

 

 

 

 

É tudo colaborativo, do jeito que acreditamos que deve ser. Quer ajudar? Vai lá, regue, adube, composte, faça sua poda e ajude a divulgar!

Até dia 09/09 hein?!

saudações

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Redescobrindo o princípio do divino feminino na Água

Por Kathi von Koerber, especial para o Plantando Consciência

Estamos na época de nos dar conta de que, por séculos, o valor real da água como a verdadeira forma do feminino foi negligenciado. Por milênios a humanidade reverenciou o elemento do fogo, o filho do Sol. Fogo é uma manifestação do masculino no planeta Terra, e a água é o aspecto feminino. Em nossa história, fogo significou riqueza, potencial, capacidade de forjar ouro, massacrar e queimar impérios, conquistar territórios, cruzadas e caça às bruxas; e continua sendo usado como elemento de impacto e poder. Civilizações imperiais governaram com desdém pelo balanço dos elementos da água e fogo. Este último, relativo ao Sol na Terra, tornou-se a celebrada força do elemento masculino de força e poder, e as águas, elemento feminino, lenta mas consistentemente foram depreciadas e poluídas.

Hoje nossas águas estão em estado de crise e nós humanos refletimos este estado em nós mesmos. Sem dúvidas o ciclo da vida está sendo desafiado enquanto o aquecimento global acelera, represas estão interferindo com o fluxo da natureza e até mesmo o rio Amazonas está experimentando secas. Igualmente, a saúde e o bem estar interior da humanidade está sofrendo de pobreza espiritual e existencial. Desordens mundiais de ansiedade, depressão, esquizofrenia, insônia, vícios e personalidades maníacas são resultado da crise interior. Desordens femininas como a TPM extrema, fibrose, câncer de útero, infertilidade e câncer de mama são apenas alguns exemplos que refletem a luta do sexo feminino para encontrar equilíbrio e saúde num mundo moderno afastado da natureza. Esta crise é resultado da falta de harmonia entre os humanos; homens, mulheres e sua relação mútua e consigo mesmos, a natureza e os elementos. E mais especificamente o desequilíbrio da água e do fogo em nossas vidas.

Como passamos a compreender nas últimas décadas, o cuidado com a água é fundamental para nossa sobrevivência futura. Mais do que jamais imaginamos. Como habitantes da Terra, nós entramos numa época onde precisamos priorizar e reverenciar mais a Terra e seus habitantes femininos para nos reequilibrar e harmonizar.

O princípio do feminino no planeta Terra pode ser encontrado no fluxo das águas. Os lagos, rios, tudo que flui, acumula, nutre e eventualmente origina o oceano. Nos textos Védicos é dito que existem sete tipos de águas: nascentes, corredeiras, rios, lagoas, lagos, aquíferos e o mar. Os lagos e lagoas representam o ventre, os rios e as cachoeiras a fertilidade e virilidade das águas e os oceanos representam o líquido amniótico. Os mares e oceanos são conhecidos em muitas tradições com a mãe das águas, também conhecido no Brasil como Iemanjá. O elemento da água é o sangue de nosso planeta, os rios são as veias da Terra e por natureza, as mulheres cuidam e abençoam a água. O princípio feminino é nutrir, manter seguro, como a mãe segurando e alimentando seu bebê. Ao nutrir seu ventre, suas crianças, as mulheres efetivamente nutrem as águas e a si mesmas. Portanto, as mulheres tem a responsabilidade de agir como guardiãs das águas. Toda água que flui traz a marca da nutrição, da mãe e da cuidadora.

A natureza do feminino é muito similar a um cristal. Cristais são condutores de energia, assim como as mulheres. Mulheres são geralmente mais sensíveis que homens, elas absorvem e transformam a energia, como uma mãe que cuida de seu filho com leite do seio. Da mesma maneira, pensamentos e emoções são absorvidos e armazenados em nossos corpos através de nossas águas, como nosso sangue que leva nutrientes para as células e órgãos. Água é um condutor e portanto precisamos tomar cuidado com quais pensamentos colocamos na água pois ela pode absorvê-los. Quando absorvem e não liberam, nossas águas podem ficar fisicamente desequilibradas, resultando em desarmonia ou doença. Então, para reestabelecer a harmonia, é preciso aprender a equilibrar as emoções e estar consciente de que estamos poluindo nossas águas interiores com pensamentos negativos.

É do entendimento de todos que precisamos participar ativamente dos ciclos da vida e não nos considerarmos separados da natureza. Para cada recebimento há uma retribuição. Assim como há um negativo, há um positivo, como uma bateria. Para cada recebimento de água há uma oferta. Para cada emoção há um ato de harmonização e limpeza. Como na natureza, para cada noite há um dia, enquanto o sol e a lua ciclam harmoniosamente, as energias do fogo e da água podem novamente se realinhar.

Então para cada gole de água que sacia nossa sede e limpa nossos corpos, deve haver um ato recíproco. Um ato de devolver é um agradecimento em uma tentativa de harmonização de nossas águas internas e externas. Pensando positivamente quando cozinhamos, ou quando movemos nossas águas internas através da dança, ou ao cantarmos e vibrarmos durante o banho. Compreender que toda a água que usamos foi usada por nossos ancestrais e será usada por nossos filhos e portanto devemos honrar a linhagem e a continuidade da vida.

Com o tempo podemos reintegrar o ciclo da água em nossas vidas, seja através de um estilo de vida sustentável, coletando as águas cinzas, ou sabendo de onde vem sua água potável. Assim, nosso conhecimento se torna mais consciente do design sagrado da vida e das leis da natureza. Para homens e mulheres poderem também compreender que a cozinha, para uma mulher, é o ponto central da família e o altar vivo do equlíbrio alquímico da água e do fogo.

Não Podemos viver sem água. Água é vida, água dá vida e água tira vida.

Estamos vivendo no limiar da maior crise que a humanidade já presenciou, que é a falta de água fresca e limpa. Portanto é extremamente importante como iremos tratar a água interna e externa daqui pra frente. Uma crise planetária da água revela-se de três formas: água contaminada, falta de água e excesso de água. Em nossos corpos, a água poluída se manifesta como raiva, falta de água se relaciona com tristeza e o excesso de água é o ciúme, luxúria e ganância, todos levando a tormentos e desequilíbrio. Para quaisquer formas de turbulência sobre a água que falemos, o antídoto são rezas e boas ações.

Mulheres foram abençoadas com o presente da auto-limpeza na forma de nosso ciclo menstrual. Assim como a terra tem seus ciclos, os sistemas reprodutivos da mulher e o ciclo menstrual são um mecanismo de limpeza sintonizado com a lua. A lua é o guardião feminino que alinha as águas femininas e a menstruação aos ciclos do cosmos. Assim como a água limpa a si mesma por osmose, evaporação, precipitação e filtragem durante a sedimentação, as mulheres liberam e transformam toxinas acumuladas, energias estagnadas e emoções através da menstruação. A menstruação é uma maneira do corpo e da mente se limparem para toda a família, pois a mulher é a peça central da família, pois é a que dá a luz e nutre. A menstruação foi suprimida pela sociedade ao ponto de pessoas tentarem escondê-la, fingir que não está acontecendo e ignorando-a. Todos os sintomas da TPM, ou saúde debilitada em torno da menstruação ou dos sistemas reprodutivos são claras indicações de alguma sorte de desarmonia espiritual ou física. Os ciclos naturais nunca deveriam ser considerados como certezas; o mesmo vale para o sistema menstrual da mulher.

O ciclo natural da mulher é um método altamente avançado para as mulheres se reconectarem à terra e limparem seu ser interior. Mulheres precisam aprender a honrar este momento sagrado e serem apoiadas pelo seu entorno neste feito. Devolver o sangue menstrual como matéria fértil para o solo é uma prática ancestral, contrastante com o conveniente descarte na descarga do banheiro. A verdadeira reza da mulher para devolver seu sangue menstrual para a terra, através do uso do moderno e conveniente coletor de silicone fortalece a comunicação direta com a terra e o eu interior da mulher. Isso permite que as mulheres novamente se tornem suas próprias curandeiras e revigora a relação deteriorada com o planeta Terra. As emoções ficam ancoradas ao solo e não na água. Quando o sangue menstrual é depositado na água, a água se torna mais volátil com emoções e toxicidade. Mesmo a água sendo reciclada muitas vezes, nós beberemos esta volatilidade e será difícil equilibrar mente, espírito e a harmonia masculino/feminino no planeta. O elemento terra tem a habilidade de acalmar as águas.

O primeiro passo para harmonizar o papel do divino feminino é recuperar nossas águas. Como humanidade e indivíduos, temos de reclamar nossas águas. Em uma jornada interior para curar e garantir águas tranquilas é importante integrar a si mesmo nos ciclos naturais das leis do universo. Em um nível ambiental é importante estar seguro de onde vêm nossa água potável, como foi tratada e para onde fluirá depois. É a responsabilidade pessoal com a saúde interior e sua manutenção, para que então possamos ser úteis na preservação e continuidade da comunidade. Na reza e no dia a dia, significa balancear as águas internas e externas permitindo a nós mesmas honrar e ouvir a fluidez das águas femininas.

Kathi von Koerber é uma dançarina/curandeira e diretora de cinema da Alemanha/Africa do Sul. Conviveu com idosos das tribos Bushmen no sul da África do Sul, os Tuareg no Saara, a princesa da Iboga no Gabão, Bernardette Riebenot, Lakota, Navajo e Cherokee nos EUA, Xawante e Fulnio no Brasil e os Camsra e Kogi na Colômbia. Kathi ensina dança e faz apresentações internacionais ha 15 anos, e dedica sua vida para preservar a sabedoria indígena e advocar rituais como elementos chave na evolução humana e iniciação na vida adulta.

Kathi fundou a Kiahkeya em 2004 com o objetivo de informar e disseminar a arte, criatividade e espiritualidade com o propósito da tolerância e igualdade cultural e ambiental.

Vários projetos incluem filmes sobre a tribo Bushmen na África do Sul, o filme “Footsteps in Africa” sobre a música, dança e capacidade de sobrevivência dos nômades Tamakesh no Saara e um filme ambiental de dança Butoh feito nas geleiras do Alaska, que ela atualmente está editando.

O projeto mais recente de Kathi é um filme sobre os poderes místicos da água chamado “Moving Waters”. Kiahkeya também produz workshops interculturais, incluindo dança, medicina sagrada com plantas medicinais, rezas de diferentes tradições, treinamento em liderança selvagem e vivência sustentável. Todos os projetos da Kiahkeya são esforços para apoiar o ambiente e seus habitantes nesta era moderna. Kathi honra a voz da avó. Ela apóia a reza feminina e suas vozes anciãs através dos elementos, a terra e o alimento, o fogo e a transformação, a água e seu poder purificante e o ar através do qual caminhamos a dança da vida

http://www.kiahkeya.com
http://www.imovewater.net

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